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A gravidez é todo o período
no qual a mulher porta um feto no corpo, desde a concepção
até o parto.
Concepção
A concepção (fertilização)
é o início da gravidez, quando um óvulo
é fertilizado por um espermatozóide. Como
parte do ciclo menstrual normal, um óvulo é
liberado de um dos ovários aproximadamente 14 dias
antes da menstruação seguinte. A liberação
do óvulo é denominada ovulação.
O óvulo é liberado e conduzido até
a extremidade em forma de funil de uma das tubas uterinas,
onde a fertilização pode ocorrer, e é
transportado até o útero. Quando a fertilização
não ocorre, o óvulo degenera e é eliminado
do útero juntamente com a menstruação
seguinte.
Contudo, quando ele é penetrado por
um espermatozóide, o óvulo é fertilizado
e começa a crescer, tranformando-se em um embrião
após uma série de divisões celulares.
Quando mais de um óvulo é liberado e fertilizado,
ocorre uma gestação múltipla, normalmente
gemelar. Neste caso, os gêmeos são fraternos.
Os gêmeos idênticos são o resultado da
separação de um óvulo já fecundado
em duas células independentes na primeira vez em
que ele se divide. Na ovulação, a camada de
muco do colo do útero (a parte inferior do útero
que se abre para o interior da vagina) torna-se mais líquida,
permitindo que os espermatozóides penetrem no útero
mais rapidamente.
Os espermatozóides podem movimentar-se
desde a vagina até a extremidade em forma de funil
de uma tuba uterina (local onde geralmente ocorre a concepção)
em 5 minutos. As células que revestem a tuba uterina
facilitam a fertilização e o posterior desenvolvimento
do zigoto. O zigoto divide-se repetidas vezes enquanto desloca-se
através da tuba uterina e chega ao útero em
3 a 5 dias. No útero, ele transforma-se em blastocisto
(uma bola oca de células).
Implantação e Desenvolvimento
da Placenta
A implantação é a fixação
e inserção do blastocisto na parede do útero.
O blastocisto geralmente implanta-se próximo da parte
superior do útero, na parede anterior ou posterior.
A parede do blastocisto possui a espessura de uma célula,
exceto em uma região onde ela apresenta uma espessura
de três ou quatro células.
As células mais internas da parte
mais espessa da parede do blastocisto convertem-se no embrião,
enquanto que as externas penetram na parede uterina para
formar a placenta. A placenta produz hormônios que
auxiliam na manutenção da gravidez e permite
a troca de oxigênio, nutrientes e produtos da degradação
metabólica entre a mãe e o feto.
A implantação começa
entre 5 a 8 dias após a fertilização
e termina em torno do nono ou décimo dia. A parede
do blastocisto transforma-se na camada externa das membranas
(córion) que envolvem o embrião. Uma camada
interna de membranas (âmnio) forma-se em torno do
10º ao 12º dia, formando a bolsa amniótica.
Esta enche-se de líquido amniótico (um líquido
transparente) e expande-se para envolver o embrião
em desenvolvimento, o qual flutua em seu interior.
Os vilos (diminutas projeções)
originários da placenta em desenvolvimento, estendem-se
até o interior da parede uterina, ramificando-se
sucessivamente em um complicado arranjo arboriforme. Este
arranjo aumenta bastante a área de contato entre
a mãe e a placenta, permitindo que mais nutrientes
passem da mãe para o feto e que os produtos da degradação
metabólica passem do feto para a mãe. A placenta
está totalmente formada em torno da 18ª a 20ª
semana, mas continua a crescer durante toda a gravidez.
No momento do parto, ela pesa aproximadamente meio quilo.
Desenvolvimento do Embrião
O embrião é reconhecível
pela primeira vez no interior do blastocisto aproximadamente
10 dias após a fertilização. Logo em
seguida, a área que se transformará no cérebro
e na medula espinhal (crista neural) começa a desenvolver
e o coração e os principais vasos sangüíneos
começam a desenvolver em torno do16º ou 17º
dia.
O coração começa a bombear
líquido através dos vasos sangüíneos
em torno do 20º dia e os primeiros eritrócitos
(hemácias, glóbulos vermelhos) aparecem no
dia seguinte. A seguir, os vasos sangüíneos
continuam a desenvolver em todo o embrião e na placenta.
Os órgãos estão completamente formados
em torno da décima-segunda semana de gravidez (aproximadamente
10 semanas após a fertilização), com
exceção do cérebro e da medula espinhal
que continuam a amadurecer durante toda a gestação.
A maioria das malformações
ocorrem durante as primeiras 12 semanas de gestação,
as quais constituem o período de formação
dos órgãos, quando o embrião é
mais vulnerável aos efeitos de drogas ou de vírus
como, por exemplo, o vírus causador da rubéola.
Por essa razão, a mulher grávida não
deve ser submetida a qualquer imunização nem
deve tomar qualquer medicamento durante as primeiras primeiras
12 semanas de gravidez, exceto quando eles são considerados
essenciais para proteger a sua saúde.
As drogas que sabidamente causam malformações
devem ser especialmente evitadas durante esse período.
No início, o embrião em desenvolvimento está
localizado sob o revestimento do útero, em um dos
lados da cavidade uterina. No entanto, em torno da12ª
semana, o feto (termo utilizado para designar o concepto
após a oitava semana de gestação) já
cresceu tanto que o revestimentos de ambos os lados do útero
se encontram, pois o feto preenche toda a cavidade uterina.
Do Óvulo ao Embrião
Uma vez por mês, um óvulo é
liberado de um ovário e conduzido até uma
tuba uterina. Após uma relação sexual,
o esperma movese desde a vagina através do colo do
útero e do útero até as tubas uterinas,
onde um espermatozóide fertiliza um óvulo.
O óvulo fertilizado (ovo ou zigoto) divide-se repetidas
vezes enquanto desloca-se até o útero. Primeiramente,
o zigoto transforma-se em uma sólida bola de células
e, em seguida, numa bola oca de células, denominada
blastocisto. No interior do útero, o blastocisto
implanta-se na parede uterina, onde ele desenvolve-se até
se transformar num embrião e numa placenta.

Idade Gestacional
Por convenção, as gestações
são datadas em semanas, inciando a partir do primeiro
dia da última menstruação. Como a ovulação
geralmente ocorre aproximadamente 2 semanas após
o início do ciclo menstrual e como a fertilização
normalmente ocorre logo após a ovulação,
o embrião é aproximadamente 2 semanas mais
jovem que o número de semanas tradicionalmente consignadas
à gravidez. Em outras palavras, a mulher que está
grávida de 4 semanas está carregando
um embrião com 2 semanas de vida.
Quando a menstruação da mulher
é irregular, a diferença real pode ser superior
ou inferior a 2 semanas. Do ponto de vista prático,
quando uma mulher apresenta um atraso menstrual de 2 semanas,
ela é considerada grávida de 6 semanas. Em
média a gestação dura 266 dias (38
semanas) a partir da data da concepção ou
280 dias (40 semanas) a partir do primeiro dia da última
menstruação.
A data aproximada do parto pode ser calculada
contando-se retroativamente 3 meses do calendário,
a partir do primeiro dia da última menstruação,
e adicionando-se 1 ano e 7 dias. Apenas 10% ou menos das
mulheres grávidas dão à luz na data
calculada, mas 50% dão à luz no periodo de
1 semana e quase 90% no período de 2 semanas (antes
ou depois da data prevista). Por essa razão, o parto
que ocorre 2 semanas antes ou após a data calculada
é considerado normal. A gravidez é dividida
em três períodos de três meses, denominados
primeiro trimestre (da 1ª à 12ª semana),
segundo trimestre (da 13ª à 24ª semanas)
e terceiro trimestre (da 25ª semana até o parto).
Placenta e Embrião
na Oitava Semana
A placenta em desenvolvimento forma diminutas
projeções (vilos) que se estendem para o interior
da parede uterina. Os vasos sangüíneos provenientes
do embrião, os quais passam através do cordão
umbilical, desenvolvem-se nas vilosidades. Nos vilos, uma
membrana fina separa o sangue do embrião do sangue
da mãe que flui através do espaço que
circunda os vilos (espaço interviloso). Este arranjo
permite a troca de material entre o sangue da mãe
e o sangue do embrião. O embrião flutua num
líquido (líquido amniótico), o qual
está contido num saco (bolsa amniótica). O
líquido amniótico provê um espaço
para o embrião crescer livremente e ajuda a protegêlo
de lesões.

Detecção da Gravidez
Quando uma mulher menstrua regularmente apresenta
um atraso de 1 semana ou mais, ela pode estar grávida.
Nos primeiros meses de gestação, a mulher
pode ficar com as mamas inchadas e apresentar náusea,
vomitando ocasionalmente.
O inchaço das mamas é causado
pelo aumento das concentrações dos hormônios
femininos (sobretudo do estrogênio, mas também
da progesterona). A náusea e o vômito podem
ser provocados pelo estrogênio e pela gonadotropina
coriônica humana (HCG). Esses dois hormônios,
os quais ajudam a manter a gravidez, são produzidos
pela placenta aproximadamente a partir do 10º dia após
a fertilização. No início da gravidez,
muitas mulheres apresentam um cansaço incomum e distensão
abdominal.
Quando a mulher está grávida,
o colo do útero torna-se mais macio que o habitual
e o útero apresenta um amolecimento irregular e aumento
de volume. Geralmente, a vagina e o colo do útero
tornam-se azulados ou purpúreos, aparentemente por
estarem congestionados de sangue. O médico pode detectar
essas alterações durante um exame pélvico.
Geralmente, um teste de gravidez (de sangue ou de urina)
pode determinar se a mulher está grávida.
Um teste de gravidez ELISA (enzymelinked
immunosorbent assay, ensaio imuno-absorvente ligado à
enzima) pode detectar inclusive concentrações
muito baixas de gonadotropina coriônica humana na
urina de forma rápida e fácil. Alguns dos
testes de gravidez mais sensíveis que utilizam este
método conseguem determinar concentrações
extremamente baixas de gonadotropina coriônica humana
presentes aproximadamente uma semana e meia após
a fertilização e podem ser realizados em cerca
de meia hora.
Outros testes ainda mais sensíveis,
os quais também detectam a gonadotropina coriônica
humana, podem determinar se a mulher está grávida
alguns dias após a fertilização, antes
da primeira falta de menstruação. Durante
os primeiros 60 dias de uma gestação normal
com um feto, a concentração da gonadotropina
coriônica humana duplica a cada 2 dias. O útero
aumenta de volume durante toda a gestação.
Em torno da 12ª semana, ele estende-se
além da pelve para o interior do abdômen e,
ele geralmente pode ser palpado durante o exame da região
abdominal inferior. O útero em crescimento estende-se
até a altura da cicatriz umbilical (umbigo) em torno
da 20ª semana e até a borda inferior da caixa
torácica em torno da 36ª semana. Outros modos
de detectar a gravidez incluem os seguintes:
A detecção dos batimentos cardíacos
fetais com o auxílio de um estetoscópio especial
ou de um aparelho de ultra-som com Doppler. Com o estetoscópio,
os batimentos cardíacos podem ser detectados em torno
da 18ª a 20ª semana de gestação.
Com o aparelho de ultra-som, eles podem ser detectados em
torno da 12ª a 14ª semana.
A percepção dos movimentos do feto.
A mãe sempre sente os movimentos antes do médico,
normalmente em torno da 16ª a 20ª semana. As mulheres
com gestações anteriores geralmente sentem
os movimentos antes das mulheres que estão grávidas
pela primeira vez.
A detecção do aumento do útero
através de uma ultra-sonografia. O útero aumentado
pode ser observado em torno da 6ª semana. Os batimentos
cardíacos fetais também podem ser observados
em torno da 6ª semana e, na 8ª semana, são
observados em mais de 95% das gestações.
Alterações Físicas
Durante a Gravidez
A gravidez causa muitas alterações
em todo o corpo e a maioria delas desaparece após
o parto.
Coração e Circulação
Durante a gravidez, o débito cardíaco
(volume de sangue bombeado pelo coração a
cada minuto) aumenta 30 a 50%. O aumento começa em
torno da 6ª semana e atinge um máximo entre
a 16ª e a 28ª semana (geralmente em torno da 24ª
semana). À medida que o débito cardíaco
aumenta, a freqüência cardíaca de repouso
passa dos 70 batimentos por minuto normais para 80 ou 90
batimentos por minuto.
Após a 30ª semana, o débito
cardíaco pode diminuir discretamente à medida
que o útero aumentado comprime as veias que levam
o sangue dos membros inferiores de volta ao coração.
No entanto, durante o trabalho de parto, o débito
cardíaco aumenta mais 30%.
Após o parto, ele diminui rapidamente
no início (para aproximadamente 15 a 25% acima do
nível anterior à gravidez) e, em seguida,
mais lentamente, até retornar ao normal aproximadamente
6 semanas após o parto. O aumento do débito
cardíaco durante a gravidez é provavelmente
decorrente de alterações do suprimento sangüíneo
ao útero.
À medida que o útero cresce,
mais sangue lhe é enviado. No final da gestação,
o útero recebe um quinto de todo o suprimento sangüíneo
da mãe. Durante o exercício, o débito
cardíaco, a freqüência cardíaca
e a freqüência respiratória aumentam mais
nas mulheres grávidas que nas não grávidas.
As radiografias e os eletrocardiogramas revelam
várias alterações cardíacas
e podem surgir determinados sopros cardíacos e, ocasionalmente,
algumas arritmias cardíacas (irregularidades do ritmo
cardíaco). Todas essas alterações são
normais durante a gravidez, mas algumas arritmias cardíacas
podem exigir tratamento.
A pressão arterial geralmente diminui
durante o segundo trimeste, mas pode retornar ao normal
no terceiro trimestre. O volume de sangue na circulação
aumenta 50% durante a gravidez, mas o número de eritrócitos,
os quais transportam oxigênio para todo o corpo, aumenta
apenas 25 a 30%.
Por razões desconhecidas, o número
de leucócitos (glóbulos brancos) no sangue,
os quais combatem as infecções, aumenta discretamente
durante a gestação e de modo significativo
durante o trabalho de parto e nos primeiros dias do pós-parto.
Rins
Como o coração, os rins trabalham
muito durante a gravidez. Eles filtram um maior volume de
sangue (aproximadamente 30 a 50% a mais), atingindo o máximo
entre a 16ª e a 24ª semana e na semana imediatamente
anterior ao parto, quando a pressão do útero
aumentado de volume pode diminuir discretamente o seu suprimento
sangüíneo.
A atividade renal normalmente aumenta quando
uma pessoa se deita e diminui quando ela fica em pé.
Esta diferença aumenta durante a gravidez, uma das
razões pela qual a mulher grávida sente necessidade
de urinar freqüentemente ao tentar dormir. No final
da gravidez, o aumento da atividade renal é ainda
maior quando a mulher deita-se de lado ao invés de
deitar-se de costas.
O decúbito lateral reduz a pressão
exercida pelo útero volumoso sobre as veias que transportam
o sangue dos membros inferiores e, conseqüentemente,
melhora o fluxo sangüíneo, aumentando a atividade
renal e o débito cardíaco.
Pulmões
O espaço ocupado pelo útero
aumentado de tamanho e o aumento da produção
do hormônio progesterona alteram o funcionamento dos
pulmões durante a gravidez. A mulher grávida
respira mais rápida e profundamente, pois ela necessita
de mais oxigênio tanto para si mesma como para o feto.
O diâmetro torácico da mulher aumenta discretamente.
O revestimento do trato respiratório
recebe mais sangue e torna-se um pouco congesto. Algumas
vezes, o nariz e a garganta tornam-se parcialmente obstruídos
devido a essa congestão, resultando na obstrução
nasal temporária e na obstrução das
tubas auditivas (tubos que conectam o ouvido médio
à parte posterior do nariz).
O tom e a qualidade da voz da mulher podem
sofrer uma leve alteração. Praticamente toda
mulher grávida apresenta um certo grau de falta de
ar ao se exercitar, sobretudo no final da gestação.
Sistema Digestivo
À medida que a gestação
progride, a pressão exercida pelo útero mais
volumoso sobre o reto e a parte inferior do intestino pode
causar constipação. A constipação
pode agravar porque as ondas automáticas de contrações
musculares do intestino, as quais normalmente impulsionam
os alimentos, tornam-se mais lentas pela concentração
alta de progesterona durante a gravidez.
A acidez e a eructação (arrotos)
também são comuns, possivelmente porque o
alimento permanece no estômago por mais tempo e porque
o esfíncter (um músculo em forma de anel)
localizado na extremidade inferior do esôfago tende
a relaxar, permitindo que o conteúdo do estômago
reflua para o esôfago.
As úlceras gástricas são
incomuns durante a gravidez e as já existentes freqüentemente
melhoram, pois a produção de ácido
gástrico diminui. O risco de doenças da vesícula
biliar aumenta. Mesmo após muitos anos, as mulheres
que engravidaram apresentam mais problemas de vesícula
biliar que aquelas que nunca engravidaram.
Pele
O cloasma (máscara gravídica)
consiste em uma série de manchas pigmentadas irregulares,
de cor marrom, que podem ocorrer na pele da fronte e das
bochechas. A pigmentação também pode
aumentar na pele que circunda os mamilos (aréolas).
Comumente, surge uma linha escura vertical
no meio do abdômen. Pequenos vasos sangüíneos
que lembram aranhas (angiomas em aranha) podem surgir na
pele, geralmente acima da cintura, assim como podem surgir
capilares dilatados e de paredes finas, sobretudo nas pernas.
Hormônios
A gestação afeta praticamente
todos os hormônios do organismo. A placenta produz
vários hormônios que ajudam a manter a gravidez.
O principal hormônio produzido pela placenta, a gonadotropina
coriônica humana, impede que os ovários liberem
óvulos e estimula os ovários a produzir continuamente
os altos níveis de estrogênio e progesterona
necessários para a manutenção da gravidez.
A placenta também produz um hormônio
que torna a glândula tireóide mais ativa. A
maior atividade desta glândula freqüentemente
produz aumento da freqüência cardíaca,
a percepção dos batimentos cardíacos
(palpitações), a sudorese excessiva e alterações
do humor. A tireóide pode aumentar de volume.
Contudo, o hipertireoidismo, no qual a tireóide
realmente é hiperativa, ocorre em menos de 1% das
gestações. A placenta também produz
um hormônio estimulador dos melanócitos, o
qual produz escurecimento da pele, e pode produzir um hormônio
que aumenta a concentração dos hormônios
adrenais no sangue.
Este aumento provavelmente é o responsável
pelas estrias róseas que algumas vezes aparecem no
abdômen. Durante a gestação, a necessidade
de insulina aumenta e esta é produzida pelo pâncreas.
Conseqüentemente, em uma gestante diabética,
esta doença pode piorar. Além disso, o diabetes
pode iniciar durante a gravidez, uma condição
denominada diabetes gestacional.
Cuidados Durante a Gravidez
De preferência, a mulher deve consultar
um médico antes de engravidar, com o objetivo de
verificar se apresenta algum problema de saúde e
também discutir sobre os perigos do tabaco, do álcool
e de outras substâncias, quando utilizadas durante
a gravidez. Além disso, podem ser discutidos temas
como a dieta e problemas sociais ou médicos.
A realização de um exame entre
a 6ª e a 8ª semana de gravidez (quando o atraso
menstrual é de 2 a 4 semanas) é particularmente
importante para se estimar o tempo de gravidez e a data
do parto com a máxima precisão possível.
O primeiro exame físico durante a gravidez é
quase sempre muito minucioso.
É realizada a mensuração
do peso, da altura e da pressão arterial. O médico
examina o pescoço, a tireóide, as mamas, o
abdômen e os membros superiores e inferiores. O coração
e os pulmões são examinados com o auxílio
de um estetoscópio e o fundo dos olhos são
examinados com o auxílio de um oftalmoscópio.
O médico também realiza um
exame pélvico e retal, observando o tamanho e a posição
do útero e qualquer anomalia pélvica (p.ex.,
uma deformidade decorrente de uma fratura). A determinação
das dimensões dos ossos pélvicos auxilia o
médico a antecipar o grau de facilidade da passagem
do concepto durante o parto.
Uma amostra de sangue é coletada para
a realização de um hemograma completo, exames
laboratorias para a sífilis, a hepatite, a blenorragia,
a infecção por Chlamydia e outras doenças
sexualmente transmissíveis e a tipagem sangüínea
(ABO-Rh). A pesquisa do vírus da imunodeficiência
humana (HIV) é recomendável.
Também são realizados exames
para se evidenciar a exposição prévia
à rubéola. Como rotina, também são
realizados vários exames de urina e um exame de Papanicolaou
para a detecção do câncer de colo do
útero. Nas mulheres da raça negra e naquelas
com ascendência mediterrânea é investigada
a presença de traço falciforme ou de doença
da célula falciforme.
Quando a mulher apresenta um alto risco
de conceber um filho com uma anomalia genética, são
realizados exames genéticos. Os testes cutâneos
para a tuberculose são aconselháveis para
as mulheres asiáticas, latino-americanas e oriundas
de aglomerações urbanas onde o risco de desenvolvimento
da doença é maior que o normal.
A radiografia torácica somente é
realizada quando a mulher sabidamente apresenta uma doença
cardíaca ou pulmonar. Caso contrário, a exposição
aos raios X deve ser evitada, especialmente durante as primeiras
12 semanas de gravidez, pois o feto é extremamente
sensível aos efeitos perniciosos da radiação.
Quando uma radiografia é necessária,
o feto deve ser protegido por um avental de chumbo que é
colocado sobre a região abdominal baixa da gestante,
protegendo o útero. Nas mulheres que geraram conceptos
grandes ou que sofreram abortos espontâneos inexplicados,
naquelas que apresentam açúcar na urina ou
naquelas que têm um parente próximo diabético,
o diabetes deve ser investigado logo após a 12ª
semana de gestação.
Na 28ª semana, o diabetes deve ser investigado
em todas as mulheres. Entre a 16ª e a 18ª semana,
a concentração de alfa-fetoproteína
(uma proteína produzida pelo feto) pode ser mensurada
no sangue da gestante. Quando ela encontra-se elevada, a
mulher pode estar portando um feto com espinha bífida
ou mais de um feto. Uma concentração elevada
de alfa-fetoproteína também pode indicar um
erro no cálculo da data da concepção.
Quando a concentração encontra-se
baixa, o feto pode apresentar anomalias cromossômicas.
A ultra-sonografia é o método de diagnóstico
por imagem mais segurar. Evidências da gravi-dez podem
ser observadas precocemente, na 4ª ou 5ª semana
após a ovulação, e o crescimento fetal
pode ser acompanhado até o nascimento.
A ultra-sonografia produz imagens de alta
qualidade e inclusive pode-se observar o feto em movimento.
Essas imagens fornecem informações úteis
ao médico e tranqüilizam a mãe. Muitos
médicos acreditam que pelo menos uma ultrasonografia
deva ser realizada durante cada gestação,
para se assegurar que a gravidez está evoluindo normalmente
e confirmar a data prevista do parto.
Ultra-sonografia: Visualização
do Feto
Na ultra-sonografia, um transdutor (um dispositivo
que produz ondas sonoras) é colocado sobre o abdômen
da gestante. As ondas sonoras penetram no corpo, refletem-se
nas estruturas internas e são convertidas em impulsos
elétricos, os quais são processados e geram
uma imagem que é exibida num monitor.

Antes da realização de uma
ultra-sonografia abdominal, especialmente no início
da gravidez, a gestante deve ingerir bastante água
porque a bexiga cheia pressiona o útero para fora
da pelve e, conseqüentemente, é obtida uma imagem
mais nítida do feto.
Quando uma sonda vaginal é utilizada
(ultra-sonografia transvaginal), a bexiga não precisa
estar cheia e o médico consegue detectar a gravidez
ainda mais precocemente do que com uma ultra-sonografia
abdominal. Quando a gestante e o médico não
conseguem determinar a data da concepção,
a ultra-sonografia é o meio mais acurado para estabelecê-la.
A datação é mais exata
quando a ultra-sonografia é realizada durante as
doze primeiras semanas de gestação e é
repetida entre a 18ª e a 20ª semana. A ultra-sonografia
consegue determinar se o crescimento fetal está ocorrendo
em uma velocidade normal. Ela também é utilizada
para registrar os batimentos cardíacos ou movimentos
respiratórios fetais, para verificar se a mulher
está portando mais de um feto e para identificar
uma série de anormalidades (p.ex., placenta prévia
[posição anormal da placenta] ou uma posição
anormal do feto).
A ultra-sonografia também pode ser
utilizada para orientar a inserção da agulha
durante a amniocentese (coleta de uma amostra de líquido
amniótico) para a realização de estudos
genéticos ou da maturidade pulmonar do feto e durante
uma transfusão de sangue fetal. No final da gestação,
o médico pode utilizar a ultra-sonografia para identificar
o trabalho de parto prematuro (pré-termo) ou a ruptura
prematura das membranas, quando as membranas repletas de
líquido que contêm o feto rompem antes do início
do trabalho de parto.
A ultra-sonografia pode fornecer informações
que ajudam o médico a decidir se deve realizar uma
cesariana. Após o primeiro exame, a gestante deve
retornar ao médico a cada 4 semanas, até a
32ª semana de gestação, e a cada 2 semanas,
até a 36ª semana. A seguir, os retornos devem
ser semanais até o parto.
Em cada exame, o médico geralmente
registra o peso e a pressão arterial da gestante,
mensura o tamanho e observa a forma do útero para
determinar se o feto está crescendo e desenvolvendo
normalmente. É coletada uma pequena amostra de urina
para a verificação da presença de açúcar
e proteínas.
Sintomas que Devem Ser Imediatamente
Informados ao Médico
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Cefaléias (dores de cabeça) persistentes
Náusea e vômito persistentes
Tontura
Distúrbios da visão
Dor ou cólicas na região abdominal
inferior
Contrações
Sangramento vaginal
Perda de líquido amniótico (ruptura
da bolsa)
Edema das mãos ou dos pés
Redução ou aumento da produção
de urina
Qualquer doença ou infecção
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A presença de açúcar
na urina pode indicar diabetes e a de proteínas pode
indicar préeclâmpsia (hipertensão arterial,
proteínas na urina e retenção líquida
durante a gravidez). É observada a presença
de edema nos tornozelos. Quando o sangue da mãe é
Rh negativo, deve ser realizado um exame de sangue de detecção
de anticorpos anti-Rh. Quando o sangue da mãe é
Rh negativo e o do pai é Rh positivo, o feto pode
ter um sangue Rh positivo.
Quando o sangue Rh positivo do feto penetra
na corrente sangüínea da mãe (em qualquer
momento durante a gestação), ela pode produzir
anticorpos anti-Rh, os quais podem passar para a corrente
sangüínea do feto e destruir seus eritrócitos
(glóbulos vermelhos, hemácias), acarretando
icterícia e possível lesão cerebral
ou morte do feto.
Uma mulher de constituição
normal deve ganhar um total de aproximadamente 11 a 13 quilos
durante a gestação, cerca de 900 ou 1.300
gramas por mês. Um ganho maior do que 13 a 16 quilos
acarreta um acúmulo de gordura tanto no feto quanto
na mãe. Como o controle do peso torna-se mais difícil
no final da gestação, a mulher deve tentar
evitar ganhar muito peso durante os meses iniciais.
No entanto, o não aumento de peso
é um mau sinal, especialmente quando o ganho de peso
total é inferior a 4,5 quilos. Isto pode indicar
que o feto não está crescendo suficientemente
rápido, uma condição denominada retardo
do crescimento fetal. Algumas vezes, o ganho de peso é
causado pela retenção líquida decorrente
do mau fluxo sangüíneo nos membros inferiores
quando a mulher permanece em pé.
Geralmente, a gestante consegue minimizar
este problema deitandose de lado, preferivelmente sobre
o lado esquerdo, durante 30 a 45 minutos, 2 a 3 vezes ao
dia. Durante a gravidez, a maioria das mulheres devem acrescentar
cerca de 250 calorias à sua dieta diária para
prover a nutrição ao feto em desenvolvimento.
Embora as proteínas devam suprir a
maior parte dessas calorias, a dieta deve ser bem balanceada,
incluindo frutas frescas, cereais e vegetais. Os cereais
ricos em fibras e sem açúcar são excelentes.
O sal, de preferência o iodado, pode ser consumido
com moderação, mas os alimentos excessivamente
salgados ou que contêm conservantes devem ser evitados.
As dietas para perder peso durante a gravidez
não são recomendadas, mesmo para as mulheres
obesas, pois um certo ganho de peso é essencial para
o desenvolvimento adequado do feto e essas dietas reduzem
o suprimento de nutrientes para o feto. Embora o feto tenha
preferência na hora de receber os nutrientes, a mãe
deve assegurar-se que eles são os adequados. Os medicamentos
geralmente não são recomendáveis.
A gestante não deve tomar qualquer
medicamento, inclusive os de venda livre (p.ex., aspirina),
sem antes consultar o médico, sobretudo durante os
três primeiros meses. A demanda de ferro aumenta muito
durante a gravidez para suprir as necessidades da mãe
e do feto.
Geralmente, a suplementação
de ferro é necessária, sobretudo para as mulheres
anêmicas, pois a gestante não absorve suficiente
ferro do alimento para suprir as demandas da gravidez, mesmo
quando o ferro alimentar é combinado com o ferro
já armazenado no organismo. Os suplementos de ferro
podem causar um discreto desconforto gástrico e constipação.
A demanda de ferro torna- se ainda maior
durante a segunda metade da gravidez. Quando a dieta é
adequada, pode ser desnecessário o uso de vitaminas
e suplementos, embora a maioria dos médicos recomende
o uso diário de um suplemento vitamínico pré-natal
que contém ferro e ácido fólico.
A náusea e o vômito podem ser
minimizados com alterações da dieta como,
por exemplo, consumir líquidos e alimentos em pequenas
quantidades e freqüentemente, alimentar-se antes de
sentir fome e consumir alimentos líquidos ou pastosos
(p.ex., caldo de carne com legumes, consomês, arroz
e macarrão) e não alimentos fortes ou condimentados.
A ingestão de biscoitos do tipo cream
crackers e de um refrigerante carbonatado geralmente alivia
a náusea. Manter cream crackers junto à cama
e comer um ou dois biscoitos antes de se levantar é
uma boa solução para o enjôo matinal.
Atualmente, não existe qualquer medicamento aprovado
pela Food and Drug Administration para o enjôo matinal.
Quando a náusea e o vômito forem
muito intensos ou persistentes que a mulher torna-se desidratada,
perde peso ou apresenta outros problemas, a hospitalizaçao
temporária pode ser necessária para a realização
da reposição intravenosa de líquidos.
O edema (inchaço) é comum, especialmente nos
membros inferiores. As varizes nos membros inferiores e
vulvares (em torno do orifício vaginal) também
são comuns e podem causar desconforto.
As roupas devem ficar folgadas em torno da
cintura e dos membros inferiores. Normalmente, o uso de
meias-calças elásticas ou o repouso freqüente
com os membros inferiores elevados, de preferência
em decúbito lateral esquerdo, reduz o edema dos membros
inferiores. As hemorróidas, um problema comum, podem
ser tratadas com emolientes fecais, géis anestésicos
ou banhos com água morna quando são dolorosas.
A dor nas costas de intensidade variável
é comum. Evitar os esforços excessivos das
costas e o uso de uma cinta para gestante de suave compressão
podem ser úteis. Ocasionalmente, a gestante pode
apresentar uma dor no osso da pube (sínfise púbica)
na região abdominal inferior.
A pirose (azia), geralmente causada pelo
refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago,
pode ser aliviada através da ingestão de refeições
menos copiosas e a gestante deve evitar de se recostar ou
de se deitar de costas durante várias horas após
se alimentar e deve tomar antiácidos (exceto o bicarbonato
de sódio).
O cansaço é comum, especialmente
nas doze primeiras semanas e no final da gestação.
A gestante comumente apresenta um aumento de secreção
vaginal, a qual é geralmente normal. A tricomoníase
(uma infecção causada por um protozoário)
e a candidíase (uma infecção fúngica)
são infecções vaginais comuns durante
a gravidez e podem ser facilmente tratadas.
A vaginose bacteriana (uma infecção
bacteriana) pode causar o trabalho de parto prematuro (prétermo)
e deve ser tratada imediatamente. A gestante pode apresentar
pica, um desejo intenso por alimentos estranhos ou por ou
substâncias não comestíveis (p.ex.,
amido ou barro). Ela pode representar uma necessidade nutricional
subconsciente.
Ocasionalmente, o excesso de salivação
pode causar sofrimento. Freqüentemente, as mulheres
grávidas preocupam- se com a limitação
de suas atividades. No entanto, a maioria delas pode continuar
suas atividades e exercícios habituais durante toda
a gestação. A natação e outros
exercícios que exigem pouco esforço são
excelentes. As mulheres grávidas podem participar
de atividades vigorosas (p.ex., equitação),
desde que sejam cautelosas.
O desejo sexual pode aumentar ou diminuir
durante a gravidez. A relação sexual é
permitida durante toda a gravidez, mas deve ser absolutamente
evitado quando a mulher apresenta qualquer tipo de sangramento
vaginal, dor, perda de líquido amniótico e,
principalmente, contrações uterinas.
Várias gestantes morreram em decorrência
da insuflação de ar no interior da vagina
durante a prática do sexo oral. Todas as mulheres
grávidas devem conhecer quais são os sinais
do início do trabalho de parto. Os principais sinais
são as contrações na região
abdominal inferior em intervalos regulares e a dor nas costas.
Toda mulher que teve partos rápidos
em gestações anteriores deve notificar seu
médico quando acredita que está entrando em
trabalho de parto. Próximo do final da gestação
(depois a 36ª semana), o médico pode realizar
um exame pélvico para tentar prever quando o trabalho
de parto começará.
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