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O exame neurológico pode revelar distúrbios
do cérebro, dos nervos, dos músculos e da
medula espinhal. Os quatro principais componentes de um
exame neurológico são: a anamnese (história
clínica), a avaliação do estado mental,
o exame físico e, quando necessário, exames
diagnósticos. Ao contrário do exame psiquiátrico,
no qual o comportamento do indivíduo é avaliado,
a avaliação neurológica exige um exame
físico. Não obstante, o comportamento anormal
freqüentemente fornece indicações sobre
o estado físico do cérebro. Anamnese (História
Clínica) Antes de realizar um exame físico
e exames diagnósticos, o médico realiza uma
entrevista com o paciente para obter a sua história
clínica. Ele solicita ao paciente que lhe descreva
os sintomas atuais e informe precisamente onde e com que
freqüência esses sintomas ocorrem, qual o seu
grau de gravidade, a sua duração e se ele
ainda consegue realizar suas atividades quotidianas. Os
sintomas neurológicos podem incluir a cefaléia
(dor de cabeça), dor, fraqueza, incoordenação
motora, diminuição ou anormalidades da sensibilidade,
desmaios e confusão mental. O indivíduo também
deve informar ao médico sobre doenças ou cirurgias
passadas ou atuais, doenças graves de parentes próximos,
alergias e medicações que vêm sendo
utilizadas. Além disso, o médico pode perguntar
ao paciente se ele vem apresentando dificuldades relacionadas
ao trabalho ou ao ambiente doméstico, uma vez que
essas circunstâncias podem afetar a saúde e
a capacidade de enfrentar a doença.
Avaliação do Estado Mental
A história clínica fornece
ao médico uma boa idéia sobre o estado mental
do paciente. No entanto, um teste mais específico
do estado mental normalmente é necessário
para se diagnosticar um problema que esteja afetando os
processos mentais.
Exames do Estado Mental
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O Que o Médico Deve Solicitar
ao Indivíduo
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O Que Este Teste Indica
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Indicar
a data atual e o local onde ele se encontra e dizer
o nome de determinadas pessoas |
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Orientação
no tempo, no espaço e conhecimento de pessoas |
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Repetir
uma lista curta de objetos |
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Concentração |
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Lembrar
três itens não relacionados entre si após
3 a 5 minutos |
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Memória
imediata |
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Descrever
um evento que ocorreu no dia anterior ou alguns dias
antes |
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Memória
recente |
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Descrever
eventos do passado distante |
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Memória
remota |
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Interpretar
um provérbio (p.ex., pedras que rolam não
criam limo) ou explicar determinada analogia (como
por que o cérebro se parece com um computador?) |
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Pensamento
abstrato |
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Descrever
sentimentos e opinões sobre a doença |
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Interiorização
da doença |
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Citar
os últimos cinco presidentes e a capital do país |
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Base
de conhecimento |
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Informar
como ele se sente no dia e como ele usualmente se sente
nos outros dias |
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Humor |
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Executar
uma ordem simples que envolva três partes distintas
do corpo e que dependa da diferenciação
entre direita e esquerda (p.ex., coloque o polegar
direito sobre a orelha esquerda e mostre a língua) |
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Capacidade
de obedecer comandos simples |
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Nomear
objetos simples e partes do corpo e ler, escrever e
repetir certas frases |
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Função
da linguagem |
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Identificar
pequenos objetos com a mão e números escritos
na palma da mão e discriminar um do outro, tocando-os
em um ou dois pontos (p.ex.,na palma da mão e
nos dedos) |
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Como
o cérebro processa as informações
a partir dos órgãos sensoriais |
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Copiar
estruturas simples e complexas (p.ex., utilizando blocos
de construção) ou posições
dos dedos e desenhar um relógio, um cubo ou uma
casa |
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Relações
espaciais |
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Escovar
os dentes ou retirar um fósforo da caixa e acendê-lo |
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Capacidade
de realizar uma ação |
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Realizar
operações matemáticas simples |
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Exame Físico
Ao realizar um exame físico como parte
de uma avaliação neurológica, o médico
costuma examinar todos os sistemas orgânicos, mas
com maior atenção no sistema nervoso. São
examinados os nervos cranianos, os nervos motores, os nervos
sensoriais e os reflexos, assim como a coordenação,
a postura, a marcha, a função do sistema nervoso
autônomo e o fluxo sangüíneo cerebral.
Nervos Cranianos
O médico examina a função
dos 12 pares de nervos cranianos, que estão diretamente
conectados ao cérebro. Um nervo craniano pode ser
afetado em qualquer ponto de seu trajeto em decorrência
de lesões, tumores ou infecções e,
por essa razão, é necessário que seja
determinada a localização exata da lesão.
Teste dos Nervos Cranianos
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Numeração dos Nervos
Cranianos
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Nome
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Função
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Teste
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I
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Olfatório
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Olfato
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Itens com odores muito específicos
(p.ex., sabão, café e cravo) são
colocados junto ao nariz do indivíduo para serem
identificados |
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II
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Óptico
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Visão
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É testada a capacidade
de ver objetos próximos e distantes e de detectar
objetos ou movimentos com os cantos dos olhos (visão
periférica) |
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III
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Oculomotor
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Movimentos dos olhos para
cima, para baixo e para dentro |
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É examinada a capacidade
de olhar para cima, para baixo e para dentro. É
observada a presença de queda da pálpebra
superior (ptose) |
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IV
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Troclear
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Movimentos dos olhos para
baixo e para dentro |
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É testada a capacidade
de movimentar cada olho de cima para baixo e de dentro
para fora |
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V
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Trigêmeo
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Sensibilidade e movimento
faciais |
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São testadas a sensação
de áreas afetadas da face e a fraqueza ou paralisia
dos músculos que controlam a capacidade da mandíbula
de apertar os dentes |
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VI
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Abducente
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Movimento lateral dos olhos |
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É testada a capacidade
de movimentar o olho para fora, além da linha
média, seja espontaneamente ou enquanto o indivíduo
fixa um alvo |
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VII
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Facial
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Movimento facial
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É testada a capacidade
de abrir a boca e mostrar os dentes e de fechar firmemente
os olhos |
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VIII
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Acústico
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Audição e equilíbrio
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A audição
é testada com um diapasão. O equilíbrio
é testado solicitando ao indivíduo que
caminhe sobre uma linha reta, passo a passo |
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| |
IX
|
|
Glossofaríngeo
|
|
Função da garganta
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|
A voz é analisada,
para se verificar a presença de rouquidão.
A capacidade de deglutição é testada.
A posição da úvula (na região
posterior e medial da garganta) é verificada,
solicitando ao indivíduo que diga ah-h-h |
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| |
X
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Vago
|
|
Deglutição,
freqüência cardíaca |
|
A voz é analisada,
para se verificar a presença de rouquidão
e se o indivíduo apresenta um tom de voz anasalado.
A capacidade de deglutição é testada |
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|
| |
XI
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Acessório
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Movimentos
do pescoço e da parte superior das costas |
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É solicitado ao indivíduo
que ele encolha os ombros para se observar a presença
de fraqueza ou ausência de movimentos |
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XII
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Hipoglosso
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Movimento da língua |
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É solicitado ao indivíduo
que mostre a língua para se observar a presença
de um desvio para um lado ou outro |
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Nervos Motores
Os nervos motores ativam os músculos
voluntários (músculos que produzem movimento,
como os músculos dos membros inferiores utilizados
durante a marcha). A lesão de um nervo motor pode
causar fraqueza ou paralisia do músculo por ele inervado.
A falta de estímulo ao nervo periférico também
causa deterioração e emaciação
muscular (atrofia). O médico investiga a presença
de atrofia muscular e, em seguida, testa a força
de vários músculos, solicitando ao paciente
que ele empurre ou puxe alguma coisa contra uma resistência.
Nervos Sensitivos
Os nervos sensitivos transmitem informações
ao cérebro sobre a pressão, a dor, o calor,
o frio, a vibração, a posição
das partes do corpo e a forma das coisas. São realizados
testes para se verificar a perda de sensibilidade na superfície
do corpo. Geralmente, o médico concentra-se em uma
área na qual o indivíduo sente adormecimento,
formigamento ou dor, utilizando primeiramente um alfinete
e, em seguida, um objeto com borda romba, para verificar
se ele consegue perceber a diferença entre a picada
e a pressão. A função dos nervos sensoriais
também pode ser testada com a aplicação
de uma pressão suave, de calor ou de vibração.
A capacidade de discernir a posição é
verificada solicitando-se ao paciente que feche os olhos
e mova um dedo (de uma das mãos ou de um dos pés)
para cima e para baixo, pedindo que ele descreva a sua posição.
Reflexos
O reflexo é uma resposta automática
a um estímulo. Por exemplo, quando o tendão
localizado abaixo da patela é percutido suavemente
com um pequeno martelo de borracha, a perna flexiona. Esse
reflexo patelar (um dos reflexos tendinosos profundos) fornece
informações sobre o funcionamento do nervo
sensitivo, sobre sua conexão com a medula espinhal
e sobre o nervo motor que emerge da medula espinhal e vai
até os músculos da perna. O arco reflexo segue
um circuito completo, desde o joelho até a medula
espinhal e retorna à perna, sem que haja envolvimento
do cérebro. Os reflexos mais comumente testados são
o reflexo patelar, um reflexo similar nos cotovelos e no
tornozelos e o reflexo de Babinski, que é testado
através da aplicação de um golpe firme
precina borda externa da planta do pé com um objeto
rombudo. Normalmente, os dedos dos pés encurvam,
exceto nos lactentes com menos de seis meses de idade. Quando
o hálux (dedão do pé) se eleva e os
demais dedos se estendem e abrem lateralmente, isto pode
ser um sinal de uma anomalia cerebral ou de nervos motores
que vão do cérebro até a medula espinhal.
Muitos outros reflexos podem ser testados para se avaliar
funções nervosas específicas.
Arco Reflexo
O arco reflexo é a via que um nervo
reflexo segue. Um exemplo é o reflexo patelar. 1.
Uma percussão no joelho estimula receptores sensitivos,
gerando um sinal nervoso. 2. O sinal percorre ao longo de
uma via nervosa até a medula espinhal. 3. Na medula
espinhal, o sinal é transmitido do nervo sensorial
ao nervo motor. 4. O nervo motor envia o sinal de volta
a um músculo da coxa. 5. O músculo contrai,
fazendo com que a perna se desloque para frente. Todo reflexo
ocorre sem envolvimento do cérebro.

Coordenação, Postura e
Marcha
Para testar a coordenação,
o médico solicita ao paciente que, em primeiro lugar,
ele toque o próprio nariz com o dedo indicador. Em
seguida, é solicitado ao paciente que ele toque o
dedo do médico e, finalmente, que ele repita rapidamente
essas ações. Pode-se solicitar ao paciente
que ele toque o nariz primeiramente com os olhos abertos
e em seguida com os olhos fechados. Em seguida, que ele
fique em pé, parado, com os braços esticados
e os olhos fechados e, finalmente, que ele abra os braços
e comece a andar. Essas ações testam os nervos
motores e sensoriais, assim como a função
cerebral. Vários outros testes simples podem também
ser realizados.
Sistema Nervoso Autônomo
Uma distúrbio do sistema nervoso autônomo
(involuntário) pode causar problemas como a queda
da pressão arterial quando o indivíduo fica
em pé (hipotensão), a ausência de sudorese
ou problemas sexuais (p.ex., dificuldade de ereção
ou de sua manutenção). Novamente, o médico
pode realizar uma série de testes como, por exemplo,
a mensuração da pressão arterial com
o indivíduo sentado e logo após ele colocar-
se em pé.
Fluxo Sangüíneo Cerebral
Um estreitamento (estenose) grave das artérias
que transportam o sangue até o cérebro coloca
o indivíduo em risco de um acidente vascular cerebral.
O risco é maior em indivíduos idosos ou hipertensos,
diabéticos ou que apresentam doenças arteriais
ou cardíacas. Para avaliar as artérias, o
médico coloca um estetoscópio sobre as artérias
do pescoço e verifica a presença de ruídos
anormais (sopros) produzidos pelo sangue sendo forçado
através de uma área estreita.
Para uma avaliação mais acurada, é
necessária a realização de exames mais
sofisticados como, por exemplo, a ultra-sonografia com Doppler
ou a angiografia cerebral.
Exames e Procedimentos Diagnósticos
Para confirmar um diagnóstico
sugerido pela anamnese, pela avaliação do
estado mental e pelo exame físico, o médico
pode solicitar exames especiais.
Punção
Lombar
Em uma punção
lombar, é realizada a inserção de uma
agulha no canal espinhal, o qual percorre o interior das
vértebras, para se coletar uma amostra de líquido
cefalorraquidiano. Geralmente, o procedimento não
leva mais do que 15 minutos e não exige anestesia
geral. Geralmente, o líquido cefalorraquidiano é
transparente e incolor, mas pode apresentar alterações
características de diversos distúrbios. Por
exemplo, a presença de leucócitos (glóbulos
brancos) ou de bactérias faz com que o líquido
cefalorraquidiano apresente um aspecto turvo e sugere uma
infecção cerebral ou da medula espinhal (p.ex.,
meningite, doença de Lyme ou outra doença
inflamatória qualquer). Níveis elevados de
proteínas no líquido cefalorraquidiano freqüentemente
são um sinal de tumor da medula espinhal ou de um
distúrbio agudo de nervos periféricos, como
a polineuropatia ou a síndrome de Guillain-Barré.
A presença de anticorpos anormais sugerem a esclerose
múltipla. O nível baixo de glicose indica
uma infecção das meninges ou, algumas vezes,
um câncer. A presença de sangue no líquido
cefalorraquidiano pode indicar uma hemorragia cerebral.
Várias doenças, inclusive tumores cerebrais
e as meningites, podem aumentar a pressão do líquido
cefalorraquidiano.
Tomografia Computadorizada
A tomografia computadorizada
(TC) é uma técnica de varredura computadorizada
de análise de imagens radiográficas. Um computador
gera imagens bidimensionais de alta resolução
que assemelham-se a cortes anatômicos do cérebro
ou de qualquer outro órgão que esteja sendo
examinado. O indivíduo deve permanecer imóvel
durante o procedimento, mas não deve se sentir desconfortável.
Esse procedimento é capaz de detectar uma grande
variedade de anomalias cerebrais e medulares com muita precina
são, tendo revolucionado a prática da neurologia
e melhorado enormemente a qualidade do tratamento neurológico.
A tomografia computadorizada é utilizada não
somente com fins diagnósticos de doenças neurológicas,
mas também no controle da evolução
do tratamento.
Ressonância
Magnética
A ressonância magnética
(RM) do cérebro ou da medula espinhal é realizada
colocando-se a cabeça ou todo o corpo do paciente
em um espaço muito reduzido e gerando um campo magnético
muito potente, o qual gera imagens anatômicas extremamente
detalhadas. É um procedimento que não utiliza
raios X e é extremamente seguro. A RM é melhor
que a TC para a detecção de determinados problemas
graves, como acidentes vasculares cerebrais prévios,
a maioria dos tumores cerebrais, anomalias do tronco encefálico
e do cerebelo e também a esclerose múltipla.
Algumas vezes, para melhorar a qualidade das imagens, é
realizada a injeção intravenosa de um contraste
(uma substância que é nitidamente visualizada
na RM). Os aparelhos de RM mais modernos podem mensurar
a função cerebral através de processamentos
computadorizados especiais das imagens geradas. As principais
desvantagens da RM são o seu custo e a lentidão
da obtenção de imagens (de 10 a 45 minutos).
A RM não pode ser realizada em indivíduos
que dependem de respiradores, que apresentam propensão
à claustrofobia ou que portam um marcapasso cardíaco
ou clipes ou próteses metálicas.
Ecoencefalografia
A ecoencefalografia gera
uma imagem ultrassônica do cérebro de crianças
com menos de dois anos de idade. O procedimento é
simples, indolor e relativamente barato. Ele pode ser realizado
à beira do leito e é útil para a detecção
de hemorragias ou dilatações das câmaras
existentes no interior do cérebro (hidrocefalia).
A TC e a RM substituíram a ecoencefalografia nas
investigações de crianças maiores e
adultos.
Tomografia por Emissão
de Pósitrons
A tomografia por emissão
de pósitrons (TEP) usa emissores de pósitrons
(um tipo especial de radioisótopos) para obter imagens
das estruturas internas do cérebro e informações
sobre o seu funcionamento. É injetada uma substância
na corrente sangüínea, que se desloca até
as estruturas cerebrais, permitindo mensurar a atividade
cerebral. Por exemplo, essa técnica pode revelar
qual parte do cérebro é mais ativa quando
um indivíduo realiza operações matemáticas.
A varredura da TEP também pode fornecer informações
sobre a epilepsia, tumores cerebrais e acidentes vasculares
cerebrais. Ela é utilizada principalmente na pesquisa.
Tomografia Computadorizada
por Emissão de Fótons Isolados
A tomografia computadorizada
por emissão de fótons isolados (SPECT) utilza
radioisótiopos para obter informações
gerais sobre a circulação sangüínea
e a função metabólica do cérebro.
Após serem inalados ou injetados, os isótopos
radioativos são conduzidos ao cérebro. Uma
vez no cérebro, a intensidade dos radioisótopos
em diferentes regiões do cérebro reflete a
velocidade da circulação ou a densidade dos
receptores de neurotransmissores funcionantes que atraem
os radioisótopos. A técnica não é
tão precisa ou específica quanto a tomografia
por emissão de pósitrons.
Angiografia Cerebral
A angiografia (arteriografia)
cerebral é uma técnica utilizada para a detecção
de anomalias dos vasos sangüíneos cerebrais,
como uma dilatação arterial (aneurisma), inflamação
(arterite), configuração anormal (malformação
arteriovenosa) ou uma obstrução vascular (acidente
vascular cerebral). Um contraste radiopaco, o qual é
uma substância visível nas radiografias, é
injetado em uma artéria que irriga o cérebro.
O contraste revela o padrão do fluxo sangüíneo
cerebral nas radiografias. A RM também pode ser modificada
para mostrar o padrão do fluxo sangüíneo
das artérias do pescoço e da base do cérebro,
mas as imagens apresentam uma qualidade inferior às
da angiografia cerebral.
Ultra-sonografia
com Doppler
A ultra-sonografia com
Doppler é utilizada principalmente para mensurar
o fluxo sangüíneo seja através das artérias
carótidas seja das artérias da base do cérebro,
visando avaliar o risco de acidente vascular cerebral de
um indivíduo. Em um monitor, essa técnica
mostra as diferentes velocidades de fluxo sangüíneo
em cores diferentes. A ultra-sonografia com Doppler é
uma técnica indolor que pode ser realizada à
beira do leito e é relativamente barata.
Mielografia
A mielografia é
uma técnica através da qual uma TC ou uma
radiografia da medula espinhal é realizada após
a injeção de um contraste radiopaco, uma substância
que é visualizada na imagem. A mielografia pode revelar
anomalias no interior da coluna espinhal, como uma herniação
discal ou um câncer. Quando a TC é utilizada,
as imagens obtidas são extremamente nítidas.
Atualmente, a mielografia tem sido amplamente substituída
pela RM, que fornece maiores detalhes, é mais simples
e mais segura.
Eletroencefalografia
A eletroencefalografia
(EEG) é um procedimento simples e indolor no qual
são instalados 20 fios (eletrodos) sobre o couro
cabeludo para se acompanhar e registrar a atividade elétrica
do cérebro. Os registros gráficos sob a forma
de ondas permitem detectar alterações elétricas
associadas à epilepsia e, algumas vezes, algumas
doenças metabólicas raras do cérebro.
Em alguns casos, como na epilepsia de difícil detecção,
o registro é realizado durante um período
de 24 horas. Caso contrário, o exame fornece poucas
informações específicas.
Potenciais Evocados
Os potenciais evocados
são indicações da resposta do cérebro
a determinados estímulos. A visão, o som e
o tato estimulam individualmente áreas específicas
do cérebro. Por exemplo, uma luz intermitente estimula
a região posterior do cérebro que percebe
a visão. Normalmente, a resposta do cérebro
a um estímulo é muito discreta para ser detectada
em uma EEG. No entanto, as respostas a uma série
de estímulos podem ser captadas por um computador
o qual calcula a média dessas respostas, que
mostrará que esses estímulos foram recebidos
pelo cérebro. Os potenciais evocados são particularmente
úteis quando o indivíduo que está sendo
examinado não consegue falar. Por exemplo, o médico
pode testar a audição de um lactente através
da verificação de uma resposta cerebral após
um ruído. Os potenciais evocados podem revelar pequenas
lesões do nervo óptico (o nervo que inerva
os olhos) em um paciente com esclerose múltipla.
Em um indivíduo com epilepsia, os potenciais evocados
podem também revelar descargas elétricas anormais
desencadeadas pela respiração profunda e rápida
ou que ocorrem quando o indivíduo observa uma luz
intermitente (tipo flash).
Eletromiografia
A eletromiografia é
uma técnica na qual pequenas agulhas são inseridas
em um músculo para registrar a sua atividade elétrica.
Esta é visualizada em um osciloscópio e ouvida
através de um um alto-falante. O músculo normal
em repouso não produz atividade elétrica.
No entanto, mesmo uma contração muscular discreta
produz alguma atividade elétrica, a qual aumenta
à medida que a contração tornase mais
forte. Em doenças musculares, dos nervos periféricos
e dos neurônios motores espinhais, a atividade elétrica
é anormal. A velocidade com que os nervos motores
transmitem os impulsos pode ser mensurada através
de estudos da condução nervosa. Um nervo motor
é estimulado com uma pequena carga elétrica
para desencadear um impulso. Este percorre o nervo e, finalmente,
atinge o músculo e faz com que ele contraia. Através
da mensuração do tempo que o impulso leva
para atingir o músculo, o médico pode calcular
a velocidade do impulso. Mensurações similares
podem ser realizadas para os nervos sensoriais. Se a fraqueza
muscular for causada por uma doença muscular, a velocidade
de condução nervosa permanece normal. Se ela
for causada por uma doença neurológica, a
velocidade de condução nervosa será
mais lenta. A fraqueza apresentada pelos portadores da miastenia
grave é causada por um defeito no ponto onde o impulso
nervoso atravessa uma sinapse neuromuscular. Os impulsos
repetidos transmitidos ao longo do nervo até o músculo
acarretam um aumento da resistência aos neurotransmissores
localizados na sinapse, resultando em uma resposta progressivamente
mais fraca ao longo do tempo.
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