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O trabalho de parto e o parto propriamente
dito provocam excitação e ansiedade, mesmo
quando não ocorrem problemas. A mulher grávida
pode reduzir a ansiedade e aumentar as chances de um bom
resultado através do estabelecimento de uma boa relação
com o médico ou com a obstetriz.
Os principais problemas do trabalho de parto
estão relacionados à sua evolução
cronológica. O trabalho de parto pode não
iniciar quando as membranas que contêm o feto rompem
(ruptura prematura das membranas) ou ele pode iniciar antes
da 37a semana de gestação (trabalho de parto
prematuro) ou mais de 2 semanas após data prevista
(gestação pós-termo).
As dificuldades podem ocorrer quando a mãe
ou o feto apresenta um distúrbio clínico,
quando a evolução do trabalho de parto é
muito lenta ou quando o feto encontra-se em uma posição
anormal. Outros sinais de perigo incluem o sangramento vaginal
abundante e a freqüência cardíaca fetal
anormal.
Os problemas graves são relativamente
raros e, freqüentemente, podem ser previstos, mas os
problemas podem ocorrer abruptamente ou inesperadamente.
O ideal é que eles sejam detectados precocemente,
de modo que o tratamento adequado possa ser instituído
para garantir um bom resultado.
Ruptura Prematura das Membranas
A ruptura prematura das membranas é
a ruptura das membranas cheias de líquido que contêm
o feto 1 hora ou mais antes do trabalho de parto iniciar.
A ruptura das membranas, seja ela prematura ou não,
é comumente denominada ruptura da bolsa.
O líquido amniótico (líquido
do interior das membranas) sai pela vagina. No passado,
quando as membranas rompiam prematuramente, fazia-se o máximo
possível para provocar o parto para prevenir a infecção,
a qual poderia afetar a mãe ou o concepto. No entanto,
isto não é mais necessário porque o
risco de infecção pode ser reduzido diminuindo
a quantidade de exames ginecológicos após
a ruptura das membranas.
Em um único exame com um espéculo
(instrumento que separa as paredes vaginais), o médico
pode comprovar a ruptura das membranas, estimar a dilatação
do colo do útero e coletar líquido amniótico
da vagina. Quando o exame do líquido amniótico
indica que os pulmões do feto estão suficientemente
maturos, o trabalho de parto é induzido (iniciado
artificialmente) e o concepto é retirado.
Quando os pulmões do feto não
estão maturos, o médico tentará postergar
o parto até que eles amadureçam. Em 50% das
mulheres, o repouso ao leito e a administração
intravenosa de líquidos retarda o trabalho de parto,
mas algumas também necessitam de uma droga que inibe
as contrações uterinas (p.ex., o sulfato de
magnésio intravenoso, a terbutalina subcutânea
ou oral ou, raramente, a ritodrina intravenosa).
A mulher é hospitalizada e mantém
repouso ao leito, podendo levantar- se para ir ao banheiro.
A temperatura e a freqüência de pulso geralmente
são verificadas no mínimo 2 vezes por dia.
Um aumento da temperatura ou da freqüência de
pulso pode ser um sinal precoce de infecção.
Quando a gestante apresenta uma infecção,
o trabalho de parto é induzido e o concepto é
removido. Se a perda de líquido amniótico
cessar e as contrações interromperem a mulher
pode ser liberada, mas ela ainda deve fazer repouso ao leito
e deve ver o médico pelo menos uma vez por semana.
Trabalho de Parto Prematuro
O trabalho de parto prematuro é aquele
que começa precocemente, antes da 37a semana de gestação.
Como os recém-nascidos prematuros podem apresentar
problemas cardíacos, os médicos tentam interromper
o trabalho de parto prematuro.
O trabalho de parto prematuro é difícil
de ser interrompido quando ocorre sangramento vaginal ou
ruptura das membranas que envolvem o feto. Quando não
ocorre sangramento vaginal nem ruptura das membranas, o
repouso ao leito e a administração intravenosa
de líquidos ajudam em 50% das vezes.
Contudo, quando o colo do útero dilata
mais de 5 centímetros, o trabalho de parto evolui
até o nascimento do concepto. O sulfato de magnésio
administrado pela via intravenosa interrompe o trabalho
de parto em até 80% das mulheres, mas ele pode causar
efeitos colaterais (p.ex., aumento da freqüência
cardíaca materna e/ou fetal).
A terbutalina subcutânea também
pode ser utilizada para interromper o trabalho de parto.
Enquanto o trabalho de parto está sendo interrompido,
pode ser administrado um corticosteróide (p.ex.,
betametasona) à mãe para ajudar na maturação
pulmonar do concepto e reduzir o risco dele apresentar problemas
respiratórios (síndrome da angústia
respiratória do recém-nascido) após
o nascimento.
Gestação Pós-Termo
e Pós-Maturidade
Uma gestação pós-termo
é aquela que continua além da 42a semana.
A pós-maturidade é uma síndrome na
qual a placenta começa a deixar de funcionar normalmente
em uma gestação póstermo, colocando
o feto em perigo. Algumas vezes, é difícil
determinar quando se passaram 42 semanas, pois a determinação
da data precisa nem sempre é fácil de ser
determinada.
Algumas vezes, ela não pode ser determinada
porque as menstruações da mulher são
irregulares ou não tem certeza quanto ao intervalo
de tempo entre elas. Por exemplo, quando os ciclos menstruais
de uma mulher são de 35 dias ou mais, o parto pode
ser retardado apesar de não sê-lo.
No início da gravidez, a ultra-sonografia,
um exame seguro e indolor, pode ajudar na determinação
do tempo de gestação. Após a 32a semana,
a determinação do tempo de gestação
pode apresentar um erro de 3 semanas em uma ou em outra
direção.
Quando a gestação continua
após a 42a semana (a partir do primeiro dia da última
menstruação), a mãe e o feto são
examinados, verificando-se a presença de sinais de
pós-maturidade: atrofia do útero e diminuição
dos movimentos fetais. Os exames podem ser iniciados na
41a semana para avaliar os movimentos fetais, a freqüência
cardíaca fetal e a quantidade de líquido amniótico,
a qual diminui significativamente nas gestações
pós-termo.
O tamanho da cabeça do feto é
comparado com o tamanho do seu abdômen. Para confirmar
um diagnóstico de pós-maturidade, o médico
pode realizar uma amniocentese (coleta e exame do líquido
amniótico). Uma indicação de pós-maturidade
é a coloração esverdeada do líquido
amniótico causada pelo mecônio (primeira evacuação
do feto).
Este achado indica sofrimento fetal. Desde
que a avaliação não detecte sinais
de pósmaturidade, pode ser permitida a continuidade
de uma gestação. Contudo, quando a avaliação
detecta a pós-maturidade, o trabalho de parto é
induzido e o concepto é removido.
Quando o colo do útero não
é suficientemente flexível para permitir a
passagem do feto, é realizada uma cesariana (retirada
cirúrgica do concepto através de uma incisão
do abdômen e do útero da mãe).
Trabalho de Parto que Evolui Muito Lentamente
A cada hora, o colo do útero deve
dilatar pelo menos 1 centímetro e a cabeça
do feto deve descer no interior da pelve no mínimo
1 centímetro. Quando isto não ocorre, o feto
pode ser muito grande para mover-se através do canal
do parto e é necessária a realização
de um parto a fórceps ou de uma cesariana.
Quando o canal do parto é suficientemente
grande para o feto mas o trabalho de parto não evolui
com rapidez suficiente, a ocitocina é administrada
pela via intravenosa à mãe para estimular
o útero a contrair com mais força. Quando
a ocitocina não é eficaz, é realizada
uma cesariana.
Posição e Apresentação
do Feto
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Normalmente, a posição
de um feto é de cabeça para baixo e
virado em direção às costas da
mãe com o pescoço flexionado. A apresentação
é cefálica (de cabeça). Uma posição
menos comum é aquela na qual o feto está
voltado para frente. As apresentações
anormais incluem a de face, a de fronte, a pélvica
(de nádegas) e a de ombro.
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Apresentações
Anormais
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Freqüência Cardíaca Anormal
Durante o trabalho de parto, a freqüência
cardíaca fetal é controlada a cada 15 minutos
com o auxílio de um estetoscópio fetal (fetoscópio)
ou de forma contínua com um aparelho de monitorização
cardíaca fetal eletrônica.
A monitorização da freqüência
cardíaca fetal é o modo mais fácil
de se detectar o sofrimento fetal. Quando é detectada
uma alteração significativa da freqüência
cardíaca, medidas corretivas (p.ex., administração
de oxigênio à mãe, aumento da quantidade
de líquido administrado pela via intravenosa e posicionamento
da gestante em decúbito lateral esquerdo) geralmente
são eficazes. Caso contrário, é realizado
um parto a fórceps ou uma cesariana.
Problemas Respiratórios
Raramente, um recém-nascido não
começa a respirar apesar de não terem sido
detectados problemas antes do parto. Por essa razão,
a equipe médica que está dando assistência
ao parto deve ter experiência em ressuscitação
de recém-nascidos.
Posição Anormal do Feto
Uma posição anormal é
aquela na qual o feto ocupa mais espaço ao mover-se
através do canal do parto que quando ele se encontra
em posição normal, isto é, voltado
para trás e com a cabeça voltada para a saída.
Em uma descrição de um feto
no interior do útero, a posição refere-se
à direção para a qual o feto está
voltado e a apresentação refere-se à
parte do corpo que está mais voltada para o canal
do parto. A combinação mais comum e segura
é o feto voltado para trás (em direção
às costas da mãe), com a face inclinada para
a direita ou para a esquerda e de cabeça (apresentação
cefálica), com o pescoço flexionado para frente,
o queixo encolhido e os braços cruzados sobre o peito.
Quando o feto encontra- se em uma posição
ou apresentação diferente, o trabalho de parto
pode ser mais difícil e o parto vaginal pode ser
impossível.
O feto pode estar voltado para frente, freqüentemente
com o pescoço reto (deflexionado). Nesta posição,
a cabeça exige mais espaço para passar através
do canal do parto e, conseqüentemente, o trabalho de
parto pode ser mais longo e o parto mais difícil.
Após avaliar esse problema, o médico decide
entre o uso do fórceps e a realização
de uma cesariana. Na apresentação de face,
o pescoço arqueia-se para trás, de forma que
o queixo emerge primeiro.
Quando o queixo está colocado para
trás e permanece nessa posição, o parto
vaginal é impossível. Na apresentação
de fronte, o pescoço encontra-se moderadamente arqueado,
de modo que a fronte se apresenta primeiro. Em geral, os
fetos não permanecem nessa apresentação,
mas quando eles o fazem, o parto vaginal é impossível.
A apresentação pélvica (de nádegas),
na qual as nádegas se apresentam primeiro, também
pode ocorrer.
As lesões fetais (incluindo a morte)
antes, durante ou após o parto ocorrem quatro vezes
mais freqüentemente na apresentação pélvica
que nas apresentações cefálicas, em
grande parte porque a apresentação pélvica
é muito mais comum quando o trabalho de parto é
prematuro ou quando o concepto apresenta defeitos congênitos.
As complicações podem ser evitadas apenas
quando o problema é detectado antes do parto. Algumas
vezes, o médico pode virar o feto para que a cabeça
se apresente primeiro, comprimindo o abdômen da mãe
antes do início do trabalho de parto, geralmente
na 37a ou na 38a semana de gestação.
Como as nádegas são mais estreitas
que a cabeça, a via de passagem criada por elas no
canal do parto não é suficientemente larga
para que a cabeça passe através. Além
disso, quando a cabeça sai após as nádegas,
ela não pode ser moldada para encaixar-se no canal
do parto. Por essa razão, o corpo do concepto pode
ser retirado e a cabeça pode permanecer aprisionada
no interior da mãe.
Conseqüentemente, pode ocorrer distensão
da medula espinhal ou de nervos, acarretando lesões
nervosas. Quando o umbigo do recém-nascido pode ser
observado pela primeira vez fora da mãe, o cordão
umbilical está comprimido entre a cabeça do
concepto e o canal do parto e, por essa razão, uma
quantidade mínima de oxigênio chega ao concepto.
A lesão cerebral decorrente da falta
de oxigênio é mais comum em fetos que se apresentam
de nádegas que em fetos que se apresentam de cabeça.
Em um primeiro parto, esses problemas são piores
porque os tecidos da mãe não foram distendidos
por partos anteriores.
Como o concepto pode morrer, muitos médicos
aconselham a cesariana para a maioria das apresentações
pélvicas em primeiras gestações e para
todas as apresentações pélvicas em
partos prematuros. Ocasionalmente, um feto posicionado horizontalmente
através do canal do parto apresenta um ombro primeiro.
Geralmente, é realizada uma cesariana,
exceto quando o concepto é o segundo de um par de
gêmeos. Neste caso, ele pode ser virado e o parto
pode ser vaginal.
Gêmeos
Em 1 de cada 70 a 80 partos, ocorre o nascimento
de gêmeos. Antes do parto, eles podem ser detectados
pela ultra-sonografia (a melhor maneira) ou pela monitorização
cardíaca fetal eletrônica, a qual revela a
presença de dois batimentos cardíacos distintos.
Os gêmeos distendem o útero excessivamente
e um útero hiperdistendido tende a começar
a contrair antes da gestação atingir o termo.
Como conseqüência, os gêmeos
geralmente nascem prematuramente e são pequenos.
Como os gêmeos podem estar em posições
e apresentações variadas, o parto pode ser
complicado. A contração do útero após
a expulsão do primeiro concepto tende a descolar
a placenta do segundo. Como resultado, o segundo concepto
tende ter mais problemas durante o parto e um maior risco
de lesões ou morte.
Em alguns casos, o útero hiperdistendido
não contrai adequadamente após o parto, causando
sangramento na mãe. O médico decide antecipadamente
se os gêmeos devem ser removidos através da
via vaginal ou de uma cesariana. Algumas vezes, ele pode
remover o primeiro concepto através da via vaginal
e, por questão de segurança, pode optar pela
realização de uma cesariana para remover o
segundo.
Distócia de Ombro
A distócia de ombro é uma complicação
incomum que ocorre em aproximadamente 1 de cada 1.000 apresentações
cefálicas, na qual o ombro do feto aloja-se contra
o osso púbico e fica aprisionado no canal do parto.
Quando a cabeça emerge, ela parece estar sendo tracionada
firmemente para trás contra a abertura vaginal.
O tórax é comprimido pelo canal
do parto e a boca é mantida fechada pela pressão
contra a abertura vaginal, tornando difícil para
o médico colocar um tubo respiratório. Como
resultado, o feto não pode respirar e a concentração
de oxigênio cai em 4 a 5 minutos. Esta complicação
é mais comum com os fetos grandes, sobretudo quando
o uso do fórceps é necessário antes
da cabeça ter descido completamente pelo canal do
parto.
No entanto, nem todos os fetos grandes apresentam
distócia de ombro. O médico tenta rapidamente
várias técnicas para liberar o ombro, de modo
que o concepto possa ser extraído através
da vagina. Quando essas técnicas fracassam, o concepto
raramente pode ser empurrado de volta para o interior da
vagina e ser removido através de uma cesariana.
Prolapso do Cordão Umbilical
O prolapso do cordão umbilical é
uma complicação rara que ocorre em aproximadamente
1 em cada 1.000 partos, na qual o cordão umbilical
precede o concepto na sua passagem através do canal
do nascimento. Quando o concepto emerge através do
estreito canal do parto, o cordão prolapsado é
comprimido e o suprimento sangüíneo ao concepto
é interrompido.
Esta complicação pode ser evidente
ou não (oculta). O prolapso é evidente quando
as membranas rompem e o cordão umbilical protrui
através da vagina antes do concepto emergir. Em geral,
o prolapso evidente ocorre quando o concepto apresenta-se
de nádegas (apresentação pélvica),
mas ele pode ocorrer quando o concepto emerge primeiro com
a cabeça (apresentação cefálica),
sobretudo quando houve uma ruptura prematura das membranas
ou quando o feto não desceu para o interior da pelve
materna.
Quando o feto não desceu, o fluxo
de líquido que ocorre quando as membranas rompem
pode arrastar o cordão umbilical antes do feto. Esta
é uma das razões pelas quais os médicos
não rompem as membranas, exceto quando a cabeça
do feto já se encontra no interior da pelve. Quando
ocorre um prolapso do cordão umbilical, a realização
imediata do parto (geralmente uma cesariana) é necessária
para se evitar a lesão fetal em decorrência
da interrupção do suprimento sangüíneo.
Até a cirurgia ser iniciada, um enfermeiro
ou um médico mantém o concepto afastado do
cordão para que o fluxo sangüíneo através
do cordão prolapsado não seja interrompido.
No prolapso oculto, as membranas estão intactas e
o cordão encontra-se na frente do feto ou aprisionado
em frente ao seu ombro.
Comumente, o prolapso oculto pode ser detectado
através de um padrão anormal da freqüência
cardíaca fetal. A mudança de posição
da mãe ou a elevação da cabeça
do feto para aliviar a pressão sobre o cordão
geralmente corrige o problema. Ocasionalmente, a cesariana
é necessária.
Embolia de Líquido Amniótico
A embolia de líquido amniótico
é a obstrução de uma artéria
pulmonar da mãe pelo líquido amniótico
(o líquido que envolve o feto no interior do útero).
Muito raramente, um êmbolo (uma massa de material
estranho na corrente sangüínea) formado por
líquido amniótico penetra na corrente sangüínea
da mãe, geralmente durante um trabalho de parto particularmente
traumático com ruptura das membranas.
O êmbolo desloca- se até os
pulmões da mãe e obstrui uma artéria.
Essa obstrução é denominada embolia
pulmonar. Ela pode produzir um aumento da freqüência
cardíaca, arritmias cardíacas, colapso, choque
ou inclusive parada cardíaca e morte. Quando a mãe
sobrevive, a coagulação intravascular disseminada
é uma complicação comum e exige tratamento
de emergência.
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Fórceps
e Vácuo Extrator
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O fórceps ou o vácuo extrator são
utilizados para auxiliar no parto. O fórceps
é colocado em torno da cabeça do concepto.
O vácuo extrator possui uma pequena ventosa
em forma de taça feita de um material semelhante
à borracha (silastic) que adere à cabeça
do concepto quando a aspiração é
iniciada. Com qualquer desses instrumentos, o concepto
é delicadamente tracionado para fora enquanto
a mãe faz força.
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Hemorragia Uterina
A hemorragia (sangramento excessivo) uterina
é uma importante após o parto. Comumente,
a mãe perde aproximadamente meio litro de sangue
durante o parto. Os vasos sangüíneos permanecem
abertos quando a placenta descola do útero. As contrações
uterinas ajudam a mantêlos fechados até eles
cicatrizarem.
Portanto, a perda sangüínea pode
ser maior quando o útero não contrai ou quando
um fragmento de placenta permanece no interior do útero
após o parto e impede que ele contraia totalmente.
Uma laceração da vagina ou do colo do útero
também pode causar hemorragia.
Procedimentos
Quando ocorrem complicações
durante o trabalho de parto e o parto, são utilizados
procedimentos como a indução do trabalho de
parto ou o parto a fórceps ou com vácuo extrator
ou a cesariana .
Indução do Trabalho de
Parto
A indução do trabalho de parto
consiste em iniciá-lo de forma artificial. A aceleração
do trabalho de parto usa as mesmas técnicas e drogas
que a indução, mas ela é realizada
após o trabalho de parto ter iniciado espontaneamente.
Geralmente, a indução do trabalho de parto
é considerada somente quando a mãe apresenta
um problema obstétrico ou quando ela ou o feto apresenta
algum problema médico.
Quando a gestação evolui normalmente,
o trabalho de parto raramente é induzido, exceto
quando a mulher apresenta dificuldade para chegar ao hospital
a tempo para o parto. Muitas vezes, essas mulheres são
admitidas no hospital pouco tempo antes da data prevista
do parto. Estabelecer a data com precisão é
importante.
Por essa razão, o médico pode
realizar exames (p.ex., amniocentese) para determinar com
acurácia a maturidade fetal antes de induzir o trabalho
de parto. Geralmente, o trabalho de parto é induzido
através da administração de ocitocina
(um hormônio que faz com que o útero contraia
com mais força) à gestante. Ela é administrada
pela via intravenosa com uma bomba de infusão, de
modo que a quantidade da droga administrada pode ser controlada
com exatidão.
Durante toda a indução e o
trabalho de parto, a freqüência cardíaca
fetal é controlada eletronicamente. No início,
isto é feito com um monitor colocado sobre o abdômen
da gestante. Em seguida, assim que as membranas podem ser
rompidas com segurança, um monitor é inserido
na vagina e fixado ao couro cabeludo do feto.
Quando a indução fracassa,
é realizada uma cesariana. A estimulação
do trabalho de parto com ocitocina está indicada
quando a mulher tem contrações que não
conseguem mover adequadamente o feto através do canal
do parto. Contudo, quando ela está na fase inicial
do trabalho de parto (quando o colo uterino está
discretamente dilatado e as contrações são
irregulares) o repouso, a marcha e o encorajamento representam
um melhor tratamento que a estimulação do
trabalho de parto.
Ocasionalmente, a mulher apresenta contrações
muito fortes e/ou muito próximas. Esta condição,
denominada trabalho de parto disfuncional hipertônico,
é difícil de ser controlada. Quando essas
contrações são causadas pela administração
de ocitocina, ela é suspensa imediatamente. A paciente
pode ser reposicionada e analgésicos podem ser administrados.
A terbutalina ou a ritodrina, drogas que ajudam a interromper
ou a retardar as contrações, pode ser administrada.
Fórceps e Vácuo Extrator
O fórceps é um instrumento
cirúrgico semelhante a um alicate que possui extremidades
arredondadas que são encaixadas em torno da cabeça
do feto. O vácuo extrator (extrator à vácuo)
é uma pequena ventosa em forma de taça feita
silastic (um material parecido com a borracha) que é
conectada a uma bomba de vácuo.
Essa ventosa é inserida na vagina
e colocada sobre a cabeça do feto. Em certos casos,
o fórceps é utilizado para ajudar no parto
ou para guiar a cabeça do feto. O fórceps
é necessário quando o feto entra em sofrimento
ou encontra-se em uma posição anormal ou quando
o trabalho de parto é prolongado. Ocasionalmente,
o trabalho de parto tornase mais longo quando a anestesia
impede que a mãe faça força adequadamente.
Em todos esses casos, o médico decide
entre o uso do fórceps e a realização
de uma cesariana. Quando um parto a fórceps é
tentado e ele é muito difícil (o médico
não consegue puxar mais forte sem lesar o concepto),
uma cesariana é realizada. Uma alternativa ao fórceps
é o vácuo extrator, um aparelho que aplica
uma sucção sobre a cabeça do feto.
Com este aparelho, o concepto é delicadamente
puxado para o exterior. O uso do fórceps pode provocar
contusões na face do concepto ou lacerações
na vagina da mãe. O vácuo extrator pode lesar
o couro cabeludo do concepto. No entanto, todas essas lesões
são incomuns.
Cesariana
A cesariana é o parto cirúrgico
através da incisão do abdômen e do útero
da mãe. Os médicos realizam este procedimento
quando o consideram mais seguro que o parto vaginal para
a mãe e/ou o bebê. Nos Estados Unidos, aproximadamente
22% dos partos são cesarianas. Os profissionais da
saúde envolvidos neste procedimento cirúrgico
são um obstetra, um anestesiologista, enfermeiros
e um neonatologista (especialista em recém-nascidos)
ou um profissional capaz de ressuscitar o recém-nascido
quando necessário.
A cesariana é segura por causa dos
grandes avanços da medicina em relação
aos anestésicos, medicamentos intravenosos, antibióticos
e transfusões de sangue. Fazer com que a mãe
caminhe um pouco logo após a cirurgia reduz o risco
de embolia pulmonar, na qual os coágulos sangüíneos
formados nos membros inferiores e na pelve deslocam-se até
os pulmões e obstruem artérias desses órgãos.
O parto por cesariana causa mais dor após a cirurgia
que um parto vaginal e exige uma estadia hospitalar mais
longa.
A incisão pode ser realizada na parte
superior do útero (incisão clássica)
ou na parte inferior (incisão no segmento inferior).
Geralmente, a incisão clássica somente é
utilizada quando a placenta encontra-se em posição
anormal (uma condição denominada placenta
prévia) ou quando o feto está posicionado
horizontalmente, atravessado no canal do parto. A perda
sangüínea é maior que a da incisão
no segmento inferior, pois a parte superior do útero
possui mais vasos sangüíneos. Além disso,
a cicatriz é mais fraca e, conseqüentemente,
a possibilidade dela abrir nas gestações seguintes
é um pouco maior.
A incisão no segmento inferior pode
ser horizontal ou vertical. Na maioria dos casos, é
realizada uma incisão horizontal. Geralmente, a incisão
vertical é realizada quando o feto encontra- se em
uma posição anormal. A escolha entre um parto
vaginal ou uma outra cesariana é geralmente oferecida
a mulheres que já sofreram uma incisão no
segmento inferior. O parto vaginal é bem sucedido
em três quartos dessas mulheres. No entanto, o parto
vaginal deve ser realizado somente em instituições
preparadas para a realização de cesariana,
pois existe uma pequena possibilidade da incisão
prévia abrir durante o trabalho de parto.
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