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A camada mais superior da pele, denominada
estrato córneo ou camada de queratina, contém
muitas camadas de células achatadas mortas e atua
como uma barreira para proteger os tecidos subjacentes contra
lesões e infecções. Ao retardar a evaporação,
os óleos presentes nessa camada da pele ajudam a
manter a umidade das camadas mais profundas, mantendo a
textura da pele suave e flexível. O estrato córneo
é apenas uma parte da epiderme, a qual é uma
fina camada de pele que recobre a maior parte do corpo.
Em alguns locais, como as palmas das mãos e as plantas
dos pés, a epiderme é naturalmente espessa
e o estrato córneo provê uma proteção
extra contra impactos e abrasões. A epiderme também
pode ser espessa e dura em á reas excessivamente
secas. Os distúrbios das camadas superficiais da
pele envolvem o estrato córneo e as camadas mais
profundas da epiderme e vão desde os que causam um
desconforto temporário até aqueles que causam
incapacidades crônicas.
Pele Seca
A pele seca é comum, especialmente
em indivíduos mais velhos (além da meia idade).
As causas comuns são o tempo frio e os banhos freqüentes.
O banho elimina os óleos superficiais, permitindo
que a pele torne-se seca. A pele seca pode se tornar irritada
e freqüentemente coça – às vezes,
ocorre esfacelamento da pele em pequenos flocos e escamas.
A descamação freqüentemente afeta as
pernas. À s vezes, a pele extremamente seca (ictiose)
é conseqüencia de uma doença descamativa
hereditária (p.ex., ictiose vulgar ou hiperceratose
epidermolítica). O indivíduo com ictiose vulgar
apresenta escamas finas e não apresenta bolha, já
o indivíduo com hiperceratose epidermolítica
apresenta escamas espessas e verrucosas, além de
bolhas dolorosas e fétidas.
A ictiose também é resultado
de distúrbios não-hereditários, como
a hanseníase (lepra), a hipoatividade da tireóide,
os linfomas, a AIDS e a sarcoidose. Tratamento A base do
tratamento da pele seca simples é a manutenção
da pele úmida. Banhar-se menos vezes permite que
os óleos protetores permaneçam mais tempo
sobre a pele. As pomadas ou os cremes como vaselina, óleo
mineral e agentes umectantes sem perfume também podem
manter a umidade da pele. Os sabões muito fortes,
os detergentes e os perfumes de alguns umectantes irritam
a pele e podem torná-la ainda mais seca. Friccionar
ou coçar a pele seca pode causar infecção
e a formação de cicatrizes.
Quando a descamação representa
um problema, as soluções ou os cremes contendo
ácido salicílico podem ajudar na remoção
das escamas. Para os adultos, o médico pode recomendar
que a pele seja enfaixada de forma oclusiva com um filme
plástico ou com celofane após a aplicação
desses tratamentos. Contudo, isso não deve ser utilizado
em crianças. Para algumas formas de ictiose grave,
os cremes contendo vitamina A (tretinoína) são
eficazes. Os compostos de vitamina A ajudam a pele a a eliminar
o excesso de escamas. O etretinato, uma droga similar à
vitamina A, é prescrito para determinadas formas
de ictiose. Para a hiperceratose epidermolítica,
podem ser utilizados antibióticos e um forte sabão
desinfetante, como aqueles que contêm clorexidina.
Ceratose Pilosa
A ceratose pilosa é um distúrbio
comum no qual células mortas desprendem-se da camada
superior da pele e formam tampões que obstruem os
orifícios dos folículos pilosos. Os tampões
provocam a erupção de pequenas pápulas
pontiagudas, as quais localizam-se mais comumente nos braços,
nas coxas e nas nádegas. A face também pode
ser afetada, sobretudo em crianças. Os indivídos
com ceratose pilosa apresentam essas erupções
mais comumente no inverno e as pápulas tendem a desaparecer
espontaneamente durante o verão. A sua causa é
desconhecida, apesar da ceratose pilosa apresentar uma tendência
a ocorrer em famílias. Portanto, é provável
que a hereditariedade tenha uma papel importante. Geralmente,
as pápulas causam apenas problemas estéticos.
Tratamento A ceratose pilosa tende a desaparecer espontaneamente.
A vaselina misturada com água, com um creme umectante
ou com ácido salicílico podem ajudar a reduzir
as proeminências. Também podem ser utilizadas
preparações mais concentradas de á
cido salicílico ou um creme de tretinoína.
Calos e Calosidades
Uma calosidade é uma área na
camada superior da pele, o estrato córneo ou camada
de queratina, que se torna anormalmente espessa e forma
um coxim protetor, em resposta ao atrito constante. As calosidades
podem formar-se em qualquer parte do corpo, mas geralmente
ocorrem sobre uma saliência óssea das mãos,
dos pés, dos cotovelos, ou sobre as áreas
expostas ao atrito repetido (p.ex., mandíbula de
um violinista). Um calo é uma área espessa
de queratina, do tamanho de uma ervilha, que ocorre sobre
os pés. Os calos duros surgem sobre as articulações
dos dedos. Os que se formam entre os dedos dos pés
geralmente são mais moles. Ao contrário da
maioria das calosidades, os calos podem ser dolorosos, pois
a pele espessa pressiona o osso subjacente.
Diagnóstico
Geralmente as calosidades e os calos são
facilmente identificados. Algumas vezes, os calos são
confundidos com verrugas plantares, as quais também
possuem uma camada espessa de queratina. Contudo, as verrugas
são muito sensíveis quando comprimidas lateralmente,
enquanto que os calos são mais sensíveis à
pressão direta contra o osso.
Tratamento
As calosidades e os calos são mais
fáceis de prevenir que de tratar. As calosidades
podem ser evitadas removendo-se a fonte de irritação
ou, quando isto é impossível, através
do uso de luvas, coxins e outros dispositivos de proteção.
A maioria das farmácias vende coxins e anéis
protetores com formas adequadas para este objetivo. Mais
freqüentemente causados pelo uso de calçados
inadequados, os calos podem desaparecer quando sapatos mais
adequados forem utilizados.
O uso de uma medicação que
dissolve a queratina pode eliminar os calos mais rapidamente.
Essas medicações, denominadas agentes queratolíticos,
freqüentemente contêm o ácido salicílico.
Elas podem ser aplicadas sob a forma de uma pasta que seca
ao contato, ou um coxim contendo a medicação
pode ser aplicado sobre a área. No entanto, quando
esses agentes queratolíticos não são
aplicados cuidadosamente, o ácido pode lesar o tecido
normal adjacente. Os calos e as calosidades também
podem ser diminuídos com a utilização
de uma pedra pome durante o banho ou podem ser aparados
com o auxílio de um bisturi por um médico
ou um enfermeiro. Em um indivíduo diabético
com má cicrculação, os calos e as calosidades
podem curar lentamente, especialmente quando localizam-se
sobre os pés. Os médicos recomendam aos indivíduos
diabéticos um cuidado especial com os pés.
Psoríase
A psoríase é uma doença
crônica e recorrente caracterizada por proeminências
descamativas prateadas e placas de vários tamanhos
(áreas elevadas). A descamação é
decorrente de uma taxa anormal elevada de crescimento e
de substituição das células cutâneas.
A razão do crescimento celular rápido é
desconhecido, mas acredita-se que mecanismos imunes tenham
um papel. Freqüentemente, a psoríase ocorre
em famílias. Trata-se de uma doença comum,
afetando 2 a 4% dos brancos. Os negros apresentam menor
tendência a apresentá-la. A psoríase
se manifesta, mais freqüentemente, em indivíduos
com 10 a 40 anos de idade, embora todas as faixas etárias
sejam suscetíveis.
Sintomas
Geralmente, a psoríase inicia como
uma ou mais pequenas placas psoriáticas que se tornam
excessivamente descamativas. Pequenas proeminências
podem formar-se em torno da área. Embora as primeiras
placas possam desaparecer espontaneamente, outras formam-se
logo em seguida. Algumas placas podem permanecer do tamanho
de uma unha do polegar, mas outras podem crescer e recobrir
grandes áreas do corpo, à s vezes em forma
de anel ou de espiral. A psoríase caracteristicamente
afeta o couro cabeludo, os cotovelos, os joelhos, as costas
e as nádegas.
A descamação pode ser confundida
com a dermatite seborréica (caspa) intensa, mas as
placas características da psoríase, as quais
se mesclam com áreas normais, diferenciam- na da
dermatite seborréica. A psoríase também
pode aparecer em torno e sob as unhas, tornando-as espessas
e deformadas. As sobrancelhas, as axilas, o umbigo e a virilha
também podem ser afetados. Comumente, a psoríase
produz apenas descamação.
Mesmo o prurido é incomum. Quando
as áreas descamadas curam, a pele recupera seu aspecto
normal e o crescimento de pêlo permanece inalterado.
A maioria dos indivíduos com psoríase limitada
apresentam poucos problemas além da descamação,
embora o aspecto da pele possa ser desagradável.
Entretanto, alguns indivíduos apresentam uma psoríase
generalizada (extensa) ou sofrem efeitos graves devidos
à doença. A artrite psoriática produz
sintomas muito semelhantes aos da artrite reumatóide.
Raramente a psoríase afeta todo o corpo, e produz
uma dermatite psoriática esfoliativa, na qual toda
a pele inflama.
Esta forma de psoríase é grave,
pois, assim como uma queimadura, ela impede que a pele atue
como uma barreira protetora contra lesões e infecções.
Em uma outra forma incomum de psoríase, a psoríase
pustulosa, ocorre nas palmas das mãos e nas plantas
dos pés, a formação de pápulas
pequenas e grandes cheias de pús (pústulas).
Algumas vezes, essas pústulas disseminam-se por todo
o corpo. A psoríase pode surgir sem razão
aparente ou pode ser decorrente de uma queimadura solar
grave, ou de uma irritação cutânea,
ou do uso de medicamentos antimaláricos, ou de lítio,
ou de medicamentos beta-bloqueadores (p.ex., propranolol
e metoprolol) ou de quase todos os cremes e pomadas contendo
medicamentos. As infecções estreptocócicas
(especialmente em crianças), as contusões
e os arranhões também podem estimular a formação
de novas placas.
Diagnóstico
No início, a psoríase pode
ser diagnosticada erroneamente porque muitos outros distúrbios
podem produzir placas e descamação similares.
À medida que a psoríase evolui, o padrão
descamativo característico é geralmente fácil
de ser reconhecido pelo médico e, por essa razão,
os exames diagnósticos comumente não são
necessários. Contudo, para confirmar o diagnóstico,
o médico pode realizar uma biópsia de pele
(coleta de uma amostra de pele para exame microscópico).
Tratamento
Quando um indivíduo apresenta apenas
algumas poucas placas pequenas, a psoríase responde
rapidamente ao tratamento. O uso de pomadas e cremes emolientes
(que lubrificam a pele), uma ou duas vezes ao dia, consegue
manter a pele úmida. As pomadas contendo corticosteróides
são eficazes e seu efeito pode ser ainda maior se
as áreas onde elas são aplicadas forem recobertas
com papel celofane. Os cremes contendo vitamina D também
são eficazes em muitos pacientes. As pomadas e os
cremes que contêm ácido salicílico ou
alcatrão da hulha também são utilizados
no tratamento da psoríase.
A maioria dessas medicações
é aplicadas duas vezes ao dia sobre a á rea
afetada. Os medicamentos mais potentes (p.ex., antralina)
são utilizados algumas vezes, mas eles podem irritar
a pele, além de manchar a roupa de cama e as vestimentas.
Quando o couro cabeludo é afetado, xampus contendo
esses ingredientes ativos são freqüentemente
utilizados. A luz ultravioleta também pode ajudar
a eliminar a psoríase. De fato, durante os meses
de verão, as á reas afetadas da pele expostas
ao sol podem curar espontaneamente. Freqüentemente,
os banhos de sol ajudam a eliminar as placas localizadas
sobre á reas maiores do corpo. A exposição
controlada à luz ultravioleta é uma outra
terapia comum.
Para a psoríase generalizada, a terapia
com luz ultravioleta pode ser complementada com psoralenos,
drogas que tornam a pele muito mais sensível aos
efeitos da luz ultravioleta. Geralmente, a combinação
de psoralenos e luz ultravioleta (PUVA) é eficaz
e pode curar a pele por vários meses. No entanto,
o tratamento com PUVA pode aumentar o risco de câncer
de pele devido à ação da luz ultravioleta
e, por essa razão, o tratamento deve ser supervisionado
rigorosamente por um médico. Para as formas graves
de psoríase e para a psoríase generalizada,
o médico pode administrar o metotrexato.
Utilizada no tratamento de alguns tipos de
câncer, esta droga interfere no crescimento e na multiplicação
das células cutâneas. Os médicos utilizam
o metotrexato em indivíduos que não respondem
às outras formas de terapia. Essa substância
pode ser eficaz em casos extremos, mas pode causar efeitos
adversos sobre a medula óssea, os rins e o fígado.
Uma outra medicação eficaz, a ciclosporina,
também produz efeitos colaterais graves. As duas
medicações mais eficazes para o tratamento
da psoríase pustosa são o etretinato e a isotretinoína,
os quais também são utilizados no tratamento
da acne grave.
Pitiríase Rósea
A pitiríase rósea é
uma doença leve que produz inflamação,
descamação e uma coloração rósea
da pele. A pitiríase rósea possivelmente é
causada por um agente infeccioso, apesar de nenhum ter sido
identificado até agora. Ela pode ocorrer em qualquer
idade, porém é mais comum em adultos jovens.
Comumente, a pitiríase rósea ocorre durante
a primavera e o outono.
Sintomas
A pitiríase rósea inicia como
uma área rosa avermelhada ou levemente bronzeada,
denominada pelos médicos de placa precursora ou placa
mãe. Essa área arredondada ou ovalada comumente
localiza-se no tronco. Em 5 a 10 dias, muitas placas similares,
porém menores, surgem em outras partes do corpo.
Essas placas secundárias são mais comuns no
torso, especialmente irradiando da coluna vertebral e ao
longo dela. A maioria dos indivíduos com pitiríase
rósea apresentam poucos sintomas e, geralmente, a
erupção cutânea não é
muito pruriginosa. Contudo, o indivíduo pode apresentar
fadiga, cefaléia e, ocasionalmente, um prurido desagradável.
Tratamento
Geralmente, a erupção cutânea
desaparece em 4 a 5 semanas sem tratamento, embora ela algumas
vezes persista por 2 meses ou mais. Tanto a luz solar natural
quanto a artificial podem curar a pitiríase rósea
mais rapidamente e aliviar o prurido. Raramente corticosteróides
orais são prescritos para tratar o prurido intenso.
Líquen Plano
O líquen plano, uma doença
pruriginosa recorrente, começa como uma erupção
cutânea caracterizada por pequenas proeminências
que, em seguida, aglutinam-se e formam placas rugosas e
descamativas (placas elevadas). Aproximadamente 50% dos
indivíduos com líquen plano também
apresentam úlceras na boca. A causa do líquen
plano é desconhecida. Algumas vezes, uma erupção
cutânea idêntica ocorre em indivíduos
expostos a drogas que contêm ouro, bismuto, arsênico,
quinina, quinidina ou quinacrina, e a certas substâncias
químicas utilizadas na revelação de
fotografias coloridas. Portanto, o líquen plano pode
ser a resposta do organismo a alguma substância química
externa ou a um outro agente qualquer.
Sintomas
O primeiro episódio pode começar
de modo gradual ou abrupto e pode persistir por semanas
ou meses. Embora o líquen plano geralmente desapareça
espontaneamente, as placas retornam freqüentemente
e podem ocorrer recorrências do quadro durante anos.
A erupção cutânea quase sempre é
pruriginosa, algumas vezes de modo intenso. Comumente, as
proeminências apresentam uma cor violeta e possuem
bordas angulares. Quando elas são iluminadas lateralmente,
as proeminências apresentam um brilho característico.
Novas proeminências podem formar-se nos locais de
arranhões ou lesões cutâneas leves.
Algumas vezes, uma coloração
escura permanece após o desaparecimento da erupção
cutânea. Geralmente, a erupção cutânea
é distribuída simetricamente, mais comumente
na boca, sobre o tronco, sobre as faces mediais dos punhos,
sobre os membros inferiores, sobre a glande peniana e na
vagina. A face raramente é afetada. Nos membros inferiores,
a erupção cutânea pode tornarse especialmente
extensa e descamativa. Algumas vezes, a erupção
cutânea acarreta uma alopécia (calvície)
em placas no couro cabeludo.
As úlceras bucais causadas pelo líquen
plano são particularmente incômodas. Geralmente,
elas possuem uma coloração cranco-azulada
e podem formar-se seguindo uma linha. Freqüentemente
as úlceras bucais surgem antes da erupção
cutânea e, apesar delas comumente serem indolores,
algumas vezes as lesões podem ser mais profundas
e então podem ser dolorosas. São freqüentes
os ciclos de erupção cutânea seguidos
pela cura. Embora ocorra muito raramente, as úlceras
de longa duração podem evoluir para um câncer
bucal.
Diagnóstico
O diagnóstico pode ser difícil
porque muitos distúrbios assemelham-se ao líquen
plano. Geralmente o dermatologista consegue reconhecêlo
por seu aspecto e pelo seu padrão de recorrência.
No entanto, para confirmar o diagnóstico, pode ser
necessária a realização de uma biópsia
de pele (coleta de uma amostra para exame microscópico).
Tratamento
Os medicamentos ou as substâncias químicas
que podem ser a causa do líquen plano devem ser evitados.
Para os indivíduos que apresentam prurido, pode ser
prescrito um anti-histamínico (p.ex., difenidramina,
hidroxizina ou clorfeniramina), embora ele possa causar
sonolência. Os corticosteróides podem ser injetados
diretamente nas lesões, aplicados sobre a pele ou
administrados via oral. Algumas vezes, eles podem ser associados
a uma outra medicação (p.ex., tretinoína).
Para as dolorosas úlceras bucais, o bochecho com
uma solução contendo lidocaína pode
ser utilizado antes das refeições, para formar
um revestimento contra a dor. O líquen plano pode
desaparecer e, a seguir, recorrer após vários
anos. O tratamento prolongado pode ser necessário
durante os episódios da doença. Entre os episódios,
nenhum tratamento é necessário.
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