|
Uma gravidez de alto risco é uma gravidez
na qual o risco de doença ou de morte antes ou após
o parto é maior que o habitual, tanto para a mãe
quanto para o concepto. Para identificar uma gravidez de
alto risco, o médico avalia a gestante para determinar
se ela apresenta condições ou características
que a tornam (ou o seu feto) mais propensa a adoecer ou
a morrer durante a gestação (fatores de risco).
Os fatores de risco podem ser classificados de acordo com
o grau de risco. A identificação de uma gravidez
de alto risco assegura que a gestante que mais precisa de
cuidados médicos realmente os receba.
Pontuação
de Uma Gravidez de Alto Risco Uma pontuação
de 10 ou mais indica um alto risco.
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Fatores de Risco
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|
Pontuação
|
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Antes
da Gravidez |
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Características da
mãe Idade: 35 anos ou mais ou 15 anos ou menos |
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5
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| |
Peso inferior a 45 quilos,
ou superior a 90 quilos |
|
5
|
| |
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| |
Eventos numa gravidez
anterior Natimorto |
|
10
|
| |
|
| |
Morte do recém-nascido |
|
10
|
| |
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| |
Bebê prematuro |
|
10
|
| |
|
| |
Concepto pequeno para a
idade gestacional (menor que o esperado em relação
ao número de semanas de gestação) |
|
10
|
| |
|
| |
Transfusão de sangue
para o feto por doença hemolítica |
|
10
|
| |
|
| |
Parto pós-termo (após
a 42ª semana) |
|
10
|
| |
|
| |
Abortos espontâneos
repetidos |
|
5
|
| |
|
| |
Concepto grande (mais de
4,5 quilos) |
|
5
|
| |
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| |
Seis ou mais gestações
completas |
|
5
|
| |
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| |
História de eclâmpsia
(crises convulsivas durante a gravidez) |
|
5
|
| |
|
| |
Cesariana |
|
5
|
| |
|
| |
Epilepsia ou paralisia cerebral
na mãe |
|
5
|
| |
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| |
História de pré-eclâmpsia
pressão arterial elevada, proteína na
urina e acúmulo de líquido durante a gravidez) |
|
1
|
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| |
Bebê de gravidez anterior
com defeitos de nascença |
|
1
|
| |
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| |
Defeitos estruturais
Útero bicorno |
|
10
|
| |
|
| |
Colo do útero incompetente |
|
10
|
| |
|
| |
Pelve pequena |
|
5
|
| |
|
| |
Problemas médicos
Hipertensão arterial crônica (de longa
duração) |
|
10
|
| |
|
| |
Doença renal moderada
ou grave |
|
10
|
| |
|
| |
Doença cardíaca
grave |
|
10
|
| |
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| |
Diabetes insulino-dependente |
|
10
|
| |
|
| |
Doença da célula
falciforme |
|
10
|
| |
|
| |
Resultados anormais de um
exame de Papanicolaou |
|
10
|
| |
|
| |
Doença cardíaca
moderada |
|
5
|
| |
|
| |
Doenças da tireóide |
|
5
|
| |
|
| |
História de tuberculose |
|
5
|
| |
|
| |
Doença pulmonar (p.ex.,
asma) |
|
5
|
| |
|
| |
Resultados positivos de
exames de sangue para a sífilis ou para o vírus
da imunodeficiência humana (HIV) |
|
5
|
| |
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| |
História de infecção
da bexiga |
|
1
|
| |
|
| |
História familiar
de diabetes |
|
1
|
| |
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| |
Durante a Gravidez |
| |
|
| |
Exposição
a drogas e infecções Uso de drogas
ou álcool |
|
5
|
| |
|
| |
Doença viral, rubéola |
|
5
|
| |
|
| |
Gripe (grave) |
|
5
|
| |
|
| |
Tabagismo |
|
1
|
| |
|
| |
Complicações
médicas Pré-eclâmpsia moderada
ou grave |
|
10
|
| |
|
| |
Pré-eclâmpsia
leve |
|
5
|
| |
|
| |
Infecção renal |
|
5
|
| |
|
| |
Diabetes da gravidez (diabetes
gestacional) controlada através da dieta |
|
5
|
| |
|
| |
Complicações
médicas Anemia grave |
|
5
|
| |
|
| |
Infecção da
bexiga |
|
1
|
| |
|
| |
Anemia leve |
|
1
|
| |
|
| |
Complicações
da gestação Mãe: Placenta prévia
(localização anormal da placenta) |
|
10
|
| |
|
| |
Descolamento prematuro da
placenta ( abruptio placentae) |
|
10
|
| |
|
| |
Escassez ou excesso de líquido
amniótico em torno do feto |
|
10
|
| |
|
| |
Infecção da
placenta |
|
10
|
| |
|
| |
Ruptura de útero |
|
10
|
| |
|
| |
Parto pós-termo (após
a 42ª semana ou com um atraso superior a duas semanas) |
|
10
|
| |
|
| |
Sensibilização
do Rh ao sangue do feto |
|
5
|
| |
|
| |
Sangramento vaginal |
|
5
|
| |
|
| |
Trabalho de parto prematuro |
|
5
|
| |
|
| |
Ruptura de membranas (rompimento
da bolsa) mais de 12 horas antes do parto |
|
5
|
| |
|
| |
Interrupção
da dilatação do colo do útero |
|
5
|
| |
|
| |
Trabalho de parto que dura
mais de vinte horas |
|
5
|
| |
|
| |
Esforço de expulsão
superior a 2 horas |
|
5
|
| |
|
| |
Complicações
da gestação Trabalho de parto rápido
(inferior a três horas) |
|
5
|
| |
|
| |
Cesariana |
|
5
|
| |
|
| |
Trabalho de parto induzido
por razões médicas |
|
5
|
| |
|
| |
Trabalho de parto induzido
por opção |
|
1
|
| |
|
| |
Concepto: Líquido
amniótico contaminado por mecônio (verde-escuro) |
|
10
|
| |
|
| |
Apresentação
anormal (p.ex., de nádegas) |
|
10
|
| |
|
| |
Parto de nádegas,
assistido durante todo o parto |
|
10
|
| |
|
| |
Gestação múltipla
(particularmente trigêmeos ou mais conceptos) |
|
10
|
| |
|
| |
Freqüência cardíaca
lenta ou muito rápida |
|
10
|
| |
|
| |
Saída do cordão
umbilical antes do concepto (prolapso de cordão) |
|
10
|
| |
|
| |
Peso inferior a 2,4 quilos
ao nascimento |
|
10
|
| |
|
| |
Líquido amniótico
contaminado por mecônio (verde-claro) |
|
5
|
| |
|
| |
Necessidade de uso de fórceps
ou de extrator a vácuo |
|
5
|
| |
|
| |
Parto de nádegas,
parcialmente assistido ou não assistido |
|
5
|
| |
|
| |
Anestesia geral da mãe
durante o parto |
|
5
|
| |
|
|
|
A mulher com uma gravidez de alto risco pode ser encaminhada
a um centro de atendimento perinatal. O termo perinatal
refere-se a eventos que ocorrem imediatamente antes, durante
ou após o parto. Geralmente, esses centros estão
ligados a um serviço obstétrico e a uma unidade
de terapia intensiva neonatal, para prover o mais alto nível
de cuidados para a gestante e seu filho.
Freqüentemente, o médico encaminha
sua paciente grávida a um centro de atendimento perinatal
antes do parto porque a atenção precoce reduz
bastante a probabilidade do concepto adoecer ou morrer.
A gestante também é encaminhada a um centro
de atendimento perinatal durante o trabalho de parto quando
ocorrem problemas inesperados.
A razão mais comum para o encaminhamento
a um desses centros é o risco de parto prematuro
(antes da 37ª semana), o qual ocorre freqüentemente
quando as membranas cheias de líquido que contêm
o feto rompem antes dele estar pronto para nascer (ruptura
prematura das membranas). O tratamento em um centro de atendimento
perinatal pode reduzir a probabilidade do concepto nascer
prematuramente.
Nos Estados Unidos, uma mulher grávida
morre (mortalidade materna) em 6 de cada 100.000 nascimentos.
A principal causa de morte são os acidentes automobilísticos
ou outros traumatismos. A segunda causa principal está
relacionada a vários problemas associados à
gestação e ao parto: embolia pulmonar (coágulos
sangüíneos que se desprendem e vão aos
pulmões), complicações da anestesia,
hemorragia, infecção e complicações
da hipertensão arterial.
Nos Estados Unidos, o concepto morre antes,
durante ou após o nascimento (mortalidade perinatal)
em 16 de cada 1.000 partos. Pouco mais da metade dessas
mortes é representada por natimortos. O restante
das mortes é constituída por lactentes com
até 28 dias de vida. A principal causa são
os defeitos congênitos, seguidos pela prematuridade.
Alguns fatores de risco estão presentes antes da
mulher engravidar. Outros desenvolvem-se durante a gravidez.
Fatores de Risco Antes da Gravidez
Antes de engravidar, uma mulher pode apresentar
características ou condições que aumentam
o risco durante a gestação. Além disso,
quando uma mulher teve algum problema em uma gestação,
o risco dela vir a apresentá-lo novamente nas gestações
subseqüentes aumenta.
Características da Mãe
A idade da mulher afeta o risco da gravidez.
As meninas com 15 anos ou menos apresentam maior risco de
pré-eclâmpsia (uma doença na qual a
mulher apresenta hipertensão arterial, presença
de proteínas na urina e retenção líquida
durante a gravidez) e de eclâmpsia (crises convulsivas
decorrentes da pré-eclâmpsia). Elas também
apresentam uma maior probabilidade de dar à luz a
um concepto com baixo peso ou subnutrido.
As mulheres com 35 anos ou mais apresentam
maior probabilidade de desenvolver hipertensão arterial,
diabetes ou fibromas (tumores não cancerosos) no
útero e de apresentar problemas durante o trabalho
de parto. O risco de gerar um filho com uma anomalia cromossômica
(p.ex., síndrome de Down) aumenta acentuadamente
após os 35 anos. Quando uma gestante com mais idade
demonstra preocupação sobre a possibilidade
de anomalias, uma biópsia do vilo coriônico
ou uma amniocentese pode ser realizada para se realizar
a análise cromossômica do feto.
Uma mulher que pesa menos de 45 quilos sem
estar grávida apresenta uma maior probabilidade de
gerar um concepto menor que o esperado em relação
ao número de semanas de gestação (pequeno
para a idade gestacional). Se o seu ganho de peso for inferior
a 7 quilos durante a gravidez, o risco dela ter um concepto
pequeno para a idade gestacional aumenta aproximadamente
30%.
Por outro lado, a mulher obesa apresenta
um maior risco de gerar um concepto muito grande. A obesidade
também aumenta o risco de diabetes e de hipertensão
arterial durante a gravidez. Uma mulher com uma altura inferior
a 1,60 metro apresenta uma maior probabilidade de ter uma
pelve pequena. O seu risco de trabalho prematuro e de dar
à luz a um concepto anormalmente pequeno por retardo
de crescimento intrauterino também é maior
que o usual.
| |
Recém-nascidos Pequenos
|
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| |
Um recém-nascido
prematuro é aquele que nasce antes de 37ª
semana de gravidez.
Um recém-nascido de baixo peso ao nascer
(abaixo do peso) é qualquer recém-nascido
que pesa 2,5 quilos ou menos ao nascer.
Um recém-nascido pequeno para a idade
gestacional é aquele incomumente pequeno
para o número de semanas de gestação.
Este termo refere-se ao peso e não ao comprimento
do recém-nascido.
Um recém-nascido com retardo de crescimento
é aquele cujo crescimento intra-uterino foi comprometido.
Esse termo refere-se ao peso e ao comprimento do recém-nascido.
Um recém-nascido pode apresentar retardo de crescimento
e/ou ser pequeno para a idade gestacional. |
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Eventos em Gestações Anteriores
Uma mulher que sofreu três abortos
espontâneos consecutivos nos três primeiros
meses de gestação apresenta uma probabilidade
de aproximadamente 35% de sofrer um outro. A probabilidade
de aborto também é maior para uma mulher que
deu à luz a um natimorto entre o 4º e o 8º
mês de gestação ou que teve um trabalho
de parto prematuro em uma gestação anterior.
Antes de tentar engravidar novamente, a mulher
que sofreu um aborto espontâneo pode desejar que seja
investigado se ela apresenta anomalias cromossômicas
ou hormonais, defeitos estruturais no útero ou no
colo do útero, distúrbios do tecido conjuntivo
(p.ex., lúpus eritematoso sistêmico) ou uma
reação imune em relação ao feto,
geralmente incompatibilidade de Rh.
Quando a causa do aborto espontâneo
é detectada, a condição pode ser tratável.
O fato de uma mulher dar à luz a um natimorto ou
a morte de um recém-nascido pode ser decorrente de
anomalias cromossômicas do concepto ou de doenças
da mãe (p.ex., diabetes, doenças renais ou
vasculares crônicas [de longa duração]
ou doenças do tecido conjuntivo [como o lúpus
eritematoso sistêmico]).
Quanto maior o número de parto prematuro,
maior o risco dele ocorrer nas gestações posteriores.
Uma mulher que deu à luz a um concepto com menos
de 1,5 quilo apresenta uma chance de 50% de ter um parto
prematuro na gestação seguinte. Uma mulher
que deu à luz um concepto com retardo de crescimento
intrauterino pode apresentar o mesmo problema novamente.
Ela é submetida a uma investigação
de causas que podem prejudicar o crescimento do feto (p.ex.,
hipertensão arterial, doença renal, ganho
de peso inadequado, infecção, tabagismo e
uso abusivo de álcool). Quando uma mulher dá
à luz a um concepto com mais de 4,5 quilos ao nascer,
ela pode ser diabética.
O risco de aborto espontâneo ou de
morte da gestante ou do concepto aumenta quando ela apresenta
diabetes durante a gestação. A investigação
do diabetes é realizada através da mensuração
da concentração de açúcar no
sangue (glicose) entre a 20ª e a 28ª semana de
gestação. Uma mulher que teve seis ou mais
gestações apresenta uma maior probabilidade
de ter contrações fracas durante o trabalho
de parto e sangramento após o parto em decorrência
do enfraquecimento da musculatura uterina.
Ela também pode ter um trabalho de
parto rápido, o qual aumenta o risco de uma hemorragia
vaginal grave. Além disso, ela apresenta uma maior
probabilidade de ter placenta prévia (placenta localizada
anormalmente na porção inferior do útero).
Este distúrbio pode provocar sangramento e, como
a placenta pode obstruir o colo do útero, a cesariana
é geralmente necessária.
Quando uma mulher dá à luz
um concepto com doença hemolítica, o próximo
filho corre o risco de apresentar a mesma doença
e a gravidade da doença do filho anterior prevê
a sua gravidade no seguinte. A doença hemolítica
ocorre quando uma gestante cujo sangue é Rh negativo
gera um feto cujo sangue é Rh positivo (incompatibilidade
de Rh) e a mãe produz anticorpos contra o sangue
do feto (sensibilização do Rh). Esses anticorpos
destróem os eritrócitos (glóbulos vermelhos,
hemácias) do feto.
Nesses casos, o sangue de ambos os genitores
é testado. Quando o pai possui dois genes para sangue
Rh positivo, todos os filhos terão sangue Rh positivo.
Quando ele tem apenas um gene para sangue Rh positivo, os
filhos apresentam uma probabilidade de 50% de ter sangue
Rh positivo. Esta informação ajuda o médico
a tratar a mãe e o feto nas gestações
posteriores.
Geralmente, não ocorrem problemas
na primeira gestação de um concepto cujo sangue
é Rh positivo, mas o contato entre o sangue da mãe
e o do concepto no momento do parto induz o organismo materno
a produzir anticorpos anti-Rh. Conseqüentemente, os
filhos subseqüentes correm o risco de apresentar a
doença hemolítica.
No entanto, após o parto de um concepto
com sangue Rh positivo de uma mãe cujo sangue é
Rh negativo, geralmente é realizada a administração
de imunoglobulina Rh0(D) à mãe. Essa imunoglobulina
destrói os anticorpos anti-Rh. Por essa razão,
a doença hemolítica é rara nos recém-nascidos.
Uma mulher que teve pré-eclâmpsia
ou eclâmpsia pode apresentar a doença novamente,
sobretudo quando ela apresenta hipertensão arterial
crônica sem estar grávida. Quando uma mulher
gera um filho com distúrbios genéticos ou
defeitos congênitos, é realizado o estudo genético
do recém-nascido (mesmo quando natimorto) e de ambos
os genitores antes de uma outra gravidez ser tentada.
Quando a mulher engravida novamente, exames
como a ultra-sonografia, a biópsia do vilo coriônico
e a amniocentese são realizados para ajudar na determinação
da probabilidade de recorrência das anomalias.
Defeitos Estruturais
Os defeitos estruturais nos órgãos
reprodutivos da mulher (p.ex., útero bicorno ou colo
de útero incompetente [colo de útero fraco
que não consegue suportar o feto em desenvolvimento])
aumentam o risco de aborto espontâneo. Pode ser necessária
a realização de uma cirurgia diagnóstica,
de uma ultra-sonografia ou de radiografias para se detectar
esses defeitos.
Quando uma mulher sofre abortos espontâneos
repetidos, os exames devem ser realizados antes que ela
engravide novamente. Os fibromas (tumores não cancerosos)
do útero, mais comuns em mulheres mais velhas, podem
aumentar o risco de trabalho de parto prematuro, de problemas
durante o trabalho de parto, de apresentação
anormal do feto, de localização anormal da
placenta (placenta prévia) e de abortos espontâneos
repetidos.
Problemas Médicos
Em uma mulher grávida, certas condições
médicas podem colocar em risco tanto ela como o feto.
As doenças mais importantes são a hipertensão
arterial crônica, as doenças renais, o diabetes,
as doenças cardíacas graves, a doença
da célula falciforme, as doenças da tireóide,
o lúpus eritematoso sistêmico (lúpus)
e os distúrbios da coagulação sangüínea.
História Familiar
Uma história de retardo mental ou
de outros distúrbios hereditários na família
da mãe ou do pai aumenta a probabilidade do filho
apresentar o mesmo distúrbio. A tendência a
ter gêmeos também ocorre em certas famílias.
Fatores de Risco Durante a Gestação
Uma mulher grávida de baixo risco
pode sofrer uma alteração que aumenta o seu
risco. Ela pode ser exposta a teratógenos (agentes
que podem produzir defeitos congênitos), como a radiação,
certas substâncias químicas, drogas, medicamentos
e infecções, ou ela pode apresentar uma doença
ou uma complicação relacionada à gravidez.
Exposição a Drogas ou
Infecções
As drogas que sabidamente produzem defeitos
congênitos quando utilizadas durante a gravidez incluem
o álcool, fenitoína, drogas que neutralizam
a ação do ácido fólico (p.ex.,
triantereno ou trimetoprim), lítio, estreptomicina,
tetraciclina, talidomida e warfarina. As infecções
que podem causar defeitos congênitos incluem o herpes
simples, a hepatite viral, a gripe, a parotidite (caxumba),
a rubéola, a varicela (catapora), a sífilis,
a listeriose, a toxoplasmose e as infecções
causadas pelo coxsackievírus ou pelo citomegalovírus.
No início da gestação,
o médico pergunta à gestante se ela fez uso
de alguma dessas drogas ou se ela teve alguma dessas infecções
após haver engravidado. É particularmente
preocupante como o tabagismo, o consumo de álcool
e o uso abusivo de drogas durante a gestação
afetam a saúde e o desenvolvimento do feto.
Nos Estados Unidos, o tabagismo é
o vício mais comum entre as mulheres grávidas.
Apesar da informação crescente sobre os perigos
para a saúde acarretados pelo tabagismo, a porcentagem
de mulheres adultas que fumam ou que vivem com alguém
que fuma reduziu apenas discretamente em 20 anos e a porcentagem
de mulheres tabagistas inveteradas vem aumentando.
A porcentagem de meninas adolescentes tabagistas
aumentou substancialmente e é superior à de
adolescentes do sexo masculino que fumam. Embora o tabagismo
cause malefícios tanto para a mãe como para
o feto, apenas aproximadamente 20% das mulheres tabagistas
deixam de fumar durante a gravidez. O efeito mais freqüente
do tabagismo sobre o concepto é o baixo peso ao nascimento.
Quanto mais a mulher fuma durante a gravidez, menor deverá
ser o peso do concepto.
O efeito parece ser maior entre as tabagistas
de longa data, as quais apresentam uma maior probabilidade
de gerar conceptos menores e de baixo peso. As mulheres
grávidas tabagistas também têm uma maior
probabilidade de apresentar complicações placentárias,
ruptura prematura das membranas, trabalho de parto prematura
e infecções uterinas. A mulher grávida
não tabagista deve evitar a exposição
à fumaça do cigarro porque ela pode afetar
o feto de maneira similar.
Os defeitos congênitos do coração,
do cérebro e da face são mais comuns em filhos
de tabagistas que em filhos de não tabagistas. O
consumo de cigarros por parte da mãe pode aumentar
o risco da síndrome da morte súbita do lactente.
Além disso, os filhos de mães tabagistas apresentam
deficiências discretas mas mensuráveis de crescimento
físico, de desenvolvimento intelectual e comportamental.
Acredita-se que esses efeitos sejam causados
pelo monóxido de carbono (o qual pode reduzir o aporte
de oxigênio aos tecidos do corpo) e pela nicotina
(a qual estimula a liberação de hormônios
que promovem a constrição dos vasos que levam
o sangue à placenta e ao útero). O consumo
de álcool durante a gestação é
a principal causa conhecida de defeitos congênitos.
A síndrome do alcoolismo fetal, uma
das principais conseqüências do consumo de álcool
durante a gravidez, é diagnosticada em 2,2 de cada
1.000 nascimentos vivos. Este distúrbio inclui o
retardo do crescimento antes ou após o nascimento;
defeitos faciais; microcefalia (cabeça pequena),
provavelmente causada por um crescimento subnormal do cérebro;
e desenvolvimento comportamental anormal.
O retardo mental é mais comumente
resultante da síndrome do alcoolismo fetal que de
qualquer outra causa conhecida. Além disso, o álcool
pode causar problemas que vão desde o aborto espontâneo
até alterações comportamentais graves
no recém-nascido ou na criança em desenvolvimento
(p.ex. comportamento anti-social e deficiência da
atenção).
Esses problemas podem ocorrer mesmo quando
o recém-nascido não apresenta defeitos físicos
congênitos evidentes. O risco de aborto espontâneo
quase dobra quando a gestante consome álcool durante
a gravidez, especialmente quando ela bebe exageradamente.
Freqüentemente, o peso ao nascimento dos recém-nascidos
de mães que bebem durante a gravidez é inferior
ao normal.
Em média, o peso ao nascimento é
de aproximadamente 2 quilos para os conceptos expostos ao
álcool, comparados aos 3,5 quilos do restante dos
recém-nascidos. A adição a drogas e
o uso abusivo de substâncias tóxicas são
observados cada vez mais em mulheres grávidas. Mais
de 5 milhões de pessoas nos Estados Unidos, muitas
das quais são mulheres em idade fértil, fazem
uso regular da marijuana (maconha) ou da cocaína.
Um exame laboratorial sensível e barato
denominado cromatografia pode ser utilizado para examinar
a presença de heroína, morfina, anfetaminas,
barbitúricos, codeína, cocaína, marijuana
(maconha), metadona ou fenotiazinas na urina da gestante.
As mulheres que fazem uso de drogas injetáveis
apresentam maior risco de anemia, bacteremia (infecção
do sangue) ou endocardite (infecção das válvulas
cardíacas), abcessos cutâneos, hepatite, flebite,
pneumonia, tétano e doenças sexualmente transmissíveis,
inclusive a AIDS.
Aproximadamente 75% dos recém- nascidos
com AIDS são filhos de mães que usavam drogas
injetáveis ou eram prostitutas. Essas crianças
apresentam um maior risco de apresentar outras doenças
sexualmente transmissíveis, hepatite e infecções.
Além disso, é maior a probabilidade
de retardo do crescimento intra-uterino e de parto prematuro.
Aproximadamente 14% das mulheres grávidas consomem
marijuana (maconha) com freqüência variada. O
seu principal ingrediente, o tetrahidrocanabinol (THC),
pode atravessar a placenta e atingir o feto.
Embora não existam evidências
de que a marijuana causa defeitos congênitos ou retardo
do crescimento intrauterino, alguns estudos sugerem que
o consumo intenso dessa droga está relacionado a
alterações comportamentais em recém-nascidos.
A adição à cocaína durante a
gestação causa problemas graves tanto para
a mãe como para o feto e muitas mulheres que fazem
uso da cocaína também consomem outras drogas,
piorando o problema.
A cocaína estimula o sistema nervoso
central; tem ação anestésica local;
e produz a constrição dos vasos sangüíneos,
o que pode reduzir o fluxo sangüíneo de modo
que o feto algumas vezes não recebe um aporte suficiente
de oxigênio. A redução do suprimento
sangüíneo e do aporte de oxigênio ao feto
pode afetar o crescimento de vários órgãos
e, comumente, acarreta defeitos do esqueleto e porções
do intestino anormalmente estreitas.
Os distúrbios do sistema nervoso e
comportamentais em recém-nascidos de mães
que fazem uso de cocaína incluem a hiperatividade,
o tremor incontrolável e distúrbios do aprendizado
importantes, os quais podem persistir até os 5 anos
ou mais.
Quando uma mulher grávida apresenta
hipertensão arterial grave abrupta ou sangramento
devido ao descolamento prematuro da placenta (abruptio placentae)
ou quando ela dá à luz um natimorto sem causa
aparente, geralmente é realizado um exame de urina
para pesquisar a presença de cocaína.
Dentre as mulheres que fazem uso de cocaína
durante toda a gestação, 19% delas apresenta
descolamento prematuro da placenta. Quando uma gestante
deixa de usar a cocaína após os três
primeiros meses de gestação, os riscos de
parto prematuro e de descolamento prematuro da placenta
permanecem altos, mas o crescimento do feto provavelmente
será normal.
Problemas Médicos
Se o diagnóstico de hipertensão
arterial é estabelecido quando a mulher está
grávida, o médico pode ter dificuldade para
determinar as causas do aumento da pressão (p.ex.,gravidez
ou outra condição). O tratamento da hipertensão
arterial durante a gravidez é problemático.
Os benefícios para a mãe devem ser pesados
contra os riscos potenciais para o feto.
Contudo, no final da gestação,
a hipertensão arterial pode indicar uma grave ameaça
à mãe e ao feto e deve ser tratada imediatamente.
Quando uma mulher grávida teve uma infecção
de bexiga no passado, é realizado um exame de urina
no início da gravidez. Quando é detectada
a presença de bactérias, o médico prescreve
antibióticos para tentar evitar uma infecção
renal, a qual está relacionada ao trabalho de parto
prematuro e à ruptura prematura das membranas.
As infecções bacterianas vaginais
durante a gestação também podem acarretar
o trabalho de parto prematuro ou a ruptura prematura das
membranas. O tratamento da infecção com antibióticos
reduz a probabilidade de ocorrência desses problemas.
Uma doença que causa febre alta (temperatura
superior a 39o C) nos três primeiros meses de gestação
aumenta a probabilidade de aborto espontâneo e de
defeitos do sistema nervoso do concepto. A febre no final
da gestação aumenta a probabilidade de trabalho
de parto prematuro.
A cirurgia de emergência durante a
gestação também aumenta este risco.
Muitos distúrbios (p.ex., apendicite, crise de vesícula
biliar e obstrução intestinal) são
difíceis de serem diagnosticados por causa das alterações
normais que ocorrem no abdômen durante a gravidez.
No momento em que um desses distúrbios é diagnosticado,
ele pode estar em um estágio avançado, aumentando
o risco de doença e mesmo de morte da gestante.
Complicações da Gravidez
Incompatibilidade de Rh: A mãe e o
feto podem ter tipos sangüíneos incompatíveis.
O mais comum é a incompatibilidade de Rh, o qual
pode causar a doença hemolítica do recém-nascido.
Esta doença ocorre somente quando a mãe (sangue
Rh negativo) e o pai, (sangue Rh positivo) geram um feto
com sangue Rh positivo e a mãe produz anticorpos
contra o sangue do feto.
Quando o sangue da gestante é Rh negativo,
a pesquisa de anticorpos contra o sangue do feto é
realizada a cada 2 meses. O risco de produção
desses anticorpos aumenta após qualquer episódio
de sangramento no qual pode ocorrer a mistura do sangue
da mãe com o sangue do feto, após uma amniocentese
ou uma biópsia do vilo coriônico e nas primeiras
72 horas após o parto se o recém- nascido
possuir sangue Rh positivo.
Nessas ocasiões e na 28a semana de
gestação, a mãe recebe imunoglobulina
Rh0(D), a qual combina com os anticorpos e, a seguir, os
destrói.
Sangramento: As causas mais comuns
de sangramento nos três últimos meses de gestação
são a localização anormal da placenta,
o descolamento prematuro da placenta do útero e uma
doença vaginal ou do colo do útero (p.ex.,
infecção).
Considera-se que todas as mulheres que apresentam
sangramento durante esse período apresentam risco
de abortar, de apresentar um sangramento excessivo (hemorragia)
ou de morrer durante o trabalho de parto ou durante o período
expulsivo. A ultra-sonografia, o exame do colo do útero
e um exame de Papanicolaou ajudam a determinar a causa do
sangramento.
Problemas do Líquido Amniótico:
O excesso de líquido amniótico nas membranas
que envolvem o feto provoca a dilatação do
útero e exerce pressão sobre o diafragma materno.
Esta complicação pode acarretar graves problemas
respiratórios na mãe ou desencadear um trabalho
de parto prematuro.
O excesso de líquido amniótico
tende a ocorrer quando a gestante apresenta um diabetes
não controlado, quando há mais de um feto
presente (gravidez múltipla), quando a mãe
e o feto possuem tipos sangüíneos incompatíveis
ou quando o concepto apresenta defeitos congênitos,
especialmente obstrução do esôfago ou
defeitos do sistema nervoso.
Em aproximadamente 50% dos casos, a causa
é desconhecida. Existe uma tendência a haver
uma quantidade escassa de líquido amniótico
quando o concepto apresenta defeitos congênitos do
sistema urinário, retardo do crescimento ou morre.
Trabalho de Parto Prematuro: O trabalho
de parto prematuro é mais provável quando
a mãe apresenta defeitos estruturais no útero
ou no colo do útero, sangramento, estresse mental
ou físico, gravidez múltipla ou quando ela
apresenta uma cirurgia uterina prévia.
O trabalho de parto prematuro freqüentemente
ocorre quando o feto encontra-se em posição
anormal (p.ex., apresentação de nádegas),
quando a placenta descola prematuramente do útero,
quando a mãe é hipertensa ou quando existe
uma quantidade excessiva de líquido amniótico
envolvendo o feto.
A pneumonia, a infecção renal
e a apendicite também podem desencadear um trabalho
de parto prematuro. Aproximadamente 30% das mulheres que
têm trabalho de parto prematuro apresentam infecções
uterinas apesar das membranas não terem rompido.
Não está esclarecido se os antibióticos
são eficazes.
Gravidez Múltipla: A presença
de mais de um feto no útero também aumenta
a probabilidade de defeitos congênitos e de problemas
no trabalho de parto e no período expulsivo.
Gravidez Pós-Termo: Em uma
gestação que dura mais de 42 semanas (pós-termo),
a morte do concepto é 3 vezes mais provável
que na gestação normal a termo. O médico
utiliza a monitorização cardíaca eletrônica
e a ultrasonografia para controlar o feto.
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