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A bexiga neurogênica é a perda da função
normal da bexiga provocada pela lesão de uma parte
do sistema nervoso.
A bexiga neurogênica pode ser decorrente
alguma doença, de uma lesão ou de um defeito
congênito que afeta o cérebro, a medula espi
nhal ou os nervos que se dirigem à bexiga, seu esfíncter
(orifício de saída para o interior uretra)
ou a ambos. A bexiga neurogênica pode ser hipoativa,
isto é, o órgão é incapaz de
con trair (não contrátil) e é incapaz
de esvaziar ade quadamente, ou pode ser hiperativa (espástica),
esvaziando por reflexos incontroláveis.
Causas
Normalmente, a bexiga hipoativa é
decorrente da interrupção dos nervos que a
inervam. Nas crianças, a causa mais comum é
um defeito congênito da medula espinhal como, por
exemplo, a espinha bífida ou a mielomeningocele (protrusão
da medula espinhal através das vértebras).
A bexiga hiperativa comumente é decorrente
da interrupção do controle normal da bexiga
pela medula espinhal e pelo cérebro. As causas mais
comuns são as lesões ou um distúrbio
(p.ex., esclerose múltipla) que afetam a medula espinhal,
os quais também podem acarretar paralisia dos membros
inferiores (paraplegia) ou dos membros superiores e inferiores
(quadriplegia). Freqüentemente, esse tipo de lesão
inicialmente faz com que a bexiga torne-se flácida
durante dias, semanas ou meses (a fase de choque). Posteriormente,
a bexiga torna-se hiperativa e esvazia sem controle voluntário.
Sintomas
Os sintomas variam de acordo com a bexiga
ser hipoativa ou hiperativa.
Como a bexiga hipoativa comumente não chega a esvaziar,
ela dilata até tornar-se muito volu-mosa. Este aumento
de volume geralmente é indolor, pois a bexiga expande
lentamente e possui pouca ou nenhuma atividade nervosa
local. Algumas vezes, a bexiga permanece dilatada, mas,
constantemente, ela deixa escapar uma pequena quantidade
de urina (incontinência por transbordamento). As infecções
vesicais são comuns em indivíduos com bexiga
hipoativa, pois o acúmulo de urina residual na bexiga
cria as condições que estimulam o crescimento
bacteriano. Pode ocorrer formação de cálculos
na bexiga, sobretudo quando o indivíduo apresenta
uma infecção crônica da bexiga que exige
uma sonda de demora. Os sintomas de uma infecção
da bexiga podem variar, dependendo do grau de atividade
nervosa que resta.
A bexiga hiperativa pode encher e esvaziar sem controle
e com graus variáveis de alerta, pois
ela contrai e esvazia por reflexo (involuntariamente).
Quando existe uma bexiga hipoativa ou hiperativa, a pressão
e o refluxo de urina da bexiga através dos ureteres
pode lesar os rins. Nos indivíduos com lesão
medular, a contração da bexiga e o relaxamento
do esfíncter vesical podem não estar coordenados
e, conseqüentemente, a pressão na bexiga permanece
elevada e não permite que a urina saia dos rins
Diagnóstico
Freqüentemente, o médico pode
palpar uma bexiga volumosa durante o exame da região
abdominal inferior. Os estudos radiográficos utilizando
um contraste injetado por meio da via intravenosa (urografia
intravenosa) ou através de um cateter diretamente
na bexiga (cistografia) e na uretra (uretrografia) fornecem
informações adicionais. As radiografias podem
revelar o tamanho dos ureteres e da bexiga e, possivelmente,
cálculos e lesões renais. Além disso,
elas podem prover ao médico algumas informações
sobre a função renal. A ultra-sonografia fornece
informações similares. A cistoscopia é
um procedimento, normalmente indolor, que permite ao médico
observar diretamente o interior da bexiga com o auxílio
de um tubo de visualização flexível,
o qual é inserido através da uretra.
A quantidade de urina que permanece na bexiga após
a micção pode ser mensurada através
da passagem de um cateter vesical (sonda vesical) para drenar
a urina. A pressão no interior da bexiga e da uretra
pode ser medida conectando-se o cateter a um medidor (cistometrografia).
Tratamento
Quando a causa da bexiga hipoativa é
uma lesão neurológica, o médico pode
passar um cateter pela uretra para drenar a bexiga contínua
ou intermitentemente. Após a lesão, o cateter
é passado assim que possível para impedir
que os músculos da bexiga sejam lesados pela dilatação
excessiva e para evitar uma infecção da bexiga.
A manutenção de uma sonda de demora (permanente)
causa menos problemas físicos na mulher que no homem.
Em um homem, ela pode causar inflamação da
uretra e do tecido circunjacente. No entanto, tanto para
os homens quanto para as mulheres, é preferível
o uso de um cateter (sonda) que possa ser passado periodicamente
pelo próprio paciente (4 a 6 vezes ao dia) e removido
após o esvaziamento da bexiga (autosondagem intermitente).
Os indivíduos com bexiga hiperativa também
podem necessitar da passagem de uma sonda para drenagem
quando os espasmos do esfíncter vesical impedem o
seu esvaziamento completo. Para os homens com quadriplegia
que não conseguem realizar a autosondagem, pode
ser necessária a realização da secção
do esfíncter vesical (anel muscular que fecha um
orifício), para permitir o esvaziamento da bexiga.
Uma bolsa de coleta externa pode ser utilizada. A estimulação
elétrica pode ser aplicada à bexiga, aos nervos
que a controlam ou à medula espinhal para induzir
a contração da bexiga. No entanto, este tipo
de tratamento ainda encontra-se em fase experimental.
O tratamento medicamentoso pode melhorar o armazenamento
de urina na bexiga. Geralmen-te, o controle de uma bexiga
hiperativa pode ser melhorado por medicamentos que a relaxam
(p.ex., anticolinérgicos). Entretanto, essas drogas
comumente causam efeitos colaterais (p.ex., boca seca e
constipação) e a melhoria do esvaziamento
da bexiga com o uso de medicamen-tos é difícil
para aqueles que apresentam uma bexiga neurogênica.
Algumas vezes, é recomendada a cirurgia de desvio
da urina até uma abertura externa (ostomia) criada
na parede abdominal ou de a cirurgia para aumentar a bexiga.
O desvio da urina proveniente dos rins para a superfície
do corpo pode ser realizado por meio da remoção
de um pequeno segmento do intestino delgado e, em seguida,
da conexão dos ureteres a esse segmento, o qual é
fixado à ostomia, permitindo que a urina seja coletada
em uma bolsa. Este procedimento é denominado alça
ileal. A bexiga pode ser aumentada com um segmento do intestino,
em um procedimento denominado cistoplastia de aumento e
o indivíduo pode re-alizar a autosondagem. Para os
lactentes, como medida temporária até a criança
atingir a idade para a cirurgia definitiva, é criada
uma conexão entre a bexiga e uma abertura na pele
(vesicostomia).
Independentemente do fluxo urinário ter sido desviado
ou não ou se o indivíduo faz uso de uma sonda
ou não, são realizados grandes esforços
para reduzir o risco da formação de cál-culos
urinários. A função renal é
rigorosamente monitorizada. Uma infecção
renal é tratada imediatamente. A ingestão
de 8 copos de líquido por dia é recomendada.
Um indivíduo com paralisia deve ser mudado de posição
freqüentemente e os outros são estimulados
a deam-bular o mais breve possível. Embora a recuperação
completa seja incomum em qualquer tipo de bexiga neurogênica,
alguns indivíduos apresentam uma recuperação
considerável com o tratamento.
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