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Os distúrbios do sono são alterações
relacionadas ao começo do sono, durante todo o sono
ou a comportamentos anormais associados ao sono, como o
terror noturno ou o sonambulismo. O sono é necessário
para a sobrevivência e a boa saúde. No entanto,
não se conhece a razão pela qual ele é
necessário ou exatamente como ele beneficia o ser
humano. As necessidades individuais do sono variam enormemente
e, nos adultos saudáveis, elas podem variar de apenas
quatro horas até nove horas de sono por dia. A maioria
dos indivíduos dorme à noite. Entretanto,
muitos necessitam dormir durante o dia devido ao horário
de trabalho. Esta situação freqüentemente
acarreta distúrbios do sono. A maioria dos distúrbios
do sono são comuns.
A duração do sono e o grau
de repouso apresentado por um indivíduo ao despertar
podem ser influenciados por muitos fatores como, por exemplo,
a excitação ou o estresse emocional. Os medicamentos
também podem ser responsáveis. Alguns medicamentos
causam sonolência enquanto outros dificultam a conciliação
do sono. Mesmo alguns componentes ou aditivos alimentares
como cafeína, temperos fortes e o glutamato monossódico
(GMS), podem afetar o sono. O padrão do sono não
é uniforme, apresentando diferentes estágios.
Durante o sono noturno, ocorrem cinco ou seis passagens
por esses estágios. O sono evolui do estágio
1 (o nível mais leve, durante o qual o indivíduo
que está dormindo pode ser acordado facilmente) até
o estágio 4 (o nível mais profundo, durante
o qual é difícil despertar o indivíduo
que está dormindo).
No estágio 4, os músculos encontram-
se relaxados, a pressão arterial encontrase em seu
nível mínimo e as freqüências cardíaca
e respiratória encontram-se diminuídas ao
máximo. Além desses quatro estágios,
existe uma forma de sono que é acompanhada por movimentos
rápidos dos olhos (rapid eye movements, REM) e atividade
cerebral. Durante o sono REM, a atividade elétrica
cerebral encontra-se incomumente elevada, lembrando um pouco
a atividade do estado de vigília. As alterações
dos movimentos oculares e das ondas cerebrais que acompanham
o sono REM podem ser registradas em um eletroencefalograma
(EEG).
No sono REM, ocorre um aumento da freqüência
e da profundidade da respiração, mas os músculos
estão bem relaxados mais ainda que durante
os níveis mais profundos do sono não- REM.
A maioria dos sonhos ocorre durante o sono REM e no estágio
3, enquanto que o falar dormindo, o terror noturno e o sonambulismo
ocorrem durante os estágios 3 e 4. Durante uma noite
de sono normal, o sono REM segue imediatamente após
cada um dos cinco ou seis ciclos de sono não-REM
de quatro estágios. No entanto, o sono REM pode,
na realidade, ocorrer em qualquer estágio.
Média Diária das Necessidades
de Sono
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Idade
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Número Total de Horas
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|
Sono REM (porcentagem do total)
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Estágio 4 do Sono (porcentagem
do total)
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Recém-nascido |
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13 a 17
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50%
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|
25%
|
|
| |
2 anos |
|
9 a 13
|
|
30 a 35%
|
|
25%
|
|
| |
10 anos |
|
10 a 11
|
|
25%
|
|
25 a 30%
|
|
| |
16 a 65 anos |
|
6 a 9
|
|
25%
|
|
25%
|
|
| |
Mais de 65 anos |
|
6 a 8
|
|
20 a 25%
|
|
0 a 10%
|
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| |
|
|
|
|
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Estágios do Ciclo do Sono
Normalmente, o sono atravessa fases distintas,
cinco ou seis vezes durante a noite. O tempo do sono profundo
é relativamente curto (estágios 3 e 4). Mais
tempo é despendido no sono com movimento rápido
dos olhos (REM) à medida que a noite vai transcorrendo.
No entanto, esse estágio é interrompido por
retornos breves ao sono leve (estágio 1). O indivíduo
desperta diversas vezes durante a noite.

Insônia
A insônia é a dificuldade
para conciliar o sono ou permanecer dormindo, ou uma alteração
do padrão do sono que, ao despertar, faz com que
o indivíduo tenha a sensação de ter
dormido pouco. A insônia não é uma doença
é um sintoma que possui muitas causas diferentes,
incluindo distúrbios emocionais e físicos
e o uso de medicamentos. A dificuldade para conciliar o
sono é comum tanto em indivíduos jovens quanto
em idosos e, freqüentemente, ocorre em casos de distúrbios
emocionais como a ansiedade, o nervosismo, a depressão
ou o medo. Algumas vezes, os indivíduos apresentam
dificuldade para adormecer simplesmente por que o seu corpo
e o seu cérebro não estão cansados.
À medida que os indivíduos
envelhecem, eles tendem a dormir menos. Os estágios
do sono também mudam: o estágio 4 torna-se
mais curto e, finalmente, desaparece. Além disso,
aumenta a quantidade de despertares durante todos os estágios.
Apesar de normais, essas alterações freqüentemente
levam os indivíduos idosos a crerem que não
estão dormindo o suficiente. No entanto, não
existem provas de que os indivíduos idosos saudáveis
necessitem da mesma quantidade de sono que os mais jovens,
ou que eles necessitem de medicamentos que induzam o sono
para evitar essas alterações normais relacionadas
à idade.
O padrão de despertar
no início da manhã é mais comum entre
os indivíduos idosos. Alguns indivíduos adormecem
geralmente, mas despertam algumas horas mais tarde e são
incapazes de conciliar o sono novamente com facilidade.
Algumas vezes, eles apresentam um sono agitado e não
reparador. Em qualquer faixa etária, o despertar
no início da manhã pode ser um sinal de depressão.
Os indivíduos com alteração do padrão
de sono podem apresentar reversão do ritmo do sono.
Eles adormecem em momentos inadequados
e então não conseguem dormir quando deveriam.
Essas reversões ocorrem freqüentemente em conseqüência
da jet lag (defasagem horária, sobretudo quando o
indivíduo viaja do leste para o oeste), do trabalho
em horários noturnos de modo irregular, de alterações
freqüentes do horário de trabalho ou do consumo
excessivo de bebidas alcoólicas. Algumas vezes, essas
reversões podem ser devidas a um efeito colateral
medicamentoso. A lesão do relógio interno
do cérebro (p.ex., causada por uma encefalite, um
acidente vascular cerebral ou doença de Alzheimer)
também pode alterar o padrão de sono.
Diagnóstico
Para diagnosticar a insônia,
o médico avalia o padrão de sono do paciente,
o uso de medicações, o consumo de álcool
e drogas ilícitas, o grau de estresse psicológico,
a história clínica e o nível de atividade
física. Alguns indivíduos necessitam de um
menor número de horas de sono que outros e, por essa
razão, o diagnóstico da insônia é
baseado nas necessidades individuais. Os médicos
podem classificar a insônia como primária (distúrbio
prolongado com pouca ou nenhuma relação aparente
com qualquer estresse ou evento ocorrido na vida do indivíduo),
ou secundária (condição causada pela
dor, pela ansiedade, por medicamentos, pela depressão
ou pelo estresse extremo).
Medicamentos
para Dormir: Não Devem Ser Tomados sem Critério
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Os hipnóticos (sedativos, tranqüilizantes
menores, drogas ansiolíticas) encontram-se
entre os medicamentos mais comumente utilizados. A
maioria é bastante segura, mas todos podem
perder a eficácica quando o indivíduo
habitua-se ao seu uso. Os hipnóticos também
podem causar sintomas de abstinência quando
seu uso é interrompido. Após alguns
dias de uso, a interrupção de um medicamento
hipnótico pode agravar o problema original
do sono (insônia de rebote) e aumentar a ansiedade.
Os médicos recomendam a redução
gradativa e lenta da dose. A supressão completa
pode levar várias semanas. A maioria dos hipnóticos
exigem prescrição médica, pois
podem levar ao vício. Além disso, é
possível a ocorrência de overdose (dose
excessiva). Os hipnóticos são particularmente
perigosos para os indivíduos idosos ou para
aqueles que apresentam problemas respiratórios,
pois essas substâncias tendem a inibir as áreas
cerebrais que controlam a respiração.
Os hipnóticos também reduzem o estado
de alerta diurno, tornando arriscada a condução
de um automóvel ou a operação
de equipamentos (máquinas pesadas). Os hipnóticos
são particularmente perigosos quando ingeridos
com bebidas alcoólicas, outros hipnóticos,
narcóticos, anti-histamínicos e antidepressivos.
Todos esses medicamentos causam sonolência e
podem inibir a respiração, tornando
os efeitos combinados mais perigosos.
Os hipnóticos mais comuns e seguros são
os benzodiazepínicos. Como eles não
diminuem a quantidade total do sono REM, esses medicamentos
não reduzem a capacidade de sonhar. Alguns
benzodiazepínicos permanecem no organismo mais
tempo que outros. Os idosos, que não conseguem
metabolizar e excretar os medicamentos tão
bem quanto os mais jovens, podem apresentar maior
propensão à sonolência diurna,
à fala pastosa e a quedas. Por essa razão,
os médicos evitam prescrever benzodiazepínicos
de ação prolongada como o fluorazepam,
o clordiazepóxido e o diazepam. Os barbitúricos,
um dos hipnóticos mais utilizados antigamente,
e o meprobamato não são tão
seguros quanto os benzodiazepínicos. O hidrato
de cloral é relativamente seguro, mas ele
é utilizado muito menos freqüentemente
que os benzodiazepínicos. Alguns antidepressivos
(p.ex., amitriptilina) podem aliviar a insônia
associada à depressão ou o despertar
muito precoce causado por crises de pânico,
mas os seus efeitos adversos podem ser problemáticos,
especialmente nos indivíduos idosos. A difenidramina
e o dimenidrinato são dois medicamentos
de venda livre de baixo custo, e que podem eliminar
problemas de sono leve ou ocasional, mas não
são utilizados primariamente como sedativos
e podem causar efeitos adversos, sobretudo em indivíduos
idosos.
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Tratamento
O tratamento da insônia
depende de sua causa e gravidade. Os indivíduos idosos
que apresentam alterações do sono relacionadas
ao processo de envelhecimento normalmente não necessitam
de tratamento, uma vez que essas alterações
são normais. Como o tempo total de sono pode diminuir
com o envelhecimento, os indivíduos idosos podem
achar que o ato de ir se deitar mais tarde ou de se levantar
mais cedo pode ajudar. Os indivíduos com insônia
podem beneficiar-se permanecendo calmos e relaxados na hora
que antecede o momento de dormir e tornando o ambiente do
quarto propício ao sono.
A iluminação suave,
o ruído mínimo e uma temperatura ambiente
confortável são necessários. Se a causa
da insônia for o estresse emocional, o tratamento
para reduzir o estresse é mais útil do que
o uso de medicamentos sedativos. Quando um indivíduo
com depressão apresenta insônia, esta deve
ser cuidadosamente avaliada e tratada por um médico.
Por possuírem propriedades sedativas, alguns medicamentos
antidepressivos podem melhorar o sono. Quando os distúrbios
do sono interferem nas atividades normais do indivíduo
e na sua sensação de bem-estar, o uso intermitente
de medicações para dormir (sedativos, hipnóticos)
pode ser útil.
Hipersonia
A hipersonia é o aumento
das horas de sono, aproximadamente de 25% do padrão
de sono normal do indivíduo. Menos comum que a insônia,
a hipersonia é um sintoma que freqüentemente
indica a possibilidade de uma lesão grave. Indivíduos
saudáveis podem apresentar hipersonia temporária
durante algumas noites ou dias após um período
contínuo de privação de sono ou um
esforço físico incomum. Se a hipersonia perdurar
mais do que alguns dias, ela pode ser sintoma de um distúrbio
psicológico (p.ex., ansiedade ou depressão
grave), uso abusivo de medicamentos hipnóticos, falta
de oxigênio e acúmulo de dióxido de
carbono no organismo em decorrência de uma apnéia
do sono ou um distúrbio cerebral.
A hipersonia crônica que
se inicia em uma idade precoce pode ser um sintoma da narcolepsia.
Quando a sonolência é recente e súbita,
o médico questiona sobre o humor do indivíduo,
eventos atuais e qualquer droga que ele possa estar utilizando.
Como a causa pode ser uma doença, o médico
examina o coração, os pulmões e o fígado.
Exames laboratoriais podem confirmar a doença.
A hipersonia recente, a qual
não pode ser facilmente explicada por uma doença
ou pelo uso excessivo de drogas, pode ser causada por um
distúrbio psiquiátrico (p.ex., depressão)
ou um problema neurológico (p.ex., encefalite, meningite
ou um tumor intracraniano). O exame neurológico pode
revelar sinais de depressão, de comprometimento da
memória ou neurológicos anormais. O médico
solicita uma tomografia computadorizada (TC) ou uma ressonância
magnética (RM) para o indivíduo com sinais
de um distúrbio neurológico e deve encaminhá-lo
a um neurologista.
Narcolepsia
Um distúrbio do sono
incomum, a narcolepsia caracteriza-se por episódios
incontroláveis e recorrentes de sono durante as horas
normais de vigília, assim como pela cataplexia, pela
paralisia do sono e por alucinações. A causa
da narcolepsia é desconhecida, mas o distúrbio
tende a ocorrer em famílias, o que sugere uma predisposição
genética. Embora a narcolepsia não tenha conseqüências
clínicas graves, ela pode ser assustadora e pode
aumentar o risco de acidentes.
Sintomas
Geralmente, os sintomas se iniciam
na adolescência ou no início da vida adulta
em indivíduos saudáveis e persistem por toda
a vida. Um indivíduo com narcolepsia apresenta episódios
súbitos de sono incontrolável que podem ocorrer
em qualquer momento. O indivíduo pode resistir ao
adormecimento por pouco tempo, mas ele pode ser facilmente
despertado quando estiver dormindo. Podem ocorrer poucos
ou muitos episódios em um mesmo dia, cada um durando
uma hora ou menos. A probabilidade da ocorrência de
um episódio de narcolepsia é maior quando
o indivíduo depara-se com situações
monótonas como, por exemplo, encontros enfadonhos
ou longos períodos dirigindo em uma auto-estrada.
O indivíduo pode sentir-se
descansado ao acordar, mas pode adormecer novamente alguns
minutos após. O indivíduo com narcolepsia
pode apresentar uma paralisia momentânea sem perda
de consciência (condição denominada
cataplexia), em resposta a uma reação emocional
súbita (p.ex., raiva, medo, alegria, um acesso de
riso ou surpresa). Ele pode apresentar fraqueza nas extremidades,
deixar cair algo que esteja segurando ou sofrer uma queda.
Além disso, ele também pode apresentar episódios
ocasionais de paralisia do sono.
Logo após adormecer ou
assim que ele acorda, o indivíduo deseja movimentar-se,
mas é incapaz de fazê-lo. Essa experiência
pode ser aterrorizante. No início do sono ou, menos
freqüentemente, ao despertar, o indivíduo também
pode ter alucinações vívidas, durante
as quais ele vê ou ouve coisas inexistentes. As alucinações
são similares às dos sonhos normais, porém
mais intensas. Apenas aproximadamente 10% dos indivíduos
com narcolepsia apresentam todos esses sintomas; a maioria
apresenta apenas alguns deles.
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A Ciência Desperta para os Distúrbios
do Sono
Os laboratórios de estudo do sono avaliam,
diagnosticam e tratam de pessoas que sofrem de todos
os tipos de distúrbios do sono. Os sintomas
a seguir podem sugerir o encaminhamento de um indivíduo
a um laboratório de estudo do sono:
Insônia
Dependência de comprimidos para dormir
Hipersonia
Roncos intensos ou engasgamento
Pesadelos
Sono anormal segundo o testemunho de observadores
Uma avaliação inicial num laboratório
de estudos do sono pode incluir:
Uma história do sono, incluindo freqüentemente
um relatório do padrão do sono
Uma história clínica geral
Um exame físico
Exames de sangue
Um teste laboratorial do sono
Dois exemplos de testes realizados num laboratório
de estudos do sono são a polissonografia durante
a noite e um teste de latência múltipla
do sono. Na polissonografia durante a noite, o indivíduo
passa uma noite num laboratório de estudos
do sono com eletrodos instalados para medir os estágios
do sono e outros parâmetros fisiológicos.
O teste avalia a apnéia ou distúrbios
do movimento durante o sono. Num teste de latência
múltipla do sono, o indivíduo passa
o dia num laboratório de estudos do sono, cochilando
em intervalos. Esse teste avalia a sonolência
diurna, especialmente nos casos de narcolepsia.
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Diagnóstico
Apesar do diagnóstico
geralmente ser baseado nos sintomas, sintomas similares
não indicam necessariamente que um indivíduo
apresenta narcolepsia. A cataplexia, a paralisia do sono
e as alucinações são comuns em crianças
de baixa idade e ocorrem ocasionalmente em adultos saudáveis.
Se o médico tiver dúvidas quanto ao diagnóstico,
o paciente deve ser encaminhado a um laboratório
de estudo do sono. Um eletroencefalograma (EEG), que consiste
no registro da atividade elétrica do cérebro,
pode revelar a ocorrência de padrão de sono
REM quando o indivíduo adormece, o que é típico
da narcolepsia. Não foram observadas alterações
estruturais no cérebro nem alterações
nos exames de sangue.
Tratamento
Medicamentos estimulantes, como
a efedrina, a anfetamina, a dextroanfetamina e o metilfenidato
podem ser úteis no alívio da narcolepsia.
Pode ser necessário o ajuste da dose para se evitar
efeitos colaterais como espasmos, hiperatividade ou perda
de peso. Por essa razão; o médico deve controlar
rigorosamente o seu paciente no início do tratamento
medicamentoso. A imipramina, um medicamento antidepressivo,
normalmente auxilia no alívio da cataplexia.
Síndrome da Apnéia
do Sono
A apnéia do sono é
um grupo de distúrbios graves do sono nos quais a
respiração é interrompida repetidamente
durante o sono (apnéia), durante um tempo suficientemente
longo a ponto de reduzir a oxigenação do sangue
e do cérebro e aumentar a quantidade de dióxido
de carbono. A apnéia do sono pode ser obstrutiva
ou central. A apnéia do sono obstrutiva é
causada por uma obstrução da garganta ou das
vias aéreas superiores.
A apnéia do sono central
é causada por uma disfunção da área
do cérebro responsável pelo controle da respiração.
Algumas vezes, em casos de apnéia do sono obstrutiva,
a combinação da manutenção prolongada
da concentração baixa de oxigênio e
da concentração elevada de dióxido
de carbono diminui a sensibilidade do cérebro a essas
alterações, adicionando um elemento de apnéia
central ao problema. Geralmente, a apnéia do sono
obstrutiva ocorre em homens obesos, os quais, em sua maioria,
tentam dormir em decúbito dorsal (apoiados sobre
as costas). O distúrbio é muito menos comum
em mulheres.
A obesidade, provavelmente em
combinação com o envelhecimento dos tecidos
orgânicos e outros fatores, acarreta um estreitamento
das vias aéreas superiores. O tabagismo, o uso excessivo
de bebidas alcoólicas e as doenças pulmonares
(p.ex., enfisema) aumentam o risco de apnéia do sono
obstrutiva. A predisposição à apnéia
do sono garganta e vias aéreas estreitas
pode ser hereditária, afetando diversos membros de
uma família.
Sintomas
Como os sintomas ocorrem durante
o sono, eles devem ser descritos por alguém que observe
o indivíduo enquanto ele dorme. O sintoma mais comum
é o ronco associado a episódios de respiração
ofegante, engasgos, pausas da respiração e
episódios de despertar súbito. Nos casos graves,
os indivíduos apresentam episódos repetidos
de engasgamento obstrutivo relacionado ao sono, tanto durante
a noite quanto durante o dia. Finalmente, esses episódios
interferem na atividade laborativa diurna e aumentam o risco
de complicações. Uma apnéia do sono
prolongada e grave pode causar cefaléia, sonolência
excessiva durante o dia, atividade mental diminuída
e, finalmente, insuficiência cardíaca e pulmonar.
Nesta última fase, os pulmões não são
capazes de oxigenar o sangue adequadamente nem de eliminar
o dióxido de carbono.
Diagnóstico
Nos estágios iniciais,
a apnéia do sono é freqüentemente diagnosticada
baseando-se nas informações fornecidas pela
pessoa que dorme com o paciente, a qual pode descrever roncos
altos ou ruídos ofegantes e episódios de despertar
com sobressalto associados ao engasgamento. Além
disso, o indivíduo pode apresentar piora da fadiga
durante o dia. A confirmação do diagnóstico
e uma avaliação de sua gravidade são
melhor realizadas em um laboratório de estudos do
sono. Essas análises podem auxiliar o médico
na diferenciação entre a apnéia do
sono obstrutiva e a apnéia do sono central.
Tratamento
Para os indivíduos com
apnéia do sono obstrutiva, as primeiras medidas a
serem tomadas são deixar de fumar, evitar o uso excessivo
de bebidas alcoólicas e perder peso. Aqueles que
roncam muito e engasgam freqüentemente durante o sono
não devem tomar tranquilizantes, medicamentos para
dormir e outros sedativos. Os indivíduos com apnéia
do sono central habitualmente são beneficiados com
o uso de um respirador artificial, o qual é utilizado
durante as horas de sono. A mudança de posição
durante o sono é importante. Os indivíduos
que roncam são aconselhados a dormir de lado ou com
em decúbito ventral, com a face voltada para baixo.
Se esses procedimentos simples
não eliminarem a apnéia do sono, pode ser
utilizado um aparelho de pressão positiva contínua
das vias aéreas com o auxílio de um dispositivo
como, por exemplo, uma máscara de oxigênio
que libera uma mistura de ar e oxigênio através
das narinas. Esse aparelho mantém as vias aéreas
abertas, auxiliando a respiração regular.
Excetuandose os alcoolistas, quase todos os indivíduos
adaptam-se a esses aparelhos. Dispositivos bucais, confeccionados
por dentistas, podem reduzir as apnéias e o ronco
em muitos indivíduos.
Raramente um indivíduo
com apnéia do sono grave necessita de uma traqueostomia,
um procedimento cirúrgico que cria uma abertura permanente
na traquéia através do pescoço. Algumas
vezes são realizados outros procedimentos cirúrgicos
para alargamento das vias aéreas superiores, visando
aliviar o problema. Contudo, essas medidas somente são
necessárias em casos extremos e, normalmente, são
realizadas por um especialista.
Parassonias
As parassonias são sonhos
e atividades físicas vívidas que ocorrem durante
o sono. Durante o sono, podem ocorrer diversos movimentos
inconscientes, os quais, na sua maioria, não são
lembrados e são mais freqüentes em crianças
que em adultos. Imediatamente antes de adormecer, praticamente
todas as pessoas ocasionalmente apresentam um espasmo breve
e involuntário de todo o corpo. Algumas pessoas também
apresentam paralisia do sono ou alucinações
breves. Durante o sono, as pessoas geralmente apresentam
espasmos ocasionais de membros inferiores.
Os adultos podem ranger os dentes
intensamente, podem apresentar movimentos periódicos
e ter pesadelos. O sonambulismo, os golpes de cabeça,
os terrores noturnos e os pesadelos são mais comuns
em crianças e causam angústia. As crises epilépticas
podem ocorrer em qualquer idade. As pernas inquietas (acatisia)
são um distúrbio relativamente comum que freqüentemente
ocorrem um pouco antes do indivíduo adormecer, em
particular entre os indivíduos com mais de 50 anos.
Especialmente em situações de estresse, os
indivíduos com acatisia sentem um leve desconforto
nos membros inferiores, juntamente com movimentos espontâneos
e incontroláveis dos mesmos.
A sua causa é desconhecida,
mas um terço ou mais dos indivíduos com acatisia
apresentam uma história familiar. Algumas vezes,
o uso de um benzodiazepínico no momento de dormir
alivia o quadro. Os terrores noturnos são episódios
assustadores durante os quais o indivíduo grita,
debate-se e, freqüentemente, são acompanhados
por sonambulismo. É comum esses episódios
ocorrerem durante as fases não-REM do ciclo do sono.
O tratamento com benzodiazepínicos (p.ex., diazepam)
pode ser útil. Os pesadelos são sonhos assustadores
e vívidos que afetam crianças e adultos, sendo
seguidos por um despertar súbito.
Os pesadelos ocorrem durante
o sono REM, sendo mais comuns durante períodos de
estresse, febre ou fadiga excessiva, ou após o consumo
de bebidas alcoólicas. Não existe um tratamento
específico disponível. O sonambulismo, mais
comum no final da infância e na adolescência,
é o ato de caminhar de forma semiconsciente, sem
percepção da ação. As pessoas
não sonham durante o estado de sonambulismo. De fato,
a atividade cerebral durante o sonambulismo, apesar de anormal,
indica mais um estado de vigília que um estado de
sono.
Os sonâmbulos costumam
murmurar de modo repetido e podem se ferir ao tropeçarem
em obstáculos. A maioria dos sonâmbulos não
se recorda do episódio. Não existe um tratamento
específico disponível para esse distúrbio
do sono, mas o sonâmbulo pode ser delicadamente conduzido
de volta à cama. Algumas vezes, deixar uma luz acesa
no quarto de dormir ou no corredor adjacente reduz a tendência
ao sonambulismo. Não é recomendável
despertar o sonâmbulo bruscamente, uma vez que ele
pode reagir de forma violenta. Obstáculos ou objetos
que podem se quebrar devem ser removidos do caminho do sonâmbulo.
Além disso, as janelas baixas devem ser mantidas
fechadas e bloqueadas.
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