|
O mergulho profundo no mar ou o realizado com
um equipamento de respiração subaquático
autônomo
(escafandro) pode causar problemas médicos
(p.ex., embolia gasosa e doença da descompressão)
que podem ser fatais quando não são
imediatamente tratados. Esses problemas são devidos
à alta pressão existente sob a água
e também
podem afetar os indivíduos que trabalham em túneis
ou caixões pneumáticos (cubículos fechados
utilizados para realizar trabalhos de construção
sob
a água), nos quais o ar comprimido é utilizado.
A alta pressão ao submergir se deve ao peso
da água que se encontra acima, assim como a
pressão barométrica (atmosférica) na
terra é causada
pelo peso do ar que se encontra acima. No
mergulho, a pressão subaquática é freqüentemente
expressa em termos de unidade de profundidade
(pés ou metros) ou em atmosferas
absolutas. A pressão em atmosferas absolutas
inclui o peso da água, que é igual a 1 atmosfera
a
10m de profundidade, mais a pressão atmosférica
na superfície, que é igual a uma atmosfera.
Portanto, um mergulhador que se encontra em
uma profundidade de 10m no mar está exposto
a uma pressão total de 2 atmosferas absolutas,
isto é, o dobro da pressão atmosférica
na superfície.
A cada 10m adicionais de profundidade, a
pressão aumenta 1 atmosfera.
Efeitos da Alta Pressão
Quando a pressão fora do corpo aumenta,
ocorre um aumento proporcional da pressão
sangüínea e nos tecidos corpóreos, mas
não necessariamente
nos espaços que contêm ar (p.ex.,
pulmões e vias aéreas). A pressão nos
pulmões
e nas vias aéreas iguala-se automaticamente à
pressão externa quando o mergulhador conta
com um suprimento de ar em grandes profundidades
(p.ex., um escafandro ou um scuba [aparelho
para mergulho subaquático]).
Os espaços que contêm ar no interior de uma
máscara facial ou dos óculos de natação
também
podem sofrer alterações de pressão.
A pressão
em uma máscara facial é igualada pelo ar
proveniente do nariz. No entanto, a pressão no
interior de óculos de natação não
pode ser igualada. A pressão interna mais baixa faz
com que
eles atuem como ventosas aplicadas sobre os
olhos. Nos olhos, a diferença de pressão provoca
dilatação, escape de líquido e, finalmente,
rompimento
e sangramento. Os mergulhadores usam
o termo compressão para os efeitos dessas diferenças
de pressão.
No ouvido médio, também podem ocorrer diferenças
de pressão. Quando a tuba auditiva
(tubo que conecta o ouvido médio à parte posterior
da garganta) não abre normalmente (isto
é, os ouvidos não desentompem quando a pessoa
boceja ou deglute, a pressão no ouvido médio
permanece mais baixa que a pressão no ouvido
externo. O aumento de pressão sobre a
membrana timpânica (a membrana que separa
os ouvidos médio e externo) faz com que ela
protrua para dentro e, quando a pressão aumenta
muito, pode ocorrer ruptura da membrana,
produzindo dor e comprometimento da audição.
Geralmente, a membrana timpânica rota acaba
cicatrizando, mas, freqüentemente, não antes
de
ocorrer uma infecção do ouvido médio.
Quando a membrana timpânica rompe enquanto
o mergulhador está com a cabeça desprotegida
na água fria, a entrada abrupta de água no
ouvido
médio causa vertigem (tontura intensa com uma
sensação de que tudo está girando),
desorientação
e náusea. O mergulhador pode vomitar e
afogar-se. A vertigem diminui à medida que a água
no ouvido atinge a temperatura corpórea.
As diferenças de pressão no ouvido médio
podem
afetar o ouvido interno, que é responsável
pela audição e o equilíbrio. Essa pressão
não
igualada pode explicar porque os mergulhadores
algumas vezes apresentam vertigem (vertigem
alternobárica) ao começarem a emersão.
Raramente,
ocorre uma ruptura entre os ouvidos
interno e médio, permitindo o escape de líquido.
Essa ruptura pode exigir a reparação cirúrgica
imediata para evitar efeitos permanentes.
O uso de tampões de ouvido cria um espaço
fechado entre o tampão e a membrana timpânica
onde a pressão não pode ser igualada. Por
essa razão, eles não devem ser utilizados
durante
o mergulho.
As diferenças de pressão produzem efeitos
similares
sobre os seios da face (espaços cheios
de ar localizados nos ossos em torno do nariz),
causando dor facial ou cefaléia. Quando a congestão
impede a igualização das pressões nos
ouvidos e nos seios da face, os descongestionantes
podem desobstruir temporariamente
as vias nasais, as tubas auditivas ou os seios da face.
No entanto, se forem realizados vários
mergulhos sem que seja permitida a igualização
das pressões, algum tipo de lesão pode ocorrer.
Compressão e Expansão do Ar
As alterações do volume de
ar no interior do
corpo podem produzir problemas médicos. À
medida que a pressão aumenta, o ar é comprimido
em um espaço menor, isto é, o seu volume
diminui. Por outro lado, à medida que a pressão
cai, o ar expande, isto é, o seu volume aumenta.
Por exemplo, quando a pressão dobra (como
quando uma pessoa mergulha da superfície até
uma profundidade de 10 metros), o volume de
ar cai pela metade e, quando a pressão é reduzida
à metade (como durante a emersão de uma
profundidade de 10 metros até a superfície),
o
volume de ar dobra. Por essa razão, quando um
mergulhador enche seus pulmões de ar à 10
metros e sobe sem expirar livremente, o volume
de ar duplica e faz com que ocorra uma hiperdistensão
dos pulmões, algumas vezes causando
a sua morte. Por esta razão os mergulhadores
que utilizam um suprimento de ar (p.ex.,
scuba) não devem prender a respiração
durante
a emersão. Qualquer ar inspirado na profundidade
(mesmo na profundidade de uma piscina)
deve ser expirado livremente durante a
emersão.
Como o ar é comprimido em pressões mais
altas, cada inspiração realizada em grandes
profundidades
contém mais moléculas que a respiração
na superfície. Por exemplo, a 20 metros
de profundidade (3 atmosferas absolutas), cada
inspiração contém três vezes
mais moléculas que
uma respiração na superfície e, por
essa razão,
consome o ar contido no tanque três vezes mais
rápido. Conseqüentemente, quanto mais fundo
o mergulhador descer, mais rápido ele consumirá
o seu suprimento de ar.
Efeitos da Pressão
Parcial
O ar é uma mistura de gases,
sobretudo de nitrogênio e oxigênio e quantidades
muito pequenas de outros gases. Cada gás possui
uma pressão parcial, que depende de sua concentração
no ar e da pressão atmosférica. Por exemplo,
a concentração de oxigênio no ar
é de aproximadamente 21% e, portanto, a pressão
parcial do oxigênio é de 0,21 atmosfera
na superfície. À medida que a profundidade
aumenta, a concentração de oxigênio
permanece a mesma, mas a sua pressão parcial
aumenta porque a pressão atmosférica aumenta.
A pressão parcial do oxigênio a 2 atmosferas
absolutas é o dobro da pressão parcial
na superfície. Por exemplo, pressões parciais
de oxigênio elevadas podem produzir efeitos nocivos
(intoxicação pelo oxigênio). A inalação
de oxigênio numa pressão parcial superior
a 0,5 atmosfera (p.ex., ao se respirar um ar que contém
mais de 50% de oxigênio a 1 atmosfera absoluta)
durante 1 dia ou mais pode causar lesão pulmonar.
A inalação de oxigênio a pressões
parciais ainda mais elevadas é tóxica
para o cérebro. Quando a pressão parcial
do oxigênio aproxima-se de 2 atmosferas, especialmente
durante um esforço, o mergulhador pode apresentar
uma convulsão semelhante a uma crise epiléptica.
A inalação de nitrogênio a uma pressão
parcial elevada causa a narcose do nitrogênio,
uma condição semelhante à intoxicação
alcóolica. Na maioria dos mergulhadores que inalam
ar comprimido, este efeito torna-se perceptível
a 30 metros ou menos. Ele pode provocar incapacidade
a 90 metros (aproximadamente 10 atmosferas absolutas).
Como o hélio não produz este efeito, ele
é utilizado (em lugar do nitrogênio) para
diluir o oxigênio nos tanques de ar para mergulhos
muito profundos, em que a porcentagem de oxigênio
deve ser reduzida para que a sua pressão parcial
seja mantida abaixo dos níveis tóxicos.
Os mergulhadores que prendem a respiração
em vez de utilizar um aparelho de mergulho freqüentemente
hiperventilam (respiram vigorosamente) antes do mergulho,
eliminando uma grande quantidade de dióxido de
carbono, mas adicionando pouco oxigênio ao sangue.
Esta manobra permite que eles prendam a respiração
e nadem submersos por mais tempo porque a sua concentração
de dióxido de carbono é baixa. Contudo,
esta manobra também é arriscada, pois
o mergulhador pode ficar sem oxigênio e perder
a consciência antes que a concentração
de dióxido de carbono atinja um nível
suficientemente elevado para indicar a necessidade de
retornar à superfície para respirar.
Os riscos de prender a respiração prolongadamente
são maiores nos mergulhos mais profundos porque
todo o oxigênio contido nos pulmões é
utilizado. Ao emergir de um mergulho profundo, a pressão
parcial do oxigênio que permanece no sangue cai
drasticamente e, conseqüentemente, o mergulhador
pode perder a consciência antes de inalar uma
quantidade suficiente de oxigênio. Esta seqüência
de eventos é provavelmente a responsável
por muitos afogamentos inexplicados entre os competidores
de pesca submarina e as pessoas que prendem a respiração
durante o mergulho. |
Como o ar comprimido em grandes profundidades é mais
denso (contém mais moléculas) que o ar na
superfície, é necessário um maior esforço
para mobilizá-lo através das vias aéreas
do mergulhador e dos tubos do equipamento de mergulho. Conseqüentemente,
é mais difícil respirar em lugares muito fundos.
Algumas pessoas são incapazes de expirar uma quantidade
suficiente de dióxido de carbono, causando o aumento
da concentração deste gás no sangue,
o que pode pode produzir uma perda temporária da
visão e da consciência.
Os equipamentos de mergulho do tipo de circuito fechado
(rebreather) conservam o suprimento do gás, permitindo
ao mergulhador permanecer submerso mais tempo. Este equipamento
provê oxigênio para o novo mergulhador; o restante
do gás é reinalado. A quantidade de oxigênio
novo necessário é de apenas 1/ 20 do total
do ar respirado e não aumenta com a profundidade
da imersão. Por essa razão, uma menor quantidade
de gás é suficiente para a maioria dos mergulhos.
Uma grande desvantagem dos dispositivos de reinalação
é que a quantidade de dióxido de carbono produzida
pelo mergulhador, quase igual ao seu consumo de oxigênio,
deve ser absorvida por meios químicos. Quando a absorção
não ocorre ou é inadequada, a concentração
de dióxido de carbono no gás reinalado aumenta.
Um mergulhador que não percebe isso (p.ex., aumento
da freqüência respiratória ou falta de
ar) pode perder a consciência.
A concentração anormalmente elevada de dióxido
de carbono (intoxicação por dióxido
de carbono) pode causar perda temporária da visão
ou da consciência. Algumas pessoas apresentam acúmulo
de dióxido de carbono porque não aumentam
a freqüência respiratória adequadamente
durante um esforço intenso. A concentração
elevada de dióxido de carbono aumenta a probabilidade
de convulsões causadas pela toxicidade do oxigênio
e aumentam a gravidade da narcose do nitrogênio. Mergulhadores
que sentem freqüentes dores de cabeça depois
de terem mergulhado, ou que se gabam de usar ar em uma freqüência
mais baixa podem estar retendo dióxido de carbono.
O mergulho pode ser complicado pela má visibilidade,
por correntes marítimas que demandam um esforço
físico intenso e pelo frio. Dentro da água,
a hipotermia (redução da temperatura corpórea)
pode ocorrer rapidamente, produzindo movimentos desajeitados
e reduzindo a capacidade de decidir. A água fria
pode desencadear arritmias cardíacas (batimentos
cardíacos irregulares) fatais nas pessoas suscetíveis.
A intoxicação por monóxido de carbono
devida ao ar contaminado pode causar incapacidade e inclusive
a morte entre os mergulhadores. Os sintomas da intoxicação
por monóxido de carbono podem incluir a náusea,
cefaléia, fraqueza, torpor e alterações
mentais. Medicações controladas, assim como
o álcool e outras drogas, também podem produzir
efeitos imprevisíveis durante o mergulho.
Embolia Gasosa
A embolia gasosa é o obstrução
de vasos sangüíneos por bolhas de ar na corrente
sangüínea, geralmente decorrentes da expansão
do ar retido nos pulmões enquanto a pressão
diminui durante a emersão em um mergulho.
Na embolia gasosa, o ar expandido retido nos pulmões
promove hiperdistensão dos mesmos, acarretando a
passagem de ar, sob a forma de bolhas, para o interior da
corrente sangüínea. Quando as bolhas de ar obstruem
os vasos sangüíneos no cérebro, elas
podem causar uma lesão semelhante a produzida por
um acidente vascular cerebral grave. A embolia gasosa é
uma emergência grave e uma das maiores causas de morte
entre os mergulhadores.
A causa mais comum da embolia gasosa é a suspensão
da respiração durante uma ascensão
com equipamento de mergulho, geralmente em decorrência
da falta de ar na profundidade. Em pânico, um mergulhador
pode esquecer de expirar livremente à medida que
o ar nos pulmões expande durante a ascensão.
A embolia gasosa pode ocorrer mesmo em uma piscina quando
uma pessoa utiliza uma fonte externa de ar qualquer, quando
ela respira sob a água e quando ela expira enquanto
está subindo.
Sintomas
O sintoma mais típico é a perda repentina
de consciência, acompanhada ou não de convulsões.
Algumas vezes, os sintomas são menos graves, variando
de uma confusão mental ou agitação
até uma paralisia parcial.
A hiperdistensão pulmonar também pode forçar
o ar para fora dos pulmões, que penetra nos tecidos
que circundam o coração (enfisema do mediastino)
ou inclusive sob a pele (enfisema subcutâneo). Em
alguns casos, os pulmões hiperdistendidos rompem,
liberando ar para o espaço localizado entre os pulmões
e a parede torácica (pneumotórax). Neste caso,
os pulmões colapsam, acarretando uma considerável
falta de ar e dor torácica. A expectoração
de sangue ou a saída de uma espuma sanguinolenta
pela boca indicam uma lesão pulmonar.
Tratamento de Emergência
Um mergulhador que perde a consciência durante uma
emersão ou logo a seguir, provavelmente apresenta
uma embolia gasosa e deve ser tratado imediatamente. Uma
pessoa com embolia gasosa deve ser colocada rapidamente
em um ambiente de alta pressão para que as bolhas
de ar sejam comprimidas e forçadas a dissolver- se
no sangue. Para isto, vários serviços médicos
possuem câmaras de alta pressão (câmaras
de recompressão ou hiperbáricas). A pessoa
deve ser transportada para a câmara o mais rápido
possível enquanto lhe é fornecido oxigênio
através de uma máscara facial bem ajustada.
O vôo, mesmo em baixa altitude, reduz a pressão
atmosférica e permite que as bolhas se expandam,
mas esta medida pode ser justificável quando ela
representar um ganho substancial de tempo no traslado do
indivíduo até uma câmara adequada.
Doença da Descompressão
A doença da descompressão
(mal da descompressão, doença do caixão)
é uma condição em que os gases dissolvidos
no sangue e nos tecidos formam bolhas que obstruem o fluxo
sangüíneo e causam dor e outros sintomas.
Bolhas podem formar-se quando uma pessoa passa de um
ambiente de alta pressão para um de baixa, o que
ocorre durante a emersão em um mergulho.
Causas e Prevenção
Um mergulhador ou um indivíduo que trabalha em um
ambiente com ar comprimido que respira ar sob alta pressão,
aspira grandes quantidades de oxigênio, de nitrogênio
e de outros gases do ar. Como o oxigênio é
utilizado continuamente pelo organismo, ele não se
acumula. Contudo, o nitrogênio e os outros gases dissolvem-
se no sangue e nos tecidos e se acumulam. O único
meio dos gases deixarem o corpo é pela corrente sangüínea
e pulmões (isto é, pela via inversa de sua
entrada) e este processo leva tempo. À medida que
a pressão externa aumenta, o que ocorre durante a
emersão em um mergulho, a pressão pode não
ser suficiente para manter os gases dissolvidos e, conseqüentemente,
pode ocorrer formação de bolhas de ar no sangue
e nos tecidos.
Geralmente, um mergulhador pode evitar a formação
de bolhas de ar perigosas restringindo- se a quantidade
total de gás absorvido pelo corpo. A quantidade pode
ser restringida por meio da limitação da profundidade
e da duração dos mergulhos dentro de uma faixa
que não exige paradas de descompressão durante
a emersão (uma modalidade denominada pelos mergulhadores
de limites sem paradas) ou fazendo a emersão com
paradas de descompressão de acordo com normas estabelecidas
por instituições reconhecidas (p.ex., a tabela
de descompressão do United States Navy Diving
Manual [Manual de Mergulho da Marinha dos Estados Unidos]).
A tabela fornece um padrão de emersão que
geralmente permite a eliminação do nitrogênio
em excesso sem causar qualquer dano.
A doença da descompressão raramente ocorre
quando os mergulhadores realizam um mergulho com limites
sem paradas ou quando eles respeitam rigorosamente uma tabela
de descompressão. Mas a percepção da
profundidade, duração e tempo de descompressão
de um mergulho não é tão precisa. Muitos
mergulhadores, acreditando na falsa idéia que existe
uma grande margem de segurança inserida nas tabelas
de mergulho da Marinha, não as seguem com rigor.
Tem-se afirmado que orientações mais recentes
para velocidade de emersão, limites de emersão
sem paradas, tabelas e computadores de descompressão
transportados por mergulhadores têm maior margem de
segurança, mas esses recursos também podem
ser usados de forma equivocada. Tendo em vista que a maioria
das tabelas e dos computadores de descompressão não
foram ainda testados adequadamente em mulheres e em mergulhadores
de mais idade, essas pessoas devem utilizá-los com
cuidado. Além de seguir as orientações
da tabela ou do computador para a emersão, muitos
mergulhadores fazem uma parada de segurança de alguns
minutos a cerca de 4,5 metros abaixo da superfície.
Mergulhos repetidos podem causar a doença da descompressão.
Tendo em vista que o gás em excesso permanece no
corpo depois de cada mergulho, a quantidade de gás
em excesso aumenta a cada mergulho. Se o intervalo entre
mergulhos é inferior a doze horas, os mergulhadores
devem seguir as orientações contidas nas tabelas
para mergulhos repetidos do United States Navy Diving
Manual, para compensar o gás extra.
O salto de paraquedas em altitudes elevadas e voar após
mergulhar requerem precauções especiais. Por
exemplo, depois de vários dias de mergulho, é
recomendado um período de 24 horas na superfície
antes de uma viagem aérea ou da subida a uma altitude
elevada.
Condicionamento Físico
para o Mergulho
Várias condições
físicas e mentais podem aumentar o risco de acidentes
e lesões durante o mergulho. Por essa razão,
as pessoas que pretendem praticar o mergulho devem submeterse
a uma avaliação do condicionamento físico
por um médico que tenha familiaridade com esse
tipo de prática. Os mergulhadores profissionais
podem ser submetidos a exames médicos adicionais
(p.ex., provas de função cardíaca
e pulmonar, teste ergométrico, exames de vista
e da audição, assim como radiografias
dos ossos). Além disso, é fundamental
um treinamento adequado para o mergulho.
Condicionamento cardiovascular
Necessário para o esforço intenso (p.ex.,
carregar tanques de ar e nadar vigorosamente)
Arritmias cardíacas (ritmos cardíacos
irregulares)
O tipo e a causa devem ser determinados;
possível risco de morte repentina
Forame oval aberto (um defeito cardíaco)
Aumento do risco da chegada de bolhas de ar
ao cérebro
Problemas pulmonares (p.ex., asma,
cistos pulmonares, enfisema, história de
pneumotórax)
Risco de retenção de ar nos espaços
corpóreos
e de embolia gasosa
Congestão crônica do nariz e dos seios
da face e ruptura da membrana timpânica
Dificuldade para igualizar a pressão, aumento
do risco de infecção
Congestão nasal devida a resfriados ou
alergias
O mergulho deve ser evitado até a pessoa ter
se recuperado
Epilepsia, episódios de desmaio, diabetes
insulino-dependente
Aumentam o risco de perda da consciência ou
alteração do estado de alerta
Deficiências físicas
Devem ser consideradas em termos de
capacidade da pessoa de cuidar de si mesma e
de ajudar outros mergulhadores
Comportamento impulsivo; tendência a
sofrer acidentes
Aumento do risco de lesão a si mesmo e de
companheiros
Obesidade
Associada ao mau condicionamento físico e ao
maior risco de doença da descompressão
Idade avançada
Os riscos de saúde da pessoa devem ser
avaliados, sobretudo os problemas cardíacos e
pulmonares; pode ser mais suscetível à
doença
da descompressão
Gravidez
Risco de causar defeitos congênitos ou aborto
espontâneo
Sexo
As mulheres podem ser mais suscetíveis à
doença da descompressão
Medicamentos que podem causar
sonolência
Comprometimento do estado de alerta; piora da
narcose causada pelo nitrogênio
Uso abusivo de álcool ou drogas
Comprometimento do julgamento e das
habilidades |
Sintomas
O sintoma mais comum é a dor, que pode ser denominada
mal dos mergulhadores. Geralmente, a dor ocorre
em uma articulação de um membro superior,
inferior ou próximo dela, mas, freqüentemente,
a determinação precisa de sua localização
é difícil. Também pode ser difícil
descrever a dor. Profunda ou como se algo
estivesse perfurando o osso são expressões
algumas vezes utilizadas. Em outros casos, a dor é
aguda e a sua localização é clara.
No início, a dor pode ser leve ou intermitente, mas
ela pode aumentar progressivamente e tornar-se grave. Geralmente,
a área dolorida não é sensível
à palpação, não está
inflamada nem apresenta dificuldades de movimento.
Os sintomas neurológicos variam de uma leve dormência
até uma disfunção cerebral. A medula
espinhal é particularmente vulnerável e sintomas
aparentemente menores (p.ex., fraqueza ou formigamento em
um membro superior ou inferior) podem preceder uma paralisia
irreversível, exceto quando o quadro é imediatamente
tratado com oxigênio e recompressão. O ouvido
interno pode ser afetado e causar vertigem intensa.
Alguns sintomas menos comuns incluem o prurido, a erupção
cutânea e a fadiga extrema. O moteamento cutâneo
(pele marmórea), um sintoma muito incomum, pode preceder
ou acompanhar quadros graves que exigem a recompressão.
A dor abdominal pode ser causada pela formação
de bolhas de ar no abdômen, mas a dor que circunda
o corpo próximo da cintura pélvica pode indicar
uma lesão da medula espinhal.
Os efeitos tardios da doença da descompressão
incluem a destruição do tecido ósseo
(osteonecrose disbárica, necrose óssea asséptica),
especialmente do ombro e do quadril, causando uma dor persistente
e incapacitação grave. Essas lesões
são muito mais comuns entre as pessoas que trabalham
em um ambiente com ar comprimido que entre os mergulhadores,
provavelmente por causa das exposições prolongadas
à alta pressão e pelo não tratamento
do mal dos mergulhadores. Apenas uma descompressão
inadequada pode causar essas lesões, que pioram gradualmente
ao longo de meses ou anos. No momento em que os sintomas
aparecem, é muito tarde para que medidas preventivas
sejam instituídas.
Os problemas neurológicos permanentes (p.ex., paralisia
parcial) geralmente são conseqüências
do tratamento tardio ou inadequado de alguma lesão
medular. Algumas vezes, no entanto, a lesão é
muito grave para ser corrigida, mesmo com o tratamento adequado.
Tratamentos repetidos com oxigênio em uma câmara
de alta pressão parecem ajudar algumas pessoas na
recuperação de uma lesão medular. A
chance de recuperação desse tipo de lesão
causada pela descompressão é maior que a de
uma lesão causada por outros motivos.
A doença respiratória da descompressão
(sufocação) é um distúrbio
raro mas perigoso, causado pela obstrução
disseminada dos vasos sangüíneos pulmonares
por bolhas de ar. Em algumas pessoas, este quadro sofre
resolução espontânea, mas pode evoluir
rapidamente para um colapso circulatório e a morte,
a menos que a recompressão seja instituída
imediatamente. Os sintomas iniciais consistem no desconforto
torácico e na tosse após a inspiração
profunda ou a inalação de fumaça de
tabaco.
Tratamento
A doença da descompressão exige a recompressão
em uma câmara de alta pressão, em que a pressão
é aumentada gradualmente para que as bolhas sejam
comprimidas e sejam forçadas a dissolver-se. Conseqüentemente,
o fluxo sangüíneo e o suprimento de oxigênio
aos tecidos afetados são restaurados. Após
a recompressão, a pressão é reduzida
gradualmente, com paradas planejadas, permitindo aos gases
em excesso deixarem o corpo sem causar danos.
O transporte até uma câmara adequada é
mais importante que qualquer outro procedimento que possa
ser realizado durante o transporte ou postergado sem que
isto coloque a vida do indivíduo em risco. O transporte
não deve atrasar mesmo quando os sintomas parecem
leves, pois problemas mais graves podem ocorrer. Independentemente
da distância ou do tempo, a recompressão pode
ser benéfica. A recompressão desnecessária
representa um risco muito menor que qualquer medida tentada
na esperança de que o problema será solucionado
sem recompressão. Durante o transporte, deve ser
administrado oxigênio através de uma máscara
adequada, deve ser realizada a administração
de líquidos e as perdas líquidas, assim como
os sinais vitais, devem ser anotados. O paciente pode entrar
em choque, sobretudo nos casos graves em que a instituição
do tratamento foi retardada.
Qualquer que seja o local do mergulho, os mergulhadores
em si e as unidades de resgate e de polícia em áreas
populares de mergulho devem ter conhecimento da localização
da câmara de recompressão mais próxima,
as maneiras de se chegar até ela o mais rápido
possível e a fonte de consulta telefônica mais
adequada.
A não instituição imediata do tratamento
adequado da embolia gasosa ou da doença da descompressão
está associado a um risco totalmente inaceitável
de lesão grave e permanente.
Os mergulhadores que notificam apenas prurido, erupção
cutânea e fadiga extrema, geralmente não necessitam
ser submetidos à recompressão, mas devem ser
mantidos em observação, pois problemas mais
graves podem ocorrer. A inalação de oxigênio
a 100% com uma máscara facial adequada pode garantir
alívio.
Quando a doença respiratória da descompressão
(sufocamento) ocorre em uma altitude elevada, o retorno
a uma altitude mais baixa nem sempre muda o quadro. A recompressão
imediata em uma câmara de alta pressão pode
ser necessária.
|