|
A menopausa é o momento na vida da
mulher no qual ocorre a cessação da função
cíclica dos ovários e a menstruação.
A menopausa realmente ocorre no final da última menstruação
da mulher. Contudo, este fato somente é estabelecido
posteriormente, quando a mulher deixa de menstruar por pelo
menos 12 meses. A idade média na qual a menopausa
ocorre é de aproximadamente 50 anos, mas ela pode
ocorrer normalmente em mulheres com até mesmo 40
anos. Os ciclos menstruais regulares podem continuar até
a menopausa, mas, geralmente, a duração e
a quantidade do fluxo tendem a variar nas últimas
menstruações.
A liberação de um óvulo
ocorre em um número cada vez menor de ciclos. Com
a idade, os ovários tornam-se progressivamente menos
responsivos à estimulação dos hormônios
luteinizante e folículo-estimulante, os quais são
secretados pela hipófise. Conseqüentemente,
os ovários secretam quantidades cada vez menores
de estrogênio e progesterona e, finalmente, a ovulação
(liberação de óvulo) cessa. A menopausa
prematura é aquela que ocorre antes dos 40 anos de
idade.
As causas possíveis incluem a predisposição
genética e distúrbios auto-imunes, nos quais
são produzidos anticorpos que podem lesar várias
glândulas, incluindo os ovários. O tabagismo
também pode causar menopausa prematura. A menopausa
artificial é aquela que resulta de uma intervenção
médica que reduz ou interrompe a secreção
hormonal ovariana.
Essas intervenções incluem
a cirurgia de remoção dos ovários ou
que reduz o seu suprimento sangüíneo e a quimioterapia
ou a radioterapia aplicada sobre a pelve (incluindo os ovários)
no tratamento antineoplásico. A histerectomia (cirurgia
de remoção do útero) tem como conseqüência
a suspensão da menstruação, mas não
afeta a concentração dos hormônios;
contanto que os ovários permaneçam intactos
e, portanto, não provoca a menopausa.
Sintomas
Durante o período que precede a menopausa
(tecnicamente denominado climatério, mas que, mais
recentemente, vem sendo denominado perimenopausa), a mulher
pode ser assintomática ou pode apresentar sintomas
leves, moderados ou graves. Os fogachos afetam 75% das mulheres.
Durante um episódio de fogacho, a pele, especialmente
a da cabeça e a do pescoço, torna-se vermelha
e quente e a perspiração pode ser profusa.
A maioria das mulheres apresenta fogachos por mais de um
ano e 25 a 50% delas os apresentam por mais de cinco anos.
A duração de um episódio
de fogacho pode variar de 30 segundos a 5 minutos e pode
ser seguido por calafrios. Os sintomas psicológicos
e emocionais (fadiga, irritabilidade, insônia e nervosismo)
podem ser causados pela diminuição da concentração
de estrogênio. Os suores noturnos podem perturbar
o sono, piorando a fadiga e a irritabilidade. Algumas vezes,
a mulher sente tontura, uma sensação de formigamento
(picadas) e percebe os batimentos cardíacos, os quais
parecem mais fortes.
A perda de controle da bexiga, inflamação
da bexiga ou da vagina e a dor durante a relação
sexual (decorrente do ressecamento da vagina) são
comuns. Algumas vezes, ocorrem dores musculares e articulares.
A osteoporose (rarefação óssea intensa)
é um problema de saúde importante da menopausa.
As mulheres magras da raça branca apresentam maior
risco. As mulheres tabagistas, as que consomem quantidades
excessivas de álcool, as que fazem uso de corticosteróides,
as que consomem pouco cálcio e as que têm um
estilo de vida sedentário também apresentam
risco.
Durante os primeiros 5 anos que sucedem a
menopausa, ocorre uma perda anual de 3 a 5% de matéria
óssea. Após esse período, a perda anual
é de 1 a 2%. Podem ocorrer fraturas decorrentes de
pequenos traumatismos e, nas mulheres idosas, mesmo sem
qualquer traumatismo. Os ossos que são mais comumente
fraturados são as vértebras (acarretando encurvamento
e dor nas costas), os ossos dos quadris e os dos pulsos.
As doenças cardiovasculares evoluem mais rapidamente
após a menopausa, quando a concentração
de estrogênio diminui.
Uma mulher cujos ovários foram removidos
(acarretando menopausa prematura) e que não realiza
um tratamento de reposição hormonal com estrogênio
apresenta uma probabilidade duas vezes maior de apresentar
uma doença cardiovascular em comparação
com uma mulher com a mesma idade e que se encontra na pré-menopausa.
As mulheres na pós-menopausa que fazem uso de estrogênio
apresentam um índice de doenças cardiovasculares
muito menor que aquelas que não o fazem.
Por exemplo, entre as mulheres que se encontram
na pós-menopausa e que apresentam doença coronariana,
aquelas que fazem uso de estrogênio apresentam uma
sobrevida média maior em comparação
com aquelas que não o fazem. Esses benefícios
podem ser parcialmente explicados pelos efeitos favoráveis
do estrogênio sobre a concentração do
colesterol. Uma redução da concentração
de estrogênio provoca um aumento da concentração
da LDLcolesterol (lipoproteína de baixa densidade
ligada ao colesterol), o colesterol ruim, e uma redução
da concentração da HDL-colesterol (lipoproteína
de alta densidade ligada ao colesterol), o colesterol bom.
Tratamento
Os sintomas são tratados pela restauração
da concentração do estrogênio a valores
similares aos da pré-menopausa. Os principais objetivos
da terapia de reposição hormonal com estrogênio
são os seguintes:
Aliviar os sintomas (p.ex., fogachos, ressecamento
vaginal e problemas urinários)
Ajudar na prevenção da osteoporose
Ajudar na prevenção da aterosclerose
e da doença coronariana
O estrogênio encontra-se disponível
na forma não sintética (natural) ou sintética
(sintetizada laboratorialmente). Os estrogênios sintéticos
são cem vezes mais potentes que os naturais e, por
essa razão, não são rotineiramente
recomendados para as mulheres na menopausa. São suficientes
doses muito baixas de um estrogênio natural para evitar
os fogachos e a osteoporose.
As doses elevadas podem causar problemas
como, por exemplo, uma maior tendência à cefaléia
tipo enxaqueca. O estrogênio pode ser administrado
sob a forma de comprimido ou de adesivo cutâneo (estrogênio
transdérmico). Ele pode ser aplicado na vagina sob
a forma de creme quando as principais razões para
o seu uso são a prevenção do afilamento
do revestimento vaginal (reduzindo desta forma o risco de
infecção e de incontinência urinária)
e da relação sexual dolorosa.
Uma parte do estrogênio administrado
desta forma é absorvida pela corrente sangüínea,
sobretudo quando o revestimento vaginal torna-se mais saudável.
Como o estrogênio está associado a efeitos
colaterais e a riscos e benefícios de longo prazo,
a paciente e o seu médico devem pesar os benefícios
e os riscos antes de decidirem pela instituição
da terapia de reposição hormonal com estrogênio.
Os efeitos colaterais produzidos pelo estrogênio incluem
a náusea, o desconforto nas mamas, a cefaléia
e alterações do humor.
As mulheres na pós-menopausa que fazem
uso de estrogênio sem progesterona apresentam maior
risco de câncer do endométrio (câncer
do revestimento do útero), cuja incidência
é de 1 a 4 em cada 1.000 mulheres por ano. O aumento
do risco está intimamente relacionado com a dose
e a duração do tratamento. Quando uma mulher
apresenta um sangramento vaginal anormal, o médico
pode realizar uma biópsia (coleta de uma amostra
de tecido para exame microscópico) do revestimento
uterino para determinar se ela apresenta um câncer
de endométrio.
As mulheres com câncer de endométrio
e que fazem uso de estrogênio geralmente apresentam
um bom prognóstico. Aproximadamente 94% delas sobrevivem
5 anos. A administração de progesterona juntamente
com o estrogênio praticamente elimina o risco de câncer
de endométrio, reduzindo-o ainda mais nas mulheres
que não fazem uso de estrogênio. (Uma mulher
submetida a uma histerectomia [remoção do
útero] não possui risco de apresentar esse
tipo de câncer). Aparentemente, a progesterona não
anula o efeito benéfico do estrogênio sobre
as doenças cardiovasculares.
A possibilidade do uso de estrogênio
aumentar o risco de câncer de mama foi motivo de preocupação
durante muito tempo. No entanto, não foi estabelecida
uma relação clara entre a terapia de reposição
hormonal com estrogênio e o câncer de mama.
O risco de câncer pode ser maior quando o estrogênio
é utilizado durante mais de 10 anos. Para as mulheres
que apresentam um alto risco de câncer de mama, este
tipo de terapia pode não ser adequado.
Contudo, para as mulheres com propensão
à osteoporose e à doenças cardíacas
e com um baixo risco de câncer de mama, os benefícios
providos pela terapia de reposição hormonal
com estrogênio superam os riscos.
O risco de doenças da vesícula
biliar é moderadamente aumentado durante o primeiro
ano de terapia de reposição hormonal com estrogênio.
Geralmente, a terapia de reposição hormonal
com estrogênio não é prescrita para
mulheres que apresentam ou apresentaram câncer de
mama ou câncer avançado do endométrio
ou que apresentam um sangramento genital de causa desconhecida,
uma doença hepática aguda ou um distúrbio
da coagulação sangüínea.
Contudo, os médicos algumas vezes
prescrevem estrogênio para mulheres que tiveram câncer
de mama detectado em um estágio inicial e tratado
há pelo menos 5 anos e sem recorrência. Geralmente,
a terapia de reposição hormonal com estrogênio
não é prescrita para as mulheres com uma doença
hepática crônica ou porfiria intermitente aguda.
Para as mulheres que não podem fazer
uso de estrogênio, podem ser prescritas medicações
ansiolíticas, progesterona ou clonidina para reduzir
o desconforto dos fogachos. Os antidepressivos também
podem auxiliar algumas mulheres, aliviando a depressão,
a ansiedade, a irritabilidade e a insônia.
| |
Administração de Progesterona
com Estrogênio
A progesterona é administrada
juntamente com o estrogênio para reduzir o risco
de câncer de endométrio. Normalmente,
o estrogênio e a progesterona são utilizados
diariamente. Este esquema costuma provocar sangramento
vaginal irregular durante os primeiros 2 ou 3 meses
de tratamento, mas, em geral, o sangramento cessa
totalmente em 1 ano.
Alternativamente, um esquema
cíclico pode ser utilizado: a mulher toma estrogênio
diariamente por aproximadamente 2 semanas, progesterona
e estrogênio durante alguns poucos dias e, em
seguida, não toma qualquer hormônio durante
os últimos dias do mês. Entretanto, este
esquema é menos conveniente porque muitas mulheres
apresentam sangramento vaginal nos dias em que não
tomam hormônios.
A progesterona sintética
encontra-se disponível sob várias formas,
as quais podem ser administradas via oral ou intramuscular.
Os efeitos colaterais da progesterona incluem a flatulência
abdominal, o desconforto nas mamas, cefaléias,
alterações do humor e a acne. Este hormônio
também produz alguns efeitos colaterais sobre
a concentração do colesterol.
|
|
| |
|
|
| |
|
|
|