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Os defeitos congênitos (defeitos de nascença)
são anomalias físicas presentes ao nascimento.
Aproximadamente 3 a 4% dos recém-nascidos apresentam
um defeito congênito importante, sendo que alguns
desses defeitos são descobertos apenas durante o
crescimento. Um defeito congênito é diagnosticado
em aproximadamente 7,5% das crianças em torno dos
5 anos, mas muitos desses defeitos são insignificantes.
Não causa surpresa o fato dos defeitos congênitos
serem razoavelmente comuns, considerando-se a complexidade
do desenvolvimento de milhões de células especializadas
que constituem um ser humano a partir de um único
óvulo fecundado.
Muitas anormalidades importantes podem ser diagnosticadas
antes do nascimento. Os defeitos congênitos variam
de leves a graves e muitos podem ser tratados ou reparados.
Embora alguns sejam tratáveis enquanto o feto ainda
se encontra no interior do útero, a maioria é
tratada após o parto ou posteriormente. Algumas anomalias
não necessitam de tratamento. Outras não podem
ser tratadas e; conseqüentemente, a criança
torna-se gravemente incapacitado de modo permanente.
Causas e Riscos
Embora a causa da maioria dos defeitos congênitos
seja desconhecida, certos fatores sabidamente aumentam o
risco de sua ocorrência. Esses fatores incluem as
deficiências nutricionais, a radiação,
certas drogas, o álcool, certos tipos de infecção
e outras doenças maternas, traumatismos e distúrbios
hereditários.
Alguns riscos são evitáveis e outros não.
Ainda assim, uma mulher grávida pode seguir todas
as recomendações para conceber uma criança
saudável (p.ex., alimentação adequada,
repouso suficiente e evitando o uso de drogas) e ter um
filho com um defeito congênito. Uma outra mulher pode
fazer várias coisas que podem prejudicar o feto e
dá à luz a um filho sem qualquer defeito congênito.
Teratógenos
Qualquer fator ou substância que pode induzir ou aumentar
o risco de um defeito congênito é chamado de
teratógeno. A radiação e certas drogas
e venenos (toxinas) são teratógenos. Diferentes
teratógenos podem causar defeitos similares quando
a exposição a eles ocorre em um determinado
momento do desenvolvimento fetal. Por outro lado, a exposição
ao mesmo teratógeno em momentos diferentes da gestação
pode produzir defeitos diferentes. Geralmente, uma mulher
grávida deve consultar seu médico antes de
tomar qualquer remédio; não deve fumar ou
consumir álcool; e não deve se submeter a
exames radiográficos, excetuando-se quando eles forem
absolutamente necessários. Quando é necessária
a realização de uma radiografia, a gestante
deve informar imediatamente o radiologista ou o técnico
sobre o seu estado, de modo que o feto seja protegido o
máximo possível.
As infecções contraídas durante a gestação
também podem ser teratogênicas, especialmente
a rubéola. Uma mulher que não teve rubéola
deve ser vacinada contra a mesma antes de tentar engravidar.
A mulher grávida que não teve rubéola
e nem foi vacinada contra a mesma deve evitar o contato
com qualquer pessoa que possa ter tido a doença.
Uma mulher grávida que foi exposta a um teratógeno
pode desejar que seja investigado se o seu feto foi afetado.
No entanto, a maioria das mulheres grávidas expostas
a esses riscos gera filhos sem anomalias.
Fatores Nutricionais
Para manter um feto saudável, é necessário
não somente evitar os possíveis teratógenos,
mas também manter uma dieta adequada. Uma substância
necessária para o desenvolvimento adequado é
o folato (ácido fólico). Uma quantidade de
folato insuficiente na dieta aumenta o risco do feto apresentar
espinha bífida ou outros defeitos do tubo neural.
Contudo, como a espinha bífida pode ocorrer no feto
em desenvolvimento antes da mulher saber que está
grávida, as mulheres em idade fértil devem
consumir pelo menos 400 microgramas de folato por dia. A
maioria dos médicos aconselham as gestantes a tomar
suplementos vitamínicos em quantidades apropriadas
além de consumir uma dieta nutritiva.
Fatores Físicos do Útero
O líquido amniótico envolve o feto no interior
do útero, protegendo-o contra lesões. Uma
quantidade anormal de líquido amniótico pode
indicar ou causar certos defeitos congênitos. Uma
quantidade excessivamente pequena de líquido amniótico
pode interferir no desenvolvimento normal dos pulmões
e dos membros ou pode indicar uma anomalia renal que está
reduzindo a produção de urina. Pode ocorrer
um acúmulo de líquido amniótico quando
o feto apresenta dificuldade de deglutição,
a qual pode ser causada por um distúrbio cerebral
grave (p.ex., anencefalia) ou por uma atresia do esôfago.
Fatores Genéticos e Cromossômicos
Alguns defeitos congênitos são herdados pelo
recebimento de genes anormais de um ou de ambos os pais.
Outros são causados por alterações
(mutações) espontâneas e inexplicáveis
que ocorrem nos genes. Outros defeitos são decorrentes
de uma anomalia cromossômica (p.ex., ausência
de um cromossomo ou presença de um cromossomo extra).
Quanto mais velha for a gestante (sobretudo quando ela possui
mais de 35 anos), maior o risco do feto apresentar uma anomalia
cromossômica. Muitas anomalias cromossômicas
podem ser detectadas precocemente na gestação.
Defeitos Cardíacos
Um em cada 120 recém-nascidos apresenta
um defeito cardíaco, muitos dos quais não
são graves. Os defeitos cardíacos congênitos
podem envolver a formação anormal de suas
paredes ou válvulas ou dos vasos sangüíneos
que suprem o coração. Um defeito cardíaco
geralmente faz com que o sangue flua através de uma
via anormal, algumas vezes desviando dos pulmões,
onde ele é enriquecido com oxigênio. O sangue
rico em oxigênio é fundamental para o crescimento,
o desenvolvimento e as atividades normais. Alguns defeitos
cardíacos causam problemas graves que exigem um tratamento
de urgência ou de emergência, geralmente cirúrgico.
Para diagnosticar um defeito cardíaco em crianças
são utilizadas as mesmas técnicas utilizadas
para os adultos. crianças com um defeito cardíaco,
o fluxo sangüíneo anormal comumente produz um
sopro (som anormal que pode ser auscultado com o auxílio
de um estetoscópio). Para determinar a natureza específica
do defeito, a eletrocardiografia (ECG), uma radiografia
torácica e a ultra-sonografia (ecocardiografia) são
geralmente utilizadas. Muitos defeitos cardíacos
podem ser corrigidos cirurgicamente. O momento para a realização
da cirurgia depende do defeito específico, de seus
sintomas e de sua gravidade.
Defeitos dos
Septos Ventricular e Atrial
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Defeitos dos Septos Atrial e Ventricular
Os defeitos dos septos atrial e ventricular
são
orifícios nas paredes (septos) que separam o coração
em um lado esquerdo e em um lado direito.
Os defeitos do septo atrial localizam-se entre
os átrios (câmaras superiores do coração),
os
quais recebem o sangue. Os defeitos do septo
ventricular localizam-se entre os ventrículos (câmaras
inferiores do coração), os quais bombeiam
o sangue.
Em ambos os tipos, o sangue que retorna ao
coração oriundo dos pulmões não
segue o circuito
completo. Ele é enviado de volta aos pulmões
ao invés de ser bombeado para o resto do organismo.
Conseqüentemente, a quantidade de sangue
nos vasos sangüíneos pulmonares aumenta, acarretando
dificuldade respiratória, dificuldade para
se alimentar, sudorese e, em algumas crianças, dificuldade
de ganhar peso normalmente. Esses sintomas
são mais comuns em crianças que apresentam
um defeito do septo ventricular. Um defeito
do septo atrial, o qual é geralmente detectado após
a infância, produz sintomas menos dramáticos.
Para algumas crianças, além da eletrocardiografia,
da ultra-sonografia e da radiografia, pode ser
necessária a realização de exames diagnósticos
adicionais (p.ex., cateterismo cardíaco). Os defeitos
dos septos atrial e ventricular podem ser
reparados cirurgicamente.
Persistência do Canal Arterial
A persistência do canal arterial
(ductus arteriosus) é uma conexão entre a
aorta (a grande artéria que conduz o sangue oxigenado
para o corpo) e a artéria pulmonar (a artéria
que conduz o sangue pobre em oxigênio para os pulmões).
O canal arterial permite que o sangue desvie dos pulmões.
No feto, esta função é fundamental
porque o feto não respira ar e, conseqüentemente,
não necessita que o sangue circule através
dos pulmões para ser oxigenado. Mas, a partir do
nascimento, o sangue precisa fluir pelos pulmões
para ser oxigenado. No entanto, ao nascimento, o sangue
deve fluir para os pulmões para ser oxigenado. Normalmente,
o canal arterial fecha muito rapidamente, no primeiro ou
segundo dia após o nascimento. Quando ele permanece
aberto, o sangue destinado ao organismo pode ser retornado
aos pulmões, sobrecarregando os vasos sangüíneos
pulmonares. Conseqüentemente, alguns lactentes apresentam
insuficiência cardíaca, a qual manifesta-se
através da dificuldade respiratória, do aumento
da freqüência cardíaca e da incapacidade
de ganhar peso.
Quando o canal arterial permanece aberto, um recém-nascido
a termo pode apresentar insuficiência cardíaca
várias semanas após o nascimento. Nestes casos,
o canal arterial deve ser fechado cirurgicamente. Mais comumente,
o canal aberto é detectado quando o sopro que ele
produz é auscultado com o auxílio de um estetoscópio.
Nestes casos, o canal arterial é fechado através
de uma cirurgia eletiva, quando a criança tiver aproximadamente
1 ano de idade, basicamente para evitar uma infecção
grave mais tarde.
O canal arterial permanece aberto nos recém-nascidos
prematuros muito mais comumente que em recém-nascidos
a termo. Nos recém-nascidos prematuros o fluxo sangüíneo
extra para os pulmões pode interferir na função
cardíaca e, mais importante, na função
pulmonar, os quais são imaturos. Nestes casos, a
restrição líquida, a indometacina ou
a cirurgia podem ser utilizadas para fechar o canal arterial.
Persistência
do Canal Arterial
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Estenose da Válvula Aórtica
A estenose da válvula aórtica
é o estreitamento
da válvula, a qual, ao abrir-se, permite a passagem
do sangue do ventrículo esquerdo para a
aorta e, a seguir, para todo o corpo.
Normalmente, a válvula é formada por três
folhetos (cúspides) que se abrem e fecham para permitir
a passagem do sangue. Na estenose, a
válvula aórtica geralmente possui apenas dois
folhetos, resultando em uma menor abertura e
dificultando a passagem do sangue. Conseqüentemente,
o ventrículo esquerdo deve bombear
com uma força superior à normal para impulsionar
o sangue através da válvula. Em algumas
crianças com estenose da válvula aórtica,
a obstrução
é suficientemente grave a ponto de exigir
a correção cirúrgica, mas este tipo
de obstrução
é mais comum em adultos. Alguns
poucos lactentes apresentam insuficiência cardíaca
e um fluxo sangüíneo inadequado para o
resto do corpo. Esses lactentes devem ser submetidos
a um tratamento de emergência, o qual
geralmente inclui medicamentos e cirurgia de
emergência ou um procedimento denominado
valvuloplastia com balão, no qual a válvula
é
dilatada e lacerada com um cateter que possui
um balão em sua extremidade. Nas crianças
maiores, pode ser necessária a realização
da
abertura cirúrgica da válvula ou a sua substituição
por uma prótese valvular (válvula artificial),
embora seja possível a realização de
outros
procedimentos em alguns pacientes.
Estenose da Válvula Pulmonar
A estenose da válvula pulmonar
é um estreitamento
desta válvula, a qual abre-se para permitir
que o sangue passe do ventrículo direito para
os pulmões.
Nos recém-nascidos, a gravidade da estenose da
válvula pulmonar varia, podendo ser leve e não
exigir tratamento ou grave e potencialmente letal.
Na maioria das crianças com estenose da válvula
pulmonar, a válvula apresenta uma estenose
discreta ou moderada, fazendo com que o
ventrículo direito bombeie com mais força
e a
uma pressão mais elevada para impulsionar o
sangue através da válvula. Quando o distúrbio
é
moderadamente grave, condição confirmada
através do exame físico, da eletrocardiografia,
da ultra-sonografia e, ocasionalmente, do
cateterismo cardíaco, a válvula pode ser aberta
com o auxílio de um cateter plástico que possui
um balão em sua extremidade, o qual é passado
através de uma veia do membro inferior. Quando
a válvula é malformada, pode ser necessária
a realização de uma cirurgia de reconstrução.
Quando a obstrução é muito mais grave,
a
quantidade de sangue que flui para os pulmões
para ser oxigenado é extremamente pequena. A
pressão aumenta no ventrículo e no átrio
direitos,
forçando o sangue pobre em oxigênio
(azulado) através da parede localizada entre os
átrios direito e esquerdo. A seguir, o sangue passa
para o ventrículo esquerdo e é bombeado para
a aorta, a qual o transporta para o resto do corpo.
Conseqüentemente, o lactente apresenta
cianose (coloração azulada). Quando isto ocorre,
é administrada uma droga (uma prostaglandina),
como o alprostadil, para manter o canal
arterial aberto até que o cirurgião possa
criar
uma conexão entre a aorta e a artéria pulmonar,
abrir a válvula pulmonar cirurgicamente ou, em
alguns casos, realizar ambos os procedimentos.
Isto permite que o sangue desvie da válvula
estenosada e flua para os pulmões para ser oxigenado.
Algumas dessas crianças devem ser submetidas
a uma nova cirurgia quando mais velhas.
Coarctação da Aorta
A coarctação da aorta é
uma estenose da aorta,
geralmente em um ponto onde o canal arterial
une-se a ela e esta roda para descer até a parte
inferior do tórax e ao abdômen.
A aorta é a grande artéria que transporta
o
sangue oxigenado do coração para todas as
partes
do corpo. A coarctação da aorta reduz o fluxo
sangüíneo para a metade inferior do corpo.
Por essa razão, os pulsos são mais fracos
e a
pressão arterial é mais baixa que o normal
nos
membros inferiores e os pulsos tendem a ser
mais fortes e a pressão arterial mais elevada nos
membros superiores. Para a maioria dos recém-nascidos,
a coarctação da aorta não causa problemas.
Algumas crianças apresentam cefaléias
(dores de cabeça) ou epistaxe (sangramento
nasal) em decorrência da elevada pressão arterial
nos membros superiores e dores nos membros
inferiores durante a prática de exercícios
em virtude da baixa pressão arterial nos membros
inferiores, mas a maioria é assintomática.
A maioria das crianças com coarctação
da aorta
também apresenta uma válvula aórtica
anormal,
a qual possui apenas dois folhetos ao invés dos
três folhetos normais.
A coarctação da aorta é detectada durante
exame físico em função de determinadas
alterações
do pulso e da pressão arterial. O diagnóstico
é confirmado através de radiografias,
da eletrocardiografia e da ultra-sonografia (ecocardiografia).
Este defeito deve ser reparado
cirurgicamente no início da infância, para
diminuir
a sobrecarga do ventrículo esquerdo, o qual
deve bombear com uma maior força que o normal
para impulsionar o sangue através da aorta
estenosada, assim como para evitar problemas
futuros (p.ex., hipertensão arterial). Geralmente,
a cirurgia é realizada quando a criança atinge
a idade pré-escolar (geralmente entre os 3 e
5 anos de idade).
Entre alguns dias após o nascimento e a segunda
semana de vida, alguns lactentes com
coarctação da aorta apresentam insuficiência
cardíaca grave após o fechamento do canal
arterial.
Eles apresentam uma intensa dificuldade
respiratória e tornam-se extremamente pálidas.
Os exames de sangue revelam um aumento significativo
do nível de ácido no sangue (acidose
metabólica). Esta condição é
potencialmente
letal e exige atenção médica imediata
para o estabelecimento
do diagnóstico correto e a instituição
do tratamento adequado. O tratamento inclui a administração
de uma prostaglandina (p.ex.,
alprostadil) para reabrir o canal arterial, outros
medicamentos de suporte cardíaco e a cirurgia
de emergência de reparação da aorta.
Esta cirurgia
pode salvar a vida de um recém-nascido. Para
algumas crianças, a cirurgia deve ser repetida
quando elas tornam-se maiores. Problemas
comumente associados (p.ex., uma válvula aórtica
com apenas dois folhetos, estenose aórtica, válvula
mitral anormal ou defeito do septo ventricular)
também podem exigir tratamento.
Transposição dos Troncos
Arteriais
A transposição dos troncos
arteriais é uma inversão
das conexões normais da aorta e da artéria
pulmonar com o coração.
Normalmente, a artéria pulmonar transporta
o sangue pobre em oxigênio do ventrículo direito
até os pulmões e a aorta conduz o sangue
oxigenado do ventrículo esquerdo para o
restante do corpo. Na transposição dos troncos
arteriais, o sangue pobre em oxigênio, ao
retornar do corpo, flui do ventrículo direito para
a aorta, a qual o transporta de volta ao corpo,
desviando dos pulmões. O lactente possui
muito sangue oxigenado, mas este sangue
recircula através dos pulmões ao invés
de ser
transferido para o restante do corpo.
Os lactentes com este defeito podem sobreviver
durante um breve período após o nascimento
por causa de um pequeno orifício existente
entre os átrios direito e esquerdo (forame oval)
que está normalmente presente ao nascimento.
Este orifício permite que um pequeno volume
de sangue oxigenado dos pulmões seja transportado
do átrio esquerdo para o átrio direito e,
em
seguida, para o ventrículo direito e a aorta, fornecendo
desta forma oxigênio suficiente ao organismo
para manter o lactente vivo.
O diagnóstico geralmente é estabelecido imediatamente
após o nascimento através do exame físico,
de radiografias, da eletrocardiografia e da ultrasonografia.
Geralmente, é realizada uma cirurgia nos
primeiros dias de vida. O procedimento consiste na
conexão da aorta e da artéria pulmonar aos
ventrículos adequados e no reimplante das artérias
coronárias (as quais irrigam o coração)
na aorta,
após esta ser reposicionada. Antes da cirurgia, em
alguns lactentes, pode ser necessária a administração
de uma prostaglandina (p.ex., alprostadil) para
manter o canal arterial aberto. Em outros, pode ser
necessária a dilatação do orifício
existente entre os átrios, a qual é realizada
com um cateter com balão,
o que permite que uma maior quantidade de sangue
oxigenado chegue à aorta.
Síndrome do Ventrículo
Esquerdo Subdesenvolvido
Este defeito congênito também
é denominado síndrome do coração
esquerdo hipoplásico. A principal função
do ventrículo esquerdo é bombear o sangue
para o corpo. Quando as câmaras esquerdas do coração
e suas válvulas apresentam um hipodesenvolvimento
grave ou estão ausentes, o fluxo sangüíneo
normal para o corpo não pode ser mantido. Ao nascimento,
o recémnascido parece normal porque o sangue pode
fluir do ventrículo direito para o corpo através
do canal arterial aberto. No entanto, quando este se fecha,
ocorre o desenvolvimento de uma insuficiência cardíaca
grave. A maioria dos lactentes que apresentam este quadro
morre.
Tetralogia de Fallot
A tetralogia de Fallot é uma combinação
de defeitos cardíacos que consiste em um grande defeito
do septo ventricular, em um nascimento anormal da aorta
que permite que o sangue pobre em oxigênio flua diretamente
do ventrículo direito para a aorta, em um estreitamento
da via de saída do lado direito do coração
e em um espessamento da parede do ventrículo direito.
Os lactentes com tetralogia de Fallot geralmente apresentam
um sopro cardíaco ao nascimento ou logo após.
Eles apresentam cianose (coloração azulada)
porque o sangue que circula através do corpo não
é suficientemente oxigenado. Isto ocorre porque a
passagem de saída estreitada do ventrículo
direito reduz o fluxo sangüíneo para os pulmões
e o sangue pobre em oxigênio (azul) do ventrículo
direito passa para o ventrículo esquerdo e a aorta
através do defeito septal e circula pelo corpo. Alguns
lactentes permanecem estáveis, apresentando apenas
uma cianose discreta, de modo que a cirurgia de reparação
pode ser realizada posteriormente na infância. Outros
apresentam sintomas graves que interferem no crescimento
e no desenvolvimento normais. Estes lactentes podem apresentar
episódios de piora súbita da cianose em resposta
a alguma atividade (p.ex., choro ou evacuação).
O lactente apresenta cianose intensa, dificuldade respiratória
e pode perder a consciência. Quando um lactente apresenta
um desses episódios, pode ser realizada a administração
de oxigênio e de morfina. O propranolol pode ser utilizado
para evitar a ocorrência de outros episódios.
No entanto, esta criança necessita de uma cirurgia,
para reparar a tetralogia ou para criar uma conexão
artificial temporária entre a aorta e a artéria
pulmonar para aumentar a quantidade de sangue que chega
aos pulmões para ser oxigenado.
A reparação cirúrgica do problema consiste
na correção do defeito do septo ventricular,
na abertura da via de saída estreitada do ventrículo
direito e da válvula pulmonar estenosada e no fechamento
de qualquer conexão artificial que tenha sido criada
entre a aorta e a artéria pulmonar.
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Defeitos Gastrointestinais
Um defeito congênito pode ocorrer em
qualquer ponto ao longo do trato gastrointestinal (esôfago,estômago,
intestino delgado, intestino grosso, reto ou ânus).
Na maioria dos casos, o defeito consiste em um desenvolvimento
incompleto de um órgão, o qual freqüentemente
causa uma obstrução. Geralmente, os defeitos
gastrointestinais devem ser corrigidos cirurgicamente.
Atresia do Esôfago
A atresia do esôfago é o desenvolvimento
incompleto do esôfago.
Na atresia do esôfago, o esôfago estreita
ou termina em um fundo de saco. Ele não se conecta
com o estômago como deveria. A maioria dos recém-nascidos
com atresia do esôfago também apresenta uma
fístula traqueoesofágica, uma conexão
anormal entre o esôfago e a traquéia.
Geralmente, o recém-nascido com atresia do esôfago
apresenta uma salivação abundante, tosse quando
tenta deglutir e apresenta cianose (coloração
azulada da pele). A fístula traqueoesofágica
permite a entrada da saliva nos pulmões quando o
bebê deglute. Isto o expõe a um risco de apresentar
uma pneumonia por aspiração.
Quando o estado do lactente estabiliza, é realizada
uma cirurgia de correção da atresia do esôfago
e de fechamento da fístula traqueoesofágica.
Antes de corrigir o problema cirurgicamente, o médico
tenta evitar a pneumonia por aspiração suspendendo
a alimentação oral e colocando uma sonda de
aspiração contínua na parte superior
do esôfago, para que a saliva seja aspirada antes
de atingir os pulmões. A alimentação
é administrada pela via intravenosa.
Atresia
do Esôfago e Fístula Esofágica
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Hérnia Diafragmática
A hérnia diafragmática é um defeito
no diafragma que permite a protrusão de parte de
alguns órgãos abdominais para o interior da
cavidade torácica.
A hérnia diafragmática geralmente ocorre em
um lado do corpo, sendo mais freqüente no lado esquerdo.
O estômago, as alças intestinais e mesmo o
fígado e o baço podem protruir através
da hérnia. Quando a hérnia é grande,
o desenvolvimento do pulmão do lado afetado pode
ser incompleto.
Após o parto, enquanto o recém-nascido chora
e respira, as alças intestinais enchem-se rapidamente
de ar e convertem-se em uma massa que cresce rapidamente
e exerce pressão sobre o coração, comprimindo
o outro pulmão e causando
A hérnia diafragmática
é um defeito no diafragma que permite a protrusão
de parte de alguns órgãos abdominais para
o interior da cavidade torácica. dificuldade respiratória.
Nos casos graves, a dificuldade respiratória ocorre
imediatamente.
Quando este defeito é diagnosticado antes do nascimento
(através da ultra-sonografia), o concepto é
intubado com um tubo respiratório ao nascer. A cirurgia
é necessária para reparar o diafragma.
Doença de Hirschsprung
Na doença de Hirschsprung (megacólon congênito),
uma porção do intestino grosso não
possui a rede nervosa que controla as contrações
rítmicas do intestino.
O intestino grosso depende de uma rede de nervos no interior
de suas paredes que sincroniza as contrações
rítmicas e permite o deslocamento do alimento em
seu interior. Sem os nervos, o intestino não consegue
contrair normalmente. As fezes refluem, acarretando uma
constipação grave e, algumas vezes, o vômito.
A doença de Hirschsprung grave deve ser tratada rapidamente
para prevenir uma complicação potencialmente
fatal, a enterocolite tóxica, na qual se produz uma
diarréia grave. O procedimento cirúrgico consiste
em conectar a extremidade inferior da parte normal do intestino
a uma colostomia (abertura na parede abdominal). As fezes
então podem ser eliminadas através da colostomia
em uma bolsa coletora, restaurando a função
gastrointestinal normal. A porção anormal
do intestino é mantida desconectada do restante do
intestino. Quando a criança é maior, a porção
anormal do intestino é removida e o intestino normal
é conectado ao reto e ao ânus.
Onfalocele
A onfalocele é um defeito
no centro da parede abdominal através do qual protruem
os órgãos abdominais.
Através de uma onfalocele, pode ocorrer a protrusão
de quantidades variáveis do intestino e de outros
órgãos abdominais, dependendo do tamanho do
defeito. Para evitar a lesão intestinal e a infecção
abdominal, o médico repara o defeito o mais rapidamente
possível.
Atresia Anal
A atresia anal é o desenvolvimento incompleto
do ânus.
O médico pode detectar a atresia anal durante o exame
físico inicial do recém-nascido, pois o defeito
geralmente é evidente. Quando o diagnóstico
não é realizado durante o exame de rotina,
ele geralmente pode ser detectado após o recém-nascido
ser alimentado, pois o recémnascido rapidamente apresenta
sinais de obstrução intestinal.
A maioria dos lactentes com atresia anal também apresenta
algum tipo de conexão anormal (fístula) entre
a bolsa anal e a uretra, o períneo ou a bexiga. Através
de radiografias, um radiologista pode diagnosticar o tipo
de fístula. Esta informação é
utilizada para se determinar a melhor maneira de se corrigir
cirurgicamente o defeito.
Atresia Biliar
A atresia biliar é um defeito no qual as vias
biliares não se desenvolveram ou o fizeram de forma
anormal.
A bile (um líquido secretado pelo fígado)
transporta os produtos da degradação metabólica
do fígado e também ajuda na metabolização
das gorduras no intestino delgado. Os ductos biliares no
interior do fígado coletam a bile e a transportam
até o intestino. Na atresia biliar, os ductos biliares
desenvolvem-se apenas parcialmente ou estão ausentes.
Em conseqüência, a bile não pode chegar
ao intestino e, ao invés disto, ela acumula-se no
interior do fígado. Finalmente, a bile acumulada
passa para o sangue e causa icterícia.
Sintomas e Diagnóstico
Nos lactentes com atresia biliar, a urina torna-se cada
vez mais escura, as fezes tornam-se pálidas e a pele
cada vez mais ictérica. Esses sintomas, juntamente
com o aumento de tamanho do fígado, são geralmente
observados pela primeira vez aproximadamente 2 semanas após
o nascimento. No 2o ou 3o mês de vida, o lactente
pode apresentar um hipodesenvolvimento, prurido e irritabilidade,
além de apresentar elevada hipertensão na
veia porta (o grande vaso sangüíneo que transporta
o sangue do estômago, intestino e baço até
o fígado). Para estabelecer o diagnóstico,
o médico solicita uma série de exames de sangue.
A ultrasonografia também pode ser útil. Quando
o diagnóstico permanece incerto, é realizada
uma laparotomia (cirurgia exploradora da cavidade abdominal),
comumente antes da criança atingir 2 meses de idade.
O tempo é crítico, pois pode ocorrer uma cicatrização
progressiva e irreversível do fígado denominada
cirrose biliar.
Tratamento
A cirurgia é necessária para aliviar a pressão
da bile no interior do fígado. O melhor procedimento
consiste na criação de condutos biliares substitutos
que drenam no intestino, mas este tipo de cirurgia é
possível apenas em 5 a 10% dos lactentes com atresia
biliar. O prognóstico para essas crianças
é bom e quase todas elas conseguem levar uma vida
normal. O prognóstico após vários outros
procedimentos cirúrgicos não é tão
bom e, em geral, as crianças acabam morrendo. Um
desses procedimentos consiste no reposicionamento do fígado,de
modo que a sua superfície entre em contato direto
com o intestino, possibilitando que a bile drene da superfície
do fígado para o interior do intestino apesar da
ausência de condutos biliares.
Defeitos Ósseos e Musculares
Os defeitos congênitos podem afetar
qualquer
osso ou músculo de corpo, embora os ossos e músculos
do crânio, da face, da coluna vertebral, dos
quadris, dos membros inferiores e dos pés sejam
os mais comumente afetados. A maioria desses defeitos
podem ser reparados cirurgicamente.
Anomalias Faciais
A fenda labial é desfigurante e impede que a
criança feche os lábios em torno do mamilo.
A
fenda palatina interfere na alimentação e
na fala.
Geralmente, ambas as fendas (labial e palatina)
ocorrem concomitantemente, afetando uma criança
em cada 600 a 700 nascimentos. A fenda
palatina isolada ocorre em aproximadamente 1
em cada 1.800 nascimentos.
Um dispositivo dentário pode vedar temporariamente
o palato duro, permitindo que o
lactente sugue melhor. A fenda labial e a fenda
palatina podem ser corrigidas permanentemente
através da cirurgia.
Um outro tipo de defeito facial é a mandíbula
pequena.
Quando ela é demasiadamente pequena,
como ocorre nas síndromes de Pierre Robin e de
Treacher Collins, o lactente pode ter dificuldade para
alimentar-se. A cirurgia pode corrigir o problema.
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Anormalidades Faciais: Fenda Labial Fenda Palatina
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Anomalias da Coluna
Vertebral
O torcicolo congênito é uma doença
na qual o
pescoço do recém-nascido a a cabeça
inclinam
para um lado de forma pouco natural. Comumente,
a causa é uma lesão dos músculos do
pescoço durante o parto. Outras causas incluem
a fusão das vértebras cervicais (síndrome
de Klippel-Feil) ou a fusão da primeira vértebra
cervical com o crânio (fusão atlanto-occipital).
A escoliose congênita é uma curvatura
anormal
da coluna vertebral do recém-nascido. A
escoliose congênita é rara. A escoliose geralmente
ocorre em crianças mais velhas. Como
a escoliose pode acarretar uma deformidade
grave durante o crescimento, o tratamento
freqüentemente com imobilizadores é instituído
precocemente. A cirurgia pode ser necessária
quando a curvatura anormal piora.
Anomalias do Quadril, do Membro Inferior
e do Pé
A luxação congênita
do quadril é uma doença na qual a cavidade
do quadril e o fêmur (cabeça do fêmur)
que se articula com esta estão separados. A sua causa
é desconhecida. A luxação do quadril
é mais comum em meninas, em lactentes que nasceram
em apresentação pélvica (de nádegas)
e naqueles que possuem parentes próximos com o distúrbio.
A ultrasonografia é utilizada para confirmar o diagnóstico.
O uso de duas ou três fraldas é freqüentemente
suficiente para corrigir a luxação. Caso contrário,
imobilizadores ou a cirurgia ortopédica podem ser
necessários.
A torção femoral é uma doença
na qual os joelhos encontram-se antevertidos (apontando
um em direção ao outro) ou retrovertidos (em
direções contrárias) ao invés
de direcionarem-se para frente. A torção femoral
freqüentemente pode corrigir-se espontaneamente à
medida que a criança cresce e é capaz de manter-se
em pé e andar.
A luxação do joelho é uma doença
na qual a perna dobra para frente ao nível do joelho.
A luxação do joelho é rara em recém-nascidos,
mas deve ser tratada imediatamente. Uma medida útil
é dobrar delicadamente o joelho do lactente para
trás e para frente, várias vezes ao dia, e
mantê-lo dobrado com um imobilizador
o restante do dia.
O pé torto (talipe) é uma doença
na qual o pé apresenta uma forma ou posição
anormal. O arco do pé pode ser muito alto ou o pé
pode estar inclinado para dentro ou para fora. O pé
torto verdadeiro é causado por anomalias anatômicas.
Algumas vezes, os pés parecem anormais devido à
posição do feto no útero, mas, neste
caso, não se trata de um pé torto verdadeiro.
Quando não existe uma anomalia anatômica, o
defeito pode ser corrigido através de aparelhos gessados
e fisioterapia. O tratamento precoce com aparelhos gessados
é benéfico para o pé torto verdadeiro,
mas, em geral, a cirurgia é necessária.
Ausência
de Membro
A ausência de membro
(amputação congênita) é uma doença
caracterizada pela ausência de alguma extremidade
(um membro superior, um membro inferior ou parte de um membro).
A sua causa é freqüentemene
desconhecida. A droga talidomida, a qual foi utilizada por
gestantes no final da década de 1950 e no início
da década de 1960 contra o enjôo matinal, foi
retirada do mercado após ter sido identificada como
causadora deste tipo de defeito. A talidomida causava a
formação de apêndices semelhantes aos
membros de uma foca (focomelia) no lugar dos membros superiores
e inferiores. As crianças geralmente acostumam-se
com facilidade a utilizar o membro malformado e uma prótese
pode ser confeccionada para torná-lo mais funcional.
Tipos Comuns
de Pé Torto
|
|
Pé Varo
|
Pé Valgo
|
|
|
|
Pé Eqüino
|
Pé Calcâneo
|
Osteogênese
Imperfeita
A osteogênese imperfeita
é um distúrbio caracterizado por ossos anormalmente
frágeis.
Na osteogênese imperfeita, os ossos fraturam tão
facilmente que as crianças que a apresentam geralmente
nascem com várias fraturas ósseas. Durante
o parto, pode ocorrer traumatismo craniano e hemorragia
cerebral, pois o crânio é excessivamente mole.
Essas crianças podem morrer subitamente alguns dias
ou semanas após o nascimento. A maioria delas sobrevive,
mas, freqüentemente, as fraturas múltiplas produzem
deformidades e nanismo. Quando o cérebro da criança
não é lesado, a sua inteligência é
normal.
Artrogripose Múltipla Congênita
A artrogripose múltipla
congênita é um distúrbio caracterizado
pela fusão de uma ou mais articulações,
as quais, conseqüentemente, não podem ser flexionadas.
A sua causa é desconhecida. Algumas vezes, ela é
acompanhada por luxações dos quadris, dos
joelhos ou dos cotovelos. A fisioterapia diária,
na qual as articulações rígidas são
cuidadosamente manipuladas, pode melhorar os movimentos
articulares.
Anomalias Musculares
O músculo peitoral maior, localizado na face anterior
do tronco, pode estar ausente ou formado parcialmente. Este
defeito pode ser um fenômeno isolado ou pode estar
associado a anomalias da mão.
Um outro defeito muscular, denominado síndrome
do abdômen em forma de passa, afeta os músculos
abdominais. Uma ou mais camadas dos músculos abdominais
podem estar ausentes, fazendo com que o abdômen do
lactente se torne protuberante. O distúrbio está
associado a anomalias renais e urinárias graves.
O prognóstico é melhor para as crianças
com função renal normal.
Defeitos Cerebrais e da Medula
espinal
O cérebro e a medula espinal podem desenvolver defeitos
enquanto estão sendo formados ou após estarem
totalmente desenvolvidos. Muitos defeitos cerebrais e da
medula espinal podem ser detectados antes do nascimento
através da ultra-sonografia e exames do líquido
amniótico.
Defeitos do Cérebro
A anencefalia é uma doença caracterizada
pela ausência da maior parte do cérebro do
lactente em decorrência do seu não desenvolvimento.
Uma criança com anencefalia não pode obreviver.
Ou ele nasce morto ou morre alguns dias após o nascimento.
A microcefalia é uma doença caracterizada
por uma cabeça muito pequena. As crianças
com microcefalia freqüentemente sobrevivem, mas tendem
a apresentar retardo mental e falta de coordenação
muscular. Algumas também apresentam convulsões.
A encefalocele é uma doença caracterizada
pela protrusão do tecido cerebral através
de um defeito craniano. A cirurgia pode reparar o defeito.
O prognóstico geralmente é bom. A porencefalia
é uma doença caracterizada pela presença
de um cisto ou de uma cavidade anormal em um hemisfério
cerebral. A porencefalia é uma clara evidência
de lesão cerebral e, geralmente, está associada
a anomalias da função cerebral. Contudo, algumas
crianças apresentam uma inteligência normal.
A hidranencefalia representa uma forma extrema da
porencefalia, na qual os hemisférios cerebrais praticamente
inexistem. As crianças com hidranencefalia não
apresentam um desenvolvimento normal e apresentam um retardo
mental grave.
A hidrocefalia (água no cérebro) é
caracterizada por uma dilatação dos ventrículos,
os quais são espaços normais do cérebro.
O líquido cefalorraquidiano é produzido nos
ventrículos e deve ser drenado para o exterior do
cérebro, onde ele é absorvido e passa para
o sangue. Quando o líquido não pode ser drenado,
a pressão no interior do cérebro aumenta e
origina a hidrocefalia. Muitos fatores (p.ex., malformação
congênita ou uma hemorragia intracerebral) podem bloquear
a drenagem e causar hidrocefalia. Nas crianças mais
velhas, a hidrocefalia comumente é causada por tumores.
A hidrocefalia é a razão mais comum pela qual
os recém-nascidos podem ter uma cabeça anormalmente
grande.
O tratamento visa prover uma via de drenagem alternativa,
para manter a pressão normal no interior do cérebro.
O tratamento medicamentoso (com acetazolamida e glicerol)
ou a realização de várias punções
lombares para evacuar o líquido cefalorraquidiano
conseguem reduzir temporariamente a pressão intracerebral
em algumas crianças até que seja instalado
um dreno permanente (shunt ou derivação).
O shunt é colocado nos ventrículos
cerebrais e é passado sob a pele, da cabeça
até a cavidade abdominal ou, ocasionalmente, até
um outro local. O shunt contém uma válvula
que permite a drenagem do líquido do cérebro
quando a pressão aumenta demasiadamente. Embora algumas
crianças possam ser capazes de fazê-lo sem
o shunt à medida que crescem, esses dispositivos
raramente são removidos. O prognóstico depende
da causa. Algumas crianças evoluem bem e apresentam
uma inteligência normal, enquanto outras podem apresentar
retardo mental.
A deformidade de Arnold-Chiari é um defeito
na formação da parte inferior do cérebro
(tronco encefálico). Ela está freqüentemente
associada à hidrocefalia.
Espinha Bífida
A espinha bífida é uma doença na
qual parte de uma ou mais vértebras não se
desenvolve completamente, deixando uma porção
da medula espinal desprotegida.
O risco de ter uma criança com espinha bífida
está estreitamente relacionado a uma deficiência
de folato (ácido fólico) na dieta, especialmente
no início da gestação. A forma grave
deste defeito ocorre em aproximadamente 1 em cada 1.000
nascimentos nos Estados Unidos.
Os sintomas são variáveis, dependendo da gravidade
com que a medula espinal e as raízes nervosas são
afetadas. Algumas crianças apresentam sintomas mínimos
ou são assintomáticas, enquanto outras apresentam
fraqueza ou paralisia de todas as áreas inervadas
pelos nervos que se encontram abaixo do nível do
defeito.
Em geral, a espinha bífida pode ser diagnosticada
antes do nascimento através da ultrasonografia. Quando
o médico suspeita de espinha bífida, ele pode
recomendar a realização de um exame do líquido
amniótico. Quando o feto apresenta uma espinha bífida
grave, o líquido amniótico pode conter uma
concentração elevada de alfa-fetoproteína.
Uma criança que nasce com uma espinha bífida
grave necessita de um tratamento intensivo e prolongado
para evitar a deterioração da função
renal e de suas capacidades físicas, assim como para
possibilitar o máximo desenvolvimento possível.
A cirurgia é necessária para o fechamento
da abertura e, freqüentemente, para tratar os problemas
associados (hidrocefalia, anomalias da bexiga e dos rins
e anomalias físicas). A fisioterapia mantém
a mobilidade articular e fortalece os músculos funcionantes.
Defeitos Oculares
O glaucoma congênito é uma doença
ocular rara que eleva a pressão no interior do globo
ocular, geralmente em ambos os olhos. Quando ele não
é tratado, os globos oculares aumentam de volume
e a cegueira total é quase certa. A cirurgia realizada
logo após o nascimento provê a melhor chance
de se reduzir a pressão intra-ocular e preservar
a visão da criança.
A catarata congênita é caracterizada
por opacidades (áreas turvas) no cristalino do olho,
as quais estão presentes desde o nascimento. Ela
pode ser causada por anomalias cromossômicas, infecções
(p.ex., rubéola) ou alguma outra doença apresentada
pela mãe durante a gravidez. A catarata deve ser
removida o mais breve possível para que a criança
desenvolva uma visão normal.
Defeitos Renais e do
Trato Urinário
Os defeitos congênitos
são mais comuns nos rins e no sistema urinário
que em qualquer outro sistema orgânico. Os defeitos
que obstruem o fluxo urinário provocam a estagnação
da urina, o que pode acarretar infecção ou
formação de cálculos (pedras) renais.
Um defeito pode interferir na função
renal ou causar disfunção sexual ou infertilidade
mais tarde.
Defeitos Renais e Ureterais
Durante o desenvolvimento dos rins, podem
ocorrer vários defeitos. Eles podem formar-se
em um outro local (ectopia), assumir uma posição
incorreta (malrotação), permanecer fundidos
(rim em ferradura) ou podem estar ausentes
(agenesia renal). Uma criança não pode
sobreviver quando ambos os rins estão ausentes
(síndrome de Potter). O tecido renal
também pode apresentar um desenvolvimento
anormal. Por exemplo, um rim pode
conter muitos cistos, como na doença do
rim policístico.
As possíveis anomalias dos ureteres, os dois
tubos que conectam os rins à bexiga, incluem
ureteres extras, ureteres malposicionados e
ureteres estenosados ou dilatados. A urina pode
refluir da bexiga para os ureteres anormais, provocando
uma pielonefrite (infecção renal). Um
ureter estenosado impede que a urina flua normalmente
do rim para a bexiga ou pode acarretar
a hidronefrose (dilatação do rim) e lesão
renal.
Defeitos da Bexiga
A bexiga pode apresentar vários defeitos.
Ela
pode não se formar totalmente, de modo que ela
se abre sobre a superfície do abdômen (extrofia).
A parede da bexiga pode ser anormal, com
divertículos (bolsas) que permitem o acúmulo
de urina e aumentam o risco de infecção urinária.
A saída da bexiga (a via de passagem que liga a
bexiga à uretra, a qual transporta a urina para o
exterior do corpo) pode ser estreita e, conseqüentemente,
a bexiga não se esvazia totalmente.
Neste caso, o fluxo urinário é escasso e ocorrem
infecções. A maioria dos defeitos da beixga
pode ser reparada cirurgicamente.
Defeitos Ureterais
A uretra pode ser anormal ou estar ausente.
Nos meninos, o orifício uretral pode estar
posicionado anormalmente, como, por exemplo, na face inferior
do pênis (uma doença denominada
hipospádia). No pênis, a uretra pode
permanecer aberta como um canal ao invés de
ser fechada como um tubo (uma doença denominada
epispádia). Em ambos os sexos, a
estenose uretral pode obstruir o fluxo urinário.A
cirurgia pode corrigir essas anormalidades.
Estados Intersexuais
Um estado intersexual é aquele
no qual uma
criança nasce com órgãos genitais que
não são
evidentemente masculinos ou femininos (genitália
ambígua).
Uma criança que nasce com órgãos genitais
que não são evidentemente masculinos ou
femininos pode possuir gônadas (órgãos
reprodutivos internos) normais ou anormais. Os
hermafroditas verdadeiros possuem tecido ovariano
e testicular e órgãos reprodutivos internos
masculinos e femininos. Contudo, trata-se
de um distúrbio raro. A maioria das crianças
com genitália ambígua é pseudo-hermafrodita,
isto é, possuem órgãos genitais ambíguos,
mas somente tecido ovariano ou testicular e
não ambos.
Uma mulher pseudo-hermafrodita é uma mulher
geneticamente normal (com dois cromossomos
X) que nasce com órgãos genitais que
se assemelham a um pequeno pênis. No entanto,
os seus órgãos reprodutivos internos são
femininos.
O pseudo-hermafroditismo feminino é
causado pela exposição a concentrações
elevadas
de hormônios masculinos antes do nascimento.
Geralmente, o feto possui glândulas
adrenais aumentadas (síndrome adrenogenital),
as quais produzem quantidades excessivas de
hormônios masculinos; ou apresenta a falta de
uma enzima, motivo pelo qual os hormônios
masculinos não são convertidos em hormônios
femininos, como normalmente ocorre. Algumas
vezes, os hormônios masculinos entraram na
placenta procedentes do sangue materno (p.ex.,
a mãe pode ter sido medicada com progesterona
para evitar um aborto espontâneo ou
pode ser portadora de um tumor produtor de
hormônios masculinos).
Um homem pseudo-hermafrodita é um homem
geneticamente normal (com um cromossomo X e um cromossomo
Y) que nasce sem
pênis ou com um pênis muito pequeno. O seu
corpo não consegue produzir hormônios masculinos
em quantidade suficiente ou é resistente
aos hormônios que ele produz (síndrome da
resistência aos androgênios).
A identificação correta do sexo da criança
é
muito importante e isto deve ser feito rapidamente.
Caso contrário, a formação de vínculos
afetivos entre os pais e a criança pode ser mais
difícil e esta pode acabar apresentando um distúrbio
de identidade sexual.A cirurgia de correção
da genitália ambígua pode ser realizada
mais tarde, geralmente próximo da puberdade.
Anomalias Cromossômicas
Um indivíduo normalmente possui 23
pares de cromossomos. Uma anomalia cromossômica pode
afetar o número de cromossomos, o tamanho ou o aspecto
de certos cromossomos ou o arranjo de partes dos cromossomos
(o material genético de um cromossomo pode unir-se
ao de um outro).
A análise cromossômica pode ser recomendada
para um feto ou um recém-nascido nas seguintes circunstâncias:
Gravidez de uma mulher com mais de 35 anos
Um feto apresenta uma anomalia anatômica detectada
pela ultra-sonografia
Um recém-nascido apresenta muitos defeitos
congênitos ou possui órgãos genitais
masculinos e femininos
Distúrbios
Causados por uma Trissomia
|
| Distúrbio |
Incidência |
Anormalidade |
Descrição |
Prognóstico |
|
Trissomia do 21 (síndrome de
Down)
|
1 em 700 nascimentos
|
Cromossomo 21 extra
|
Retardo do desenvolvimento físico
e mental; presença de muitas anomalias físicas
|
Geralmente, os indivíduos afetados
vivem até os 30 ou 40 anos
|
|
Trissomia do 18 (síndrome de
Edwards)
|
1 em 3.000 nascimentos
|
Cromossomo 18 extra
|
Anomalias faciais combinadas que conferem
à face um aspecto comprimido. A cabeça
é pequena e as orelhas são malformadas
e com implantação baixa. Outros defeitos
possíveis incluem a fenda labial ou palatina,
a ausência de polegares, pés tortos,
dedos das mãos unidos por uma membrana, defeitos
cardíacos e genitourinários
|
A sobrevida além de alguns
meses é rara; deficiência mental grave
|
|
Trissomia do 13 (síndrome de
Patau)
|
1 em 5.000 nascimentos
|
Cromossomo 13 extra
|
Os defeitos cerebrais e oculares graves
são comuns. Os outros defeitos incluem a fenda
labial ou palatina, defeitos cardíacos e genitourinários
e orelhas malformadas
|
Menos de 20% dos indivíduos
afetados sobrevivem além do primeiro ano de
vida; deficiência mental grave
|
Síndrome de Down
A síndrome de Down (trissomia do
21, mongolismo)
é um distúrbio cromossômico que acarreta
retardo mental e anomalias físicas.
É denominada trissomia a presença de um
cromossomo extra que se une a um par de
cromossomos. A trissomia mais comum no recém-
nascido é a trissomia do 21, embora também
possam ocorrer outras.
A trissomia do 21 é responsável por aproximadamente
95% dos casos de síndrome de Down.
Outras anomalias cromossômicas são responsáveis
pelo restante. A síndrome de Down afeta 1
em cada 700 recém-nascidos, mas o risco varia
bastante de acordo com a idade da mãe. Mais
de 20% dos lactentes com síncrome de Down foram
gerados por mães com mais de 35 anos de
idade, apesar de mães com mais idade representarem
apenas 7 a 8% do total de nascimentos. O cromossomo 21 extra
provém do pai e não da mãe
em um quarto a um terço dos casos.
Sintomas
Na síndrome de Down, ocorre um retardo
tanto
do desenvolvimento físico quanto do mental.
Os lactentes com síndrome de Down tendem a
ser calmos, raramente choram e apresentam
uma discreta flacidez muscular. O quociente de
inteligência (QI) médio de uma criança
com
síndrome de Down é de aproximadamente 50,
comparado com o QI médio normal de 100. Contudo,
algumas crianças com síndrome de Down
apresentam um QI superior a 50.
Uma criança com síndrome de Down possui
uma cabeça pequena. Sua face é larga e achatada,
com olhos amendoados e nariz curto. A sua
língua é grande e, geralmente, proeminente.
As
suas orelhas são pequenas e com implantação
baixa. As suas mãos são curtas e largas, com
uma
única prega na palma. Os seus dedos das mãos
são curtos e o dedo mínimo (quinto dedo)
freqüentemente apresenta três partes ao invés
de duas e se curva para dentro. Ela apresenta
um espaço visivel entre o primeiro e segundo
dedo do pé. Aproximadamente 35% das crianças
com síndrome de Down apresentam defeitos
cardíacos.
Diagnóstico
Freqüentemente, o diagnóstico da síndrome
de
Down pode ser estabelecido antes do nascimento
e o médico geralmente recomenda uma investigação
desta doença em mulheres grávidas com
mais de 35 anos de idade. A concentração baixa
de alfa-fetoproteína no sangue materno indica um
maior risco de síndrome de Down no feto. Pode
ser realizada uma amniocentese para se coletar
uma amostra do líquido amniótico, o qual é
examinado
para a confirmação do diagnóstico.
Através da ultra-sonografia, o médico geralmente
consegue identificar anomalias físicas no feto.
Após o nascimento, um lactente com síndrome
de Down apresenta uma aparência característica
que sugere o diagnóstico. O médico confirma
o diagnóstico através do exame de sangue da
criança em busca da trissomia do 21.
Prognóstico
As crianças com síndrome de Down apresentam
um maior risco de doenças cardíacas e
leucemias. A sua expectativa de vida é menor
quando esses distúrbios estão presentes. Caso
contrário, a maioria das crianças com síndrome
de Down sobrevive até a vida adulta. Muitos indivíduos
com síndrome de Down apresentam
distúrbios da tireóide, os quais podem ser
de
difícil detecção, a menos que sejam
realizados
exames de sangue. Eles têm uma propensão a
apresentar distúrbios auditivos em decorrência
de infecções recorrentes do ouvido e do conseqüente
acúmulo de líquido no ouvido interno
(otite serosa), assim como distúrbios visuais
decorrentes de alterações da córnea
e do cristalino.
Muitos indivíduos com síndrome de Down
apresentam sintomas de demência ao atingirem
a terceira década de vida (p.ex., perda da memória,
maior deterioração do intelecto e alterações
da personalidade). A morte pode ocorrer
precocemente, mas alguns indivíduos com
síndrome de Down têm uma vida longa.
Síndromes da Deleção
Em algumas crianças, pode faltar parte
de um cromossomo. A rara síndrome do cri du
chat (síndrome do miado do gato, síndrome
do 5p-) é um exemplo. As crianças com esta
síndrome apresentam um choro muito agudo que lembra
o miado de um gatinho. Este choro é percebido imediatamente
após o nascimento, dura várias semanas e,
em seguida, desaparece. Normalmente, uma criança
com esta síndrome apresenta baixo peso ao nascimento
e cabeça pequena, com uma face assimétrica
e boca que não se fecha adequadamente. Algumas apresentam
uma face redonda (moon face, cara de lua) com os
olhos separados. O nariz pode ser largo, e as orelhas podem
apresentar uma implantação baixa e forma anormal.
O pescoço pode ser curto. Elas podem apresentar uma
pele adicional entre os dedos (dedos palmados). Os defeitos
cardíacos são comuns. Freqüentemente,
a criança parece flácida e apresenta um retardo
físico e mental importante. Apesar dessas anomalias,
muitas crianças com síndrome do cri du
chat sobrevivem até a vida adulta.
Uma outra síndrome de deleção, denominada
síndrome do 4p-, é similar mas extremamente
rara. O retardo mental é acentuado. Podem ocorrer
vários defeitos físicos. Muitas crianças
com esta síndrome morrem durante a infância
e as poucas que sobrevivem até a segunda década
de vida apresentam deficiências graves e maior risco
de infecções e epilepsia.
Síndromes de Turner
A síndrome de Turner (disgenesia
gonadal) é
uma doença que afeta meninas, na qual um dos
dois cromossomos X encontra-se parcial ou completamente
ausente.
A síndrome de Turner ocorre em aproximadamente
1 em cada 3.000 recém-nascidos do sexo
feminino. Muitos recém-nascidos com síndrome
de Turner apresentam aumento de volume (linfedema)
do dorso das mãos e dos pés. Edema ou
pregas flácidas da pele são freqüentemente
evidentes
na região posterior do pescoço.
Uma menina ou mulher com síndrome de
Turner apresenta uma baixa estatura, pescoço
alado (unido aos ombros por uma extensa porção
de pele) e uma baixa implantação do cabelo
na nuca. Ela apresenta pálpebras caídas, um
tórax
largo com mamilos bem separados e muitos
nevos escuros sobre a pele. Os quartos dedos
das mãos e dos pés são curtos e as
unhas pouco
desenvolvidas. Ela apresenta amenorréia (ausência
de menstruação) e suas mamas, vagina e lábios
vaginais permanecem imaturos. Os ovários
geralmente não contêm óvulos em desenvolvimento.
Ela pode apresentar coarctação da aorta
(estenose da porção inferior da aorta), uma
condição
que pode acarretar hipertensão arterial.
Defeitos renais e pequenos hemangiomas (proliferação
de vasos sangüíneos) são comuns. Ocasionalmente,
ocorre sangramento de vasos sangüíneos
anormais do intestino. Muitas meninas com
síndrome de Turner apresentam dificuldade para
orientar-se espacialmente. Elas tendem a apresentar
uma má pontuação em testes que exigem
destreza
e cálculo, se bem que os resultados em testes
de inteligência verbal sejam normais ou superiores
ao normal. O retardo mental ocorre em raros casos.
Síndrome do Triplo X
As meninas que possuem três cromossomos
X apresentam a síndrome do triplo X. Um em
cada 1.000 recém-nascidos do sexo feminino
aparentemente normais apresentam este distúrbio.
As meninas com três cromossomos X tendem
a apresentar um menor grau de inteligência em comparação
com seus irmãos e irmãs
normais. Algumas vezes, a síndrome causa esterilidade,
embora algumas mulheres com
síndrome do triplo X tenham dado à luz a crianças
fisicamente normais e com uma quantidade
normal de cromossomos.
Foram idenificados casos raros de crianças
com quatro ou mesmo cinco cromossomos X.
O risco de retardo mental e de anomalias físicas
aumenta com o número de cromossomos X
extras, especialmente quando existem quatro
ou mais.
Síndromes de Klinefelter
Na síndrome de Klinefelter, as crianças
do
sexo masculino nascem com um cromossomo
X extra. Esta anomalia cromossômica relativamente
comum (XXY) afeta 1 em cada 700 recém-
nascidos do sexo masculino.
Embora as suas características físicas
possam
variar consideravelmente, a maioria dos meninos
com síndrome de Klinefelter são altos e possuem
uma aparência normal. Eles possuem uma
inteligência normal, mas muitos apresentam problemas
de fala ou de leitura. A puberdade
geralmente ocorre na época normal, mas os testículos
permanecem pequenos. Comumente, os
meninos afetados são estéreis. A pilificação
facial
geralmente é esparsa e as mamas podem apresentar
um certo grau de aumento de volume.
Alguns homens beneficiam-se com o uso de suplementos
de hormônios masculinos, os quais
melhoram a densidade óssea e ajudam no desenvolvimento
de uma aparência mais masculina.
Síndromes do XYY
Na síndrome do XYY, uma criança
do sexo masculino
nasce com um cromossomo Y extra. Os meninos
com essa anomalia cromossômica tendem a
ser altos e a apresentar dificuldades com a linguagem.
No passado, acreditava-se que a síndrome do
XYY gerava um comportamento criminal agressivo
ou violento, mas essa teoria foi rechaçada.
Síndromes do X Frágil
O retardo mental afeta mais freqüentemente
os meninos que as meninas, em parte porque o
cromossomo X pode possuir genes recessivos
do retardo mental (genes ligados ao X), o que
nas meninas pode ser compensado por um gene
normal no outro cromossomo X. Um distúrbio
no qual esses genes recessivos são observados
é denominado síndrome do X frágil.
Nesta
síndrome, a qual é a causa mais comumente
diagnosticada de retardo mental após a síndrome
de Down, o cromossomo X é anormal.
Os sintomas da síndrome do X frágil incluem
o
retardo mental; orelhas grandes e protuberantes;
queixo e fronte salientes e testículos grandes (observados
apenas após a puberdade). Curiosamente,
alguns meninos com a síndrome são mentalmente
normais, enquanto algumas meninas que
são apenas portadoras dos genes recessivos e
apresentam uma aparência normal, apresentam
retardo mental. A presença do cromossomo X frágil
pode ser detectada por exames antes do nascimento,
mas é impossível se determinar se ele
causará retardo mental, qualquer que seja o sexo.
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