|
Os distúrbios genéticos podem
ser decorrentes de defeitos dos genes ou de alterações
cromossômicas. Para algumas pessoas, pode ser possível
a realização de um estudo genético
antes delas terem um filho, enquanto que outras são
identificadas como portadoras de um determinado distúrbio
genético somente depois de terem tido um filho ou
concebido um feto anormal.
Uma anomalia genética pode ser diagnosticada
antes ou após o nascimento através da utilização
de técnicas diferentes. Os distúrbios genéticos
podem ser evidentes no momento do nascimento (defeitos congênitos)
ou podem manifestar-se apenas anos mais tarde. Alguns defeitos
podem ser decorrentes da exposição, antes
do nascimento, a drogas, a substâncias químicas
ou a outros fatores prejudiciais (p.ex., raios X).
História Familiar
O primeiro passo no estudo de uma anomalia
genética é a obtenção de uma
história clínica familiar. O médico
ou um aconselhador genético elabora uma árvore
genealógica questionando sobre problemas médicos
que afetam ou afetaram membros da família. Para uma
avaliação precisa dos riscos genéticos,
são necessárias informações
de aproximadamente três gerações. É
feito o registro do estado de saúde ou da causa da
morte de todos os parentes de primeiro grau (pais, irmãos,
filhos) e de segundo grau (tios, avós, primos).
Também são úteis as
informações sobre a origem étnica e
casamentos entre parentes. Quando a história familiar
é complicada, são necessárias informações
sobre parentes mais distantes. Podem ser solicitados prontuários
médicos de parentes selecionados, no caso deles terem
apresentado algum distúrbio genético. O diagnóstico
de muitos distúrbios genéticos é baseado
no exame físico ou nos resultados de exames laboratoriais.
Nos casos de natimortos ou de lactentes que
falecem logo após o nascimento, um registro detalhado
das anomalias encontradas é essencial. As fotografias
e radiografias de corpo inteiro dessas crianças,
geralmente realizadas como parte do prontuário médico,
podem ser valiosas para um um aconselhamento genético
futuro. Além disso, os tecidos congelados e preservados
(criopreservação) podem ser úteis para
futuros estudos genéticos.
Detecção de um Portador
Um portador é um indivíduo
que possui um gene recessivo de um determinado traço
mas que não o apresenta. Exames podem ser utilizados
para detectar se os membros de um casal são portadores
de determinados distúrbios. Os problemas podem ocorrer
em uma criança cuja mãe ou pai é portador
de um gene recessivo da mesma doença. Embora nenhum
dos pais a apresentem, o filho que recebe o gene recessivo
de cada um de seus genitores apresentará a doença.
As probabilidades disto ocorrer são de 1:4 para cada
gravidez.
A razão mais comum da realização
da detecção de um portador é informar
aos pais em potencial se um futuro filho pode receber dois
genes recessivos anômalos e ajudá-los a tomar
uma decisão em relação à gravidez.
Por exemplo, os pais podem decidir realizar
exames diagnósticos antes do nascimento (diagnóstico
pré-natal), de modo que o feto possa ser tratado
ou a gestação interrompida quando o feto apresenta
a doença. Alternativamente, eles podem postergar
a decisão de ter filhos ou utilizar um método
de inseminação artificial com óvulos
ou esperma de doadores que não possuem o gene recessivo.
É impossível se realizar um
estudo genético em busca dos distúrbios genéticos
mais freqüentes para todas as pessoas. A decisão
da realização de exames de detecção
depende dos seguintes critérios:
A doença causada pelo gene recessivo é
altamente debilitante ou letal
O exame de detecção é confiável
O feto pode ser tratado ou apresenta capacidade de
reprodução apesar de possuir o gene
É provável que a pessoa seja portadora
porque a doença existe na família ou é
freqüente em seu grupo étnico, racial ou geográfico.
Nos Estados Unidos, os distúrbios
que atualmente satisfazem esses critérios são
a doença de Tay-Sachs, a anemia falciforme e as talassemias.
Os exames de detecção também podem
ser realizados quando uma família apresenta uma história
de hemofilia, fibrose cística ou doença de
Huntington. Uma mulher que tem um irmão hemofílico
apresenta um risco de 50% de ser portadora do gene da hemofilia.
Quando os exames de detecção
revelam que ela não é portadora, ela praticamente
não apresenta risco de transmitir o gene. Esta informação
pode eliminar a necessidade de se realizar exames prénatais
mais invasivos. Vários membros da família,
incluindo aqueles que apresentam a doença, são
geralmente submetidos aos exames de detecção
para se determinar o padrão familiar e, conseqüentemente,
se obter a melhor estimativa do risco.
A anemia falciforme é o distúrbio
hereditário mais comum entre os indivíduos
da raça negra nos Estados Unidos, afetando aproximadamente
1 em cada 400. Um indivíduo que possui dois genes
recessivos da célula falciforme (um de cada genitor)
apresenta a doença da célula falciforme. Um
indivíduo que possui um gene da célula falciforme
e um gene normal é portador do traço falciforme.
Neste indivíduo, o gene normal controla
a produção de eritrócitos (hemácias,
glóbulos vermelhos) normais e o gene das células
falciformes acarreta a produção de células
anormais, mas não com uma intensidade suficiente
para tornar o indivíduo doente. Contudo, essas células
podem ser detectadas em amostras de sangue. Uma pessoa com
o traço pode ser identificada como portadora da doença.
A doença da célula falciforme
pode ser diagnosticada antes do nascimento através
da biópsia do vilo coriônico, na qual uma amostra
da placenta é coletada e examinada, ou através
da amniocentese, na qual uma amostra de líquido amniótico
(líquido que envolve o feto no útero) é
coletada e examinada. Os recém-nascidos também
podem ser submetidos a exames de detecção
da doença.
Aproximadamente 10% dos indivíduos
com doença da célula falciforme morrem na
infância. A doença de Tay-Sachs, um distúrbio
autossômico recessivo, ocorre em aproximadamente 1
em cada 3.600 lactentes de pais judeus Ashkenazi ou franco-canadenses.
Os exames realizados antes ou durante a gravidez podem detectar
se uma pessoa é portadora. A amniocentese ou a biópsia
do vilo coriônico podem ser utilizadas para detectar
a doença no feto. As talassemias são um grupo
de distúrbios hereditários nos quais a produção
da hemoglobina normal diminui, causando anemia.
As alfatalassemias são mais comuns
entre os indivíduos do sudeste asiático. Nos
Estados Unidos, essas doenças ocorrem mais freqüentemente
entre os indivíduos da raça negra. As beta-talassemias
ocorrem em todas as raças, mas são mais comuns
entre os indivíduos dos países do Mediterrâneo,
do Oriente Médio e de partes da Índia e do
Paquistão.
Os portadores de ambos os tipos podem ser
identificados através de um hemograma de rotina.
Exames mais sofisticados podem confirmar o diagnóstico.
O distúrbio pode ser diagnosticado no feto através
de técnicas da biologia molecular, as quais identificam
tanto aqueles que apresentam a doença quanto aqueles
que são portadores.
Diagnóstico Pré-natal
Exames podem ser realizados antes do nascimento
(diagnóstico pré-natal) quando o casal apresenta
o risco de conceber um filho com uma anomalia cromossômica
ou genética. As anomalias cromossômicas, nas
quais o número ou a estrutura dos cromossomos é
anormal, ocorrem em aproximadamente 1 em 200 nascimentos
de conceptos vivos.
A maioria dos fetos portadores de anomalias
cromossômicas morrem antes do parto, geralmente nos
primeiros meses da gravidez. Algumas dessas anomalias são
hereditárias, mas a maior parte delas ocorre de modo
aleatório. A síndrome de Down (trissomia do
21) é a anomalia cromossômica mais comum e
mais amplamente conhecida entre os conceptos nascidos vivos,
mas existem muitas outras.
A maioria pode ser diagnosticada antes do
nascimento, mas os exames diagnósticos podem apresentar
riscos, pequenos porém reais, particularmente para
o feto. Para muitos casais, os riscos superam os benefícios
de saber se o concepto apresenta uma anomalia cromossômica
e, por essa razão, eles decidem pela não realização
dos exames. O risco de conceber um filho com alguma anomalia
cromossômica é maior nas circunstâncias
apresentadas a seguir. A gravidez após os 35 anos
é o fator de risco mais comum de conceber um filho
com a síndrome de Down.
Embora mulheres de todas as faixas etárias
concebam filhos com anomalias cromossômicas, a incidência
da síndrome de Down aumenta com a idade da mulher,
sobretudo após os 35 anos, por razões desconhecidas.
Os exames de detecção de anomalias cromossômicas
durante a gravidez são geralmente indicados para
a mulher que terá pelo menos 35 anos de idade quando
der à luz e pode ser sugerido para as mulheres mais
jovens. A ansiedade do casal, independentemente da idade
da mulher, freqüentemente justifica a realização
dos exames pré-natais.
Em uma mulher grávida, as concentrações
anormais no sangue de marcadores (alfa-fetoproteína,
uma proteína produzida pelo feto; a gonadotropina
coriônica humana, um hormônio produzido pela
placenta; e o estriol, um estrogênio) podem indicar
um aumento do risco de síndrome de Down.
Como a Idade da Mãe
Afeta a Probabilidade de Ter um Filho com Anormalias Cromossômicas
| |
Idade da Mãe
|
Risco de Síndrome de Down
|
|
Risco de Qualquer Anomalia Cromossômica
|
| |
|
|
|
|
| |
20
|
1 em 1667
|
|
1 em 526
|
| |
21
|
1 em 1667
|
|
1 em 526
|
| |
22
|
1 em 1429
|
|
1 em 500
|
| |
23
|
1 em 1429
|
|
1 em 500
|
| |
24
|
1 em 1250
|
|
1 em 476
|
| |
25
|
1 em 1250
|
|
1 em 476
|
| |
26
|
1 em 1176
|
|
1 em 476
|
| |
27
|
1 em 1111
|
|
1 em 455
|
| |
28
|
1 em 1053
|
|
1 em 435
|
| |
29
|
1 em 1000
|
|
1 em 417
|
| |
30
|
1 em 952
|
|
1 em 384
|
| |
31
|
1 em 909
|
|
1 em 384
|
| |
32
|
1 em 769
|
|
1 em 323
|
| |
33
|
1 em 625
|
|
1 em 286
|
| |
34
|
1 em 500
|
|
1 em 238
|
| |
35
|
1 em 385
|
|
1 em 192
|
| |
36
|
1 em 294
|
|
1 em 156
|
| |
37
|
1 em 227
|
|
1 em 127
|
| |
38
|
1 em 175
|
|
1 em 102
|
| |
39
|
1 em 137
|
|
1 em 83
|
| |
40
|
1 em 106
|
|
1 em 66
|
| |
41
|
1 em 82
|
|
1 em 53
|
| |
42
|
1 em 64
|
|
1 em 42
|
| |
43
|
1 em 50
|
|
1 em 33
|
| |
44
|
1 em 38
|
|
1 em 26
|
| |
45
|
1 em 30
|
|
1 em 21
|
| |
46
|
1 em 23
|
|
1 em 16
|
| |
47
|
1 em 18
|
|
1 em 13
|
| |
48
|
1 em 14
|
|
1 em 10
|
| |
49
|
1 em 11
|
|
1 em 8
|
|
|
|
|
|
|
|
|
Dados
baseados em: Hook EB, Rates of chromosome abnormalities
at different maternal ages Obstetrics and Gynecology
58:282-285, 1981; e Hook EB, Cross PK, Schreinemachers
DM, Chromosomal abnormality rates at amniocentesis
and in live-born infants, Journal of the American
Medical Association 249(15):2034-2038, 1983.
|
Nestes casos, deve ser aventada a realização
de uma amniocentese. Uma história familiar de anomalias
cromossômicas também aumenta o risco. Para
um casal que teve um filho com síndrome de Down,
o risco de ter outro com uma anomalia cromossômica
aumenta, para aproximadamente 1%, quando a mulher tiver
menos de 30 anos de idade no momento do parto. No entanto,
quando ela tiver mais de 30 anos de idade, o risco será
o mesmo de qualquer mulher com a mesma idade.
Para os casais que tiveram um filho, nascido
vivo ou morto, com uma anomalia física cujo estado
cromossômico é desconhecido, o risco de ter
um outro com uma anomalia cromossômica é maior.
As anomalias cromossômicas são mais comuns
em conceptos que nascem com anomalias físicas e em
natimortos aparentemente normais (5% deles apresentam anomalias
cromossômicas).
Uma anomalia cromossômica em um ou
em ambos os pais também aumenta o risco. Embora os
portadores possam ser sadios e não terem conhecimento
de suas anomalias cromossômicas, eles apresentam um
maior risco de ter filhos com anomalias cromossômicas
e podem apresentar uma menor fertilidade. Em algumas pessoas,
o material genético dos cromossomos é rearranjado
(modificação denominada translocação
ou inversão).
Essas pessoas podem não apresentar
anormalidades físicas, mas o risco de ter filhos
com anomalias cromossômicas aumenta, pois seus filhos
podem receber um fragmento extra ou podem apresentar a falta
de um fragmento de um cromossomo.
O exame pré-natal geralmente é
indicado quando uma mulher ou um homem apresenta um alto
risco de conceber um filho com uma anomalia cromossômica.
Essas anomalias podem ser detectadas quando são realizados
exames de uma mulher que já sofreu abortos espontâneos
repetidos ou que teve vários filhos que nasceram
com anomalias. Em pelo menos metade dos abortos espontâneos
que ocorrem durante os três primeiros meses da gestação,
o feto apresenta uma anomalia cromossômica. Em metade
desses casos, a anomalia é um cromossomo extra (trissomia).
Alguns Distúrbios
Genéticos que Podem Ser Detectados Antes do Nascimento
| |
Distúrbio
|
|
Incidência
|
|
Herança
|
|
| |
Fibrose cística |
|
1 em 2.500
indivíduos da raça branca |
|
Recessiva |
|
| |
Hiperplasia
adrenal congênita |
|
1 em 10.000 |
|
Recessiva |
|
| |
Distrofia muscular
de Duchenne |
|
1 em 3.300
nascimentos do sexo masculino |
|
Ligada ao
cromossomo X |
|
| |
Hemofilia A |
|
1 em 8.500
nascimentos do sexo masculino |
|
Ligada ao
cromossomo X |
|
| |
Alfa e beta-talassemia |
|
Varia amplamente,
mas está presente na maioria das populações |
|
Recessiva |
|
| |
Doença
de Huntington |
|
de 4 a 7 em
100.000 |
|
Dominante |
|
| |
Doença
renal policística (tipo adulto) |
|
1 em 3.000
por diagnóstico clínico |
|
Dominante |
|
| |
Anemia
falciforme |
|
1
em 400 indivíduos da raça negra nos Estados
Unidos |
|
Recessiva |
|
| |
Doença
de Tay-Sachs (gangliosidose GM2) |
|
1 em 3.600
judeus Ashkenazi e francocanadenses; 1 em 400.000 em
outras populações |
|
Recessiva |
|
| |
|
|
|
|
|
|
Quando o feto de um primeiro aborto apresenta
uma anomalia cromossômica, é provável
que os fetos de abortos espontâneos subseqüentes
também apresentem. Quando uma mulher sofre vários
abortos espontâneos, os cromossomos do casal devem
ser examinados antes deles tentarem ter um outro filho.
Quando anomalias são detectadas, o casal pode optar
por fazer um diagnóstico pré-natal no início
da próxima gestação.
O diagnóstico pré-natal através
da amniocentese e da ultra-sonografia é recomendado
para os casais que apresentam um risco de pelo menos 1%
de conceber um filho com um defeito cerebral ou da medula
espinhal (defeito do tubo neural). Nos Estados Unidos, esses
defeitos congênitos ocorrem em 1 em cada 500 a 1.000
nascimentos. Alguns exemplos são a espinha bífida
(uma medula espinhal não totalmente fechada) e a
anencefalia (ausência de grande parte do cérebro
e do crânio).
A maioria desses defeitos é causada
por anomalias de vários genes (defeitos poligênicos).
Alguns são decorrentes de anomalias de um único
gene, de anomalias cromossômicas ou da exposição
a medicamentos. O risco do mesmo defeito ocorrer em outros
conceptos de uma família que já apresenta
um caso depende da causa subjacente. Para um casal que teve
um filho com espinha bífida ou anencefalia, o risco
é de 2 a 3% de ter um outro com um desses defeitos.
Para os casais que tiveram dois filhos com
essas anomalias, o risco aumenta para 5 a 10%. O risco de
recorrência também depende do local onde a
pessoa vive. Na Grã-Bretanha, por exemplo, o risco
é maior que nos Estados Unidos. Um risco maior também
pode estar relacionado a uma dieta inadequada e, por essa
razão, o suplemento de ácido fólico
é rotineiramente recomendado para todas as mulheres
em idade fértil. Aproximadamente 95% de todos os
casos de espinha bífida ou de anencefalia ocorrem
em famílias que não apresentam antecedentes
desses defeitos.
Exames para o Diagnóstico e a Detecção
Pré-Natal
Os exames mais comumente realizados para
a detecção ou o diagnóstico de anomalias
genéticas no feto incluem a ultra-sonografia; a mensuração
das concentrações dos marcadores (p.ex., alfa-fetoproteína)
no sangue da mulher grávida, a amniocentese, a biópsia
do vilo coriônico e a coleta percutânea do sangue
umbilical.
Ultra-sonografia
A realização da ultra-sonografia
durante a gravidez é muito comum e não apresenta
riscos conhecidos para a mulher ou para o feto. Há
controvérsia quanto à necessidade de todas
as mulheres grávidas submeterem-se à ultrasonografia,
mas é provável que a realização
rotineira deste exame não seja necessária.
A ultrasonografia é realizada por
muitas razões durante a gravidez. Durante os três
primeiros meses, a ultrasonografia pode detectar se o feto
está vivo, a sua idade e quantos fetos estão
presentes. Após o terceiro mês, ela pode revelar
a existência de qualquer defeito congênito estrutural
evidente no feto, a localização da placenta
e se existe uma quantidade adequada de líquido amniótico.
O sexo do feto geralmente pode ser determinado
no final do segundo trimestre. A ultra-sonografia é
freqüentemente utilizada para se verificar a presença
de anomalias fetais quando a gestante apresenta uma concentração
alta de alfa-fetoproteína ou uma história
familiar de defeitos congênitos. Contudo, nenhum exame
é totalmente preciso e um resultado normal não
garante que o concepto seja normal.
Concentração de Alfa-Fetoproteína
A concentração de alfa-fetoproteína
é mensurada no sangue da gestante como um exame de
detecção, pois uma concentração
alta indica uma maior probabilidade de espinha bífida,
de anencefalia ou de outras anomalias. Além disso,
uma concentração elevada de alfa-fetoproteína
pode indicar que o tempo de gravidez foi subestimado na
época em que a amostra de sangue foi coletada, que
existe mais de um feto, que pode ocorrer um aborto (ameaça
de aborto) ou que o feto está morto. Este exame não
diagnostica 10 a 15% dos fetos com defeitos da medula espinhal.
Os resultados mais acurados podem ser obtidos
quando uma amostra de sangue é coletada entre a décima-sexta
e a décima-oitava semana de gestação.
Uma amostra coletada antes da décima-quarta semana
ou após a vigésima-primeira não fornece
resultados acurados. Algumas vezes, o exame é repetido
7 dias após a primeira coleta de sangue. Quando a
concentração alfa-fetoproteína encontra-
se elevada, é realizada uma ultra-sonografia para
se determinar se existe alguma anomalia presente.
Em aproximadamente 2% das mulheres examinadas,
a ultra-sonografia não determina a razão da
concentração elevada de alfa-fetoproteína.
Nestes casos, geralmente é realizada uma amniocentese,
para se mensurar a concentração de alfa-fetoproteína
no líquido amniótico (o líquido que
envolve o feto). Este exame detecta defeitos do tubo neural
com maior precisão que a determinação
da concentração de alfa-fetoproteína
no sangue materno. No entanto, pode ocorrer extravasamento
do sangue do feto para o interior do líquido amniótico
durante a amniocentese, produzindo uma concentração
falsamente elevada de alfa-fetoproteína.
A detecção da enzima acetilcolinesterase
no líquido amniótico reforça o diagnóstico
de uma anormalidade. Teoricamente, em todos os casos de
anencefalia e em 90 a 95% dos casos de espinha bífida,
a concentração de alfa-fetoproteína
está elevada e a acetilcolinesterase pode ser detectada
no líquido amniótico. Aproximadamente 5 a
10% dos casos de espinha bífida não são
detectados através da amniocentese porque a pele
cobre a abertura sobre a medula espinhal, impedindo o escape
da alfa-fetoproteína.
Várias outras anomalias podem produzir
uma concentração elevada de alfa-fetoproteína
no líquido amniótico, com ou sem uma concentração
detectável de acetilcolinesterase. Essas anomalias
incluem a estenose pilórica (estreitamento da saída
do estômago) e defeitos da parede abdominal (p.ex.,
onfalocele). Embora a ultra-sonografia de alta resolução
consiga freqüentemente identificar essas anomalias,
os resultados normais não garantem que o feto seja
normal.
As mulheres que apresentam uma concentração
elevada de alfa-fetoproteína também apresentam
um maior risco de complicações durante a gravidez
(p.ex., um retardo do crescimento fetal ou morte fetal e
o descolamento precoce da placenta [abruptio placentae]).
Uma concentração baixa de alfa-fetoproteína,
geralmente com uma concentração alta de gonadotropina
coriônica humana e uma concentração
baixa de estriol no sangue materno, sugere um diferente
conjunto de anomalias, inclusive a síndrome de Down.
Por exemplo, o médico pode estimar
o risco do feto apresentar síndrome de Down levando
em consideração a idade da mãe e as
concentrações desses marcadores no sangue
materno. As concentrações anormais desses
marcadores também podem indicar que o termo de gravidez
foi estimado incorretamente ou a morte fetal.
Quando a ultra-sonografia não consegue
determinar a causa das concentrações anormais
dos marcadores no sangue, o médico geralmente realiza
uma amniocentese e uma análise dos cromossomos para
detectar a síndrome de Down e outras anomalias cromossômicas.
Detecção de Anomalias
Antes do Nascimento
A amniocentese e a biópsia do vilo
coriônico são procedimentos utilizados para
se detectar anomalias fetais. Na amniocentese, o médico,
orientado pela ultra-sonografia, insere uma agulha através
da parede abdominal até o líquido amniótico.
Uma amostra do líquido é coletada para exame.
Este procedimento é mais eficaz quando realizado
entre a décima-quinta e a décima-sétima
semana de gravidez. Na biópsia do vilo coriônico,
uma parte da placenta é removida por qualquer dos
dois métodos seguintes.
No método transcervical, o médico
insere um cateter (um tubo flexível) através
da vagina e do colo do útero até a placenta.
No método transabdominal, o médico insere
uma agulha através da parede abdominal até
a placenta. Em ambos os métodos, o médico
é orientado pela ultra-sonografia, e uma amostra
da placenta é aspirada com uma seringa. A biópsia
do vilo coriônico usualmente é realizada entre
a décima e a décima-segunda semana de gravidez.

Amniocentese
Um dos procedimentos mais comuns para se
detectar anomalias antes do nascimento é a amniocentese
e recomenda-se que ela seja realizada entre a décima-quinta
e a décima-sétima semana de gravidez. Durante
o procedimento, o feto é monitorizado através
da ultra-sonografia. O médico observa os movimentos
do coração, a idade do feto, a posição
da placenta, a localização do líquido
amniótico e o número de fetos presentes.
A seguir, orientado pela ultra-sonografia,
o médico insere uma agulha através da parede
abdominal até o líquido amniótico.
O líquido é coletado para exame e a agulha
é removida. Os resultados comumente estão
disponíveis em 1 a 3 semanas. As mulheres com sangue
Rh negativo recebem imunoglobulina Rho(D) após o
procedimento para diminuir o risco de sensibilização
devido à exposição ao sangue do feto.
A amniocentese apresenta poucos riscos tanto
para a mãe como para o feto. Um sangramento vaginal
discreto ou o escape de líquido amniótico
podem ocorrer em 1 a 2% das mulheres e, geralmente, eles
cessam espontaneamento. Após a amniocentese, estima-se
que o risco de aborto seja de aproximadamente 1 em 200,
embora alguns estudos tenham determinado um risco ainda
mais baixo.
As lesões fetais provocadas pela agulha
são extremamente raras. A amniocentese geralmente
pode ser realizada quando uma mulher apresenta uma gestação
gemelar ou mesmo de mais fetos.
Biópsia do Vilo Coriônico
A biópsia do vilo coriônico
é utilizada para diagnosticar alguns distúrbios
fetais, normalmente entre a décima e a décima-segunda
semana de gravidez. A biópsia do vilo coriônico
pode ser utilizada no lugar da amniocentese, exceto quando
um exame exige especificamente o líquido amniótico
(p.ex., determinação da concentração
de alfafetoproteína no líquido amniótico).
Antes do procedimento, o médico realiza uma ultra-sonografia
para verificar se o feto está vivo, para confirmar
a idade do feto e para localizar a placenta.
A principal vantagem da biópsia do
vilo coriônico é que os resultados tornam-se
disponíveis muito antes que os resultados da amniocentese.
E quanto mais cedo o médico obtiver os resultados,
mais simples e seguros serão os métodos para
interromper a gravidez caso seja detectada uma anomalia.
Quando nenhuma anomalia é detectada, a ansiedade
do casal pode ser aliviada mais precocemente durante a gestação.
O diagnóstico precoce de um distúrbio
também pode ser necessário para tratar o feto
adequadamente antes do nascimento. Por exemplo, a administração
de corticosteróides a uma gestante pode impedir o
desenvolvimento de características masculinas em
um feto do sexo feminino que apresenta hiperplasia adrenal
congênita, um distúrbio hereditário
no qual as glândulas adrenais aumentam de tamanho
e produzem quantidades excessivas de androgênios (hormônios
masculinos).
Quando uma mulher com sangue Rh negativo
foi sensibilizada contra o sangue Rh positivo, a biópsia
do vilo coriônico não é realizada porque
o procedimento pode agravar a sua condição.
Em vez disto, pode ser realizada uma amniocentese entre
a décima-quinta e a décima- sétima
semana de gravidez. Na biópsia do vilo coriônico,
é coletada uma pequena amostra do vilo coriônico
(diminutas projeções que fazem parte da placenta)
através do colo do útero ou da parede abdominal.
No método transcervical, a mulher
deita-se de costas com os quadris e os joelhos flexionados,
geralmente apoiada em suportes de calcanhares ou de joelhos.
Orientado pela ultrasonografia, o médico insere um
cateter (um tubo flexível) através da vagina
e do colo do útero até atingir a placenta.
Uma pequena amostra da placenta é aspirada para o
interior do cateter com o auxílio de uma seringa.
O método transcervical não
pode ser utilizado quando a mulher apresenta alguma anormalidade
no colo do útero ou uma infecção genital
ativa (p.ex., herpes genital, blenorragia [gonorréia]
ou uma inflamação cervical crônica).
Para o método transabdominal, é realizada
uma anestesia local. O médico insere uma agulha através
da parede abdominal até a placenta e uma amostra
é aspirada com uma seringa. Nenhum dos métodos
é doloroso. A amostra é enviada ao laboratório
para exame.
Os riscos da biópsia do vilo coriônico
são comparáveis aos da amniocentese, excetuando-se
o fato do risco de lesão das mãos ou pés
do feto ser discretamente maior (1 em 3.000 casos). Quando
o diagnóstico permanece duvidoso, a amniocentese
pode ser necessária. Em geral, a precisão
dos dois procedimentos é comparável.
Coleta Percutânea de Amostra do
Sangue Umbilical
A obtenção de uma amostra de
sangue do cordão umbilical (coleta percutânea
de amostra do sangue umbilical) é útil para
a análise cromossômica rápida, sobretudo
no final da gestação quando uma ultra-sonografia
revela a existência de anomalias fetais. Em geral,
os resultados tornam- se disponíveis em 48 horas.
Orientado pela ultra-sonografia, o médico insere
uma agulha através da parede abdominal até
o cordão umbilical, geralmente próximo à
sua inserção na placenta, coletando a seguir
uma amostra do sangue fetal.
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