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Os problemas de desenvolvimento na infância
incluem, entre outros, o desenvolvimento insuficiente;
problemas comportamentais, alimentares,
do sono, de aprendizado dos hábitos de higiene;
fobias; hiperatividade; déficit de atenção
e dificuldades de aprendizado.
Incapacidade de Desenvolvimento
A incapacidade de desenvolvimento refere-se
a um retardo do crescimento físico (tamanho). O
desenvolvimento (maturação) também
pode ser
retardado como conseqüência de um crescimento
físico deficiente ou de problemas causados pelo
retardo do crescimento.
Causas
A incapacidade de desenvolvimento pode afetar
as crianças pequenas, especialmente aquelas
com menos de 2 anos. Uma criança que não consegue
se desenvolver não está recebendo uma
nutrição suficiente para o seu crescimento
e desenvolvimento
normais. Uma criança pode apresentar
um distúrbio físico subjacente que afeta
sua capacidade de ingerir, absorver, processar ou
reter o alimento. Os fatores psicológicos, sociais
ou econômicos também podem influir. A criança
pode não ter inapetência (pouco apetite) ou
pode
não estar recebendo alimento suficiente. A
inapetência pode ser causada pela depressão.
A
depressão pode ocorrer quando uma criança
não
recebe um estímulo social adequado, como pode ocorrer
em um lactente isolado em uma incubadora
ou em uma criança que não recebe atenção
suficiente por parte dos pais ou das outras pessoas
que cuidam da mesma.
Diagnóstico
Os lactentes e as crianças de baixa
idade são
sempre pesadas e medidas durante as consultas
médicas de rotina. O médico compara essas
medidas
com as anotadas na última visita e com as
escalas padrões de peso/altura. Quando a taxa
de crescimento é adequada, a criança pode
ser
normal apesar de ter um tamanho pequeno.
Para determinar a razão pela qual uma criança
é pequena, o médico realiza um exame físico
e também interroga detalhadamente os pais
sobre a alimentação, os problemas sociais
e as
doenças apresentadas pela criança ou que afetam
a família. Podem ser realizados exames de
rotina (p.ex., hemograma completo). Exames
mais acurados são realizados somente quando
o médico suspeita de uma doença subjacente.
Prognóstico e Tratamento
Qualquer doença que pareça relacionada à
incapacidade
de desenvolvimento da criança
deve ser tratada. O modo pelo qual a criança
responde ao tratamento depende do problema
específico que causa a deficiência de crescimento.
Se a criança não ingere alimento suficiente,
o médico busca a resposta em possíveis fatores
psicológicos, sociais ou econômicos, além
de qualquer fator físico. Ocasionalmente, e em
especial em casos nos quais não é descoberta
uma causa subjacente, pode haver necessidade
da intervenção de assistentes sociais ou de
tratamento psicológico ou psiquiátrico para
os
pais ou outras pessoas envolvidas nos cuidados
da criança. Em raros casos, recomenda-se
que a criança seja tratada por outras pessoas,
que não os pais.
Crianças que não conseguem se desenvolver,
especialmente durante o primeiro ano de vida época
importante para o crescimento do cérebro ,
talvez nunca cheguem a se equiparar, tanto em desenvolvimento
como socialmente, com outras crianças de sua idade,
embora seu crescimento físico possa melhorar. O tipo
e a extensão dos problemas do desenvolvimento, sociais
e emocionais, variam para cada criança. Em cerca
de um terço dessas crianças, o desenvolvimento
mental, especialmente as habilidades verbais, permanece
abaixo do normal. Cerca de metade das crianças continua
a ter problemas sociais e emocionais, ou mesmo problemas
alimentares, como por exemplo, comer muito lentamente ou
ser enjoada para comer.
Problemas de Comportamento
Os problemas de comportamento são
padrões de comportamento tão difíceis
que ameaçam as relações normais entre
a criança e as pessoas que a rodeiam.
Os problemas de comportamento podem ser causados pelo entorno
da criança, por sua saúde, por seu temperamento
inato ou por seu desenvolvimento. Uma relação
difícil com os pais, professores e pessoas que cuidam
dela também pode ser a raiz de um distúrbio
comportamental.
Para diagnosticar um problema de comportamento o médico
ou o terapeuta entrevista os pais e pede que eles descrevam
cronologicamente as atividades do dia em um dia comum. As
discussões são centradas sobre as circunstâncias
que acarretaram o problema de comportamento e sobre os detalhes
do comportamento em si. O profissional também observa
a interação entre a criança e seus
pais.
Os problemas de comportamento tendem a piorar no decorrer
do tempo, mas o tratamento precoce pode ajudar a impedir
a sua progressão. Um contato mais positivo e agradável
entre os pais pode aumentar a auto-estima da criança
e dos pais. A melhor interação pode ajudar
a romper o círculo vicioso de comportamentos negativos
que acarretam respostas negativas.
PROBLEMAS DE INTERAÇÃO ENTRE A CRIANÇA
E SEUS PAIS
Os problemas de interação entre a criança
e seus pais são dificuldades de relacionamento entre
uma criança e seus pais.
Os problemas de interação podem começar
durante os primeiros meses de vida. A relação
entre a mãe e a criança pode ser difícil
em conseqüência de uma gestação
ou de um parto difícil. A depressão pós-parto
ou a falta de apoio paterno, de parentes ou de amigos, também
pode dificultar a relação entre a mãe
e a criança. O horário de alimentação
e de sono da criança também contribuem para
essa dificuldade. A maioria dos lactentes não dorme
a noite toda até o 2o ou 3o mês de vida. Durante
esse período, a maioria das crianças apresenta
episódios freqüentes de choro intenso e prolongado.
Ao sentimento de desespero, podem ser adicionadas a exaustão,
a hostilidade e a culpa, afetando a sua relação
com a criança. A má relação
pode tornar mais lento o desenvolvimento das habilidades
mentais e sociais da criança e pode provocar incapacidade
de desenvolvimento.
Tratamento
O médico pode orientar os pais sobre o desenvolvimento
da criança e também pode fornecer orientações
úteis sobre a maneira de enfrentar a situação.
Um profissional da saúde também pode avaliar
e analisar o temperamento de uma criança. Essas medidas
ajudam os pais a serem mais realistas e a compreenderem
que a culpa e o conflito são emoções
normais na criação de um filho. Ter consciência
disso permite que os pais aceitem os seus sentimentos e
tentem reconstruir uma relação saudável.
ANSIEDADE DA SEPARAÇÃO
A ansiedade da separação é a ansiedade
sentida pela criança quando um de seus pais a deixa
sozinha.
O ato de chorar quando a mãe deixa o quarto ou quando
um estranho se aproxima é um estágio normal
do desenvolvimento que começa em torno do 8o mês
de vida e que dura até os 18 ou 24 meses de idade.
A intensidade desse comportamento varia de criança
para criança. Contudo, alguns pais (sobretudo os
que têm o primeiro filho) acreditam que a ansiedade
da separação é um problema emocional
e respondem à situação com uma atitude
excessivamente protetora, evitanto as separações
e situações novas. Esse comportamento pode
acarretar problemas na maturação e no desenvolvimento
da criança. Alguns pais interpretam a ansiedade da
separação como um sinal de que a criança
está sendo mimada e podem criticar a mãe ou
tentam modificar o comportamento da criança com reprimendas
físicas ou castigos.
Tratamento
O médico ou o enfermeiro pode assegurar aos pais
que esse tipo de comportamento é normal e também
pode ensinar-lhes como enfrentar a situação.
Os pais são estimulados a tornarem-se cada vez menos
protetores e restritivos, permitindo à criança
que ela se desenvolva normalmente.
PROBLEMAS DE DISCIPLINA
Os problemas de disciplina são comportamentos
inadequados que surgem quando a disciplina é ineficaz.
A disciplina é uma técnica de recompensas
e castigos que visa reforçar um comportamento desejado.
Quando utilizados com parcimônia, os esforços
para controlar o comportamento de uma criança por
meio de reprimendas ou castigos físicos (p.ex., dar
algumas palmadas) podem funcionar durante algum tempo. Contudo,
eles tornam-se ineficazes quando utilizados demasiadamente.
Repreender ou bater também pode reduzir a sensação
de segurança e a auto-estima da criança. O
fracasso em disciplinar adequadamente uma criança
pode acarretar comportamentos socialmente inaceitáveis.
As ameaças de abandono por parte dos pais ou de mandar
a criança embora podem ser prejudiciais psicologicamente.
Os elogios e as recompensas podem reforçar um bom
comportamento. Para o mau comportamento, um tempo de exclusão
pode ser muito útil. Esse procedimento requer um
relógio de cozinha e uma cadeira. A cadeira é
colocada em um local sem diversões (p.ex., brinquedos,
televisão). Ela não deve ser colocada no quarto
da criança ou em um local escuro ou amedrontador.
A exclusão é um processo de aprendizado para
a criança. O ideal é que ela seja utilizada
para tipos determinados de comportamento inadequado.
Como a maioria das crianças prefere a atenção
que lhes é dada por um comportamento inadequado que
a total ausência de atenção, os pais
devem criar diariamente momentos especiais de interação
agradável com a criança. As interações
agradáveis também provêm uma boa oportunidade
para recompensar o bom comportamento.
PADRÃO DE CÍRCULO VICIOSO
Um padrão de círculo vicioso é um
ciclo de comportamento negativo (mau comportamento) por
parte da criança, o qual gera uma resposta negativa
(raiva) por parte dos pais ou de quem esteja cuidando da
mesma, seguida por um novo comportamento negativo por parte
da criança, o qual provoca uma nova resposta negativa
nos pais.
Os círculos viciosos geralmente começam quando
uma criança é agressiva e resistente. Os pais
ou as pessoas que cuidam da criança respondem com
repreensão, gritos ou batendo na mesma. Eles podem
estar reagindo frente à atitude negativa típica
de uma criança de 2 anos de idade ou a uma resposta
malcriada de uma criança de 4 anos ou pode estar
tentanto enfrentar uma criança que apresenta um temperamento
difícil desde o nascimento. Esse tipo de criança,
ao invés de chorar, freqüentemente reage ao
estresse e ao desconforto emocional com teimosia (obstinação),
respostas malcriadas, agressividade e mau humor.
Os círculos viciosos também podem ocorrer
quando os pais reagem com superproteção e
um excesso de permissividade a uma criança medrosa,
muito dependente ou manipuladora. Os pais geralmente levam
a criança ao médico por causa de problemas
clínicos, os quais acabam revelando-se
relacionados ao comportamento. Um dia típico inclui
conflitos na hora das refeições e dificuldades
quando os pais devem deixar a criança (p.ex., na
hora da sesta ou à noite). Os pais tendem a realizar
tarefas que a criança poderia fazer sozinha (p.ex.,vestir-se
e alimentar- se). Os pais freqüentemente supõem
incorretamente que a criança pode ser prejudicada
quando submetida a uma certa disciplina.
Tratamento
O padrão de círculo vicioso pode ser rompido
quando os pais aprendem a ignorar o mau comportamento que
não afeta os direitos dos outros (p.ex., acessos
de mau humor e recusas em se alimentar). Quando o comportamento
não pode ser ignorado, pode ser tentada uma distração
ou uma exclusão. Os pais também podem reduzir
o atrito e estimular o bom comportamento da criança
com elogios adequados. Além disso, os pais e a criança
devem passar diariamente pelo menos 15 ou 20 minutos envolvidos
em uma atividade mutuamente agradável.
Quando esses ajustes não rompem o padrão de
círculo vicioso do comportamento em 3 a 4 meses,
pode ser necessária a avaliação da
criança por um psicólogo ou um psiquiatra.
Procedimento do Tempo de Exclusão
(Castigo)
A criança apresenta um comportamento inadequado
sobre o qual foi estabelecido que ela seria submetida
a um tempo de exclusão (castigo).
É brevemente explicado à criança
o seu mau comportamento. A seguir, lhe é solicitado
calmamente que ela dirija-se à cadeira de castigo
ou, quando necessário, ela é levada até
a cadeira.
Após ela sentar-se na cadeira, o relógio
de cozinha é ajustado para que dure 1 minuto
para cada ano de idade, até um máximo
de 5 minutos.
Quando a criança levanta-se da cadeira
antes do alarme tocar, ela deve ser reconduzida à
cadeira e o relógio é novamente ajustado.
Para uma criança que se levanta repetidamente,
a contenção na cadeira pode ser necessária,
não no colo de alguém. Deve-se evitar
falar ou manter contato visual com a criança.
Quando é necessária a contenção
da criança na cadeira até o alarme disparar,
o relógio é reajustado.
Quando a criança permanece sentada, mas
não se acalma antes do alarme disparar, o relógio
é reajustado.
Quando chega o momento da criança levantar-se,
a pessoa responsável pergunta, sem raiva e sem
queixar-se, se ela sabe a razão do castigo. Quando
a criança não se recorda do motivo correto,
este lhe será brevemente recordado.
Após algum tempo, a pessoa que cuida da
criança deve tecer comentários sobre o
comportamento louvável da criança. Este
comportamento pode ser mais facilmente obtido quando
a criança é iniciada numa nova atividade,
longe da cena do comportamento inadequado.
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Problemas de Alimentação
Uma diminuição normal de apetite,
causada
por uma menor taxa de crescimento, é comum
em crianças entre 1 e 8 anos de idade. Os
problemas de alimentação podem ocorrer
quando os pais ou a pessoa que cuida da criança
tenta obrigá-la a comer ou demonstra uma
preocupação demasiada em relação
ao apetite
ou aos hábitos alimentares da mesma. Enquanto
os pais a obrigam ou a ameaçam, a criança
com
problemas de alimentação pode permanecer
sentada à mesa com o alimento na boca. Algumas
crianças podem vomitar em resposta às
tentativas dos pais de alimentá-las à força.
Tratamento
O tratamento requer a diminuição da tensão
e das emoções negativas que rodeiam as horas
das refeições. As cenas emocionais podem ser
evitadas colocando-se o alimento em frente da
criança e removendo-o após 15 ou 20 minutos
sem qualquer comentário. Deve ser permitido
que a criança coma o que ela deseja na hora da
refeição, mas deve lhe ser proibido o consumo
de qualquer lanche entre as refeições. Com
essa
técnica, o equilíbrio entre o apetite, a quantidade
de alimento consumida e as necessidades
nutricionais é rapidamente restaurado.
Problemas do Sono
Os pesadelos são sonhos assustadores
que
ocorrem durante o sono REM (rapid eye
movement, movimentos rápidos dos olhos).
Uma criança que tem um pesadelo geralmente
desperta totalmente e consegue recordar o sonho
com detalhes. Um pesadelo ocasional é
normal e o conforto dos pais ou da pessoa que
cuida da criança é o suficiente. Contudo,
a ocorrência
freqüente de pesadelos é anormal e pode
indicar um problema psicológico subjacente. As
experiências assustadoras (p.ex., histórias
de
terror ou programas de televisão violentos)
podem causar pesadelos. Essa causa é particularmente
comum em crianças com 3 a 4 anos
de idade, as quais não conseguem distinguir
claramente a fantasia da realidade.
Os terrores noturnos são episódios
nos quais a
criança desperta de forma incompleta e com
extrema ansiedade logo após adormecer. A criança
não consegue recordar desses episódios.
O sonambulismo consiste no ato de levantar-se
da cama e caminhar pela casa aparentemente
dormindo. Tanto os terrores noturnos como o
sonambulismo geralmente ocorrem no despertar
incompleto do sono profundo (não-REM), interrompendo
as três primeiras horas de sono.
Os episódios duram de alguns segundos a vários
minutos. Os terrores noturnos são dramáticos,
devido aos gritos e ao pânico inconsolável
da criança aterrorizada durante o episódio.
Eles
são mais comuns entre os 3 e os 8 anos de idade.
Um indivíduo sonâmbulo caminha desajeitadamente,
mas, geralmente, evita bater em objetos.
Ele parece confuso, mas não assustado. Uma
criança sonâmbula desperta abruptamente, com
um olhar vazio ou confuso. A princípio, ela não
está totalmente acordada e nem responde a outras
pessoas. Pela manhã, a criança não
consegue
se lembrar do episódio. Aproximadamente
15% das crianças com 5 a 12 anos de idade apresentam
pelo menos um episódio de sonambulismo.
Um a 6% das crianças, mais comumente
meninos em idade escolar, apresentam um sonambulismo
persistente. Um evento estressante
pode desencadear um episódio.
A resistência para ir dormir é um problema
comum,
particularmente em crianças com 1 a 2
anos de idade. As crianças mais novas choram
quando deixadas sozinhas no berço ou saem do
berço e vão em busca dos pais. Este comportamento
está relacionado à ansiedade da separação
e às tentativas da criança de controlar mais
aspectos de seu entorno.
O despertar durante a noite é um outro problema
do sono em crianças pequenas. Aproximadamente
metade das crianças com 6 a 12 meses
de idade despertam durante a noite. As
crianças com ansiedade da separação
freqüentemente
apresentam episódios de despertar
durante a noite. Nas crianças maiores, o despertar
noturno geralmente ocorre após uma
viagem, uma doença ou um outro evento
estressante. Os problemas do sono podem ser
exacerbados pelas sestas prolongadas no final
da tarde ou pelas brincadeiras excessivamente
estimulantes antes da hora de dormir.
Tratamento
Tanto os terrores noturnos como o sonambulismo
quase sempre desaparecem espontaneamente,
embora episódios ocasionais possam
ocorrer durante anos. As crianças que
apresentam persistência desses distúrbios até
a adolescência e a vida adulta podem apresentar
um problema psicológico subjacente.
É totalmente inútil deixar que a criança
que
apresenta resistência para se deitar se levante
ou que ela permaneça no quarto dos pais o tempo
que deseje para que se sinta melhor. Permitir
que a criança durma com os pais somente
prolonga o problema do despertar noturno.
Também são medidas contraproducentes brincar
com a criança ou alimentá-la durante a noite,
assim como bater ou repreendê-la. Geralmente,
levar a criança de volta ao leito e tranquilizá-
la é mais eficaz. Acalmar a criança contando
uma história curta, oferecer-lhe sua boneca
ou seu cobertor preferido e manter uma luz
acesa são medidas freqüentemente úteis.
Para
controlar totalmente o problema, um dos
genitores pode ter que permanecer silenciosamente
no corredor, em frente ao quarto e bem
à vista da criança, para certificar-se de
que ela
permanecerá na cama. Desta forma, a criança
aprenderá que não lhe é permitido sair
da cama.
A criança também aprende que os pais não
podem
ser induzidos a ficar no quarto para contar
mais histórias ou brincar. Finalmente, a criança
acalma-se e acaba dormindo.
Para uma criança que se levanta da cama e
caminha pela casa, a instalação de uma trava
de segurança instalada no lado de fora da porta
do seu quarto pode solucionar o problema.
No entanto, esta medida somente deve ser adotada
após o problema ser cuidadosamente analisado,
para que a criança não se sinta isolada.
Problemas de Aprendizado dos Hábitos
de Higiene
A maioria das crianças possuem controle
intestinal entre os 2 e 3 anos de idade e o
controle vesical (da bexiga) entre os 3 e os 4
anos. Em torno dos 5 anos, uma criança normal
consegue ir ao banheiro sozinha e domina todos
os aspectos dos atos de vestir-se, despirse
e limpar-se. Contudo, aproximadamente 30%
das crianças normais com 4 anos de idade e 10%
de crianças com 6 anos ainda não apresentam
um controle noturno constante.
Prevenção e Tratamento
O melhor modo de se evitar os problemas
relacionados com a interrupção do uso de fraldas
é reconhecer quando a criança está
pronta
para ela. Isto é indicado quando a criança
permanece
seca durante várias horas e deseja ser
trocada quando está molhada. A criança também
demonstra interesse em sentar em uma cadeirinha
com penico ou no vaso sanitário e é
capaz de responder a comandos verbais simples.
Geralmente, as crianças estão preparadas
entre os 24 e 36 meses de idade.
O método mais comum de treinamento de uso
do vaso sanitário é o das horas fixas. Quando
uma criança parece preparada, ela é apresentada
à cadeirinha sanitária e, gradualmente, lhe
é solicitado que sente-se na mesma totalmente
vestida. A seguir, ela é estimulada a praticar o
ato de abaixar as calças, sentar-se na cadeirinha
(durante não mais que 5 a 10 minutos) e
voltar a vestir-se. Explicações simples são
repetidas
várias vezes e estas são reforçadas
pela
colocação de fraldas molhadas ou sujas dentro
do penico da cadeirinha. Quando a criança age
do modo esperado, ela é elogiada ou recompensada.
As demonstrações de raiva ou o castigo
por um fracasso ou um acidente podem ser contraproducentes.
O método das horas fixas funciona funciona
bem para as crianças que urinam ou evacuam
em horários previsíveis. É difícil
prover o
incentivo e as recompensas necessários para
as crianças com horários imprevisíveis.
É melhor
adiar o treinamento dessas crianças até
que elas possam prever sozinhas a necessidade
de ir ao banheiro.
Um segundo método de treinamento exige a
utilização de uma boneca. Para uma criança
que
parece estar preparada, lhe são ensinadas as
etapas do uso do sanitário simulando-se o uso
do vaso sanitário com a boneca. Esta é elogiada
por estar com as calças secas e por cumprir
satisfatoriamente cada etapa do processo. Em
seguida, a criança imita este processo repetidamente
com a boneca, também elogiando-a.
Finalmente, a criança imita a boneca e realiza
as etapas, enquanto sua mãe ou seu pai a elogia
e a recompensa.
Quando uma criança recusa-se a sentar no
vaso sanitário, pode-se permitir que ela levante
e tente novamente após alimentar-se. Quando
ela continua a resistir durante dias, a melhor
estratégia é postergar o treinamento por várias
semanas. Elogiar ou recompensar a criança que
se senta no vaso sanitário e consegue cumprir
satisfatoriamente todas as estapas são medidas
eficazes tanto para as crianças normais como
para as com retardo mental. Assim que o padrão
é estabelecido, ela é recompensada para
cada um dos êxitos e, em seguida, a recompensa é
gradualmente reduzida. As lutas de poder
são improdutivas e podem causar uma tensão
na relação pais-filho. Caso seja criado um
círculo
vicioso de pressão e resistência, este pode
ser rompido com outras técnicas.
ENURESE NOTURNA
A enurese noturna (urinar na cama à
noite) é
a micção acidental e repetida durante o sono
por
uma criança com idade suficiente para controlar
seus esfíncteres.
Aproximadamente 30% das crianças apresentam
enurese (urinam na cama à noite) aos 4
anos de idade, 10% aos 6 anos, 3% aos 12 anos
e 1% aos 18 anos. A enurese é mais comum em
meninos que em meninas e parece ocorrer em
famílias. A enurese é geralmente causada pela
lenta maturação, embora, algumas vezes, ela
acompanhe os distúrbios do sono (p.ex., sonambulismo
e terrores noturnos). Em 1 a 2% dos
casos, a causa pode ser um distúrbio físico
(geralmente
uma infecção das vias urinárias). Em
raros casos, outros distúrbios (p.ex., diabetes)
podem fazer com que a criança molhe a cama.
Ocasionalmente, a enurese é causada por problemas
psiquiátricos, tanto na criança como em
outro membro da família.
Algumas vezes, a enurese cessa e, a seguir,
recomeça. Esta recaída normalmente ocorre
após um evento ou um distúrbio psicologicamente
estressante, mas uma causa física
(p.ex., infecção das vias urinárias)
pode ser a
responsável.
Tratamento
Para as crianças com menos de 6 anos de idade,
o médico geralmente espera que o problema
desapareça com o tempo. Anualmente, em
15% das crianças com mais de 6 anos de idade,
a enurese desaparece espontaneamente. Quando
isto não ocorre, três tipos diferentes de tratamento
podem ser tentados: o aconselhamento
associado à terapia comportamental, o uso de
alarmes e o tratamento medicamentoso.
O aconselhamento associado à terapia comportamental
é provavelmente o tratamento mais
comumente utilizado. Tanto a criança quanto
os pais recebem aconselhamento. Eles aprendem
que a enurese é muito comum, que ela
pode ser corrigida e que ninguém deve sentirse
culpado por isso.
Os alarmes que são disparados quando a enurese
ocorre são indubitavelmente o tratamento
mais eficaz. Eles curam a enurese de aproximadamente
70% das crianças e somente cerca de
10 a 15% delas voltam a urinar na cama após a
sua retirada. Esses alarmes, os quais são disparados
por algumas gotas de urina, são relativamente
baratos e de fácil instalação. A desvantagem
é que o tratamento é lento. Nas primeiras
semanas de uso, a criança desperta apenas após
haver urinado completamente. Nas semanas
seguintes, ela desperta após haver urinado um
pequeno volume de urina e pode molhar a cama
menos freqüentemente. Finalmente, a necessidade
de urinar desperta a criança antes dele molhar
a cama. A maioria dos pais considera que o
alarme pode ser removido após um período de
três semanas sem ocorrência da enurese.
Atualmente, o tratamento medicamentoso é utilizado
muito menos freqüentemente que no passado,
pois os alarmes são mais eficazes. Além
disso, os medicamentos podem produzir efeitos
colaterais. No entanto, quando os outros tratamentos
fracassam e a família deseja o tratamento
medicamentoso, o médico pode prescrever
a imipramina. A imipramina é uma droga
antidepressiva que relaxa a bexiga e contrai
o esfíncter que bloqueia o fluxo urinário.
Quando
o tratamento funciona, o resultado é observado
na primeira semana de tratamento. A resposta rápida
é a única vantagem real do medicamento,
particularmente quando a família e a
criança sentem a necessidade de resolver o problema
rapidamente. Após a criança passar um
mês sem urinar na cama, a dose do medicamento
é reduzida ao longo de 2 a 4 semanas e, a
seguir, ele é suspenso. Contudo, aproximadamente
75% das crianças tratadas com imipramina
voltam a apresentar enurese noturna.
Quando isto ocorre, pode ser tentado um esquema
terapêutico de três meses com esta droga.
Enquanto a criança estiver tomando a
imipramina, a cada 2 a 4 semanas são coletadas
amostras de sangue para se assegurar que não
houve uma redução acentuada da quantidade
de leucócitos (glóbulos brancos), um efeito
colateral raro mas grave.
Uma alternativa é o spray nasal de desmopressina.
Esta droga reduz o débito urinário. Ela
produz poucos efeitos colaterais, mas é cara.
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Terapia Comportamental para
a Enurese
Responsabilidades da criança
Manter um calendário para anotar as
noites molhadas e secas
Abster-se de ingerir qualquer tipo de líquido
2 a 3 horas antes de ir para a cama
Urinar antes de ir para a cama
Trocar as roupas pessoais e de cama quando
urinar
Responsabilidades dos pais
Não punir a criança por ter urinado
na cama, nem ficar bravo quando isto ocorrer
Elogiar e recompensar (uma estrela no calendário
ou outros tipos de recompensa, dependendo da idade
da criança) por cada noite seca
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ENCOPRESE
A encoprese é a evacuação
involuntária que
não é causada por uma doença ou uma
anomalia
física.
Aproximadamente 17% das crianças com 3
anos de idade e 1% das crianças com 4 anos
apresentam evacuações involuntárias.
A maioria
dessas evacuações involuntárias são
decorrentes
da resistência ao treinamento do uso do
vaso sanitário. No entanto, a encoprese é
algumas
vezes causada pela constipação crônica,
a
qual distende a parede intestinal, reduz a percepção
da criança de que seu intestino está
cheio e compromete o controle muscular.
Inicialmente, o médico procura determinar se
a causa é física ou psicológica. Quando
a causa
é a constipação, um laxante é
prescrito e outras
medidas são instituídas para assegurar a evacuação
normal. Quando isto falha, exames diagnósticos
devem ser realizados. O aconselhamento
psicológico pode ser necessário para as crianças
cuja encoprese é resultante da resistência
ao treinamento para o uso do vaso sanitário.
Causas
de Constipação Crônica Que Acarretam
a Encoprese
Reter as fezes por medo de usar o vaso sanitário
Resistência ao treinamento do uso do vaso
sanitário
Laceração dolorosa do revestimento
do ânus (fissura anal)
Defeitos congênitos (p.ex., anomalia da
medula espinhal ou anomalias anais)
Doença de Hirschsprung
Concentração baixa do hormônio
tireoidiano
Desnutrição
Paralisia cerebral
Doença psiquiátrica na criança
ou na família |
Fobias
Uma fobia é um medo irracional
ou exagerado
de objetos, situações ou funções
corpóreas que
não são inerentemente perigosos.
As fobias são diferentes dos medos normais
de um determinado estágio do desenvolvimento
da criança ou dos temores causados por conflitos
familiares. A fobia à escola é um exemplo
de temor exagerado. Ela pode fazer que uma criança
com 6 ou 7 anos se recuse terminantemente
a ir à escola. A criança pode recusar-se diretamente
a ir à escola ou pode queixar-se de dor de
estômago, náusea ou outros sintomas que justifiquem
a sua permanência em casa. Esta criança
pode estar apresentando uma reação exagerada
de medo ao rigor ou às reprimendas de um professor,
fatores que podem atemorizar uma criança
sensível. Nas crianças maiores, com 10 a
14 anos de idade, a fobia à escola pode ser um
indício de um problema psicológico mais grave.
Tratamento
A criança menor com fobia à escola deve
retornar à escola imediatamente para não se
atrasar
em suas tarefas escolares. Quando a fobia é
muito intensa e interfere na atividade da criança
e esta não responde ao apoio dos pais ou dos
professores, pode ser justificável o seu encaminhamento
a um psicólogo ou a um psiquiatra.
Algumas crianças parecem recuperar-se da fobia
à escola, voltando a apresentá-la após
uma
doença real ou no retorno das férias. O retorno
imediato à escola não é tão
urgente para uma
criança maior, cujo tratamento pode depender
de uma avaliação de sua saúde mental.
Medos Normais na Infância
O medo da escuridão, de monstros,
de
insetos e de aranhas são comuns nas
crianças com 3 a 4 anos de idade. O medo
da morte e o de se machucar são mais
comuns em crianças maiores. As histórias,
filmes ou programas de televisão
assustadores são freqüentemente
desagradáveis para as crianças e podem
aumentar os seus medos. Afirmações que
os pais podem fazer em momentos de
raiva ou de brincadeira podem ser
interpretadas literalmente pelas crianças
em idade pré-escolar e podem causar
perturbações. As crianças tímidas
podem
reagir a situações novas com medo ou
isolamento.
Uma criança pode ser confortada por
atitudes tranqüilizadoras dos pais (p.ex.,
explicações de que monstros não
existem,
de que as aranhas são inofensivas e de
que o que foi visto na televisão não é
real).
Quando os pais fazem afirmações que
perturbam a criança, tanto em momentos
de raiva como de brincadeira, elas devem
ser explicadas para diminuir a inquietação
da criança. Os pais podem ajudar uma
criança tímida a adaptar-se a uma situação
que lhe causa medo, expondo-a
repetidamente à mesma situação,
sem pressão, e oferecendo-lhe segurança.
|
Hiperatividade
A hiperatividade é um nível
de atividade e excitação
tão elevado em uma criança que preocupa
os pais os as pessoas que cuidam da mesma.
Geralmente, as crianças com 2 anos de idade
são ativas e raramente permanecem quietas.
Também é normal que uma criança com
4 anos
seja muito ativa e faça muito barulho. Em ambas
as faixas etárias, este comportamento é normal
para o estágio de desenvolvimento. Contudo, o
comportamento ativo freqüentemente causa
conflitos entre pais e filhos e pode preocupar
os pais. Se o nível de atividade é percebido
como hiperatividade freqüentemente depende
de grau de tolerância da pessoa importunada.
Contudo, algumas crianças são claramente mais
ativas e possuem períodos de atenção
mais curtos
que o considerado normal. A hiperatividade
pode criar problemas para as pessoas que vigiam
essas crianças.
A hiperatividade pode ter várias causas (p.ex.,
distúrbios emocionais ou anomalias da função
cerebral). Por outro lado, a hiperatividade pode
ser simplesmente um exagero do temperamento
normal da criança.
Tratamento
Os adultos geralmente enfrentam a hiperatividade
da criança com reprimendas e castigos.
No entanto, essas respostas geralmente acabam
surtindo o efeito contrário, aumentando o nível
de atividade da criança. Evitar as situações
nas quais a criança deve permanecer sentada e
imóvel durante um período prolongado ou encontrar
um professor especializado na educação
de crianças hiperativas pode ser útil.
Distúrbio do Déficit de Atenção
O distúrbio do déficit da
atenção é caracterizado
pela incapacidade da criança de prestar atenção
adequadamente ou por um período de tempo
adequado e por uma impulsividade inadequada para a idade,
com ou sem hiperatividade.
Estima-se que o distúrbio do déficit de atenção
afeta 5 a 10% de crianças em idade escolar,
sendo diagnosticada 10 vezes mais freqüentemente
em meninos que em meninas. Freqüentemente,
muitos sintomas do distúrbio do déficit
de atenção são observados antes dos
4 anos
e invariavelmente antes dos 7 anos, mas eles
podem não interferir de modo importante até
o meado dos anos escolares.
Este distúrbio geralmente é hereditário.
As
pesquisas recentes indicam que ele é causado
por anomalias dos neurotransmissores (substâncias
que transmitem os impulsos nervosos no
interior do cérebro). O distúrbio do déficit
de
atenção é freqüentemente acentuado
pelo ambiente
familiar ou escolar.
Sintomas
O distúrbio do déficit de atenção
é basicamente
um problema de manutenção da atenção
e
da concentração e de persistência nas
tarefas.
Uma criança com o distúrbio do déficit
de atenção
também pode ser impulsiva e hiperativa.
Muitas crianças em idade pré-escolar que o
apresentam são ansiosas, apresentam problemas
de comunicação e de interação
e comportam-
se inadequadamente. No final da infância,
essas crianças podem movimentar continuamente
os membros inferiores, mover e esfregar
as mãos, falar impulsivamente, esquecer com
facilidade e ser desorganizadas, embora elas
geralmente não sejam agressivas. Aproximadamente
20% das crianças com distúrbio do déficit
de atenção apresentam problemas de aprendizado
e aproximadamente 90% apresentam
problemas escolares. Cerca de 40% apresentam
depressão, ansiedade e rebeldia ao chegarem à
adolescência. Aproximadamente 60% das crianças
menores apresentam problemas (p.ex., episódios
de mau humor) e a maioria das crianças
maiores apresentam uma baixa tolerância à frustração.
Embora a impulsividade e a hiperatividade
tendam a diminuir com a idade, a
desatenção e os sintomas relacionados podem
perdurar até a vida adulta.
Diagnóstico
O diagnóstico é baseado na quantidade, na
freqüência e na gravidade dos sintomas. Freqüentemente,
o diagnóstico é difícil, pois ele
depende da avaliação do observador. Além
disso,
muitos sintomas não são exclusivos de crianças
com o distúrbio. Uma criança sem distúrbio
do déficit de atenção pode apresentar
um ou mais desses sintomas.
Tratamento e Prognóstico
As drogas psicoestimulantes representam o
tratamento mais eficaz. A terapia comportamental
realizada por um psicólogo infantil é geralmente
combinada ao tratamento medicamentoso.
Freqüentemente, são necessárias
estruturas, rotinas e técnicas adaptadas para cada
circunstância. O tratamento medicamentoso
pode ser suficiente para resolver o
distúrbio em crianças que não são
demasiadamente
agressivas e são provenientes de um ambiente
familiar estável.
O metilfenidato é a droga prescrita mais
freqüentemente. Ela demonstrou ser mais eficaz
que os antidepressivos, a cafeína e outros
psicoestimulantes e que produz menos efeitos
colaterais que a dextroanfetamina. Os efeitos
colaterais do metilfenidato são distúrbios
do
sono (p.ex., insônia) e supressão do apetite.
Outros efeitos colaterais são a depressão
ou a tristeza,
cefaléias (dores de cabeça), dores de estômago
e hipertensão arterial. Quando tomado em
doses elevadas e durante um longo tempo, o
metilfenidato pode retardar o crescimento.
As crianças com distúrbio do déficit
de atenção
geralmente não superam suas dificuldades.
Os problemas que se manifestam ou persistem
na adolescência e na vida adulta incluem o fracasso
nos estudos, a baixa auto-estima, a ansiedade,
a depressão e a dificuldade para adquirir
um comportamento social adequado. Os indivíduos
com distúrbio do déficit de atenção
parecem
ajustar-se às situações laborativas
que às
escolares. Quando o distúrbio não é
tratado, o
risco de uso abusivo de álcool ou de drogas ou o
risco de suicídio são mais elevados entre
as pessoas
com este distúrbio que na população
geral.
Sintomas do
Distúrbio do Déficit da Atenção
O diagnóstico do distúrbio
do déficit de atenção usualmente
exige que a criança apresente freqüentemente
pelo menos 8 dos 14 sintomas seguintes:
Ela esfrega freqüentemente as mãos
ou os pés ou fica se contorcendo na cadeira (agitação)
Apresenta dificuldade para permanecer sentada
quando lhe é exigido
Distrai-se facilmente com estímulos externos
Apresenta dificuldade para esperar a sua vez
em jogos ou situações de grupo
Freqüentemente, deixa escapar impulsivamente
as respostas antes que as perguntas sejam concluídas
Apresenta dificuldade para seguir instruções
de outros, mesmo quando ela as compreende e não
tenta contrariá-las
Apresenta dificuldade para manter a atenção
em tarefas ou em atividades lúdicas
Freqüentemente passa de uma tarefa incompleta
a outra
Apresenta dificuldade para brincar tranqüilamente
Freqüentemente ela fala excessivamente
Freqüentemente ela interrompe ou incomoda
os outros
Freqüentemente ela parece não escutar
o que está sendo dito
Freqüentemente ela perde as coisas necessárias
para tarefas ou atividades na escola ou em casa
Freqüentemente ela envolve-se em atividades
físicas perigosas sem levar em consideração
as possíveis conseqüências
|
Incapacidades de Aprendizagem
As incapacidades de aprendizagem são
incapacidades em adquirir, reter e utilizar
amplamente as habilidades específicas ou as
informações decorrentes de déficits
da atenção,
da memória ou do raciocínio e afetando o
desempenho escolar.
Existem muitos tipos de incapacidades de
aprendizagem e não existe uma única causa
responsável
por elas. Contudo, acredita-se que a
base de todas as incapacidades de aprendizagem
seja uma função cerebral anormal. Estima-se
que
entre 3 a 15% das crianças norte-americanas em
idade escolar possam necessitar de serviços educacionais
especiais para compensar as incapacidades
de aprendizagem. A incidência de incapacidades
de aprendizagem é 5 vezes maior entre
os meninos que entre as meninas.
Sintomas
Uma criança pequena que apresenta uma incapacidade
de aprendizagem geralmente apre-senta problemas para coordenar
a visão com
os movimentos e pode ser desajeitada ao realizar
atividades físicas (p.ex., cortar, colorir, abotoar
a roupa, dar laço em cadarços de sapatos e
correr). A criança pode ter problemas de percepção
visual ou de processamento dos sons
(p.ex., identificação de seqüências
ou padrões e
distinção de sons) ou problemas de memória,
de fala, de raciocínio e de audição.
Algumas crianças
apresentam problemas de leitura, outras
de escrita e outras de cálculo. No entanto, a
maioria das incapacidades de aprendizagem são
complexas e acompanhadas de incapacidades
em outras áreas.
A criança menor pode ser lenta para aprender
os nomes das cores ou das letras, para designar
palavras aos objetos familiares, para contar
e para progredir em outras habilidades
iniciais do aprendizado. A aprendizagem da leitura
e da escrita pode ser retardada. Outros sintomas
são: o baixo nível de atenção
e a distração,
a fala titubeante e a pouca memória. A
criança pode apresentar dificuldade para desenhar
e copiar, atividades que exigem uma coordenação
motora fina.
Uma criança
com uma incapacidade de aprendizagem
pode apresentar dificuldade para comunicar-se e para controlar
seus impulsos e
pode ter problemas disciplinares. Pode distrair-se facilmente,
ser hiperativa, introvertida, tímida,
ou agressiva.
Diagnóstico e Tratamento
O médico examina a criança para detectar
qualquer distúrbio físico. A seguir, a criança
é
submetida a uma série de testes de inteligência,
verbais e não-verbais, incluindo teses de leitura,
de escrita e de habilidade matemática. O
teste psicológico é a etapa final da avaliação.
Apesar de sua eficácia não ter sido demonstrada,
freqüentemente são adotadas medidas como
a eliminação de aditivos alimentares, a administração
de doses elevadas de vitaminas e a determinação
da concentração sérica de elementos
vestigiais (oligominerais). Não existe um tratamento
medicamentoso que tenha um efeito importante
sobre o rendimento escolar, a inteligência
e a capacidade geral de aprendizado. No
entanto, certas drogas (p.ex., metilfenidato) podem
melhorar a atenção e a concentração.
Esta
melhoria aumenta a capacidade de aprendizado
da criança. O tratamento mais útil para uma
incapacidade
de aprendizagem é a educação cuidadosamente
adaptada de forma individual.
DISLEXIA
A dislexia é fundamentalmente uma incapacidade
específica de aprendizagem baseada na linguagem.
Este distúrbio interfere no aprendizado das palavras
e da leitura, apesar da criança possuir uma inteligência
normal ou acima da normal, uma motivação adequada
e oportunidades educativas adequadas e uma visão
e uma audição normais.
A dislexia tende a ocorrer em famílias e sua incidência
é maior entre os meninos que entre as meninas. A
dislexia é causada sobretudo por deficiências
no processamento de sons e da linguagem falada. As deficiências
estão presentes desde o nascimento, afetam a decodificação
das palavras e podem causar problemas de ortografia e de
escrita.
Substituições
Comuns de Palavras e Letras na Dislexia
|
|
Estas letras e palavras
|
são substituídas
por
|
Estas letras e palavras |
|
f
|
|
t
|
|
d
|
|
b
|
|
m
|
|
n
|
|
w
|
|
m
|
|
v
|
|
f
|
|
sol
|
|
los
|
|
som
|
|
mos
|
Sintomas e Diagnóstico
As crianças disléxicas em idade pré-escolar
podem demorar muito para falar, podem apresentar problemas
de articulação das palavras e dificuldades
para lembrar os nomes das letras, dos números e das
cores. As crianças disléxicas freqüentemente
apresentam dificuldade para combinar os sons, rimar palavras,
identificar a posição dos sons nas palavras,
segmentar palavras em sons e identificar o número
de sons nas palavras. Os retardos ou hesitações
na escolha das palavras, na substituição de
palavras e na nomeação de letras e números
são indicadores precoces de dislexia. São
freqüentes os problemas de memória recente para
os sons e para colocá-los na ordem correta.
Muitas crianças com dislexia confundem letras e palavras
com outras semelhantes. É comum ocorrer inversão
de letras durante a escrita (p.ex., me no lugar de em) ou
a confusão entre letras (p.ex., d no lugar de b).
As crianças que não progridem no aprendizado
da linguagem até a metade ou o final do primeiro
grau de escolarização devem ser submetidas
a exames para saber se padecem de dislexia. As crianças
que, em qualquer nível escolar, não lêem
com a desenvoltura esperada de acordo com suas capacidades
verbais ou intelectuais também devem ser examinadas.
Qualquer criança que apresente lentidão no
aprendizado da leitura ou para adquirir fluência na
fala também deve ser examinada para se descartar
a dislexia.
Tratamento
O melhor tratamento é a instrução direta,
a qual incorpora aspectos multissensoriais. Este tipo de
tratamento consiste no ensino da fonética através
de várias indicações, em geral separadamente,
e, quando possível, dentro de um programa de leitura.
A instrução indireta também
é útil. Ela geralmente consiste no treinamento
para melhorar a pronúncia das palavras ou a compreensão
da leitura. As crianças são ensinadas como
processar sons através da combinação
de sons para formar palavras, da separação
das palavras em segmentos e através da identificação
das posições dos sons nas palavras.
Os tratamentos indiretos podem ser utilizados, mas
não são recomendados. Ensina-se às
crianças a ler, a melhorar a leitura ou a falar de
forma indireta como, por exemplo, utilizandose lentes coloridas
que permitem que palavras e letras sejam lidas mais facilmente,
exercícios de movimento dos olhos ou exercícios
de percepção visual. Também foram testadas
drogas como o piracetam. No entanto, os benefícios
da maioria dos tratamentos indiretos ainda não foram
demonstrados.
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