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A obesidade é o acúmulo excessivo
de gordura no corpo. Excetuando-se aqueles que são
extremamente musculosos, os indivíduos cujo peso
encontra- se 20% ou mais acima do ponto médio de
uma escala padrão de altura-peso são considerados
obesos. A obesidade pode ser classificada como leve (20
a 40% de sobrepeso), moderada (41 a 100% de sobrepeso) ou
grave (mais de 100% de sobrepeso). A obesidade é
grave em apenas 0,5% dos indivíduos obesos.
Obesidade na Vida Adulta
Nos Estados Unidos, a prevalência da
obesidade vem crescendo (até 33% somente na década
passada). De modo geral, 31% dos homens e 35% das mulheres
sofrem de obesidade, mas a prevalência varia com a
idade e a raça. A obesidade é duas vezes mais
comum entre os indivíduos idosos que entre os mais
jovens. A prevalência da obesidade é mais ou
menos a mesma entre homens da raça negra e da raça
branca, sendo discretamente maior entre os homens de origem
hispânica que entre os homens negros e brancos e muito
maior entre as mulheres da raça negra e de origem
hispânica que entre as mulheres brancas. Por exemplo,
cerca de 60% das mulheres negras de meia-idade são
obesas, em comparação com 33% das mulheres
brancas.
Causas
A obesidade é resultado do consumo
de uma quantidade de calorias maior que a que o corpo utiliza.
Os fatores genéticos e ambientais influenciam o peso
corpóreo, mas ainda não está totalmente
claro como eles interagem para determinar o peso de um indivíduo.
Uma explicação proposta é que o peso
corpóreo é ajustado em torno de um ponto fixo,
similar ao ajuste de um termostato. Um ponto fixo acima
do normal pode explicar a razão pela qual alguns
indivíduos são obesos e porque a perda de
peso e a manutenção da perda são difíceis
para eles.
Fatores Genéticos: Pesquisas
recentes sugerem que, em média, a influência
genética contribui em aproximadamente 33% do peso
corpóreo, mas a contribuição pode ser
maior ou menor em um determinado indivíduo.
Fatores Socioeconômicos: Esses fatores têm
uma forte influência sobre a obesidade, sobretudo
entre as mulheres. Nos Estados Unidos, a obesidade é
mais do que 2 vezes mais comum entre as mulheres de nível
socioeconômico mais baixo que entre as mulheres de
um nível socioeconômico mais elevado. Ainda
não está totalmente clara a razão pela
qual os fatores socioeconômicos têm uma influência
tão forte sobre o peso das mulheres, mas as sanções
contra a obesidade aumentam à medida que o nível
socioeconômico aumenta. Fatores Psicológicos:
Os distúrbios emocionais, antigamente
considerados uma causa importante da obesidade, são
atualmente considerados uma reação contra
o forte preconceito e a discriminação contra
os indivíduos obesos. Um tipo de distúrbio
emocional, a imagem corpórea negativa, é um
problema grave para muitas mulheres jovens obesas. Ele acarreta
uma autocrítica extrema e desconforto em situações
sociais. Dois padrões anormais de alimentação
que contribuem para a obesidade em algumas pessoas, o distúrbio
da ingestão exagerada de alimentos e a síndrome
da alimentação noturna, podem ser desencadeados
pelo estresse e por distúrbios emocionais. O distúrbio
da ingestão exagerada de alimentos é semelhante
à bulimia nervosa, exceto pelo fato dos excessos
não serem seguidos por vômitos auto-induzidos.
Como conseqüência, mais calorias são consumidas.
Na síndrome da alimentação noturna,
a falta de apetite pela manhã é seguida por
uma ingestão exagerada, agitação e
insônia durante a noite.
Fatores Relacionados ao Desenvolvimento: Um aumento
de tamanho e/ou da quantidade de células adiposas
aumenta a quantidade de gordura armazenada no corpo. Os
indivíduos obesos, sobretudo aqueles que se tornaram
obesos durante a infância, podem ter até cinco
vezes mais células adiposas do que aqueles que possuem
um peso normal. Como o número de células não
pode ser reduzido, o peso somente pode ser perdido através
da redução da quantidade de gordura existente
em cada célula.
Atividade Física: A atividade física
reduzida é provavelmente uma das principais razões
para o aumento da obesidade entre os indivíduos que
vivem em sociedades abastadas. Nos Estados Unidos, a obesidade
é atualmente mais de duas vezes mais freqüente
que em 1900, apesar da quantidade média de calorias
consumidas diariamente tenha diminuído uns 10%. Os
indivíduos sedentários necessitam de uma menor
quantidade de calorias. O aumento da atividade física
faz com que os indivíduos com peso normal comam mais,
mas o mesmo pode não ocorrer em indivíduos
obesos.
Hormônios: Os distúrbios hormonais
raramente causam obesidade.
Lesão cerebral: Raramente, uma lesão
cerebral (sobretudo do hipotálamo) pode acarretar
obesidade. Medicamentos: Vários medicamentos
freqüentemente utilizados produzem aumento de peso.
Eles incluem os corticosteróides (p.ex., prednisona),
muitos antidepressivos e também a maioria dos outros
medicamentos que são utilizados no tratamento de
distúrbios psiquiátricos.
Sintomas
O acúmulo do excesso de gordura abaixo
do diafragma e na parede torácica pode exercer pressão
sobre os pulmões, causando dificuldade respiratória
e falta de ar, mesmo com um esforço mínimo.
A dificuldade respiratória pode interferir gravemente
no sono, provocando a parada momentânea da respiração
(apnéia do sono), acarretando sonolência durante
o dia e outras complicações. A obesidade pode
causar vários problemas ortopédicos, incluindo
a dor na região dorsal baixa e o agravamento da osteoartrite,
particularmente nos quadris, joelhos e tornozelos. Os distúrbios
cutâneos são particularmente comuns. Como os
indivíduos obesos possuem uma superfície corpórea
pequena em relação ao seu peso, eles não
conseguem eliminar o calor do corpo de modo eficaz e suam
mais do que os indivíduos magros. O inchaço
dos pés e tornozelos, causado pela retenção
de uma quantidade pequena a moderada de líquido (edema),
também é comum.
Complicações
Os indivíduos obesos apresentam um
maior risco de adoecer ou de morrer por qualquer doença,
lesão ou acidente, e esse risco aumenta proporcionalmente
ao aumento da obesidade. O risco também é
influenciado pela localização do excesso de
gordura. A gordura tende a acumular-se no abdômen
(obesidade abdominal) dos homens e nas coxas e nádegas
(obesidade da parte inferior do corpo) das mulheres. A obesidade
abdominal foi relacionada a um risco muito mais elevado
de doença coronariana e com três des seus principais
fatores de risco: a hipertensão arterial, o diabetes
com início na vida adulta e a concentração
alta de gorduras (lipídeos) no sangue.
Desconhece-se a razão pela qual a
obesidade abdominal aumenta esses riscos, mas a perda de
peso reduz dramaticamente os riscos em indivíduos
com obesidade abdominal. Na maioria dos indivíduos
hipertensos, a perda de peso reduz a pressão arterial
e permite que mais de 50% dos indivíduos que apresentam
diabetes na vida adulta interrompam o uso da insulina ou
outro tratamento medicamentoso. Certos tipos de câncer
são mais comuns nos indivíduos obesos que
naqueles que não o são. Eles incluem o câncer
da mama, de útero e de ovário nas mulheres
e o câncer de cólon, de reto e de próstata
nos homens. Os distúrbios menstruais também
são mais comuns e as colecistopatias (doenças
da vesícula biliar) ocorrem três vezes mais
freqüentemente nos obesos.
Diagnóstico e Tratamento
Embora a obesidade seja evidente, a sua extensão
é determinada pela mensuração da altura
e peso. Freqüentemente, essas medidas são convertidas
no índice de massa corpórea, o peso (em quilogramas)
dividido pela altura (em metros quadrados). Um valor superior
a 27 indica obesidade leve, enquanto que um valor de 30
ou mais indica a necessidade de tratamento. Paradoxalmente,
as mulheres que apresentam obesidade da parte inferior do
corpo, a qual tem um risco muito menor de acarretar um problema
de saúde, procuram tratamento para a obesidade em
uma proporção oito vezes maior que os homens.
A obesidade não tratada tende a piorar, mas os efeitos
a longo prazo do tratamento são desapontadores. Embora
tenham sido realizados progressos consideráveis para
ajudar os indivíduos a diminuir de peso, este geralmente
é recuperado em 3 anos.
As preocupações sobre o fato
da recuperação do peso (denominada ciclagem
do peso) provoca vários problemas de saúde
são infundadas, de modo que essas preocupações
não devem impedir que os indivíduos obesos
tentem perder peso. Para perder peso, os indivíduos
obesos devem consumir menos calorias do que as despendidas.
Os métodos utilizados para atingir esse objetivo
podem ser classificados em três grupos: autoajuda,
no qual os indivíduos, sozinhos ou em grupos com
interesses comuns, utilizam informações provenientes
de livros ou de outras fontes; programas não clínicos
fornecidos por conselheiros que não são profissionais
da saúde licenciados; e programas clínicos
fornecidos por profissionais licenciados da área
da saúde. A maioria dos programas de controle de
peso baseiam-se na mudança comportamental.
Normalmente, as dietas são consideradas
menos importantes que as alterações permanentes
dos hábitos alimentares e do exercício físico.
Os programas reconhecidos ensinam os indivídos como
realizar alterações seguras, sensatas e graduais
dos hábitos alimentares que aumentam o consumo de
carboidratos complexos (frutas, vegetais, pães e
massas) e diminuem o consumo de gorduras. Para os indivíduos
com obesidade leve, recomenda-se apenas uma restrição
modesta de calorias e gorduras dietéticas. Para aqueles
que apresentam obesidade moderada e desejam perder peso
mais rapidamente, foram desenvolvidos programas baseados
em dietas com um baixo conteúdo calórico,
isto é, de 800 calorias diárias ou menos.
Essas dietas são seguras quando supervisionadas por
um médico.
No entanto, o entusiasmo por essas dietas
diminuiu porque elas são caras e os indivíduos
tendem a recuperar o peso ao deixarem de segui-las. De modo
crescente, os médicos vêm prescrevendo medicamentos
para reduzir o peso corpóreo. Geralmente, esse tipo
de medicamento reduz o peso em aproximadamente 10% em seis
meses e mantêm a perda de peso enquanto o seu uso
for mantido. Quando o indivíduo interrompe o seu
uso, o peso é imediatamente recuperado. As muitas
complicações graves da obesidade grave (mais
de 100% de sobrepeso) tornam o tratamento importante e a
cirurgia vem se tornando o tratamento de escolha.
A cirurgia, geralmente para reduzir o tamanho
do estômago e, conseqüentemente, a quantidade
de alimento que pode ser consumido de uma vez, pode acarretar
grandes perdas de peso, as quais comumente chegam a atingir
a medade do sobrepeso do indivíduo, geralmente de
36 a 68 quilos. Inicialmente, a perda de peso é rápida
e, em seguida, diminui gradualmente durante dois anos, até
atingir um nível que, com freqüência,
é mantdo. Geralmente, a perda alivia as complicações
e melhora o humor, a auto-estima, a imagem corpórea,
o nível de atividade e a capacidade laborativa e
de relacionamento interpessoal do indivíduo. A cirurgia
deve ser reservada aos indivíduos com obesidade grave
e somente é realizada dentro de determinados programas
especializados nesse tipo de cirurgia e que tenham demonstrado
segurança e eficácica suficientes. Nesses
programas, a cirurgia é geralmente bem tolerada.
Menos de 10% desses pacientes de alto risco apresentam complicações
decorrentes da cirurgia e 1% ou menos morre.
Obesidade na Adolescência
Os fatores que influenciam a obesidade de
adolescentes são os mesmos que os dos adultos. Freqüentemente,
o adolescente com obesidade leve ganha peso rapidamente
e torna-se substancialmente obeso em poucos anos. Muitos
adolescentes obesos possuem uma auto-imagem desfavorável
e tornam-se progressivamente mais sedentários e socialmente
isolados. Freqüentemente, os pais não sabem
como ajudá-los. Não existem muitas opções
terapêuticas disponíveis para os adolescentes
obesos. Há poucos programas comerciais elaborados
especificamente para os adolescentes, poucos médicos
com experiência no tratamento específico de
adolescentes e a experiência com o uso de medicamentos
que possam ajudá-los é limitada.
As escolas proprorcionam várias oportunidades
para a educação nutricional e para a atividade
física. No entanto, esses programas raramente se
preocupam o suficiente em ensinar aos adolescentes como
controlar a obesidade. Quando a obesidade é grave,
a cirurgia algumas vezes é realizada. A modificação
comportamental pode ajudar os adolescentes no controle da
obesidade. Ela consiste na redução da ingestão
calórica através da instituição
de uma dieta bem balanceada composta por alimentos comuns,
em mudanças pernanentes dos hábitos alimentares
e no aumento da atividade física (p.ex., marcha,
ciclismo, natação, dança). Os acampamentos
de verão para adolescentes obesos normalmente os
ajudam a perder uma quantidade significativa de peso. No
entanto, se não for mantido um \esforço contínuo,
o peso é comumente recuperado. Um programa de aconselhamento
para ajudar os adolescentes a enfrentar seus problemas e
a sua má auto-estima pode ser útil.
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