|
O planejamento familiar é a tentativa
de controlar o número de filhos e o espaçamento
entre os nascimentos. Um casal pode usar métodos
de contracepção, para evitar temporariamente
a gravidez, ou a esterilização, para evitar
a gravidez de modo definitivo. O aborto pode ser utilizado
para interromper uma gravidez quando a contracepção
falhar.
Contracepção
Os métodos contraceptivos incluem
os contraceptivos orais (pílulas anticoncepcionais),
os preservativos, as preparações que detêm
ou destróem o esperma por contato (espermicidas sob
a forma de espuma, creme, gel e óvulo vaginal), coito
interrompido (a retirada do pênis antes da ejaculação),
os diafragmas, os diafragmas cervicais, os métodos
de ritmo, os implantes contraceptivos, contraceptivos injetáveis
e os dispositivos intra-uterinos (DIUs).
A contracepção pode ser utilizada
pela pessoa que é fisicamente capaz de procriar e
mantém relações sexuais com alguém
do sexo oposto, mas não deseja ter um filho imediatamente.
Após conhecer as vantagens e desvantagens dos vários
métodos contraceptivos, a pessoa pode escolher o
método mais adequado. Para serem eficazes, os contraceptivos
devem ser utilizados corretamente.
É mais provável que eles falhem
quando são utilizados por pessoas muito jovens, com
menor nível de estudo ou menos motivadas para evitar
a gravidez. Entre 5 e 15% das mulheres que utilizam métodos
contraceptivos que devem ser utilizados no momento da relação
sexual (diafragma, preservativo, espuma, coito interrompido)
engravidam durante o primeiro ano de uso.
Geralmente, esses métodos são
menos eficazes na prevenção da gravidez que
os contraceptivos orais, os implantes, os contraceptivos
injetáveis e os dispositivos intra-uterinos, os quais
fornecem uma proteção a longo prazo e não
dependem de decisões tomadas no último instante.
Entre 0,1 a 3% das mulheres que utilizam esses métodos
contraceptivos de longo prazo engravidam durante o primeiro
ano de uso.
Contraceptivos Orais
Os contraceptivos orais, comumente denominados
a pílula, contêm hormônios (uma combinação
de progestina e estrogênio ou apenas progestina).
Eles evitam a gravidez impedindo que os ovários liberem
óvulos (ovulação) e mantendo o muco
cervical espesso, de modo que os espermatozóides
não conseguem atravessá-lo facilmente.
As pílulas combinadas são tomadas
uma vez ao dia durante 3 semanas e, a seguir, é feita
uma interrupção de uma semana para permitir
a menstruação e, em seguida, o seu uso é
reiniciado. Pílulas inativas podem ser incluídas
na cartela (para a semana em que as pílulas combinadas
não são tomadas) para que seja estabelecida
a rotina de tomar uma pílula por dia. As pílulas
que contém apenas progestina são tomadas diariamente
durante todo o mês.
Quão Efetiva é
a Contracepção?
|
Método
|
Porcentagem
de Mulheres Que Engravidam Durante o Primeiro Ano
de Uso
|
| |
Contraceptivos orais: Pílulas
combinadas de estrogênio progestina Pílulas
contendo apenas progestina |
0,13
0,53
|
| |
Preservativo: Masculino
Feminino |
|
| |
Diafragma com espermicida |
618
|
| |
Diafragma cervical com espermicida |
11,518
|
| |
Método do ritmo |
20
|
| |
Implantes levonorgestrel) |
menos de 0,1
|
| |
Medroxiprogesterona injetável |
0,3
|
| |
Dispositivo intra-uterino |
0,62
|
O fato de esquecer de tomar a pílula
pode acarretar a gravidez. Freqüentemente, as pílulas
que contém apenas progestina provocam episódios
de sangramento irregular. Elas costumam ser prescritas somente
quando o uso do estrogênio poderia ser nocivo (p.ex.,
quando a mulher estiver amamentando). As várias marcas
de pílulas combinadas são igualmente eficazes.
As pílulas que contêm baixas doses de estrogênio
produzem menos efeitos colaterais graves que as pílulas
mais antigas que continham doses elevadas desse hormônio.
Para as mulheres que fazem uso de outras
medicações específicas, sobretudo medicamentos
para a epilepsia, o médico pode prescrever pílulas
com doses mais elevadas de estrogênio. Toda mulher
que estiver aventando a possibilidade de utilizar contraceptivos
orais deve discutir com o seu médico os riscos e
benefícios de sua situação específica.
Os contraceptivos orais com dose baixa oferecem
muito poucos riscos à saúde da mulher e provêm
muitos benefícios não relacionados com a contracepção
propriamente dita. Eles reduzem o risco de certos tipos
de câncer, mas podem aumentar o risco de outros. O
risco de morte de uma mulher devido a uma gravidez normal
ou a um aborto é maior que o devido ao uso de contraceptivos
orais.
Quando o Uso de Anticoncepcionais
Orais é Proibido
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Uma mulher não deve fazer uso
de contraceptivos orais quando apresenta qualquer
uma das seguintes situações:
Fuma e tem mais de 35 anos
Apresenta uma doença hepática
ativa ou tumores
Apresenta concentração elevada
de triglicerídeos
Apresenta hipertensão arterial não
tratada
Apresenta diabetes com obstrução
de artérias
Apresenta coágulos sangüíneos
Está com uma perna imobilizada (p.ex.,
um aparelho gessado)
Apresenta uma doença cardíaca
Sofreu um acidente vascular cerebral
Apresentou icterícia da gravidez
Apresenta um câncer de mama ou do útero
Uma mulher pode fazer uso de contraceptivos orais
sob supervisão médica quando apresenta
qualquer uma das seguintes situações:
Está deprimida
Apresenta enxaquecas freqüentes
É tabagista mas tem menos de 35 anos
de idade
Teve hepatite ou outra doença hepática
com recuperação total
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O uso de contraceptivos orais também
reduz a ocorrênia de cólicas menstruais, tensão
prémenstrual, sangramento irregular (em mulheres
cujas menstruações eram irregulares), anemia,
cistos mamários, cistos de ovários, gravidez
tubária (gravidez localizada em uma tuba uterina,
um tipo de gravidez ectópica) e infecção
tubária. Além disso, as mulheres que fazem
uso de contraceptivos orais têm uma menor probabilidade
de apresentar artrite reumatóide e osteoporose que
aquelas que nunca os usaram.
Antes de iniciar o uso de contraceptivos
orais, a mulher deve ser submetida a um exame físico
para se certificar que ela não apresenta outros problemas
de saúde que tornariam o seu uso arriscado. Quando
ela ou um parente próximo apresenta diabetes ou uma
doença cardíaca, geralmente são realizados
exames de sangue para mensurar a concentração
sérica do colesterol e da glicose (açúcar).
Quando essas concentrações
encontram- se elevadas, o médico pode prescrever
contraceptivos orais de baixa dose, mas deve solicitar outros
exames de sangue posteriores para se assegurar que essas
concentrações não aumentaram de forma
significativa. Três meses após o início
do uso de contraceptivos orais, a mulher é novamente
examinada, verificando-se se não houve alteração
em sua pressão arterial. Posteriormente, ela deve
ser examinada pelo menos uma vez por ano.
Algumas mulheres (p.ex., as com mais de 35
anos de idade e as tabagistas) não devem usar contraceptivos
orais porque os riscos são maiores que os benefícios.
Outras mulheres podem apresentar uma doença na qual
o uso de contraceptivos orais aumenta os riscos. Por exemplo,
o uso de contraceptivos orais pode provocar um aumento de
pressão em uma mulher hipertensa.
No entanto, quando acredita-se que os riscos
são contrabalançados pelos benefícios,
a mulher pode tomar contraceptivos orais, mas o médico
deve controlá-la rigorosamente, de modo que a medicação
possa ser suspensa quando necessário. A interrupção
ocasional do uso de contraceptivos orais para utilizar outros
métodos contraceptivos é desnecessária
e não provê qualquer benefício.
Por essa razão, a mulher não
precisa parar de tomar a pílula, exceto quando ela
deseja engravidar, quando ela apresenta efeitos colaterais
intoleráveis ou quando ela apresenta algum outro
problema de saúde que torna o seu uso desaconselhável.
As mulheres sadias e as não tabagistas podem fazer
uso de contraceptivos orais de baixa dose continuamente
até a menopausa.
Uso Após Uma Gravidez
O risco de formação de coágulos
sangüíneos nas veias dos membros inferiores
aumenta após uma gravidez e pode aumentar ainda mais
com o uso de contraceptivos orais. Contudo, quando a gravidez
é interrompida antes de 12 semanas desde a última
menstruação, a mulher pode iniciar imediatamente
o uso de contraceptivos orais. Quando a gravidez durar 12
a 28 semanas, ela deve aguardar uma semana e, quando a gravidez
durar mais de 28 semanas, ela deve aguardar duas semanas,
contanto que não esteja amamentando.
Durante a amamentação, as mulheres
geralmente não ovulam (não libera óvulos)
até pelo menos 10 a 12 semanas após o parto.
Contudo, elas podem ovular e engravidar antes da primeira
menstruação. Por essa razão, as mulheres
que amamentam devem utilizar alguma forma de contracepção
quando não desejam engravidar. O uso de contraceptivos
orais combinados durante a amamentação pode
reduzir a produção de leite e as concentrações
de gorduras e proteínas nutritivas no leite.
Os hormônios contidos nas pílulas
são transferidos para o leite materno e, conseqüentemente,
para o lactente. Portanto, as mães que amamentam
e desejam tomar contraceptivos orais devem usar pílulas
que contêm somente progestina e não afetam
a produção de leite. Quando utilizados até
a concepção ou o início da gestação
(antes da mulher perceber que está grávida),
os contraceptivos orais não prejudicam o feto.
Efeitos Colaterais
O sangramento em intervalos irregulares durante
o ciclo menstrual é comum durante os primeiros meses
de uso de contraceptivos orais, mas o sangramento anormal
geralmente cessa quando o organismo adapta-se aos hormônios.
A mulher pode não menstruar durante alguns meses
após interromper o uso de contraceptivos orais, mas
eles não reduzem a fertilidade de forma permanente.
Muitos efeitos colaterais desagradáveis
(p.ex., náusea, dor nas mamas, flatulência,
retenção líquida, hipertensão
arterial e depressão) estão relacionados ao
estrogênio contido na pílula e são incomuns
nas mulheres que fazem uso de pílulas de baixa dose.
Outros efeitos colaterais (p.ex., ganho de peso, acne e
nervosismo) estão relacionados à progestina
e também são incomuns com o uso de pílulas
de baixa dose.
Algumas mulheres que utilizam contraceptivos
orais ganham 1 a 2 quilos por causa da retenção
líquida e, possivelmente, ainda mais em decorrência
do aumento do apetite. Os efeitos colaterais graves são
raros. A probabilidade de formação de cálculos
na vesícula biliar aumenta durante os primeiros anos
de uso de contraceptivos orais, declinando a seguir.
Uma em cada 30.000 a 500.000 mulheres que
fazem uso de contraceptivos orais desenvolve um adenoma
hepático, um tumor benigno que se torna perigoso
quando rompe e sangra para o interior da cavidade abdominal.
Os adenomas geralmente desaparecem espontaneamente depois
que a mulher suspende o uso do contraceptivo oral.
Estima-se que os coágulos sangüíneos
eram 3 a 4 vezes mais comuns nas mulheres que tomavam as
pílulas antigas de dose alta que naquelas que não
utilizavam contraceptivos orais. No entanto, como o conteúdo
de estrogênio nas pílulas foi reduzido, o risco
de formação de coágulos sangüíneos
também diminuiu, mas ele permanece mais alto que
o de mulheres que não fazem uso dos contraceptivos
orais.
Quando uma mulher apresenta uma dor torácica
súbita ou dor nos membros inferiores, ela deve interromper
o uso do contraceptivo oral e ver o seu médico imediatamente,
pois esses sintomas podem indicar a formação
de coágulos sangüíneos nas veias dos
membros inferiores e que estes se deslocaram até
os pulmões ou estão prestes a fazê-lo.
Como tanto os contraceptivos orais quanto
uma cirurgia aumentam o risco de formação
de coágulos sangüíneos, a mulher deve
interromper o uso do contraceptivo oral um mês antes
de uma cirurgia eletiva e só voltar a usá-lo
um mês após. As mulheres que fazem uso de contraceptivos
orais podem apresentar náusea e cefaléia (dor
de cabeça) e 1 a 2% delas apresentam depressão
e insônia.
A mulher deve interromper o uso do medicamento
e entrar em contato com o médico quando apresentar
um dos sintomas a seguir, poir eles podem indicar um aumento
do risco de acidente vascular cerebral: cefaléia
(mais freqüente ou de maior intensidade), formigamento
nos membros superiores ou inferiores, desmaio ou dificuldade
para falar. Entretanto, o risco de um acidente vascular
cerebral não é maior para as mulheres que
tomam pílulas combinadas com baixa dose de estrogênio
que para as mulheres saudáveis com a mesma idade
e que não utilizam contraceptivos orais.
O uso de contraceptivos orais pode alterar
as quantidades de algumas vitaminas e de outras substâncias
no sangue. Por exemplo, as concentrações das
vitaminas do complexo B e da vitamina C diminuem discretamente,
enquanto a concentração da vitamina A aumenta.
Essas alterações não são consideradas
importantes, por essa razão, a complementação
vitamínica não é necessária.
Em algumas mulheres, os contraceptivos orais
causam o surgimento de melasmas (manchas escuras) na face,
semelhantes às manchas que algumas vezes ocorrem
durante a gravidez. A exposição ao sol as
escurece ainda mais. Quando a mulher interrompe o uso dos
contraceptivos orais, os melasmas desaparecem lentamente.
Não existe um tratamento específico.
A única solução é
a suspensão do uso do contraceptivo oral assim que
as manchas são percebidas. O uso de contraceptivos
orais não altera o risco de câncer de mama,
independentemente dele ser alto ou baixo. Contudo, o risco
de câncer de colo do útero parece aumentar
entre as mulheres que fazem uso de contraceptivos orais,
sobretudo entre aquelas que os utilizam há mais de
5 anos. Por essa razão, as mulheres que utilizam
contraceptivos orais devem realizar um exame de Papanicolaou
pelo menos uma vez por ano, de modo que as possíveis
alterações no colo do útero possam
ser detectadas precocemente.
Por outro lado, o risco de câncer de
útero ou de ovário diminui para aproximadamente
50% entre as mulheres que fazem uso de contraceptivos orais
em comparação com as que nunca os utilizaram.
Além disso, esse efeito persiste mesmo após
a interrupção do seu uso.
Contraceptivos de Barreira
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Os contraceptivos de barreira impedem
fisicamente a entrada do esperma no útero da
mulher. Eles incluem os preservativos, os diafragmas
e os diafragmas cervicais. Alguns preservativos contêm
espermicidas. Os espermicidas devem ser utilizados
com os preservativos e outros contraceptivos de barreira
que já não os contêm.

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Interações Com Outras
Drogas
Os contraceptivos orais não interferem
sobre o efeito de outras drogas. Contudo, outros medicamentos,
sobretudo alguns sedativos e antibióticos, podem
reduzir a sua a eficácia. As mulheres que utilizam
contraceptivos orais podem engravidar ao fazerem uso concomitante
de antibióticos (p.ex., rifampina e, possivelmente,
a ampicilina, as tetraciclinas ou as sulfonamidas).
Durante o período que estiverem tomando
doses elevadas desses antibióticos, as mulheres devem
usar um contraceptivo de barreira (p.ex., diafragma ou diafragma
cervical) além do contraceptivo oral. Os medicamentos
anticonvulsivantes, fenitoína e fenobarbital, podem
aumentar a freqüência de sangramento anormal
em mulheres que utilizam contraceptivos orais. Para contrabalançar
esse efeito, as mulheres epilépticas que fazem uso
de anticonvulsivantes devem utilizar contraceptivos orais
de dose mais elevada.
Contraceptivos de
Barreira
Os contraceptivos de barreira bloqueiam fisicamente
o acesso do esperma ao útero da mulher. Eles incluem
o preservativo, o diafragma, o diafragma cervical e as espumas,
cremes, géis e óvulos vaginais. Quando utilizados
adequadamente, os preservativos (camisinhas) conseguem prover
uma proteção considerável contra doenças
sexualmente transmissíveis (p.ex., AIDS) e podem
prevenir certas alterações pré-cancerosas
nas células do colo do útero. Alguns preservativos
possuem um reservatório na extremidade para coletar
o sêmen.
Quando eles não o possuem, cerca de
1,5 centímetro do preservativo deve ser deixado livre
na frente do pênis. O preservativo deve ser removido
cuidadosamente porque, caso ocorra um extravasamento do
sêmen, espermatozóides podem penetrar na vagina
e acarretar uma gravidez. Um espermicida, quer incluído
no lubrificante do preservativo quer aplicado isoladamente
na vagina, pode aumentar a eficácia do uso do preservativo.
O preservativo feminino, um dispositivo mais
recente, é fixado na vagina por meio de um anel.
Ele é semelhante aos preservativos masculinos, mas
é maior e com um maior índice de falha. Por
essa razão, o preservativo masculino ainda é
preferível. O diafragma, um tampão em forma
de cúpula com um aro flexível, é encaixado
sobre o colo do útero e impede a entrada do esperma
no útero.
Os diafragmas são apresentados em
vários tamanhos e o tamanho adequado deve ser indicado
por um médico ou por um enfermeiro, o qual também
ensinará o modo de colocá-lo. O diafragma
deve recobrir todo o colo do útero sem causar desconforto.
Nem a mulher nem o seu parceiro devem perceber a sua presença.
Um creme ou um gel contraceptivo sempre deve ser utilizado
com o diafragma, para o caso dele deslocar durante a relação.
O diafragma é colocado antes da relação
sexual e deve ser mantido no local por no mínimo
8 horas e não mais que 24 horas após o coito.
Quando a relação sexual for repetida enquanto
o diafragma estiver colocado, deve ser aplicado mais espermicida
na vagina para que a proteção seja mantida.
Quando uma mulher ganha ou perde mais de 4,5 quilos, utiliza
um diafragma por mais de um ano, tem um filho ou sofre um
aborto, um médico ou um enfermeiro devem reavaliar
o tamanho do diafragma adequado, pois o tamanho e a forma
da vagina podem ter alterados.
O diafragma cervical, o qual é semelhante
ao diafragma, porém menor e mais rígido, ajusta-se
perfeitamente sobre o colo do útero. Este dispositivo
também está disponível em vários
tamanhos e o tamanho adequado deve ser indicado por um médico
ou por um enfermeiro. Um creme ou um gel contraceptivo sempre
deve ser utilizado com um diafragma cervical. Ele deve ser
aplicado antes da relação sexual e mantido
no local por no mínimo 8 horas e no máximo
por 48 horas após o coito.
As espumas, cremes, géis e óvulos
vaginais são aplicados na vagina antes da relação
sexual. Esses produtos contêm um espermicida e também
criam uma barreira física contra o esperma. Nenhum
tipo de espuma ou de óvulo é aparentemente
mais eficaz que outro. À medida que a mulher envelhece,
a eficácia dessas preparações geralmente
aumenta, pois a mulher torna-se mais habilidosa no seu uso
e porque a fertilidade diminui.
Coito Interrompido
Neste método contraceptivo, o homem
retira o pênis da vagina antes da ejaculação,
quando o esperma é liberado durante o orgasmo. Este
método não é confiável, pois
o esperma pode ser liberado antes do orgasmo. Além
disso, ele exige que o homem tenha um grau elevado de autocontrole
e um senso preciso do momento adequado de interromper o
coito.
Métodos do Ritmo
Os métodos do ritmo dependem da abstinência
de relações sexuais durante o período
fértil da mulher. Na maioria das mulheres, um óvulo
é liberado do ovário aproximadamente 14 dias
antes do início da menstruação. Embora
o óvulo não fertilizado sobreviva apenas 24
horas, os espermatozóides podem sobreviver 3 a 4
dias após a relação sexual.
Conseqüentemente, a fertilização
pode ser decorrente de uma relação ocorrida
4 dias antes da liberação do óvulo.
O método do calendário é o menos eficaz,
mesmo para as mulheres que apresentam ciclos menstruais
regulares. Para calcular quando ela deve evitar relações
sexuais, a mulher deve subtrair 18 dias do ciclo menstrual
mais curto e 11 dias do ciclo menstrual mais longo dos últimos
12 ciclos menstruais.
Por exemplo, quando os ciclos menstruais
de uma mulher variam de 26 a 29 dias, ela deve evitar as
relações sexuais a partir do oitavo dia até
o décimo-oitavo dia de cada ciclo. Outros métodos
do ritmo mais eficazes incluem o método da temperatura,
o método do muco e o método sintotérmico.
No método da temperatura, a mulher determina a sua
temperatura corpórea basal (temperatura do corpo
em repouso) medindo a sua temperatura toda manhã
antes de se levantar.
Esta temperatura diminui antes da liberação
do óvulo e aumenta discretamente (menos de 0,5o C)
após a sua liberação. O casal deve
evitar a relação sexual a partir do início
da menstruação até pelo menos 48 a
72 horas após o dia em que ocorreu a elevação
da temperatura corpórea basal. No método do
muco, o período fértil da mulher é
estabelecido através da observação
do muco, o qual é geralmente secretado em quantidades
maiores e torna-se mais aquoso um pouco antes da liberação
do óvulo.
A mulher pode manter relação
sexual com baixo risco de engravidar após o término
da menstruação até observar um aumento
da quantidade do muco cervical. Ela deve então evitar
a relação sexual até 4 dias após
o dia em que foi observada a maior quantidade (pico) de
muco.
O método sintotérmico consiste
na observação de alterações
tanto do muco cervical quanto da temperatura corpórea
basal, assim como de outros sintomas que podem estar relacionados
à liberação do óvulo (p.ex.,
cólica leve). De todos os métodos do ritmo,
este é o mais confiável para se determinar
quando o casal deve evitar relações sexuais
a cada mês.
Implantes Contraceptivos
Os implantes contraceptivos são cápsulas
plásticas que contêm progestina, a qual impede
que os ovários liberem óvulos e que os espermatozóides
atravessem o muco cervical espesso. São inseridas
seis cápsulas sob a pele da parte da face interna
do membro superior, acima do cotovelo. Após anestesiar
a pele, o médico realiza uma pequena incisão
e utiliza uma agulha especial para implantar as cápsulas
em uma disposição em leque.
Não há necessidade de sutura.
As cápsulas liberam a progestina lentamente para
o interior da corrente sangüínea e podem permanecer
no local durante 5 anos. As interações com
outras drogas são incomuns porque os implantes não
contêm estrogênio. Afora isto, as restrições
são semelhantes às restrições
dos contraceptivos orais. Os principais efeitos colaterais
(sangramento menstrual irregular ou ausência de menstruação)
podem afetar até 40% das mulheres.
Os efeitos colaterais menos comuns incluem
a cefaléia e o ganho de peso. Esses efeitos colaterais
podem exigir a remoção prematura das cápsulas.
Como elas não se dissolvem no corpo, o médico
deve removê-las. A remoção é
mais difícil que a inserção, pois o
tecido subcutâneo aumenta de espessura em torno das
cápsulas, dificultando a sua remoção,
apesar de só restar uma pequena cicatriz. Assim que
as cápsulas são removidas, os ovários
voltam a funcionar normalmente e a mulher torna-se fértil
novamente.
Contraceptivos Injetáveis
A medroxiprogesterona, uma progestina, é
injetada uma vez a cada 3 meses na nádega ou no braço.
Embora seja extremamente eficaz, a medroxiprogesterona medroxiprogesterona
pode alterar o ciclo menstrual. Aproximadamente um terço
das mulheres que utilizam este método contraceptivo
não menstruam nos primeiros 3 meses após a
primeira injeção e um terço delas apresenta
sangramentos irregulares por mais de 11 dias em cada mês.
Quanto mais este procedimento é utilizado,
mais mulheres deixam de menstruar, mas menos mulheres apresentam
sangramentos irregulares. Após utilizar este método
durante 2 anos, cerca de 70% das mulheres deixam de menstruar.
Quando as injeções são suspensas, em
aproximadamente metade dos casos o ciclo menstrual regular
retorna em um período de 6 meses e, em aproximadamente
três quartos, em um período de um ano.
No entanto, como a droga tem efeitos prolongados,
pode ocorrer da fertilidade ser recuperada até um
ano após a suspensão das injeções,
mas a medroxiprogesterona não provoca uma esterilidade
permanente. Ela pode causar um ganho de peso discreto e
também uma osteoporose (rarefação óssea)
temporária, mas os ossos recuperam sua densidade
anterior após a suspensão das injeções.
A medroxiprogesterona não aumenta
o risco de qualquer tipo de câncer, inclusive do câncer
de mama, e reduz bastante o risco de câncer de útero.
As interações com outras drogas são
incomuns e as restrições são semelhantes
às dos contraceptivos orais.
Dispositivos Intra-Uterinos
Apenas cerca de um milhão de mulheres
nos Estados Unidos fazem uso de dispositivos intrauterinos
(DIUs) para a contracepção, embora este método
seja muito eficaz. Os dispositivos intra-uterinos apresentam
algumas vantagens sobre os contraceptivos orais: os efeitos
colaterais são limitados ao interior do útero
e o tipo a ser colocado depende da decisão da paciente
em relação ao desejo de evitar a gravidez
durante 1 ano ou 10 anos.
Atualmente, nos Estados Unidos, existem dois
tipos de dispositivos intra-uterinos disponíveis.
Um deles, que libera progesterona, deve ser trocado anualmente.
O outro, que libera cobre, é eficaz por no mínimo
10 anos. Embora o médico geralmente coloque o dispositivo
no útero durante o período menstrual, o DIU
pode ser colocado em qualquer momento do ciclo menstrual,
contanto que a mulher não esteja grávida.
Quando existe a possibilidade do colo do
útero da mulher estar infectado, a colocação
do DIU é adiada até a infecção
ser eliminada. Parece que o dispositivo intra-uterino evita
a gravidez por produzir uma reação inflamatória
no interior do útero que atrai os leucócitos
(glóbulos brancos). Certas substâncias produzidas
pelos leucócitos são tóxicas (venenosas)
para o esperma, impedindo conseqüentemente a fertilização
do óvulo. A remoção do DIU interrompe
a reação inflamatória.
A probabilidade de gravidez no primeiro ano
após a remoção do dispositivo intra-uterino
é a mesma que a do período posterior à
interrupção do uso de preservativos ou de
diafragmas. Ao final de 1 ano, 80 a 90% das mulheres que
tentam engravidar conseguem fazê-lo.
Dispositivos Intra-Uterinos
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Os dispositivos intra-uterinos
(DIUs) são colocados pelo médico no
útero da mulher, através da vagina.
Os DIUs são feitos de plástico moldado.
Um dos tipos libera cobre de um fio de cobre enrolado
em torno da base; o outro tipo libera progesterona.
Geralmente, existe um fio plástico preso ao
DIU, de modo que a mulher pode verificar se o dispositivo
permanece no local.
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Efeitos Colaterais e Complicações
O sangramento e a dor são os principais
motivos que fazem com que algumas mulheres solicitem a retirada
do dispositivo intra-uterino. Eles são responsáveis
por mais de metade de todas as remoções antes
da momento usual de substituição. Aproximadamente
15% das mulheres têm os dispositivos intra-uterinos
removidos durante o primeiro ano e 7% durante o segundo
ano.
A remoção, assim como a colocação,
deve ser feita por um médico ou por um enfermeiro.
Algumas vezes, os dispositivos intra-uterinos são
expelidos. A porcentagem de expulsão é de
aproximadamente 10% durante o primeiro ano após a
colocação, ocorrendo freqüentemente durante
os primeiros meses. A porcentagem é maior entre mulheres
mais jovens e aquelas que nunca tiveram filhos.
Normalmente, existe um fio plástico
preso ao DIU, de modo que a mulher pode verificar constantemente
a sua presença, sobretudo após a menstruação,
para certificarse de que o DIU ainda está no local.
Quando ela não consegue encontrar o fio, ela deve
utilizar um outro método contraceptivo até
consultar um médico e certificar-se que o DIU continua
no local.
Quando um dispositivo intra-uterino é
colocado no lugar de um que foi expelido, é provável
que ele permaneça no local. Aproximadamente 20% das
expulsões não são percebidas e a mulher
pode engravidar. A perfuração do útero
é uma complicação potencialmente grave,
apesar de incomum, que pode ocorrer durante a colocação
do DIU.
O risco é de aproximadamente 1 em
cada 1.000 inserções. Geralmente, a perfuração
em si não causa sintomas. Ela é descoberta
quando a mulher não consegue achar o fio plástico
e o médico localiza o dispositivo intra-uterino através
de uma ultra-sonografia ou de uma radiografia. Um DIU que
perfura o útero e termina no interior da cavidade
abdominal deve ser removido para se evitar que ele lese
e provoque a formação de cicatrizes no intestino.
No momento da colocação, o
útero torna-se infectado por um curto período,
mas esta infecção desaparece em 24 horas.
As infecções do útero ou de estruturas
próximas que começam 30 dias ou mais após
a colocação de um dispositivo intra-uterino
são geralmente doenças sexualmente transmissíveis
e não conseqüências da colocação
do DIU.
Exceto quando a infecção é
grave ou quando a mulher está gravida, essas infecções
podem ser tratadas sem a remoção do DIU. A
doença inflamatória pélvica (infecção
das tubas uterinas) não é mais comum entre
as mulheres que usam dispositivos intra-uterinos que entre
aquelas que não os usam.
Quando uma mulher já teve uma doença
inflamatória pélvica ou muitos parceiros sexuais,
ela apresenta um alto risco de desenvolver infecções
do útero ou de estruturas próximas e deve
sempre utilizar preservativos ou um diafragma durante a
relação sexual, pois o dispositivo intra-uterino
não a protege contra infecções.
O risco de aborto espontâneo é
de aproximadamente 55% para as mulheres que engravidam apesar
do dispositivo intra-uterino corretamente colocado. Quando
a mulher deseja manter a gravidez e o cordão do DIU
for visível, o médico remove o DIU para reduzir
o risco de aborto. Para as mulheres que engravidam mesmo
com um dispositivo intra-uterino corretamente colocado,
a probabilidade de uma gravidez tubária é
de 3 a 9%, dez vezes superior à habitual.
Esterilização
Nos Estados Unidos, aproximadamente um terço
dos casais que utilizam métodos de planejamento familiar
opta pela esterilização permanente (de qualquer
um dos parceiros). A esterilização é
o método de planejamento familiar mais freqüentemente
escolhido por casais nos quais a mulher tem mais de 30 anos
de idade.
Nos primeiros 10 anos após a esterilização
feminina, aproximadamente 2% das mulheres engravidam. O
risco de grvidez é inferior a 1% após a esterilização
masculina.
A esterilização deve ser sempre
considerada como permanente. No entanto, é possível
a realização de uma operação
que reconecta os tubos apropriados (reanastomose) para restaurar
a fertilidade.
A reanastomose é mais complexa e menos
eficaz nos homens que nas mulheres. Nos casais, a taxa de
gravidez varia de 45 a 60% após a reanastomose masculina
e de 50 a 80% após a reanastomose feminina. Os homens
são esterilizados através de uma cirurgia
denominada vasectomia (secção dos vasos deferentes,
os vasos que conduzem o esperma dos testículos).
A vasectomia, realizada por um urologista
no consultório, leva cerca de 20 minutos e exige
apenas uma anestesia local. Através de uma pequena
incisão no escroto, o urologista remove uma pequena
porção de cada vaso deferente e as extremidades
abertas dos mesmos são fechadas.
O homem não deve parar de utilizar
métodos contraceptivos de imediato. Geralmente, ele
torna-se estéril somente 15 a 20 ejaculações
após a cirurgia, pois uma grande quantidade de esperma
é armazenada nas vesículas seminais. O homem
é considerado estéril após a confirmação
laboratorial de que duas ejaculações não
apresentam espermatozóides.
As complicações da vasectomia
incluem o sangramento (em menos de 5% dos homens), a inflamação
em resposta ao extravasamento de esperma e a reabertura
espontânea (em menos de 1%), geralmente logo após
o procedimento. A atividade sexual, com contracepção,
pode ser retomada após a cirurgia, assim que o homem
desejar. As mulheres são esterilizadas através
da ligadura tubária (corte e ligadura ou bloqueio
das tubas uterinas, as quais transportam o óvulo
dos ovários até o útero).
Mais complicada que a vasectomia, a ligadura
das tubas exige a realização de uma incisão
abdominal e de uma anestesia geral ou local. As mulheres
que acabaram de dar à luz podem ser esterilizadas
imediatamente após o parto ou no dia seguinte, sem
a necessidade de um período de hospitalização
maior que o habitual. A esterilização também
pode ser planejada antecipadamente e realizada como uma
cirurgia eletiva.
A esterilização feminina é
freqüentemente realizada por laparoscopia. Através
de um tubo fino (laparoscópio) inserido através
de uma pequena incisão no abdômen da paciente
, o médico secciona ambas as tubas uterinas e liga
as extremidades seccionadas. Alternativamente, ele pode
utilizar um cautério (instrumento que produz uma
corrente elétrica para cortar tecidos) para vedar
aproximadamente 2,5 centímetros de cada tuba.
Técnicas de Esterilização
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As duas tubas uterinas (tubos que conduzem o óvulo
desde os ovários até o útero)
são seccionadas, vedadas ou bloqueadas, de
modo que os espermatozóides não conseguem
atingir o óvulo para fertilizá-lo.
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Geralmente, a mulher vai para casa no mesmo
dia. Aproximadamente um terço das gestações
que ocorrem após a ligadura das tubas são
gravidez tubárias. Até 6% das mulheres apresentam
pequenas complicações após a laparoscopia.
No entanto, menos de 1% delas apresentam complicações
importantes (p.ex., sangramento ou perfurações
intestinais). Vários dispositivos mecânicos
(p.ex., faixas plásticas e clipes de mola) podem
ser utilizados para bloquear as tubas uterinas ao invés
de seccionálas.
Quando esses dispositivos são utilizados,
a reversão é mais fácil porque a lesão
tissular causada por eles é menor. Não obstante,
a esterilização é revertida em apenas
três quartos das mulheres que são submetidas
à cirurgia de reversão, mesmo quando são
utilizadas técnicas de microcirurgia. A histerectomia
(remoção cirúrgica do útero)
e, possivelmente, a ooforectomia (remoção
dos ovários) algumas vezes são utilizadas
como técnicas de esterilização.
Quando a mulher também apresenta outros
distúrbios uterinos crônicos, a histerectomia
pode ser a técnica de esterilização
preferida. As complicações (p.ex., sangramento)
são mais graves após uma histerectomia que
após uma ligadura tubária e o período
de hospitalização é mais longo. Os
benefícios a longo prazo incluem a eficácia
total da esterilização, a ausência de
distúrbios menstruais e a eliminação
de qualquer possibilidade de desenvolvimento do câncer
de útero.
Aborto
A situação do aborto no mundo
varia de um ato ilegal a um ato disponível sob demanda.
Aproximadamente dois terços das mulheres no mundo
têm acesso ao aborto legal. Aproximadamente 1/12 das
mulheres que vivem em países onde o aborto é
estritamente proibido. Nos Estados Unidos, o aborto sob
demanda é legal durante os primeiros 3 meses de gravidez.
Após este período, ele é regulado pela
legislação de cada estado.
Nos Estados Unidos, aproximadamente 30% de
todas as gestações terminam em aborto, o qual
tornou-se um dos procedimentos cirúrgicos mais comumente
realizados naquele país. Em geral, a contracepção
e a esterilização apresentam porcentagens
de complicação muito mais baixas que o aborto,
especialmente para as mulheres jovens.
Por essa razão, a contracepção
e a esterilização (para uma mulher que não
deseja engravidar mais tarde) são opções
melhores para se evitar uma gravidez indesejada e o aborto
espontâneo deve ser reservado para as situações
nas quais as técnicas mais seguras fracassaram.
Os métodos de aborto incluem a remoção
do conteúdo uterino através da vagina (evacuação
cirúrgica) e o uso de drogas para estimular a contração
uterina para que o seu conteúdo seja expelido.
O procedimento utilizado depende do tempo
da gravidez. A evacuação cirúrgica
através da vagina é realizada em aproximadamente
97% dos abortos espontâneos e, quase sempre, para
as gestações com menos de 12 semanas. É
utilizada uma técnica chamada curetagem por aspiração.
Quando esta técnica é realizada
durante as primeiras 4 a 6 semanas de gestação,
o colo do útero deve ser apenas um pouco dilatado
ou nem necessita ser dilatado. O instrumento normalmente
utilizado é um pequeno tubo flexível acoplado
a uma fonte de vácuo, em geral uma bomba elétrica
ou manual de aspiração ou, ocasionalmente,
uma seringa de vácuo.
O tubo é inserido através do
colo do útero até a cavidade uterina, a qual
é então esvaziada delicadamente e totalmente.
Às vezes, este procedimento não consegue interromper
a gestação, especialmente nas primeiras semanas.
Para as gestações de 7 a 12 semanas, o colo
do útero geralmente deve ser dilatado, pois é
utilizado um tubo de aspiração mais calibroso.
Para reduzir o risco de lesão do colo
do útero, o médico pode utilizar laminárias
(hastes secas de algas) ou dilatadores similares que absorvem
água ao invés de dilatadores mecânicos.
As laminárias são inseridas no canal cervical
e mantidas no local durante pelo menos 4 a 5 horas, geralmente
durante a noite.
Como as laminárias absorvem grandes
quantidades de água do organismo, elas expandem e
distendem a abertura do colo do útero. Para as gestações
com mais de 12 semanas, o método de dilatação
e curetagem é o mais utilizado. O médico utiliza
a aspiração e um fórceps (uma pinça
especial) para remover os produtos da concepção
e, em seguida, realiza uma curetagem (raspagem do útero)
delicada para se assegurar que todo o tecido seja removido.
O método de dilatação
e a evacuação vem sendo cada vez mais utilizado
para induzir o aborto nas gestações mais avançadas
no lugar de drogas porque a sua taxa de complicações
graves é menor. As drogas como a mifepristona (RU
486) e as prostaglandinas, são algumas vezes utilizadas
para induzir o aborto, sobretudo após a décimasexta
semana de gestação, pois a dilatação
e a evacuação neste estágio da gestação
pode causar complicações graves (p.ex., lesão
uterina ou intestinal).
A RU 486 também pode ser utilizada
logo após a concepção. As prostaglandinas,
drogas que estimulam a contração uterina,
podem ser administradas sob a forma de óvulos vaginais
ou de injeções. Os efeitos colaterais incluem
a náusea, o vômito, a diarréia, o rubor
facial e desmaios. As prostaglandinas podem desencadear
uma crise asmática em algumas mulheres. A mifepristona,
quando combinada com uma prostaglandina, é muito
eficaz na interrupção de uma gestação
com menos de 7 semanas. Esta droga bloqueia a ação
da progesterona sobre o endométrio (revestimento
uterino), de modo que a prostaglandina torna-se mais eficaz.
Atualmente, a mifepristona está disponível
(com prescrição médica) apenas na Europa,
mas logo poderá estar disponível nos Estados
Unidos. A sua eficácia e segurança estão
sendo testadas nos Estados Unidos. Algumas vezes, os contraceptivos
orais de alta dose são prescritos para evitar a gravidez
após uma relação sexual sem proteção,
mas eles nem sempre são eficazes. Eles devem ser
tomados dentro das 72 horas que sucedem a relação
sexual. Os efeitos colaterais incluem a náusea e
o vômito.
Complicações
O risco de complicações de
um aborto está diretamente relacionado à duração
da gravidez e ao método utilizado. Quanto mais tempo
a mulher estiver grávida, maior o risco. Pode ser
difícil se estimar o tempo de gravidez quando a mulher
tiver apresentado algum sangramento após haver engravidado
ou quando ela apresenta um excesso de peso ou quando o útero
encontra-se inclinado para trás, ao invés
de estar inclinado para frente. Nestas situações,
uma ultra-sonografia é geralmente realizada. Uma
complicação grave é a perfuração
uterina por um instrumento cirúrgico, a qual ocorre
em 1 entre cada 1.000 abortos.
Algumas vezes, o intestino ou um outro órgão
também é lesado. Um sangramento importante
durante o procedimento ou imediatamente após ocorre
em 6 entre cada 10.000 abortos espontâneos. Especialmente
durante o segundo trimestre da gravidez, alguns procedimentos
podem causar uma laceração superficial ou
um outro dano ao colo do útero. As complicações
tardias mais comuns são o sangramento causado pela
permanência de parte da placenta no útero,
as infecções e a formação de
coágulos sangüíneos nos membros inferiores.
Muito raramente, uma infecção
uterina ou em suas proximidades ou a formação
de cicatrizes no interior do útero (síndrome
de Asherman) podem causar esterilidade. As mulheres com
tipo sangüíneo Rh-negativo podem ser sensibilizadas
pelo sangue tipo Rh-positivo do feto (como em qualquer gravidez,
aborto espontâneo ou parto), exceto quando são
administradas injeções de imunoglobulina Rh0(D).
Aspectos Psicológicos
Para a maioria das mulheres, o aborto não
representa uma ameaça à saúde mental
e não tem efeitos psicológicos adversos a
longo prazo. Nos Estados Unidos, antes do aborto ser legalizado,
os problemas psicológicos podiam estar relacionados
às dificuldades e ao estresse para se conseguir realizar
um aborto.
As mulheres que apresentam maior probabilidade
de apresentar distúrbios psicológicos após
um aborto são as adolescentes, as que já apresentavam
distúrbios psiquiátricos antes da gravidez,
as que tiveram que interromper uma gravidez desejada por
razões médicas, as que apresentam sentimentos
ambivalentes em relação à gravidez
ou aquelas que abortaram quando a gravidez já se
encontrava avançada.
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