|
A maioria dos episódios de doença com febre
em crianças é causada por infecções
virais, embora as infecções bacterianas também
possam produzir febre. As infecções bacterianas
podem ser graves, mas, geralmente, são tratadas imediatamente
com antibióticos. Por essa razão, o diagnóstico
precoce de uma infecção bacteriana é
importante para assegurar um tratamento imediato.
Freqüentemente, a diferenciação entre
uma infecção bacteriana e uma infecção
viral é difícil. Em geral, as infecções
bacterianas tendem a produzir uma febre mais alta (até
41°C) e uma contagem leucocitária mais elevada.
As crianças com um risco especial de contrair infecções
bacterianas são os lactentes com menos de 2 meses
de idade, as crianças que não possuem baço
ou que apresentam outros distúrbios do sistema imune
e aquelas com anemia falciforme. Nos climas temperados,
muitas infecções bacterianas e virais ocorrem
nos meses de inverno, talvez favorecidas pelas condições
de aglomeração em ambientes fechados, mas
algumas ocorrem no verão.
Infecções
Bacterianas que Podem ser Evitadas com a Vacinação
Sistemática*
Difteria
Infecção pelo Hemophilus influenzae
do tipo b (meningite, epiglotite, algumas infecções
oftálmicas graves, alguns tipos de bacteremia
oculta)
Coqueluche
Tétano
Tuberculose
Pneumonias
*Nota: Muitas infecções
virais também podem ser evitadas com a vacinação
sistemática |
Difteria
A difteria é uma infecção
contagiosa, algumas vezes fatal, causada pela bactéria
Corynebacterium diphtheriae.
Há alguns anos, a difteria era uma das principais
causas de morte infantil. Atualmente, a difteria é
rara nos países desenvolvidos, principalmente em
decorrência dos programas de vacinação
maciça contra a doença. Nos Estados Unidos,
desde 1980, ocorreram menos de 5 casos por ano. No entanto,
as bactérias da difteria estão presentes no
mundo e podem causar epidemias se a vacinação
maciça não for realizada. O surto mais importante
dos últimos 50 anos ocorre na Rússia e em
outros países da ex-União Soviética.
As bactérias causadoras da difteria geralmente são
disseminadas através de perdigotos (gotículas
de saliva) presentes no meio ambiente, expelidos através
da tosse. Em raros casos, as bactérias podem disseminar-se
através de objetos domésticos contaminados
(p.ex., roupas ou brinquedos). Em geral, as bactérias
multiplicam-se sobre a superfície ou próximo
das membranas mucosas da boca ou da garganta, onde causam
inflamação. Alguns tipos de Corynebacterium
diphtheriae liberam uma toxina potente, a qual pode
lesar o coração e o cérebro.
Sintomas
A infecção começa 1 a 4 dias após
a exposição à bactéria. Os sintomas
geralmente iniciam com uma dor de garganta discreta e dor
à deglutição. Geralmente, a criança
apresenta uma febre baixa, um aumento da freqüência
cardíaca, náusea, vômito, calafrios
e cefaléia (dor de cabeça). Os linfonodos
do pescoço podem aumentar de volume. A criança
pode apresentar coriza (freqüentemente apenas em uma
narina) quando a bactéria instala-se no nariz. A
inflamação pode disseminar-se da garganta
para a laringe e produzir edema, estreitando as vias respiratórias
e tornando a respiração extremamente difícil.
Geralmente, as bactérias formam uma pseudomembrana
(uma camada de material composto por leucócitos mortos,
bactérias e outras substâncias) próximo
das amígdalas ou em outras partes da garganta. A
pseudomembrana é resistente e de coloração
acinzentada. Quando a pseudomembrana é removida à
força, a membrana mucosa subjacente pode sangrar.
A pseudomembrana pode estenosar a via respiratória
ou descolar subitamente e obstruir totalmente a via respiratória,
impedindo que a criança respire (uma situação
clínica de emergência). No entanto, algumas
crianças com um quadro leve de difteria não
chegam a formar essa pseudomembrana.
Quando as bactérias liberam uma toxina, esta dissemina-
se através da corrente sangüínea e pode
lesar tecidos de todo o corpo, especialmente do coração
e dos nervos. A miocardite (lesão do músculo
cardíaco) geralmente é mais grave em torno
do 10o ao 14o dia, mas pode ocorrer em qualquer momento
entre a primeira e a sexta semana da doença. A lesão
cardíaca pode ser apenas discreta, revelandose através
de alterações eletrocardiográficas
menores, ou muito grave, ao ponto de causar insuficiência
cardíaca e morte súbita.
A toxina geralmente afeta certos nervos como, por exemplo,
os da garganta, dificultando a deglutição.
Esses nervos são comumente afetados durante a primeira
semana de doença. Entre a terceira e a sexta semana,
os nervos dos braços e das pernas podem ficar inflamados,
causando enfraquecimento. O coração e os nervos
recuperam-se lentamente, ao longo de muitas semanas. A difteria
também pode afetar a pele (difteria cutânea).
Embora seja mais comum nos trópicos, esse tipo também
ocorre nos Estados Unidos, particularmente entre pessoas
que vivem em más condições de higiene
e em ambientes de aglomeração (por exemplo,
pessoas sem-teto). Em raras circunstâncias, a difteria
afeta o olho.
Diagnóstico e Tratamento
O médico suspeita de difteria quando uma criança
doente apresenta irritação de garganta e uma
pseudomembrana. O diagnóstico pode ser confirmado
através da coleta de uma amostra da membrana da garganta
com um swab (espátula com ponta de algodão),
a qual é enviada para cultura.
Uma criança com sintomas de difteria deve ser internada
em uma unidade de terapia intensiva. O mais breve possível,
é administrada uma antitoxina (anticorpo que neutraliza
a toxina diftérica circulante). No entanto, é
necessário que o médico se assegure previamente
que a criança não é alérgica
à antitoxina. Isto é feito com soro de cavalo,
mediante a realização de testes cutâneos
especiais. A criança alérgica deve ser primeiramente
dessensibilizada. Para isto, o médico administra
uma dose muito pequena da antitoxina e, em seguida, são
administradas doses progressivamente maiores.
Na unidade de terapia intensiva, os médicos e os
enfermeiros cuidam para que não ocorra obstrução
das vias respiratórias e para que o coração
funcione satisfatoriamente. Antibióticos (p.ex.,
penicilina ou eritromicina) são administrados para
erradicar a bactéria causadora da difteria.
A recuperação de uma difteria grave é
lenta e não deve ser permitido que a criança
retome suas atividades muito rapidamente. Mesmo o esforço
físico normal pode lesar um coração
inflamado.
Prevenção
As crianças são rotineiramente imunizadas
contra a difteria. A vacina contra esta infecção
é geralmente combinada a vacinas contra o tétano
e contra a coqueluche (pertussis) na vacina DTP (difteria-tétano-pertussis).
Quando alguém imunizado contra a difteria é
exposto a uma pessoa com a infecção, uma dose
de reforço provê uma maior proteção.
Qualquer pessoa exposta a uma criança com difteria
deve ser examinada e um swab da garganta deve ser enviado
ao laboratório para cultura do material coletado.
A antibioticoterapia profilática é administrada
por 7 dias e o indivíduo é controlado, observando-se
a presença de evidências da doença.
Qualquer pessoa que permanece em contato íntimo com
uma criança infectada e que não foi vacinada
contra a difteria ou não recebeu um reforço
nos últimos 5 anos deve ser vacinada ou receber uma
dose de reforço. As pessoas cuja cultura de material
da garganta apresenta um resultado normal e que foram vacinadas
recentemente contra a difteria não necessitam de
tratamento e não são consideradas um risco
para outras pessoas.
Coqueluche
A coqueluche (pertussis) é uma
infecção altamente contagiosa causada pela
bactéria Bordetella pertussis, que produz
episódios de tosse que habitualmente terminam em
uma inspiração prolongada e profunda e com
a produção de um som agudo (estridor, guincho).
A coqueluche, outrora muito freqüente nos Estados Unidos
e ainda um problema importante no mundo todo, vem se tornando
novamente mais comum nos Estados Unidos desde o finalfinal
da década de 1980. Epidemias locais têm ocorrido
a cada 2 a 4 anos. Um indivíduo pode apresentar coqueluche
em qualquer idade, mas a metade dos casos ocorre em crianças
com menos de 4 anos. Nem sempre um episódio de coqueluche
confere uma imunidade total e permanente, mas um segundo
episódio, quando ele ocorre, normalmente é
discreto e nem sempre é diagnosticado como coqueluche.
Uma pessoa infectada dissemina os microrganismos da coqueluche
no ar em perdigotos (gotículas de saliva) expelidos
através da tosse. Qualquer pessoa nas proximidades
pode inalálos e infectar-se. Uma pessoa com coqueluche
geralmente deixa de ser infectante após a terceira
semana da doença.
Estágios
da Coqueluche
|
|
Primeiro Estágio (Catarral)
|
Segundo Estágio (Paroxístico)
|
Terceiro Estágio (de Convalescença)
|
| Início |
|
Começa gradualmente 7 a 10
dias (não mais de 3 semanas) após a
exposição
|
Começa 10 a 14 dias após
os primeiros sintomas
|
Começa 4 ou 6 semanas depois
dos primeiros sintomas
|
| Sintomas |
|
Espirros, lacrimejamento e outros
sintomas semelhantes ao do resfriado; inapetência,
apatia; tosse seca e incômoda, inicialmente
noturna e, a seguir, diurna e cada vez mais freqüente;
a febre é rara
|
Episódios de tosse de 5 a 15
ou tosses mais rápidas e consecutivas, seguidas
por uma inspiração profunda (inalação
de ar rápida e profunda, a qual produz um ruído
agudo, um estridor). Após algumas respirações
normais, pode ocorrer um outro episódio de
tosse. Uma grande quantidade de muco espesso pode
ser expectorada através da tosse (o qual é
geralmente deglutido por lactentes ou crianças
ou que pode ser observado como grandes bolhas que
saem pelas narinas), durante ou após o episódio
de tosse. Um episódio prolongado de tosse ou
o muco espesso podem provocar vômito. Nos lactentes,
episódios de asfixia e de apnéia (paradas
respiratórias transitórias), que podem
fazer com que a pele se torne azulada, são
mais comuns que os estridores
|
Os acessos de tosse tornam-se menos
freqüentes e graves; o vômito diminui;
a criança tem melhor aspecto e se sente melhor.
Podem ocorrer acessos de tosse ocasionais durante
meses, normalmente iniciados por irritação
decorrente de uma infecção do trato
respiratório, por exemplo um resfriado
|
Sintomas e Diagnóstico
Em média, os sintomas começam 7 a 10 dias
após a exposição à bactéria
causadora da coqueluche. As bactérias invadem o revestimento
da garganta, da traquéia e das vias aéreas,
aumentando a secreção de muco. A princípio,
o muco é fluido, mas, a seguir, ele torna-se mais
espesso e viscoso. A infecção dura aproximadamente
6 semanas, evoluindo em três estágios: estágio
catarral (sintomas leves semelhantes ao de um resfriado),
estágio paroxístico (episódios de tosse
intensa) e estágio de convalescença (recuperação
gradual).
O médico que examina uma criança no primeiro
estágio (catarral) tem de saber diferenciar a coqueluche
da bronquite, da gripe e de outras infecções
virais e inclusive da tuberculose, uma vez que todas essas
doenças produzem sintomas parecidos. O médico
coleta amostras de muco do nariz e da garganta com um swab.
A seguir, é realizada a cultura da amostra em laboratório.
Quando a criança encontra-se no estágio inicial
da doença, a cultura do material consegue identificar
as bactérias responsáveis pela coqueluche
em 80 a 90% dos casos. Infelizmente, a cultura dessas bactérias
nas fases mais avançadas da doença é
difícil, embora a tosse esteja em sua pior fase.
Os resultados podem ser obtidos mais rapidamente através
do exame de amostras para detectar bactérias da coqueluche
utilizando corantes de anticorpos especiais, mas esta técnica
é menos confiável.
Complicações
As complicações mais comuns afetam as vias
respiratórias. Os lactentes apresentam um risco
especial de lesão devido à falta de oxigênio
após períodos de apnéia (paradas respiratórias
transitórias) ou episódios de tosse. As crianças
podem apresentar pneumonia, a qual
pode ser fatal. Durante os episódios de tosse, o
ar pode ser impulsionado dos pulmões para o
interior dos tecidos que os circundam ou os
pulmões podem romper e colapsar (pneumotórax).
Os episódios de tosse intensa podem
causar hemorragia ocular, nas membranas
mucosas e, ocasionalmente, na pele ou no cérebro.
Pode ocorrer a formação de uma úlcera
sob a língua quando esta é comprimida contra
os dentes inferiores durante os episódios de
tosse. Ocasionalmente, a tosse pode causar
prolapso retal (exteriorização do reto) ou
uma
hérnia umbilical, a qual pode ser observada
como uma protuberância.
Os lactentes podem apresentar convulsões,
mas elas são raras em crianças maiores. A
hemorragia,
o edema ou a inflamação cerebral podem
causar lesão cerebral e retardo mental, paralisia
ou outros distúrbios neurológicos. A otite
média
(infecção do ouvido) também ocorre
freqüentemente
em conseqüência da coqueluche.
Prognóstico e Tratamento
A grande maioria das crianças com coqueluche
recupera-se completamente, embora a sua recuperação
seja lenta. Aproximadamente 1 a 2% das
crianças com menos de 1 ano de idade morrem.
A doença pode ser grave em qualquer criança
com
menos de 2 anos e é problemática mas raramente
grave em crianças maiores e em adultos. Contudo,
são as crianças maiores e os adultos com a
forma leve da doença que geralmente transmitem
a coqueluche para as crianças menores.
Os lactentes gravemente doentes geralmente
são internados porque eles necessitam de cuidados
de enfermagem e de oxigênio. Eles podem
necessitar de tratamento em uma unidade de
terapia intensiva. Esses lactentes geralmente são
mantidos em um quarto escuro e silencioso e
são perturbados o mínimo possível.
Um distúrbio
pode provocar um episódio de tosse, o qual
pode causar dificuldade respiratória. As crianças
maiores com um quadro leve não necessitam
permanecer confinadas ao leito.
Durante o tratamento, pode ser realizada a
aspiração do muco da garganta. Em casos
graves e quando for necessário, é realizada
a
colocação de uma cânula (tubo) traqueal
para
a liberação direta de oxigênio aos pulmões.
Os
medicamentos contra tosse são de valor
questionável e geralmente não são prescritos.
Pode ser realizada a administração intra-venosa
de líquidos para se repor os líquidos perdidos
durante os episódios de vômito e porque a tosse
pode impedir a alimentação da criança.
A boa nutrição
é importante e, para as crianças maiores,
é
melhor fracionar a alimentação em pequenas
refeições
freqüentes. O médico geralmente prescreve
o antibiótico eritromicina, com o objetivo de
erradicar as bactérias causadoras da coqueluche.
Os antibióticos também são utilizados
para combater
as infecções que acompanham a coqueluche
(p.ex., pneumonia e otite média).
Prevenção
As crianças são vacinadas sistematicamente
contra a coqueluche. Em geral, a vacina contra
coqueluche é combinada com as vacinas contra
a difteria e o tétano, a vacina DTP (difteriatétano-
pertussis). O antibiótico eritromicina
é administrado como medida profilática às
pessoas
expostas à coqueluche.
Bacteremia Oculta
A bacteremia oculta é a presença
de bactérias
na corrente sangüínea, embora não haja
sinais
de infecção em qualquer outro local do corpo
e a
criança não pareça particularmente
doente.
A bacteremia oculta é responsável por até
4% das
febres em lactentes com idade entre 1 e 24 meses.
Em mais de 75% dos casos, a infecção é
causada
pela bactéria Streptococcus pneumoniae. Algumas
vezes, a criança apresenta uma infecção
leve do trato
respiratório ou uma dor de garganta, mas,
freqüentemente, o único sintoma presente é
a febre
(38,5°C ou mais). A única maneira de se estabelecer
o diagnóstico é a detecção da
bactéria em uma amostra
de sangue. Exames inespecíficos (p.ex., contagem
leucocitária) são realizados para se determinar
se o risco de uma infecção bacteriana (em
oposição a uma infecção viral)
é tal que requer a
administração de antibióticos antes
que os resultados
das culturas do sangue estejam disponíveis. A
bacteremia oculta é tratada com antibióticos.
Gastroenterite Infecciosa
Gastroenterite infecciosa é uma
infecção do trato
gastrointestinal (digestivo) que causa vômito
e diarréia.
Uma grande variedade de bactérias pode causar
uma gastroenterite. Algumas causam sintomas
por produzirem toxinas; outras crescem na
parede intestinal. Quando crescem no interior
da parede, elas podem invadir a corrente sangüínea.
Os vírus e os parasitas (p.ex., Giardia) também
podem causar gastroenterite. Nos Estados
Unidos e nos países em desenvolvimento, o
rotavírus é responsável por quase metade
dos
casos de diarréia intensa que resultam em
hospitalização. As bactérias e os parasitas
são
um pouco menos importantes nos Estados Unidos,
ao contrário do que ocorre nos países em
desenvolvimento, mas também causam surtos
de intoxicação alimentar e diarréia.
As conseqüências
da diarréia intensa são muito diferentes
nos países industrializados e nos países em
desenvolvimento. Por exemplo, nos Estados Unidos,
apesar dos milhões de episódios de diarréia
infantil que ocorrem anualmente, são
registradas apenas algumas centenas de mortes,
enquanto que a doença diarréica mata anualmente
mais de 3 milhões de crianças com menos de
5 anos nos países em desenvolvimento.
Sintomas e Diagnóstico
A gastroenterite normalmente produz vômito
e diarréia. Para determinar a sua causa, o médico
investiga se a criança foi exposta a uma
fonte de infecção (p.ex., um determinado tipo
de alimento, um animal ou uma pessoa doente),
há quanto tempo ela apresenta sintomas,
quais são os sintomas e a freqüência do
vômito
e da diarréia. O médico também leva
em consideração
a idade da criança.
Em menos de 24 horas após o início da
gastroenterite, os lactentes com menos de 6
meses de idade podem apresentar desidratação,devido
à perda excessiva de água e sais (eletrólitos).
No entanto, qualquer criança pode
apresentar desidratação em 24 horas quando
o
vômito e a diarréia são intensos e a
ingestão de
líquido é inadequada. Um lactente desidratado
pode apresentar inapetência, boca seca, febre
e um baixo débito urinário. Ela pode tornar-se
sedenta e perder peso. A desidratação mais
grave faz com que os olhos pareçam afundados
e secos. Além disso, a criança apresenta um
afundamento da fontanela (ponto mole localizado
na parte superior da cabeça). A criança
pode tornar-se sonolenta. Nos lactentes maiores
e nas crianças menores com excesso de
peso, os sintomas podem surgir somente quando
a desidratação é crítica. Estas
crianças podem
apresentar uma fraqueza acentuada, pele
seca e olhos fundos e secos.
Tratamento
Primeiramente, é realizada a administração
de
líquidos e eletrólitos (geralmente sob a forma
de
uma solução oral, mas através da via
intravenosa
quando a desidratação é grave) para
repor os
líquidos e eletrólitos perdidos através
do vômito
e da diarréia. Antibióticos somente são
administrados
aos lactentes maiores e às crianças
saudáveis para combater determinadas bactérias
e parasitas, como os que causam diarréia sanguinolenta
ou cólera. Os lactentes com menos
de 6 meses de idade e os com comprometimento
do sistema imune são tratados com antibióticos,
mesmo quando não apresentam sinais de
infecção fora do intestino. Os antibióticos
são
inúteis quando a gastroenterite é causada
por
um vírus. Quando a diarréia é relacionada
a uma
viagem ou quando ela é grave ou persistente, os
antibióticos são freqüentemente utilizados.
Infecções Bacterianas Graves
dos Olhos
As infecções bacterianas
graves do olhos provocam
edema e hiperemia da pálpebra (celulite
periorbital), a pele que circunda o olho, e da área
localizada no interior da órbita (celulite orbital).
A área em torno dos olhos pode tornar-se
infectada quando uma criança sofre uma lesão,
é picada por um inseto ou apresenta uma
sinusite (infecção de um seio da face). Uma
infecção originária de uma outra parte
do corpo
também pode disseminar-se até os olhos através
da corrente sangüínea. As infecções
oculares
simples (p.ex., conjuntivite) são causadas por bactérias
ou vírus. Os olhos hiperemiados (vermelhos)
também podem ser sinal de uma
alergia. As infecções oculares simples e os
problemas
oculares causados por alergias são muito
mais comuns que as infecções graves do olho
(p.ex., celulite periorbital e celulite orbital).
Sintomas
O primeiro sintoma de uma infecção grave do
olho é geralmente a hiperemia (avermelhamento)
e o edema palpebral. Em mais de 90%
das crianças com uma infecção ocular,
apenas
um olho é afetado. A maioria das crianças
apresenta
febre; aproximadamente 20% apresentam
coriza e outros 20% apresentam conjuntivite
(infecção da esclera). Quando uma criança
apresenta
uma celulite orbital, o olho é empurrado
para frente, paralisando os músculos oculares
e impedindo a movimentação do olho. O olho
dói e a visão é comprometida. Sobretudo
na
celulite periorbital, mas também na celulite
orbital, a pálpebra pode apresentar um edema
tão intenso que o oftalmologista tem de abrir o
olho com um aparelho especial.
A celulite orbital pode acarretar a formação
de um coágulo sangüíneo que obstrui a
artéria
ou a veia principal da retina. Esse obstrução
provoca lesão da retina e pode produzir
cegueira do olho infectado. Algumas vezes, a
infecção dissemina-se da órbita para
o cérebro,
provocando a formação de um abcesso, ou até
as meninges (membranas que revestem o
cérebro, produzindo uma meningite bacteriana.
Coágulos sangüíneos podem obstruir as
veias
que suprem o cérebro, causando cefaléia (dor
de cabeça), perda de consciência e mesmo a
morte. A celulite periorbital pode estar
associada a uma sépsis (infecção da
corrente
sangüínea), mas, geralmente, ela não
se
dissemina até a órbita ocular ou o cérebro.
Diagnóstico e Tratamento
O médico examina o olho, buscando evidências
de infecção e determinando se o olho ainda
pode
se mover, se ele está empurrado para frente e se
houve deterioração da visão. Uma amostra
de sangue
pode ajudar na identificação da bactéria
responsável
pela infecção. A tomografia computadorizada
(TC) pode ajudar a localizar a infecção e
a determinar a magnitude de sua disseminação.
As crianças com infecções oculares
graves são
hospitalizadas e a antibioticoterapia intravenosa
é imediatamente instituída. A celulite periorbital
pode exigir 10 a 14 dias de antibioticoterapia (inicialmente,
através da via intravenosa, podendo ser
posteriormente administrada pela via oral). A celulite
orbital pode exigir a drenagem cirúrgica, assim
como 2 a 3 semanas de antibioticoterapia (em
sua maior parte administrada pela via intravenosa).
Alguns episódios de celulite periorbital leve podem
responder à antibioticoterapia oral. A conjuntivite,
mais comum porém menos grave, pode ser tratada
com pomadas ou colírios antibióticos ou com
antibióticos orais durante 7 a 10 dias, desde que
a
causa seja bacteriana e não viral.
Epiglotite
A epiglotite (algumas vezes denominada
supraglotite) é uma infecção grave
da epiglote, a
qual pode agravar rapidamente e causar
obstrução respiratória e a morte.
A epiglote é a estrutura que fecha a entrada
da laringe e da traquéia durante a deglutição.
Uma infecção da epiglote quase sempre é
causada
pela bactéria Hemophilus influenzae tipo
b. Muito raramente, a responsável é uma bactéria
estreptococo, sobretudo em crianças maiores
e em adultos. A epiglotite é mais comum
em crianças com 2 a 5 anos de idade. Ela é
incomum em crianças com menos de 2 anos,
mas pode afetar pessoas de qualquer idade,
inclusive adultos.
A infecção geralmente inicia no trato respiratório
superior como uma inflamação do nariz
ou da garganta. Em seguida, a infecção propagase
para baixo, até a epiglote. Freqüentemente,
a infecção está associada a uma bacteremia
(presença de bactérias na corrente sangüínea).
Sintomas
A epiglotite pode tornar-se rapidamente fatal,
pois o edema do tecido infectado pode obstruir
as vias aéreas e impedir a respiração.
A infecção geralmente começa de forma
súbita
e evolui rapidamente. Uma criança previamente
saudável apresenta uma dor de garganta, rouquidão
e, freqüentemente, uma febre alta. A dificuldade
de deglutição e a dificuldade respiratória
são
comuns. A criança geralmente baba, respira rapidamente
e apresenta sibilos ao inspirar. A dificuldade
respiratória freqüentemente induz a criança
a inclinar-se para frente, ao mesmo tempo em
que ela estende o pescoço para trás, em uma
tentativa
de aumentar a quantidade de ar que atinge
os pulmões. A respiração trabalhosa
pode acarretar
um acúmulo de dióxido de carbono e uma
baixa concentração de oxigênio na corrente
sangüínea. A epiglote edemaciada torna difícil
a
expectoração do muco. Todos esses fatores
podem
levar à morte em poucas horas.
A pneumonia pode acompanhar a epiglotite.
Algumas vezes, a infecção dissemina-se também
para as articulações, as meninges (membranas
que revestem o cérebro), o pericárdio (saco
que
envolve o coração) ou o tecido subcutâneo.
Diagnóstico e Tratamento
A epiglotite é uma emergência médica
e uma
criança suspeita de apresentá-la deve ser
imediatamente
hospitalizada. O diagnóstico é estabelecido
através do exame da epiglote com o auxílio
de um laringoscópio. Contudo, este exame
pode acarretar obstrução das vias aéreas
e causar
morte súbita. Por essa razão, este procedimento
é geralmente realizado por especialistas,
de preferência em um centro cirúrgico e com
a
criança submetida a uma anestesia geral. No
caso de obstrução, o médico reabre
imediatamente
a via aérea, seja através da passagem de
um tubo rígido (tubo endotraqueal) na via aérea,
seja através de uma traqueostomia (criação
de uma abertura na parte anterior do pescoço).
O médico coleta amostras de sangue e das
secreções do trato respiratório superior
para
cultura. No entanto, o tratamento com antibióticos
é iniciado antes dos resultados das culturas
estarem disponíveis.
Prevenção
Existe disponível uma vacina contra o Hemophilus
influenzae tipo b. Por essa razão, a
epiglotite atualmente pode ser prevenida através
da vacinação infantil. Nos Estados Unidos,
a epiglotite felizmente vem se tornando uma
doença rara em decorrência da vacinação
sistemática.
A primeira dose de uma série da vacina
contra o Hemophilus influenzae tipo b é geralmente
administrada aos 2 meses de idade.
Abcesso Retrofaríngeo
O abcesso retrofaríngeo é
uma infecção
dos linfonodos localizados na parte posterior da
garganta.
Como os linfonodos localizados na posterior
da garganta desaparecem após a infância, é
incomum a formação de um abcesso retrofaríngeo
em adultos, embora outros abcessos localizados
no pescoço e na garganta ocorram nos
adultos. Um abcesso comumente é causado por
uma infecção estreptocócica que se
disseminou
das amígdalas, da garganta, dos seios da face,
dos adenóides, do nariz ou do ouvido médio.
Ocasionalmente, uma lesão da parte posterior
do pescoço produzida por um objeto pontiagudo
(p.ex., uma espinha de peixe) produz um
abcesso retrofaríngeo. Em raros casos, a tuberculose
também pode causar um abcesso
retrofaríngeo.
Sintomas e Diagnóstico
Os principais sintomas de um abcesso retrofaríngeo
são a dor à deglutição, a febre
e o aumento
dos linfonodos do pescoço. O abcesso
pode causar uma obstrução das vias aéreas,
acarretando
dificuldade respiratória. A criança tende
inclinar a cabeça e o pescoço para trás
e a elevar
o queixo para facilitar a respiração.
As complicações incluem o sangramento em torno
do abcesso, a ruptura do abcesso para o interior
das vias respiratórias (podendo causar obstrução)
e a pneumonia. Pode ocorrer espasmo da
laringe, comprometendo ainda mais a respiração.
Pode ocorrer a formação de coágulos
sangüíneos
nas veias jugulares do pescoço. A infecção
pode
disseminar-se para o interior da cavidade torácica.
Após observar os sintomas de um abcesso
retrofaríngeo, o médico solicita radiografias
e
uma tomografia computadorizada (TC) para
confirmar o diagnóstico.
Tratamento
A maioria dos abcessos devem ser drenados
cirurgicamente, através da abertura do abcesso
e permitindo-se a drenagem do pus. A penicilina,
a clindamicina ou outros antibióticos são
administrados,
inicialmente pela via intravenosa e, a
seguir, pela via oral.
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