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A infertilidade é a incapacidade de
um casal conseguir uma gravidez após manter repetidas
relações sexuais sem medidas contraceptivas
durante um ano. A infertilidade afeta aproximadamente 1
em cada 5 casais nos Estados Unidos. Ela vem se tornando
cada vez mais comum porque as pessoas estão se casando
cada vez mais tarde e esperando mais tempo para ter filhos.
Não obstante, até 60% dos casais
que não conceberam após um ano de tentativas
acabam concebendo com ou sem tratamento. O tratamento visa
reduzir o tempo necessário para conceber. À
medida que a mulher envelhece, menores são as probabilidades
de engravidar e de levar a gestação a bom
termo.
Sobretudo após os 35 anos, o tempo
que a mulher tem para resolver os problemas de infertilidade
antes da menopausa é limitado. As principais causas
de infertilidade incluem os problemas com o esperma, a ovulação,
as tubas uterinas e o colo do útero, assim como fatores
não identificados. O diagnóstico e o tratamento
desses problemas exigem uma investigação completa
de ambos os membros do casal.
Anomalias do Esperma
Em um homem adulto, a espermatogênese
(formação de esperma) nos testículos
é contínua. Uma célula não especializada
requer aproximadamente 72 a 74 dias para desenvolver e converter-se
em um espermatozóide maturo. De cada testículo,
o esperma move-se ao epidídimo (um tubo em forma
de espiral localizado sobre a parte súpero-posterior
do testículo), onde são armazenados até
o momento da ejaculação.
Do epidídimo, o esperma é transportado
pelos vasos deferentes e do conduto ejaculatório.
Neste último, o líquido produzido pelas vesículas
seminais agrega-se ao esperma para formar o sêmen,
o qual, no momento da ejaculação, desloca-
se através da uretra até ser eliminado para
o exterior. Para ser fértil, o homem deve ser capaz
de liberar uma quantidade adequada de esperma normal na
vagina da mulher. Vários fatores podem interferir
nesse processo, causando a infertilidade.
Um aumento da temperatura dos testículos
devido a uma febre prolongada ou à exposição
ao calor excessivo pode reduzir muito a contagem de espermatozóides,
reduzir o vigor de seus movimentos e aumentar a quantidade
de espermatozóides anormais no sêmen. A formação
do esperma é mais eficaz em torno dos 34°C, uma
temperatura um pouco inferior à temperatura corpórea.
Os testículos, onde o esperma é formado, podem
ser mantidos nessa temperatura mais baixa porque eles estão
localizados no escroto, o qual encontra-se fora da cavidade
corpórea.
A azoospermia (ausência total de esperma)
é devida a um distúrbio grave no interior
dos testículos ou da obstrução ou ausência
dos vasos deferentes (em ambos os lados). A ausência
de frutose (um açúcar produzido pelas vesículas
seminais) no sêmen indica ausência dos vasos
deferentes ou das vesículas seminais ou obstrução
dos condutos ejaculatórios. A varicocele, a anomalia
anatômica mais comum no homem estéril, é
uma massa de veias dilatadas e tortuosas no escroto, similares
às veias varicosas. À palpação,
a varicocele lembra um bolo de vermes.
Essa anomalia pode impedir a drenagem adequada
do sangue dos testículos e, conseqüentemente,
elevando a temperatura e reduzindo a velocidade de formação
do esperma. Mais raramente, o sêmen segue uma direção
contrária à habitual (ejaculação
retrógrada), isto é, ele reflui para o interior
da bexiga ao invés de ir em direção
ao pênis. Este distúrbio é mais comum
nos homens submetidos a uma cirurgia pélvica, sobretudo
a remoção da próstata, e nos homens
diabéticos. A ejaculação retrógrada
também pode ser decorrente de um funcionamento anormal
dos nervos.
Diagnóstico
Após a realização da
anamnese (história clínica) e do exame físico,
o médico solicita uma análise do sêmen,
o principal exame de investigação da infertilidade
masculina. É solicitado ao paciente que ele não
ejacule 2 a 3 dias antes do exame. Para a análise,
é solicitado que ele ejacule (geralmente através
da masturbação) no interior de um frasco de
vidro limpo, de preferência no laboratório.
Para os homens que apresentam dificuldade
para coletar uma amostra de sêmen deste modo, preservativos
especiais sem lubrificantes ou substâncias químicas
tóxicas para o esperma podem ser utilizados para
coletar o sêmen durante a relação sexual.
Uma análise baseada em duas ou três amostras
separadas é mais confiável. Quando a amostra
de sêmen é anormal, a análise pode ser
repetida porque amostras de um mesmo homem normalmente variam
enormemente.
Quando o sêmen ainda parece ser anormal,
o médico investiga as causas possíveis, como
a orquite (inflamação dos testículos)
causada pela parotidite (caxumba) que afeta os testículos,
uma doença aguda ou uma febre prolongada nos 3 meses
anteriores, um traumatismo dos testículos, a exposição
a substâncias tóxicas industriais ou ambientais,
o uso de dietilestilbestrol ou de esteróides anabolizantes,
o uso de drogas e o consumo de álcool.
No entanto, uma contagem baixa de espermatozóides
pode simplesmente indicar que transcorreu um tempo insuficiente
desde a última ejaculação ou que somente
parte do sêmen foi depositado no frasco de coleta.
O médico examina o homem em busca de anomalias físicas
(p.ex., testículos que não desceram para o
escroto) e de sinais de distúrbios hereditários
ou hormonais que poderiam explicar a infertilidade.
Os distúrbios hormonais que reduzem
a produção de testosterona (hipogonadismo)
podem originar-se nos testículos ou em outras glândulas
(p.ex., hipófise). As clínicas especializadas
em infertilidade realizam exames de função
e da qualidade dos espermatozóides, freqüentemente
antes de serem aventadas as técnicas de fertilização
assistida.
Um desses exames detecta a presença
de anticorpos contra o esperma; um outro determina a integridade
das membranas dos espermatozóides. Além disso,
outros exames podem determinar a capacidade dos espermatozóides
de unirem-se ao óvulo ou penetrá-lo.
Causas da Infertilidade
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Área Problemática
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Porcentagem de Casos
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Esperma |
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30 a 40
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Ovulação |
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15 a 20
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Tubas uterinas |
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25 a 40
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Colo do útero |
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5
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Fatores não identificados |
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5 a 15
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Tratamento
O tratamento depende da causa da infertilidade.
O clomifeno, uma droga utilizada para induzir a ovulação
nas mulheres, pode ser utilizado para tentar aumentar a
contagem de espermatozóides nos homens. No entanto,
o clomifeno parece não melhorar a capacidade de movimentação
dos espermatozóides e nem parece reduzir a quantidade
de espermatozóides anormais. Também não
foi provado que o clomifeno aumenta a fertilidade.
Para os homens que possuem poucos espermatozóides
normais, a inseminação artificial pode aumentar
discretamente a taxa de gravidez porque ela utiliza a primeira
porção do sêmen ejaculado, a qual possui
a maior concentração de espermatozóides.
Uma técnica mais recente, a qual seleciona apenas
os espermatozóides mais ativos (esperma lavado),
tem sido mais eficaz.
A fertilização in vitro e a
transferência de gametas intratubária (transferência
de gametas através de um tubo colocado no interior
da tuba uterina) são métodos muito mais complexos
e onerosos e são eficazes no tratamento de certos
tipos de infertilidade masculina. Quando um homem não
produz esperma, pode ser aventada a possibilidade da inseminação
da mulher com espermatozóides de um outro homem (doador).
Devido ao perigo de contrair doenças
sexualmente transmissíveis, inclusive a AIDS, as
amostras de sêmen fresco de doadores não são
mais utilzadas. Ao invés disso, amostras de sêmen
congelado devem ser obtidas em um banco de sêmen credenciado,
o qual testa os doadores para doenças sexualmente
transmissíveis. No entanto, a gravidez é menos
provável com amostras de sêmen congelado que
com amostras de sêmen fresco.
A varicocele pode ser tratada com uma pequena
cirurgia. Estudos sugerem que a gravidez ocorre em 30 a
50% dos casos após o homem ser submetido à
cirurgia de varicocele, mas são necessários
estudos confirmatórios adicionais.
Distúrbios da Ovulação
A ovulação é a liberação
de um óvulo pelo ovário. Uma mulher com menstruação
regular a cada 26 a 35 dias, precedida por dor nas mamas,
aumento de volume da região abdominal inferior e
alterações do humor, geralmente libera um
óvulo de um folículo (cavidade cheia de líquido
que contém um óvulo) cada mês.
Uma mulher com menstruação
regular sem esses sintomas também pode ovular. Quando
uma mulher menstrua irregularmente ou não mestrua
(amenorréia), a causa deve ser determinada antes
de ser iniciado o tratamento para estimular a ovulação.
Controle da Ovulação
Determinar se a ovulação realmente
ocorreu é uma parte importante da investigação
da infertilidade. A mensuração diária
da temperatura corpórea basal (temperatura do corpo
em repouso), geralmente realizada imediatamente após
o despertar, pode ser utilizada para se determinar se e
quando a ovulação ocorreu.
Uma baixa da temperatura corpórea
basal sugere que a ovulação está prestes
a ocorrer, enquanto que uma pequena elevação
persistente de aproximadamente 0,25 a 0,5oC geralmente indica
que ela ocorreu. Contudo, a temperatura corpórea
basal não é um indicador confiável
ou acurado da ovulação. No máximo,
a temperatura corpórea basal prevê a ocorrência
da ovulação em um período de 2 dias.
As técnicas mais acuradas incluem
a monitorização ultra-sonográfica e
os kits previsores da ovulação que detectam
um aumento do hormônio luteinizante (um hormônio
que induz a ovulação), o qual atinge um máximo
na urina 24 a 36 horas antes da ovulação.
Além disso, a concentração da progesterona
no sangue ou de um de seus metabólitos pode ser mensurada.
Um aumento acentuado indica que a ovulação
ocorreu.
A ocorrência da ovulação
também pode ser determinada através de uma
biópsia. Uma pequena amostra é removida do
endométrio (revestimento uterino) 10 a 12 dias após
a data presumida da ovulação. A amostra é
examinada ao microscópio. Quando são observadas
alterações que ocorrem normalmente no endométrio
após a ovulação, isto indica que ela
ocorreu.
Tratamento
Uma droga que induz a ovulação
é selecionada de acordo com o problema específico.
Para uma mulher com anovulação crônica
(que não ovula há muito tempo), a medicação
preferida geralmente é o clomifeno. No início,
a menstruação é induzida com uma outra
droga, o acetato de medroxiprogesterona. Em seguida, a mulher
toma o clomifeno durante 5 dias. Geralmente, ela ovula 5
a 10 dias (média, 7 dias) após a interrupção
do clomifeno e menstrua 14 a 16 dias após a ovulação.
Quando uma mulher não menstrua após
o tratamento com clomifeno, ela deve realizar um teste de
gravidez. Se ela não estiver grávida, o esquema
terapêutico é repetido com doses crescentes
de clomifeno até a ovulação ocorrer
ou a dose máxima ser atingida. Quando o médico
determina a dose que induz a ovulação, a mulher
utiliza essa dose por pelo menos 6 ciclos de tratamento.
A maioria das mulheres que engravidam o fazem no sexto ciclo,
no qual ocorre a ovulação.
De modo geral, aproximadamente 75% a 80%
das mulheres tratadas com clomifeno ovulam, mas somente
aproximadamente 40% a 50% engravidam. Cerca de 5% das gestações
de mulheres tratadas com clomifeno são múltiplas,
sobretudo gemelares. Como existe uma certa preocupação
em relação ao uso prolongado do clomifeno
aumentar o risco de câncer de ovário, o médico
toma várias precauções. Ele avalia
a mulher antes do tratamento, a acompanha rigorosamente
durane o tratamento e limita a quantidade de ciclos terapêuticos.
Os efeitos colaterais do clomifeno incluem os fogachos,
a distensão abdominal, a dor nas mamas, a náusea,
distúrbios visuais e a cefaléia.
Aproximadamente 5% das mulheres tratadas
com clomifeno apresentam a síndrome da hiperestimulação
ovariana, na qual os ovários aumentam enormemente
de tamanho e uma grande quantidade de líquido passa
da corrente sangüínea para o interior da cavidade
abdominal. Para tentar prevenir este distúrbio, o
médico prescreve a dose mínima eficaz e suspende
o clomifeno quando os ovários aumentam de tamanho.
Quando uma mulher não ovula ou engravida
durante o tratamento com clomifeno, a terapia hormonal com
gonadotropinas menopáusicas humanas pode ser tentada.
Atualmente, esses hormônios são extraídos
da urina de mulheres que se encontram na pós-menopausa,
mas formas sintéticas vêm sendo testadas.
Como as gonadotropinas menopáusicas
humanas são caras e produzem efeitos colaterais graves,
os médicos desaconselham este tipo de tratamento
até se ter certeza que a causa da infertilidade é
um distúrbio da ovulação e não
um problema relacionado aos espermatozóides ou às
tubas uterinas. Mesmo nesses casos, os ciclos de tratamento
são cuidadosamente controlados por médicos
com experiência no uso desses hormônios.
As gonadotropinas menopáusicas humanas,
as quais são injetadas no músculo, estimulam
a maturação dos folículos ovarianos.
Para controlar a maturação, a concentração
sérica do hormônio estradiol é mensurada
e uma ultrasonografia pélvica é realizada.
As doses são ajustadas de acordo com a resposta da
paciente aos hormônios. Após o amadurecimento
dos folículos, é administrada uma injeção
de um hormônio diferente, a gonadotropina coriônica
humana, para desencadear a ovulação.
Apesar de mais de 95% das mulheres tratadas
com esses hormônios ovularem, apenas 50 a 75% delas
engravidam. Nas mulheres tratadas com gonadotropinas menopáusicas
humanas, 10 a 30% das gestações são
múltiplas, sobretudo gemelares. Um efeito colateral
grave do tratamento com gonadotropinas menopáusicas
humanas é a síndrome da hiperestimulação
ovariana, a qual ocorre em 10 a 20% das mulheres tratadas.
Esta síndrome pode ser letal, mas,
geralmente, ela pode ser evitada quando o médico
controla rigorosamente o tratamento e suspende a gonadotropina
coriônica humana quando a resposta da paciente tornar-se
exagerada. As gonadotropinas menopáusicas humanas
podem aumentar o risco de câncer de ovário,
mas as evidências atuais são pouco consistentes.
Algumas vezes, a ovulação não
ocorre porque o hipotálamo (a parte do cérebro
que coordena e controla a atividade hormonal) não
secreta o hormônio liberador de gonadotropinas, o
qual é necessário para a ovulação.
Nestes casos, uma forma sintética do hormônio
liberador de gonadotropinas pode ser utilizado para induzir
a ovulação. O risco de hiperestimulação
ovariana é baixo com este tipo de tratamento e; conseqüentemente,
o controle intensivo não é necessário.
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Causas de Distúrbios das Tubas
Uterinas
Anomalias congênitas
Doença inflamatória pélvica
Gravidez ectópica
Ruptura do apêndice
Cirurgia da região abdominal
inferior
Endometriose
Obstrução cirúrgica
prévia (ligadura de trompas)
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Distúrbios das Tubas Uterinas
As tubas uterinas podem apresentar anomalias
estruturais e funcionais. As principais causas dos distúrbios
são as infecções, a endometriose e
a ligadura de trompas (fechamento cirúrgico das tubas
uterinas) como um meio de esterilização. Para
determinar se as tubas uterinas estão abertas, o
médico solicita um histerossalpingografia (radiografia
especial do útero e das tubas uterinas) logo após
o término da menstruação.
Este exame diagnóstico também
revela anomalias congênitas (defeitos de nascença)
do útero e das tubas uterinas, massas fibrosas no
útero e aderências (faixas fibrosas que conectam
estruturas normalmente não são conectadas)
no útero ou na pelve. Por razões desconhecidas,
a fertilidade parece melhorar discretamente após
uma histerossalpingografia cujo resultado foi normal. Por
essa razão, o médico pode aguardar para ver
se a mulher engravida após a sua realização
antes de solicitar exames adicionais da função
das tubas uterinas.
Quando a histerossalpingografia revela uma
anomalia (p.ex., aderências no útero), o médico
realiza uma histeroscopia, exame no qual um histeroscópio
(tubo de visualização) é inserido através
do colo do útero até o interior do órgão.
O histeroscópio pode ser manipulado para romper aderências
durante o procedimento e, conseqüentemente, aumenta
a probabilidade da mulher engravidar. Quando são
necessárias maiores informações diagnósticas,
um laparoscópio (pequeno tubo de visualização)
é inserido no interior da cavidade pélvica
através de pequena incisão na parede abdominal.
Este procedimento, o qual é geralmente
realizado com a paciente submetida a uma anestesia geral,
permite ao médico examinar o útero, as tubas
uterinas e os ovários. O laparoscópio também
pode ser utilizado para remover tecido anormal quando a
mulher tem endometriose ou para romper aderências
da cavidade pélvica. Drogas podem ser utilizadas
para tratar a endometriose.
Para infecções, antibióticos
devem ser utilizados. Pode ser tentada uma cirurgia de reparação
de uma tuba uterina lesada por uma gravidez ectópica
(tubária), uma ligadura de tuba ou uma infecção,
mas ela acarreta uma taxa baixa de gravidez normal e uma
taxa elevada de gravidez ectópica. Por essas razões,
a cirurgia não é freqüentemente recomendada.
Distúrbios do Colo do Útero
O muco cervical (produzido pelo colo do útero
ou cérvix, a parte inferior do útero que se
abre no interior da vagina) atua como um filtro, impedindo
que as bactérias presentes na vagina penetrem no
útero. Ele também melhora a sobrevida do esperma.
O muco cervical é espesso e impenetrável
para os espermatozóides até a fase folicular
do ciclo menstrual, quando o óvulo e o folículo
amadurecem no ovário. Durante esta fase, a concentração
do hormônio estradiol aumenta, tornando o muco cervical
transparente e elástico, o que permite que o esperma
atinja o útero e penetre nas tubas uterinas, onde
pode ocorrer a fertilização.
Diagnóstico e Tratamento
Um exame pós-coito, realizado 2 a
8 horas após uma relação sexual, pode
se determinar se o esperma consegue sobreviver no muco cervical.
O exame é programado para ser realizado na metade
do ciclo menstrual, quando a concentração
de estradiol encontra-se mais elevada e a mulher está
ovulando. Normalmente, o muco é claro e pode ser
distendido até 8 a10 centímetros sem romper.
Ao microscópio, o muco possui um aspecto
semelhante a uma samambaia e, na ampliação
máxima, pelo menos cinco espermatozóides são
visíveis no campo. Os resultados anormais incluem
um muco nitidamente espesso, a ausência de espermatozóides
e a aglomeração de espermatozóides
devido ao fato do muco possuir anticorpos contra o esperma.
No entanto, resultados anormais nem sempre indicam um problema
do muco.
Os espermatozóides podem estar ausentes
simplesmente porque não foram depositados no interior
da vagina durante a relação sexual e o muco
pode ser francamente espesso apenas porque o exame não
foi realizado no momento adequado do ciclo menstrual. Embora
este exame seja amplamente utilizado, ele não é
altamente acurado. O tratamento dos distúrbios do
muco cervical inclui a inseminação intrauterina,
na qual o sêmen é colocado diretamente no interior
do útero para evitar o muco, e drogas que diminuem
a espessura do muco (p.ex., guaifenesina, um componente
comum dos xaropes contra tosse). Entretanto, não
existem provas de que essas medidas aumentam a probabilidade
de gravidez.
Fatores Não Identificados
Mesmo quando nenhuma causa de infertilidade
pode ser identificada, o casal pode ser capaz de conceber.
O tratamento da mulher com clomifeno ou gonadotrofinas menopáusicas
humanas e a colocação de esperma lavado no
interior do útero podem reduzir o tempo necessário
para a concepção. Quando a mulher não
engravida após 4 a 6 ciclos menstruais, pode ser
necessário considerar o uso de técnicas especiais,
como a fertilização in vitro ou a transferência
de gametas intratubária (GIFT, gamete intrafallopian
tube transfer).
Técnicas de Fertilização
Após o insucesso de todos os outros
tratamentos para engravidar, um número crescente
de casais estéreis tem procurado a fertilização
in vitro (em um tubo de ensaio). Este procedimento envolve
a estimulação dos ovários, a coleta
dos óvulos liberados, a sua fertilização,
o crescimento dos embriões em laboratório
e a implantação dos mesmos no útero
da mulher.
Geralmente, é utilizada uma combinação
de clomifeno, gonadotropinas menopáusicas humanas
e um agonista do hormônio liberador de gonadotropinas
(droga que estimula a liberação de gonadotropinas
pela hipófise) para estimular a maturação
dos óvulos nos ovários. Orientado pela ultra-sonografia,
o médico insere uma agulha através da vagina
ou do abdômen até o ovário e remove
vários óvulos dos folículos.
No laboratório, os ovos são
colocados sobre uma placa de cultura e fertilizados com
esperma lavado. Após aproximadamente 40 horas, 3
ou 4 embriões são transferidos da placa de
cultura para o interior do útero da mãe através
da vagina. Os embriões adicionais podem ser congelados
em nitrogênio líquido para serem utilizados
posteriormente caso a gravidez não ocorra.
Apesar da transferência de vários
embriões, as porcentagens de produção
de um concepto a termo são de somente cerca de 18
a 25% cada vez que ovos são colocados no útero.
Quando uma mulher apresenta uma infertilidade inexplicável
ou endometriose mas com tubas uterinas funcionando normalmente,
a transferência de gametas intratubária pode
ser realizada. Os óvulos e o esperma lavado são
obtidos da mesma forma que para a fertilização
in vitro, mas os óvulos não são fertilizados
com o esperma no laboratório.
Em vez disso, os óvulos e o esperma
são transferidos para a extremidade mais distante
da tuba uterina através da parede abdominal (por
laparoscopia) ou através da vagina (orientado por
ultra-sonografia), de modo que o óvulo possa ser
fertilizado na tuba uterina. Na maioria das clínicas
de infertilidade, a taxa de sucesso de cada transferência
é de aproximadamente 20 a 30%.
As variações da fertilização
in vitro e da GIFT incluem a transferência de um embrião
mais maduro (transferência de zigoto intratubária),
o uso de óvulos de uma doadora e a transferência
de embriões congelados para uma mãe de aluguel.
Essas técnicas levantam questões morais e
éticas, incluindo questões sobre o destino
dos embriões estocados (sobretudo nos casos de morte
ou de divórcio), a paternidade legal quando uma mãe
de aluguel é envolvida e a redução
seletiva do número de embriões implantados
(similar ao aborto) quando ocorre o desenvolvimento de mais
de três embriões.
Aspectos Psicológicos
Enquanto um casal submete-se ao tratamento
de infertilidade, um ou ambos os parceiros podem sentir
frustração, estresse emocional, e sentimentos
de inadequação e de culpa. Sentindo-se isolados
e incapazes de comunicar-se, eles podem tornar-se irritados
ou manifestam ressentimento contra o parceiro, a família,
os amigos ou o próprio médico. Durante cada
mês de tratamento, o casal pode oscilar entre a esperança
e o desespero.
O estresse emocional pode acarretar choro,
fadiga, ansiedade, distúrbios do sono ou da alimentação
e dificuldade de concentração. Além
disso, os custos financeiros e o tempo necessário
para a realização de exames diagnósticos
e o tratamento podem causar conflitos conjugais. Esses problemas
podem ser minimizados quando os dois parceiros estão
envolvidos e recebem informações sobre o processo
do tratamento, independemente de qual deles apresenta o
problema.
O casal enfrenta melhor o estresse quando
ele conhece as possibilidades de êxito e tem consciência
de que o tratamento pode fracassar e não pode ser
mantido indefinidamente. Também são úteis
as informações sobre quando o tratamento deve
ser interrompido, quando procurar uma segunda opinião
e quando aventar a possibilidade de adoção
de uma criança. O aconselhamento e o suporte psicológico
podem ser úteis. Em alguns países, existem
grupos de apoio para casais estéreis.
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