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As gorduras, também denominadas lipídeos,
são substâncias ricas em energia que servem
como fonte principal de combustível para os processos
metabólicos do corpo. As gorduras são obtidas
dos alimentos ou são formadas no corpo (sobretudo
no fígado) e podem ser armazenadas nas células
adiposas para uso futuro. Além disso, as células
adiposas isolam o corpo contra o frio e ajudam a protegê-lo
contra lesões. As gorduras são componentes
essenciais das membranas celulares, das bainhas de mielina
que envolvem as células nervosas e da bile.
As duas principais gorduras presentes no
sangue são o colesterol e os triglicerídeos.
As gorduras ligam-se a determinadas proteínas para
deslocar-se no sangue. As gorduras e proteínas combinadas
são denominadas lipoproteínas. As principais
lipoproteínas são os quilomícrons,
as lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL),
as lipoproteínas de baixa densidade (LDL) e as lipoproteínas
de alta densidade (HDL). Cada tipo de lipoproteína
serve para um propósito diferente e é decomposta
e excretada de uma maneira discretamente diferente. Por
exemplo, os quilomícrons originam-se no intestino
e transportam certos tipos de gordura digerida dos intestinos
para a corrente sangüínea. Em seguida, um grupo
de enzimas remove a gordura dos quilomícrons para
utilizá-la como fonte de energia ou para armazená-la
nas células adiposas. Finalmente, o quilomícron
restante, sem a maior parte de sua gordura (triglicerídeos),
é removido do sangue pelo fígado.
O organismo regula as concentrações
de lipoproteínas de várias maneiras. Uma delas
é a redução da síntese de lipoproteínas
e de sua entrada na corrente sangüínea. Uma
outra maneira é o aumento ou a diminuição
da velocidade com que as lipoproteínas são
removidas do sangue. Concentrações anormais
de gorduras circulantes na corrente sangüínea,
sobretudo de colesterol, podem acarretar problemas a longo
prazo. O risco de aterosclerose e doença das artérias
coronárias ou carótidas (e, conseqüentemente,
o risco de infarto do miocárdio ou de acidente vascular
cerebral) aumenta com o aumento da concentração
total de colesterol. Por essa razão, as concentrações
baixas de coles-terol geralmente são melhores do
que as altas, embora as concentrações extremamente
baixas de colesterol também possam ser prejudiciais.
A concentração ideal de colesterol total é
provavelmente de 140 a 200 miligramas por decilitro de sangue
(mg/dl) ou menos.
O risco de infarto do miocárdio é
mais do que o dobro quando a concentração
de colesterol total aproximase de 300 mg/dl. Nem todas as
formas de colesterol aumentam o risco de cardiopatia (doença
cardíaca). O colesterol transporatado pela LDL (o
chamado colesterol ruim) aumenta o risco; o colesterol transportado
pela HDL (o chamado colesterol bom) diminui o risco e é
benéfico. De modo ideal, a concentração
de LDL-colesterol deve ser inferior a 130 mg/dl e a de HDL-colesterol
deve ser superior a 40 mg/dl. A concentração
da HDL deve representar mais de 25% do colesterol total.
Causas do Aumento da Concentração
de Gorduras
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Colesterol
Dieta rica em gorduras saturadas e colesterol
Cirrose
Diabetes mal controlado
Hipoatividade da tireóide
Hiperatividade da hipófise
Insuficiência renal
Porfiria
Hereditariedade |
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Triglicerídeos
Excesso de calorias na dieta
Abuso agudo de álcool
Diabetes não controlado grave
Insuficiência renal
Certos medicamentos
Estrógenos
Contraceptivos orais
Corticosteróides
Diuréticos tiazídicos (até
certo ponto)
Hereditariedade |
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A concentração de colesterol
total é menos importante como fator de risco de cardiopatias
ou de acidentes vasculares cerebrais que a relação
colesterol total: HDL-colesterol ou que a relação
LDL:HDL. Não está claro se as concentrações
elevadas de triglicerídeos aumentam o risco de cardiopatias
ou de acidentes vasculares cerebrais. A concentração
sérica de triglicerídeos superiores a 250
mg/dl são considerados anormais, mas não parece
que as concentrações elevadas aumentem de
modo uniforme o risco de aterosclerose ou de doença
coronariana. Contudo, concentrações extremamente
altas de triglicerídeos (superiores a 800 mg/dl)
podem causar pancreatite.
Hiperlipidemia
A hiperlipidemia consiste em concentrações
elevadas de gorduras (colesterol e/ou triglicerídeos)
no sangue. As concentrações de lipoproteínas,
sobretudo do HDL-colesterol, aumentam com a idade. As concentrações
são normalmente mais altas nos homens que nas mulheres,
mas começam a aumentar nas mulheres após a
menopausa. Outros fatores que contribuem para as concentrações
elevadas de determinados lipídeos (p.ex., VLDL e
LDL) incluem a história familiar de hiperlipidemia,
a obesidade, a dieta rica em gorduras, a falta de exercício,
o consumo moderado a intenso de bebidas alcoólicas,
o tabagismo, o diabetes mal controlado e a hipoatividade
da tireóide.
Concentrações de Gorduras
no Sangue
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Exame Laboratorial
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Faixa Ideal*
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Colesterol total |
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120 a 200 mg/dl |
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Quilomícrons |
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Nenhum (após
12
horas de jejum) |
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Lipoproteínas
de densidade
muito baixa (VLDL) |
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1 a 30 mg/dl |
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Lipoproteínas
de baixa
densidade (LDL) |
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60 a 160 mg/dl |
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Lipoproteínas
de alta
densidade (HDL) |
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35 a 65 mg/dl |
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Relação
LDL:HDL |
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Menos de 3,5 |
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Triglicerídeos |
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10 a 160 mg/dl |
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A maioria dos aumentos das concentrações
de triglicerídeos e de colesterol total é
temporária e não é grave, sendo decorrente
principalmente do consumo de gorduras. Cada indivíduo
elimina as gorduras do sangue de uma maneira diferente.
Um indivíduo pode consumir grandes quantidades de
gorduras animais e nunca apresentar uma concentração
de colesterol total superior a 200 mg/ dl, enquanto um outro
pode seguir uma dieta hipogordurosa e jamais apresentar
uma concentração de colesterol total inferior
a 260 mg/dl. Essa diferença parece ser parcialmente
determinada geneticamente e está em grande parte
relacionada com as diferentes velocidades com que as lipoproteínas
entram e são removidas da corrente sangüínea.
Sintomas e Diagnóstico
Normalmente, as concentrações
elevadas de gordura não produzem sintomas. Ocasionalmente,
quando as concentrações encontram-se particularmente
altas, os depósitos de gorduras formam tumores denominados
xantomas nos tendões e na pele. As concentrações
extremamente elevadas de triglicerídeos (de 800 mg/dl
ou superiores) podem provocar aumento do fígado e
do baço e podem produzir sintomas de pancreatite
(p.ex., dor abdomnal intensa). Em qualquer momento, pode
ser coletada uma amostra de sangue para se mensurar a concentração
de colesterol total. No entanto, as amostras de sangue para
se mensurar as concentrações de HDL-colesterol,
de LDL-colesterol e de triglicerídeos são
mais confiáveis quando coletadas após um jejum
de no mínimo 12 horas.
Tratamento
Uma dieta pobre em colesterol e em gorduras
saturadas reduz a concentração de LDL. Os
exercícios podem ajudar a reduzir a concentração
sérica de LDL-colesterol e aumentar a de HDLcolesterol.
A ingestão diária de uma pequena quantidade
de bebida alcoólica pode elevar a concentração
de HDL-colesterol e reduzir a de LDL-colesterol, embora
a ingestão de mais de duas doses poder produzir o
efeito oposto. Geralmente, o melhor tratamento para os indivíduos
com concentrações elevadas de colesterol ou
de triglicerídeos consiste na perda de peso (quando
existe um sobrepeso), na interrupção do tabagismo,
na redução da quantidade total de gorduras
e de colesterol da dieta, no aumento dos exercícios
e, quando necessário, no uso de um medicamento que
reduz os lipídeos. No entanto, quando as concentrações
séricas de gorduras são muito altas ou não
respondem aos tratamentos habituais, o médico deve
identificar o distúrbio específico através
de exames de sangue especiais para poder elaborar um tratamento
específico.
Hiperlipidemias Hereditárias
As concentrações de colesterol
e triglicerídeos são mais elevadas nos indivíduos
com hiperlipidemias hereditárias, também denominadas
hiperlipoproteinemias, as quais interferem nos mecanismos
de metabolização e eliminação
de gorduras do organismo. Cada um dos cinco tipos principais
de hiperlipoproteinemia produz um perfil diferente de gorduras
no sangue e um conjunto diferente de riscos. A hiperlipoproteinemia
do tipo I (hiperquilomicronemia familiar) é um distúrbio
hereditário raro, presente ao nascimento, no qual
o organismo é incapaz de eliminar os quilomícrons
do sangue. As crianças e os adultos jovens com hiperlipoproteinemia
do tipo I apresentam crises recorrentes de dor abdominal.
Eles apresentam um aumento do fígado e do baço
e desenvolvem depósito cutâneos de gordura
de cor rosa-amarelado (xantomas eruptivos). Os exames de
sangue revelam concentrações extremamente
elevadas de triglicerídeos. Esse distúrbio
não causa aterosclerose, mas pode causar pancreatite,
a qual pode ser fatal.
Os indivíduos com esse distúrbio
devem evitar o consumo de gorduras de todos os tipos (saturadas,
insaturadas e poli-insaturadas). A hiperlipoproteinemia
do tipo II (hipercolesterolemia familiar) é um distúrbio
hereditário que acarreta aterosclerose acelerada
e morte precoce, geralmente por infarto do miocárdio.
Os indivíduos com hiperlipoproteinemia do tipo II
apresentam concentrações elevadas de LDLcolesterol.
Os depósitos de gordura formam proeminências
(xantomas) nos tendões e na pele. Um em cada seis
homens com esse distúrbio sofre um infarto do miocárdio
em torno dos 40 anos e dois em cada três sofre um
infarto do miocárdio em torno dos 60 anos. As mulheres
com hiperlipoproteinemia do tipo II também apresentam
um maior risco, mas com um começo mais tardio. Aproximadamente
uma em cada duas mulheres com esse distúrbio sofrerá
um infarto do miocárdio em torno dos 55 anos. Os
indivíduos que possuem dois genes para esse distúrbio
(uma ocorrência rara) podem apresentar concentrações
de colesterol total de 500 a 1.200 mg/dl e, freqüentemente,
morrem na infância devido a uma doença coronariana.
O tratamento visa evitar os fatores de risco
(p.ex., tabagismo e obesidade) e reduzir a concentração
sérica de colesterol com medicamentos. É instituída
uma dieta hipogordurosa ou sem gordura, especialmente as
gorduras saturadas e o colesterol, e a prática de
exercício. A adição de farelo de aveia
à dieta, o qual se liga às gorduras nos intestinos,
pode ser útil. Freqüentemente, é necessária
a administração de um medicamento que reduz
a concentração de lipídeos. A hiperlipoproteinemia
do tipo III é um distúrbio hereditário
incomum que acarreta concentrações altas de
VLDL-colesterol e de triglicerídeos. Nos homens com
hiperlipoproteinemia do tipo III, surgem acúmulos
de gordura na pele no início da vida adulta. Nas
mulheres, eles surgem 10 a 15 anos mais tarde. Em ambos
os sexos, os depósitos surgem mais cedo quando existe
sobrepeso. Freqüentemente, a aterosclerose obstrui
artérias e reduz o fluxo de sangue para os membros
inferiores em torno da meia-idade. Os exames de sangue revelam
concentrações altas de colesterol total e
de triglicerídeos. Nesses indivíduos, o colesterol
é em sua maior parte VLDL-colesterol. Os indivíduos
com hiperlipoproteinemia do tipo III freqüentemente
apresentam um diabetes leve e concentrações
séricas altas de ácido úrico. O tratamento
visa obter e manter um peso corpóreo ideal e a menor
ingestão de colesterol e gorduras saturadas.
Medicamentos Utilizados para Baixar
as Concentrações Séricas de Gorduras
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Tipo de Medicamento |
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Exemplos |
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Como Atua |
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Absorvente
dos ácidos biliares |
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Colestiramina
Colestipol |
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Liga os ácidos
biliares no intestino; aumenta
a eliminação da LDL da corrente sangüínea |
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Inibidor da
síntese de lipoproteínas |
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Niacina |
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Reduz a velocidade
de produção de VLDL
(a VLDL é a precursora da LDL) |
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Inibidor da
coenzima A redutase |
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Fluvastatina
Lovastatina
Pravastatina
Simvastatina |
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Bloqueia a
síntese de colesterol, aumenta a
remoção de LDL da corrente sangüínea |
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Derivado do
ácido fíbrico |
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Clofibrato
Fenofibrato
Gemfibrozil |
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Ação
desconhecida, possivelmente
aumenta a degradação das gorduras |
|
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Normalmente, os medicamentos redutores de
lipídeos são necessários. As concentrações
séricas de gorduras quase sempre podem ser reduzidas
aos valores normais, diminuindo a incidência da aterosclerose.
A hiperlipoproteinemia do tipo IV é um distúrbio
comum, o qual afeta freqüentemente vários membros
de uma mesma família e produz concentrações
elevadas de triglicerídeos. Este distúrbio
pode aumentar o risco de aterosclerose. Os indivíduos
com hiperlipoproteinemia do tipo IV freqüentemente
apresentam sobrepeso e um diabetes leve. A redução
do peso, o controle do diabetes e a abstinência de
bebidas alcoólicas são medidas benéficas.
Também pode ser útil o uso de um medicamento
redutor de lipídeos. A hiperlipoproteinemia do tipo
V é um distúrbio incomum no qual o organismo
não consegue metabolizar e eliminar suficientemente
o excesso de triglicerídeos.
Sendo algumas vezes hereditário, este
distúrbio pode ser provocado pelo uso abusivo de
álcool, por um diabetes mal controlado, pela insuficiência
renal ou pela ingestão de alimentos após um
período de inanição. Quando é
hereditário, esse distúrbio comumente manifesta-
se pela primeira vez no início da vida adulta. Os
indivíduos com hiperlipoproteinemia do tipo V podem
apresentar um grande número de depósitos gordurosos
(xantomas) na pele, aumento do baço e do fígado
e dor abdominal. O diabetes leve e as concentrações
elevadas de ácido úrico são ocorrências
comuns. Muitos indivíduos apresentam sobrepeso. A
principal complicação é a pancreatite,
a qual é freqüentemente provocada pelo consumo
de gorduras e pode ser fatal. O tratamento consiste em evitar
gorduras na alimentação, perder peso e não
consumir bebidas alcoólicas. Os medicamentos redutores
de lipídeos podem ser úteis.
Hipolipoproteinemia
A hipolipoproteinemia (concentração
sérica baixa de gordura) raramente representa um
problema, mas pode indicar a presença de outras doenças.
Por exemplo, um indivíduo com hiperatividade da tireóide,
anemia, desnutrição ou câncer ou cuja
absorção de alimentos do trato gastrointestinal
é falha (má absorção) pode apresentar
uma concentração baixa de colesterol. Conseqüentemente,
o médico pode ficar atento quando a concentração
cai para menos de 120 mg/dl. Alguns distúrbios hereditários
raros reduzem as concentrações de gorduras
o suficiente para causar conseqüências graves.
Os indivíduos com hipobetalipoproteinemia
apresentam concentrações extremamente baixas
de LDL-colesterol, mas, geralmente, são assintomáticos
e não requerem tratamento. No entanto, os indivíduos
com abetalipoproteinemia não possuem LDLcolesterol
e não conseguem produzir quilomícrons, o que
resulta na má absorção de gorduras
e de vitaminas lipossolúveis, evacuações
anormais, esteatorréia (fezes gordurosas), eritrócitos
com formas anômalas e cegueira decorrente de retinite
pigmentosa. Embora a abetalipoproteinemia não possa
ser curada, o uso de doses maciças de vitaminas E
e A podem retardar ou diminuir a lesão do sistema
nervoso. Os indivíduos com doença de Tangier
apresentam concentrações extremamente baixas
de LDLcolesterol, acarretando uma função nervosa
anormal e um aumento de linfonodos, das tonsilas, do fígado
e do baço.
Lipidoses
As lipidoses, doenças causadas por
anormalidades das enzimas que decompõem (metabolizam)
as gorduras, produzem um acúmulo tóxico de
subprodutos da gordura nos tecidos. Grupos de enzimas específicas
ajudam o corpo a decompor cada tipo de gordura. As anormalidades
dessas enzimas podem acarretar o acúmulo de substâncias
gordurosas específicas que normalmente seriam metabolizadas
pela enzima. No decorrer do tempo, o acúmulo dessas
susbstâncias pode ser nocivo a muitos órgãos
do corpo.
DOENÇA DE GAUCHER
A doença de Gaucher é um distúrbio
hereditário que acarreta o acúmulo de glicocerebrosídeos,
um produto do metabolismo das gorduras. A anomalia genética
que causa doença de Gaucher é recessiva. Um
indivíduo afetado deve herdar dois genes anosmais
para apresentar os sintomas. Esta doença produz um
aumento de tamanho do fígado e do baço e a
uma pigmentação acastanhada da pele. Os acúmulos
de cerebrosídeos nos olhos provocam o surgimento
de manchas amarelas denominadas pinguéculas. Os acúmulos
na medula óssea podem causar dor. A maioria dos indivíduos
com doença de Gaucher desenvolve o tipo 1, a forma
crônica adulta, a qual acarreta um aumento do fígado
e do baço e anormalidades ósseas.
O tipo 2, a forma infantil, ocorre durante
o período da lactância. Os lactentes com a
doença apresentam um baço aumentado de tamanho
e alterações graves do sistema nervoso. O
pescoço e as costas podem tornar-se rigidamente arqueados
devido aos espasmos musculares. Esses lactentes geralmente
morrem em um ano. O tipo 3, ou forma juvenil, pode começar
em qualquer momento durante a infância. As crianças
com a doença apresentam aumento de tamanho do fígado
e do baço, anormalidades ósseas e alterações
lentamente progressivas do sistema nervoso. As crianças
que sobrevivem até a adolescência podem viver
por muitos anos.
As alterações ósseas
podem causar dor e edema nas articulações.
Os indivíduos gravemente afetados também podem
apresentar anemia e uma incapacidade de produzir leucócitos
e plaquetas, com conseqüente palidez, fraqueza, suscetibilidade
a infecções e sangramento excessivo. Quando
o médico detecta um aumento de tamanho do fígado
ou uma anemia e suspeita da doença de Gaucher, ele
comumente realiza uma biópsia hepática ou
da medula óssea para confirmar o diagnóstico.
O diagnóstico prénatal pode ser estabelecido
através do exame de células obtidas de uma
amostra do vilo coriônico ou através da amniocentese.
Muitas pessoas com doença de Gaucher
podem ser tratadas com a terapia de reposição
enzimática, um tratamento caro no qual as enzimas
são administradas pela via intravenosa, normalmente
a cada 2 semanas. A terapia de reposição enzimática
é mais eficaz para os indivíduos que não
apresentam complicações do sistema nervoso.
As transfusões de sangue podem ajudar a aliviar a
anemia. Para tratar a anemia, a baixa contagem leucocitária
ou plaquetária ou para aliviar o desconforto causado
pela esplenomegalia (baço aumentado de tamanho),
o baço pode ser removido cirurgicamente.
DOENÇA DE NIEMANN-PICK
A doença de Niemann-Pick é
um distúrbio hereditário no qual a deficiência
de uma enzima específica acarreta o acúmulo
de esfingomielina, um produto do metabolismo das gorduras.
O gene responsável pela doença de Niemann-
Pick é recessivo, o que significa que uma criança
com a doença possui um gene defeituoso herdado de
ambos os genitores. A doença é mais comum
em famílias judias. A doença de Niemann-Pick
apresenta cinco ou mais formas, dependendo da gravidade
da deficiência enzimática. Na forma juvenil
grave, a enzima está totalmente ausente. Ocorrem
alterações graves do sistema nervoso porque
os nervos não conseguem usar a esfingomielina para
produzir a mielina necessária para a formação
da bainha de mielina que normalmente envolve muitos nervos.
As crianças com essa doença
apresentam depósitos de gordura na pele, áreas
de pigmentação escura e aumento de tamanho
do fígado, do baço e dos linfonodos. Elas
podem apresentar retardo mental. Comumente, essas crianças
apresentam anemia e quantidades baixas de leucócitos
e de plaquetas, o que as torna suscetíveis a infecções
e a equimoses fáceis. Algumas formas da doença
de Niemann-Pick podem ser diagnosticadas no período
pré-natal através da coleta de uma amostra
do vilo coriônico ou da amniocentese. Após
o nascimento, o diagnóstico pode ser estabelecido
através de uma biópsia hepática (coleta
de um fragmento de tecido hepático para exame microscópico).
A doença de Niemann-Pick não tem cura e as
crianças tendem a morrer devido a um infecção
ou a uma disfunção progressiva do sistema
nervoso central.
DOENÇA DE FABRY
A doença de Fabry é um distúrbio
hereditário raro que acarreta o acúmulo de
glicolipídeos, um produto do metabolismo das gorduras.
Como o gene defeituoso está localizado no cromossomo
X, a doença completa manifesta-se somente nos homens,
os quais possuem apenas um cromossomo X. O acúmulo
de glicolipídeos acarreta a formação
de angioceratomas (tumores cutâneos não cancerosos)
na porção inferior do tronco. As córneas
tornam-se opacas, causando dificuldade visual. O indivíduo
pode apresentar uma sensação de queimação
nos membros superiores e inferiores e episódios de
febre. Geralmente, a morte é causada pela insuficiência
renal, por uma cardiopatia ou por um acidente vascular cerebral,
qualquer uma dessas condições podendo ser
decorrente da hipertensão arterial. A doença
de Fabry pode ser diagnosticada no feto através da
coleta de uma amostra do vilo coriônico ou da amniocentese.
O tratamento consiste na administração de
analgésicos para aliviar a dor e a febre. A doença
não tem cura, mas os pesquisadores vêm investigando
um tratamento no qual é realizada a reposição
da enzima em falta por transfusão.
DOENÇA DE WOLMAN
A doença de Wolman é um distúrbio
hereditário que ocorre quando tipos específicos
de colesterol e de glicerídeos acumulam-se nos tecidos.
Esta doença causa um aumento de tamanho do baço
e fígado. Os depósitos de cálcio nas
glândulas adrenais fazem com que elas endureçam
e também. O indivíduo também apresenta
esteatorréia (diarréia gordurosa). Os lactentes
com doença de Wolman geralmente morrem ao redor dos
6 meses de idade.
XANTOMATOSE CEREBROTENDINOSA
A xantomatose cerebrotendinosa é uma
doença hereditária rara que ocorre quando
o colestanol, um produto do metabolismo do colesterol, acumula-
se nos tecidos. Em última instância, esta doença
produz incordenação dos movimentos, demência,
catarata e depósitos de gordura (xantomas) nos tendões.
Freqüentemente, os sintomas incapacitantes somente
surgem após os 30 anos de idade. Quando a doença
manifesta-se mais precocemente, o quenodiol ajuda na prevenção
da sua progressão, mas ele não pode reparar
as lesões já produzidas.
SITOSTEROLEMIA
A sitosterolemia é uma doença
hereditária rara na qual as gorduras das frutas e
dos vegetais acumulam- se no sangue e nos tecidos. O acúmulo
de gordura acarreta a aterosclerose, a formação
de eritrócitos anormais e de depósitos de
gordura nos tendões (xantomas). O tratamento consiste
na redução do consumo de alimentos ricos em
gorduras vegetais (p.ex., óleos vegetais) e no uso
da resina colestiramina.
DOENÇA DE REFSUM
A doença de Refsum é distúrbio
hereditário raro no qual o ácido fitânico,
um produto do metabolismo das gorduras, acumula-se nos tecidos.
O acúmulo de ácido fitânico acarreta
lesões dos nervos e da retina, movimentos espásticos
e alterações ósseas e cutâneas.
O tratamento consiste em evitar o consumo de frutas e vegetais
verdes que contêm clorofila. A plasmaferése,
técnica na qual o ácido fitânico é
removido do sangue, pode ser útil.
DOENÇA DE TAY-SACHS
A doença de Tay-Sachs é um
distúrbio hereditário no qual os gangliosídeos,
produtos do metabolismo das gorduras, acumulam-se nos tecidos.
A doença é mais comum em famílias de
origem judia do leste europeu. Em uma idade muito precoce,
as crianças com essa doença apresentam um
retardo progressivo, com paralisia, demência, cegueira
e manchas cor vermelho cereja na retina. Geralmente, elas
morrem em torno dos 3 ou 4 anos de idade. A doença
de Tay-Sachs pode ser identificada no feto através
da coleta de amostras do vilo coriônico ou da amniocentese.
Ela não pode ser tratada ou curada.
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