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Após o parto, o estado da mãe
é avaliado e, caso necessário, são
administrados medicamentos para aliviar a dor. Ela é
informada sobre as mudanças que deve esperar em seu
corpo, incluindo aquelas relacionadas à amamentação,
e sobre o tipo de contracepção que pode ser
utilizado no período puerperal (período pós-parto).
Ela é examinada antes de deixar o hospital e 6 semanas
mais tarde. Também são instituídas
medidas para prevenir e tratar complicações,
as quais são raras. As complicações
mais comuns são o sangramento excessivo, as infecções
do trato urinário e problemas com a amamentação.
O que Esperar após o
Parto Durante 6 a 8 semanas após o parto, a mãe
pode apresentar alguns sintomas leves e temporários à medida que
o seu organismo se readapta ao estado de não gravidez. Nas primeiras 24
horas, a freqüência de pulso cai e a temperatura pode aumentar discretamente.
Ela pode esperar uma secreção vaginal sangüinolenta durante
3 a 4 dias, a qual, no decorrer de 10 a 12 dias, tornase castanho clara e, finalmente,
branco amarelada. Os absorventes íntimos ou tampões,
trocados freqüentemente, podem ser utilizados para absorver a secreção.
Após o parto, o útero dilatado continua a contrair, tornando-se
progressivamente menor, até retornar ao seu tamanho normal. Essas contrações
irregulares muitas vezes são dolorosas e podem ser tratadas com analgésicos.
As contrações duram 5 a 7 dias e podem aumentar
de intensidade pela lactação, uma vez que o hormônio ocitocina,
liberado naturalmente neste período para iniciar o fluxo de leite (reflexo
de descida), também estimula as contrações uterinas. Após
5 a 7 dias, o útero normalmente está firme e não é
mais sensível à palpação, mas o médico ainda
consegue palpá-lo através da parede abdominal. Ele
está localizado a meio-caminho entre o osso púbico e o umbigo. Na
segunda semana após o parto, o útero não pode mais ser palpado.
Entretanto, o abdômen da mulher demora meses para voltar a ser plano como
era antes da gravidez, mesmo quando ela pratica exercícios. As estrias
podem permanecer perceptíveis durante um ano. No
Hospital A equipe hospitalar faz o máximo possível
para minimizar o risco de sangramento, dor e infecção da mãe.
Após a eliminação da placenta, a ocitocina é administrada
à paciente para estimular a contração do útero e o
seu abdômen é periodicamente massageado por um enfermeiro para ajudar
o útero a contrair. Esses procedimentos ajudam a assegurar que o útero
contrai e permanece contraído para evitar a hemorragia. Quando
a anestesia geral é utilizada durante o parto, a mãe é controlada
durante 2 a 3 horas após o parto, geralmente em uma sala de recuperação
bem equipada com sistemas de administração de oxigênio, de
reserva de sangue compatível e de perfusão de líquidos intravenosos.
Após as primeiras 24 horas, a recuperação é rápida.
A mãe pode ter uma dieta normal assim que desejar, algumas vezes logo após
o parto. Ela deve levantar-se e caminhar assim que possível.
Ela pode iniciar os exercícios de fortalecimento da musculatura abdominal,
freqüentemente no dia seguinte ao parto. As flexões abdominais com
os joelhos flexionados realizadas na cama são eficazes. Antes da alta hospitalar,
é realizado um hemograma completo da mãe para se assegurar que ela
não apresenta anemia. Quando um outro exame de sangue revela que ela nunca
teve rubéola, ela é vacinada no dia da alta hospitalar. Quando
o seu tipo sangüíneo é Rh-negativo e ela teve um filho com
tipo sangüíneo Rh-positivo, a imunoglobulina Rh0(D) é administrada
dentro dos 3 dias que sucedem o parto. Esta droga combinase com os anticorpos
produzidos pela mãe contra o sangue de seu filho e os destróem.
Esses anticorpos podem ameaçar as gestações futuras. A depressão
leve (depressão do pós-parto, freqüentemente denominada tristeza
do parto) é comum, manifestando-se geralmente nos 3 dias que sucedem o
parto e, comumente, durando menos de 2 semanas. Freqüentemente,
o suporte familiar é o melhor tratamento. A depressão combinada
com o desinteresse pelo filho, idéias suicidas ou violentas, alucinações
ou comportamento bizarro é considerada anormal e, geralmente, o tratamento
é necessário. A ocorrência da depressão grave é
mais provável em mulheres que apresentavam uma doença mental antes
da gravidez. Em Casa A mãe
e a criança geralmente deixam o hospital 24 horas após o parto quando
ambos estão saudáveis. De fato, muitos médicos dão
alta hospitalar para a mãe até 6 horas após o parto quando
ela não apresenta complicações e não foi submetida
à anestesia. Mesmo apesar dos problemas importanes serem raros, o médico,
a equipe hospitalar ou o plano de saúde geralmente programam uma visita
domiciliar ou um programa de acompanhamento rigoroso. A mãe
pode tomar duchas ou banhos de banheira, mas ela deve evitar as duchas vaginais
durante pelo menos 2 semanas após o parto. A lavagem da área em
torno da vagina com água morna 2 a 3 vezes ao dia ajuda a aliviar a dor.
A dor decorrente de uma episiotomia pode ser aliviada com banhos de assento mornos
realizados várias vezes ao dia durante o tempo que for necessário.
Quando a mãe solicita mais medicamentos analgésicos,
geralmente é prescrita a codeína e a aspirina quando ela não
está amamentando ou o acetaminofeno sem codeína quando ela estiver.
A produção de urina freqüentemente aumenta acentuadamente após
o parto, sobretudo quando a administração de ocitocina é
suspensa. Como a sensibilidade da bexiga pode estar diminuída após
o parto, a mulher deve urinar regularmente, pelo menos a cada 4 horas. Este procedimento
evita um enchimento excessivo da bexiga e ajuda a evitar infecções
do trato urinário. Quando necessário, ela pode
tomar laxantes para evitar a constipação, a qual pode causar hemorróidas.
As hemorróidas podem ser tratadas com banhos de assento mornos. As mamas
tornam-se ingurgitadas com leite durante os primeiros estágios da lactação
(produção de leite) e podem tornar-se duras e dolorosas. Quando
a mãe não vai amamentar o filho, podem ser prescritos medicamentos
que suprimem a produção de leite. Contudo, a produção
de leite reaparece quando ela deixa de usar o medicamento. Um
suporte firme para as mamas é útil, uma vez que o fato delas ficarem
pendentes estimula o fluxo de leite. Muitas mulheres que não amamentam
reduzem o desconforto apertando as mamas firmemente com um sutiã adequado
durante 3 a 5 dias, ingerindo bastante líquido e tomando aspirina ou acetaminofeno.
Os sintomas duram somente 3 a 5 dias. As mães que
não amamentam podem tomar medicamentos contra a insônia ou analgésicos.
As que amamentam devem utilizar quantidades limitadas dessas drogas porque a maioria
delas é secretada no leite materno. A mãe pode retomar as atividades
normais quando se sentir capaz. Ela pode voltar a ter relações sexuais
assim que ela desejar e se sinta confortável. Como a gravidez é
possível, contraceptivos devem ser utilizados ou a relação
sexual deve ser evitada. Os médicos geralmente aconselham
a mãe a não engravidar novamente durante vários meses após
o parto para que ela possa se recuperar completamente. Comumente, os contraceptivos
orais são iniciados após a primeira menstruação, independentemente
da mãe estar ou não amamentando. Alguns médicos recomendam
o início dos contraceptivos orais ainda mais cedo (na primeira semana após
o parto) para as mães que não estejam amamentando. O
diafragma pode ser colocado somente após o útero recuperar seu tamanho
normal, aproximadamente 6 a 8 semanas após o parto. Nesse interim, espumas,
géis e preservativos podem ser utilizados como contraceptivos quando a
mulher não estiver utilizando um contraceptivo oral. As mães que
não estão amamentando geralmente voltam a ovular (liberar um óvulo
do ovário) aproximadamente 4 semanas após o parto, antes da primeira
menstruação. No entanto, a ovulação pode ocorrer mais
cedo.
Algumas mulheres engravidaram em torno de
2 semanas após o parto. As mulheres que amamentam
tendem a voltar a ovular e a menstruar um pouco mais tarde,
geralmente 10 a 12 semanas após o parto. A mãe
que está amamentando pode ovular, menstruar e engravidar
com a mesma rapidez da mãe que não está
amamentando. Uma mulher que acabou de ser vacinada contra
a rubéola deve aguardar pelo menos 3 antes de engravidar
novamente, para evitar de colocar o feto em risco.
Infecções Puerperais
O médico suspeita que uma mulher apresenta
uma infecção puerperal (que ocorre no pós-parto)
quando ela está com uma temperatura de 38,3°C
ou mais em duas ocasiões distintas com um intervalo
mínimo de 6 horas depois das primeiras 24 horas após
o parto e quando não existe uma outra causa evidente
(p.ex., bronquite). Mesmo durante as primeiras 12 horas
após o parto, uma temperatura de 38,3°C ou mais
pode ser sinal de uma infecção, embora provavelmente
não o seja. As infecções relacionadas
diretamente ao parto ocorrem no útero, na área
que circunda o útero ou na vagina. Infecções
renais também podem ocorrer logo após o parto.
Outras causas de febre (p.ex., coágulos sangüíneos
nos membros inferiores ou uma infecção mamária)
tendem a ocorrer 4 dias ou mais após o parto.
Infecções
UTERINAS
As infecções puerperais geralmente
começam no útero. Uma infecção do saco amniótico
(as membranas que contêm feto e o líquido amniótico que o
envolve) e a febre durante o trabalho de parto podem resultar em uma endometrite
(infecção do revestimento uterino), em uma miometrite (infecção
da musculatura uterina) ou em uma parametrite (infecção das áreas
em torno do útero). Causas e Sintomas Em
determinadas condições, as bactérias que vivem na vagina
saudável podem causar uma infecção após o parto. Essas
condições, as quais aumentam a vulnerabilidade da mulher às
infecções, incluem a anemia, a pré-eclâmpsia (hipertensão
arterial, proteinúria [presença de proteínas na urina] e
o edema [retenção líquida] durante a gestação),
exames ginecológicos repetidos, um tempo superior a 6 horas entre a ruptura
das membranas e o parto, o trabalho de parto prolongado, a cesariana, a retenção
de fragmentos da placenta dentro do útero após o parto e a hemorragia
puerperal (sangramento excessivo após o parto). Os
calafrios, a cefaléia, a sensação de mal-estar generalizado
e a perda de apetite são comuns. Geralmente, a mulher apresenta palidez,
aumento da freqüência cardíaca e um número anormalmente
elevado de leucócitos. O útero tornase edemaciado, doloroso e macio.
A secreção do útero, a qual pode variar em quantidade, é
fétida. Quando os tecidos que circundam o útero são afetados,
a dor e a febre são intensas. Os tecidos inflamados mantêm o útero
doloroso e volumoso fixo no lugar. As complicações
podem incluir a peritonite (inflamação do revestimento abdominal)
e a tromboflebite pélvica (coágulos sangüíneos nas veias
pélvicas), com o risco de embolia pulmonar (deslocamento de coágulos
sangüíneos até os pulmões). As toxinas (substâncias
venenosas) produzidas pelas bactérias que causam as infecções
podem atingir níveis elevados na corrente sangüínea (endotoxemia),
podendo levar ao choque tóxico, uma condição potencialmente
letal na qual a pressão arterial cai dramaticamente e a freqüência
cardíaca aumenta. O choque tóxico pode acarretar uma lesão
renal grave e inclusive a morte. Diagnóstico
e Tratamento
Para diagnosticar uma infecção,
o médico examina os pulmões e o útero
da mulher e solicita a realização de culturas
de amostras da urina e da secreção uterina.
Ele tenta prevenir ou tratar as condições
que podem acarretar infecções. O parto vaginal
raramente causa uma infecção. Quando ela ocorre,
geralmente é realizada a administração
intravenosa de um antibiótico até a mulher
não apresentar febre por 48 horas.
Infecção
Renal A pielonefrite (infecção renal),
causada por bactérias que se disseminam a partir da bexiga, pode ocorrer
após o parto. Algumas vezes, a infecção é decorrente
da passagem de uma sonda na bexiga para eliminar a urina acumulada durante e após
o trabalho de parto. A infecção pode iniciar durante a gestação,
com a presença de bactérias na urina mas sem sintomas. Quando
os sintomas ocorrem, eles podem incluir a febre alta, a dor na região lombar
ou no flanco, uma sensação de mal-estar generalizado, a constipação
e, ocasionalmente, a dor à micção. Geralmente, é realizada
a administração intravenosa de um antibiótico até
a mulher não apresentar febre por 48 horas. É realizado o exame
de amostras de urina para a identificação das bactérias e
o antibiótico é trocado quando as bactérias apresentam resistência
a ele.
A mulher continua o tratamento com antibióticos
orais por 2 semanas após deixar o hospital. A ingestão
de grandes volumes de líquido ajuda a manter uma
boa função renal. Uma outra amostra de urina
é examinada 6 a 8 semanas após o parto, para
se verificar a não permanência de qualquer
bactéria.
Outras
Infecções Puerperais A febre que
se manifesta 4 a 10 dias após o parto pode indicar a presença de
uma tromboflebite de safena (presença de um coágulo sangüíneo
no membro inferior), a qual é tratada com calor, enfaixamento e elevação
do membro. Anticoagulantes podem ser necessários. A tuberculose latente
pode ser reativada após o parto e é tratada com antibióticos.
A febre que ocorre mais de 10 dias após
o parto é freqüentemente causada por uma mastite
(infecção mamária), embora a cistite
(infecção da bexiga) também seja comum.
Essas infecções são tratadas com antibióticos.
Uma mãe com uma infecção mamária
deve continuar a amamentação porque ela reduz
o risco de formação de um abcesso mamário.
Esses abcessos são raros, são tratados com
antibióticos e, geralmente, são drenados cirurgicamente.
Hemorragia Puerperal A hemorragia puerperal
é a perda superior a meio litro de sangue durante ou após o terceiro
estágio do trabalho de parto, quando a placenta é expulsa. Este
distúrbio é a terceira causa mais comum de morte materna durante
o parto, após as infecções e complicações da
anestesia. As causas de hemorragia puerperal variam e a maioria delas é
evitável. Uma das causas é o sangramento da área onde a placenta
descola do útero. Esse sangramento pode ocorrer quando
o útero não contrai adequadamente por ter sido distendido excessivamente,
pelo trabalho de parto prolongado ou anormal, pelas múltiplas gestações
ou pela administração de um anestésico miorrelaxante durante
o trabalho de parto. A hemorragia puerperal também
pode ser causada por lacerações produzidas por um parto espontâneo,
por tecido (em geral partes da placenta que não descolaram adequadamente)
que não foi expelido durante o parto ou por uma concentração
sangüínea baixa de fibrinogênio (um importante fator de coagulação
do sangue). A perda sangüínea grave geralmente ocorre logo após
o parto, mas pode ocorrer até um mês mais tarde. Prevenção
e Tratamento Antes da mulher entrar em trabalho de parto,
o médico institui medidas para evitar a hemorragia puerperal. Uma delas
consiste no tratamento de doenças como a anemia. Uma outra é a obtenção
do máximo possível de informações relevantes sobre
a gestante. Por exemplo, saber que a mulher possui uma quantidade maior de líquido
amniótico, uma gestação múltipla (p.ex., gestação
gemelar), um tipo sangüíneo incomum ou se ela apresentou episódios
anteriores de hemorragia puerperal pode permitir ao médico preparar-se
para enfrentar possíveis distúrbios hemorrágicos. O
médico tenta intervir no parto o mínimo possível. Após
a placenta ter descolado do útero, é administrada ocitocina à
mulher para ajudar o útero a contrair e reduzir a perda sangüínea.
Quando a placenta não descola espontaneamente até 30 minutos após
a liberação do concepto, o médico a remove manualmente. Quando
a expulsão foi incompleta, ele remove os fragmentos remanescentes manualmente.
Em casos raros, fragmentos infectados da placenta ou de outros tecidos devem ser
removidos cirurgicamente (por curetagem). Após a expulsão
da placenta, a mulher é monitorizada por pelo menos uma hora para se assegurar
que o útero contraiu e também para se avaliar o sangramento vaginal.
Quando ocorre um sangramento intenso, o abdômen da mulher é massageado
para auxiliar a contração do útero e, a seguir, a ocitocina
é administrada continuamente através de um cateter intravenoso.
Quando o sangramento persiste, a mulher pode necessitar de transfusão sangüínea.
O útero pode ser examinado, verificando-se a presença
de lesões ou de fragmentos retidos de placenta e de outros tecidos. Esses
tecidos podem ser removidos cirurgicamente. Ambos os procedimentos exigem o uso
de um anestésico. O colo do útero e a vagina também são
examinados. Uma prostaglandina pode ser injetada na musculatura uterina para ajudar
na sua contração.
Quando o útero não pode ser
estimulado para que contraia e reduza a hemorragia, pode
ser necessária a realização de uma
ligadura de artérias que levam sangue ao útero.
Devido à abundante irrigação sangüínea
da pelve, este procedimento não produz um efeito
duradouro após o sangramento ser controlado. A histerectomia
(remoção do útero) é raramente
necessária.
Inversão
Uterina A inversão uterina é um distúrbio
no qual o corpo do útero vira do avesso, protruindo através do colo
do útero até o interior da vagina ou inclusive além da abertura
vaginal. Trata-se de um distúrbio muito pouco freqüente. A inversão
uterina geralmente ocorre quando um atendente inexperiente aplica pressão
excessiva sobre o fundo do útero ou puxa com muita força o cordão
de uma placenta que ainda não descolou. A inversão
uterina é uma urgência médica e pode acarretar choque, infecção
e morte. Para que o útero volte ao estado normal (seja reinvertido), o
médico o empurra de volta através do canal vaginal, coloca uma sonda
no interior da vagina e mantém o orifício vaginal fechado. A seguir,
ele instila solução salina do interior do útero através
da sonda para expandir a vagina e reinverter o útero. A cirurgia raramente
é necessária. Geralmente, a mulher recupera- se totalmente após
este procedimento. |