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Muitas doenças e lesões podem
causar a formação de bolhas, porém
três doenças auto-imunes (o pênfigo,
o penfigóide bolhoso e a dermatite herpetiforme)
encontram-se entre as mais graves. Em uma doença
auto-imune, o sistema imune, o qual normalmente ataca os
invasores estranhos do corpo (p.ex., agentes infec-ciosos)
é ativado erroneamente contra um componente normal
do organismo (nesse caso, um componente da pele).
Pênfigo
O pênfigo é uma doença
incomum, algumas vezes fatal, na qual ocorre a formação
de bolhas de vários tamanhos na pele, no revestimento
da boca, na vagina, na pele que recobre o pênis e
em outras membranas mucosas. O pênfigo ocorre mais
freqüentemente em indivíduos de meia-idade e
idosos. Ele raramente ocorre em crianças. A doença
é causada por um ataque auto-imune contra as estruturas
localizadas sobre as superfícies das células
epidérmicas que mantêm o contato intercelular
e a textura do tecido.
Sintomas
As lesões características do
pênfigo são bolhas de tamanhos variados, claras,
geralmente macias, cheias de líquido e, em determinadas
formas de pênfigo, aparecem placas descamativas. A
compressão ou a fricção discreta pode
descolar facilmente a superfície da pele das camadas
inferiores. Freqüentemente, as bolhas surgem primeiro
na boca e logo se rompem, formando úlceras dolorosas.
Em seguida, podem surgir mais bolhas e ulcerações,
até todo o revestimento da boca tornar- se afetado.
Um padrão similar ocorre na pele: primeiramente ocorre
a formação de bolhas sobre a pele aparentemente
normal. Em seguida, elas rompem e deixam lesões com
crostas e em carne viva. As bolhas podem ser generalizadas
e, uma vez rompidas, elas podem tornar-se infectadas.
Diagnóstico e Tratamento
O exame microscópico de rotina e os
exames imunológicos de uma amostra de pele para verificar
a presença de depósitos de anticorpos permitem
ao médico estabelecer o diagnóstico definitivo
dessa doença. O objetivo principal do tratamento
é impedir a formação de novas bolhas.
A supressão parcial do sistema imune com um corticosteróide
oral (p.ex., prednisona) pode atingir esse objetivo, mas
às custas de tornar o corpo mais suscetível
à s infecções. Geralmente, nos 7 a
10 dias iniciais, o corticosteróide é administrado
em doses elevadas e, a seguir, a dose é reduzida
lentamente. Para manter a doença sob controle, o
indivíduo deve tomar o medicamento durante vários
meses ou mesmo anos.
Outras drogas que suprimem o sistema imune
(p.ex., metotrexato, ciclofosfamida, azatioprina e sais
de ouro) também podem ser prescritas, de modo que
a dose do corticosteróide possa ser diminuída.
No entanto, essas drogas potentes também produzem
efeitos colaterais próprios. Os medicamentos imunossupressores
também podem ser utilizados juntamente com a plasmaferece,
um procedimento no qual os anticorpos são filtrados
do sangue. As superfícies cutâneas que se encontram
em carne viva necessitam de cuidados extraordinários,
semelhantes aos providos às vítimas de queimaduras.
Antibióticos e outros medicamentos podem ser necessários
para tratar as infecções de bolhas rompidas.
Curativos impregnados com vaselina ou outros tipos de curativos
podem proteger as áreas exsudativas e em carne viva.
Penfigóide Bolhoso
O penfigóide bolhoso é uma
doença auto-imune que provoca a formação
de bolhas. Embora não seja tão perigoso quanto
o pênfigo, o penfigóide bolhoso pode persistir
por um longo tempo. Essa doença tende a afetar os
indivíduos idosos. As bolhas são duras e tensas
e a pele que as separam torna-se vermelha e pode inflamar.
Ao contrário do pênfigo, geralmente não
ocorre a formação de bolhas na boca. Comumente,
o penfigóide bolhoso é pruriginoso. No início
da doença, o prurido e a presença de áreas
urticariformes podem ser os únicos sintomas.
Diagnóstico e Tratamento
O exame microscópico de rotina e os
exames imunológicos de uma amostra de pele para verificar
a presença de depósitos de anticorpos permitem
ao médico estabelecer um diagnóstico definitivo
dessa doença. Geralmente, o médico prescreve
um corticosteróide oral para suprimir o sistema imune
e controlar a doença. Inicialmente, é administrada
uma dose elevada. No decorrer de várias semanas,
a dose é diminuída gradualmente.
Dermatite Herpetiforme
A dermatite herpetiforme é uma doença
autoimune na qual ocorre a formação de aglomerados
de pequenas bolhas e de pápulas similares à
urticária intensamente pruriginosas e persistentes.
A doença afeta principalmente os adultos com 15 a
60 anos de idade. Ela raramente afeta os indivíduos
negros ou asiáticos. Nas pessoas com a doença,
o glúten (proteínas) do trigo, do centeio,
da cevada ou da aveia ativa o sistema imune, o qual ataca
partes da pele e de alguma forma produz erupção
cutânea e prurido. Os indivíduos com dermatite
herpetiforme quase sempre apresentam sinais de doença
intestinal (doença celíaca). Além
disso, eles apresentam uma tendência a apresentar
doenças da tireóide. Geralmente, as pequenas
bolhas surgem gradualmente, sobretudo nos cotovelos, nos
joelhos, nas nádegas, nas região lombar e
na parte posterior da cabeça. Algumas vezes, ocorre
a formação de bolhas na face e no pescoço.
O prurido e a sensação de queimação
podem ser intensos.
Diagnóstico e Tratamento
O diagnóstico é baseado em
um exame de amostras frescas de pele para localizar a presença
de anticorpos nas estruturas cutâneas. O tratamento
pode não ser necessário quando o indivíduo
segue uma dieta rigorosa isenta de trigo, centeio, cevada
e aveia. Os antiinflamatórios (p.ex., ibuprofeno)
podem piorar a erupção. A dapsona quase sempre
provê um alívio em 1 a 2 dias. Ela pode causar
muitos efeitos colaterais, particularmente sobre as células
do sangue, e, geralmente, causa anemia. Os dermatologistas
controlam os níveis de células do sangue nos
indivíduos que fazem uso da dapsona. Na maioria dos
pacientes, a doença dura muito tempo e, por essa
razão, eles devem tomar a dapsona durante muitos
anos.
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