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O sistema nervoso periférico é
composto por todos os nervos que estão fora do sistema
nervoso central (cérebro e medula espinhal). Fazem
parte do sistema nervoso periférico os nervos cranianos
que conectam a cabeça e a face diretamente ao cérebro,
os nervos que conectam os olhos e o nariz ao cérebro
e todos os nervos que conectam a medula espinhal ao restante
do corpo. O cérebro comunica-se com a maior parte
do corpo através dos 31 pares de nervos espinhais
que emergem da medula espinhal. Cada par de nervos espinhais
inclui um nervo na parte anterior da medula espinhal, o
qual transmite informações do cérebro
aos músculos, e um nervo na parte posterior da medula,
o qual transmite informações sensitivas ao
cérebro. Os nervos espinhais conectam-se entre si
através de plexos localizados no pescoço,
no ombro e na pelve e, em seguida, dividem-se novamente
para inervar as partes mais distantes do corpo.
Os nervos periféricos são na
realidade feixes de fibras nervosas. Alguns são muito
pequenos (com diâmetros inferiores a 0,4 mm) e outros
são mais grossos (com diâmetros de até
6 mm). As fibras mais grossas transportam mensagens que
ativam os músculos (fibras nervosas motoras) e a
sensibilidade táctil e da posição (fibras
nervosas sensitivas). As fibras nervosas sensitivas menores
transmitem a sensibilidade à dor e à temperatura
e controlam as funções automáticas
do organismo, como a freqüência cardíaca,
a pressão arterial e a temperatura (sistema nervoso
autônomo). As células de Schwann envolvem cada
uma das fibras nervosas e formam muitas camadas de um isolante
gorduroso denominadas conhecidas como bainha de mielina.
A disfunção dos nervos periféricos
pode ser devida a lesões das fibras nervosos, do
corpo da célula nervosa, das células de Schwann
ou da bainha de mielina.
Quando ocorre uma lesão da bainha
de mielina que ocasiona a perda dessa substância (desmielinização),
os nervos não conseguem mais transmitir os impulsos
normalmente. Entretanto, a bainha de mielina pode regenerar-se
rapidamente, permitindo a recuperação completa
da função nervosa. Ao contrário da
bainha de mielina, a reparação e o novo crescimento
de uma célula nervosa lesada ocorrem muito lentamente
ou nem chegam a ocorrer. Algumas vezes, o crescimento pode
ocorrer em direção errônea, produzindo
conexões nervosas anormais. Por exemplo, um nervo
pode conectarse a um músculo errado, causando contração
e espasticidade, ou um nervo sensitivo pode crescer anormalmente,
fazendo com que o indivíduo não reconheça
o local onde ele está sendo tocado ou de onde a dor
é originária.
Circuito Músculo-Cérebro
Os nervos estão conectados e comunicam
seus sinais através de sinapses. O movimento de um
músculo envolve duas vias nervosas complexas: a via
nervosa sensitiva até o cérebro e a via nervosa
motora até o músculo. Esse circuito é
composto por doze etapas básicas, as quais são
indicadas a seguir.
1. Os receptores sensitivos da pele detectam
as sensações e transmitem um sinal ao cérebro.
2. O sinal é transmitido ao longo de um nervo sensitivo
até a medula espinhal.
3. Uma sinapse na medula espinhal conecta o nervo sensitivo
a um nervo da medula espinhal. 4. O nervo cruza para o lado
oposto da medula espinhal.
5. O sinal é transmitido e ascende pela medula espinhal.
6. Uma sinapse no tálamo conecta a medula espinhal
às fibras nervosas que transmitem o sinal até
o córtex sensitivo.
7. O córtex sensitivo detecta o sinal e faz com que
o córtex motor gere um sinal de movimento. 8. O nervo
que transmite o sinal cruza para o outro lado, na base do
cérebro.
9. O sinal é transmitido para baixo pela medula espinhal.
10. Uma sinapse conecta a medula espinhal a um nervo motor.
11. O sinal prossegue ao longo do nervo motor.
12. O sinal atinge a placa motora, onde ele estimula o movimento
muscular.

Distúrbios da Estimulação
Muscular
A via nervosa do cérebro aos músculos
é complexa e uma disfunção em qualquer
ponto ao longo desse trajeto pode acarretar problemas musculares
e do movimento. Mesmo sendo normal, sem uma estimulação
adequada dos nervos, o músculo enfraquece, atrofia
e pode paralisar por completo. Os distúrbios musculares
causados pela disfunção nervosa incluem a
esclerose lateral amiotrófica (doença de Lou
Gehrig), a atrofia muscular progressiva, a paralisia bulbar
progressiva, a esclerose lateral primária e a paralisia
pseudobulbar progressiva. Na maioria dos casos, a causa
é desconhecida. Em cerca de 10% dos casos, parece
existir uma tendência hereditária. Esses distúrbios
apresentam semelhanças: em todos, os nervos espinhais
ou cranianos que estimulam a ação muscular
(nervos motores) apresentam uma deterioração
progressiva que causa fraqueza muscular e, finalmente, pode
levar à paralisia. Contudo, cada alteração
afeta uma parte distinta do sistema nervoso e um grupo muscular
diferente e, por essa razão, cada um desses distúrbios
afeta mais uma determinada parte do corpo. Eles são
mais freqüentes em homens que em mulheres. Os sintomas
comumente iniciam entre os 50 e 60 anos de idade.
Sintomas
A esclerose lateral amiotrófica é
uma doença progressiva que inicia com fraqueza das
mãos e, com menor freqüência, dos pés.
A fraqueza pode afetar mais um lado do corpo que o outro
e, geralmente, avança de modo ascendente ao longo
de um membro superior ou inferior. As câimbras também
são comuns e podem preceder a fraqueza. No decorrer
do tempo, além da fraqueza progressiva, o indivíduo
pode apresentar espasticidade. Os músculos tornam-se
rígidos, ocorrem espasmos e podem ocorrer tremores.
Os músculos da fala e da deglutição
podem enfraquecer, levando à dificuldade de articulação
das palavras (disartria) e de deglutição (disfagia).
Finalmente, a doença pode afetar o diafragma, produzindo
alterações respiratórias. Alguns indivíduos
podem necessitar um aparelho respirador. A esclerose lateral
amiotrófica sempre é progressiva, embora a
velocidade de progressão possa variar. Aproximadamente
50% dos indivíduos afetados morrem nos três
anos que sucedem o surgimento dos primeiros sintomas; 10%
deles sobrevivem por dez anos ou mais e, raramente, um indivíduo
com esclerose lateral amiotrófica sobrevive até
30 anos.
A atrofia muscular progressiva é similar
à esclerose lateral amiotrófica, mas apresenta
uma evolução mais lenta, não causa
espasticidade e a fraqueza muscular é menos intensa.
Os sintomas iniciais podem consistir em contrações
involuntárias ou pequenos abalos das fibras musculares.
Muitos indivíduos com esse distúrbio sobrevivem
por 25 anos ou mais. Na paralisia bulbar progressiva, os
nervos que controlam os músculos da mastigação,
da deglutição e da fala são afetados,
de modo que essas funções tornam-se cada vez
mais difíceis. Também podem ocorrer respostas
emocionais estranhas, com alternâncias súbitas
de estados de alegria com estados de tristeza sem razão
aparente. As explosões emocionais inadequadas são
comuns. A dificuldade de deglutição freqüentemente
acarreta aspiração de alimentos ou de saliva
para o interior dos pulmões. Normalmente, a morte
ocorre de um a três anos após o início
do distúrbio e, freqüentemente, ela é
devida a uma pneumonia. A esclerose lateral primária
e a paralisia pseudobulbar progressiva são variantes
raras e de evolução lenta da esclerose lateral
amiotrófica. A esclerose lateral primária
afeta principalmente os membros superiores e inferiores
e a paralisia pseudobulbar progressiva afeta os músculos
faciais, mandibulares e da garganta. Em ambos, a rigidez
muscular grave acompanha a fraqueza muscular. O indivíduo
não apresenta atrofia ou contrações
musculares. Habitualmente, a incapacidade desenvolve-se
ao longo de vários anos.
Diagnóstico
O médico suspeita da existência
de um desses distúrbios quando um adulto apresenta
fraqueza muscular progressiva sem perda da sensibilidade.
Exames e testes ajudam a descartar outras causas de fraqueza.
A eletromiografia, que mensura a atividade elétrica
muscular, pode ajudar a determinar se o problema está
localizado nos nervos ou nos músculos. No entanto,
os exames laboratoriais não conseguem determinar
qual das doenças nervosas possíveis é
responsável pelo problema. O médico estabelece
o diagnóstico levando em consideração
as partes do corpo que estão afetadas, quando o distúrbio
começou, quais foram os sintomas iniciais e como
se modificaram no decorrer do tempo.
Tratamento
Não existe um tratamento específico
nem se conhece uma cura para esses distúrbios. A
fisioterapia pode ser útil para manter o tônus
muscular e prevenir a rigidez muscular (contraturas). Os
indivíduos com dificuldade de deglutição
devem ser alimentados com muito cuidado para evitar que
eles engasguem; alguns devem ser alimentados através
de um tubo de gastrostomia (um tubo inserido através
da parede abdominal até o estômago). O baclofeno,
uma droga que reduz os espasmos musculares, alivia algumas
vezes as câimbras musculares. Outros medicamentos
podem reduzir as câimbras e a produção
de saliva. Pesquisadores vêm realizando experiências
com determinadas substâncias que promovem o crescimento
de nervos (fatores neurotróficos). Até o momento,
os estudos clínicos não conseguiram demonstrar
sua eficácia.
Distúrbios da Junção
Neuromuscular
Os nervos comunicam-se com os músculos
na junção neuromuscular. Quando um nervo estimula
um músculo na junção neuromuscular,
o músculo contrai. Os distúrbios da junção
neuromuscular incluem a miastenia grave, a síndrome
de Eaton-Lambert e o botulismo.
Miastenia Grave
A miastenia grave é uma doença
auto-imune caracterizada pelo funcionamento anormal da junção
neuromuscular que acarreta episódios de fraqueza
muscular. Na miastenia grave, o sistema imune produz anticorpos
que atacam os receptores localizados no lado muscular da
junção neuromuscular. Os receptores lesados
são aqueles que recebem o sinal nervoso através
da ação da acetilcolina, uma substância
química que transmite o impulso nervoso através
da junção (um neurotransmissor). Desconhece-se
o que desencadeia o ataque do organismo contra seus próprios
receptores de acetilcolina, mas a predisposição
genética desempenha um papel essencial. Os anticorpos
circulam no sangue e as mães com miastenia grave
podem passá-los ao feto através da placenta.
Essa transferência de anticorpos produz a miastenia
neonatal, na qual o recém-nascido apresenta fraqueza
muscular, que desaparece alguns dias ou algumas semanas
após o nascimento.
Sintomas
A doença ocorre mais freqüentemente
em mulheres que em homens e, normalmente, começa
entre os 20 e os 40 anos de idade, embora possa ocorrer
em qualquer idade. Os sintomas mais comuns são a
ptose palpebral (fraqueza palpebral, queda da pálpebra);
fraqueza da musculatura ocular, acarretando visão
dupla; e fadiga muscular excessiva de determinados músculos
após exercício. Em 40% dos indivíduos
com miastenia grave, os músculos dos olhos são
os primeiros a serem afetados e, no decorrer do tempo, 85%
deles apresentam esse problema. A dificuldade de fala e
de deglutição e a fraqueza dos membros superiores
e inferiores são comuns. Tipicamente, um músculo
torna-se progressivamente mais fraco. Por exemplo, um indivíduo
que conseguia utilizar bem um martelo torna-se muito fraco
para utilizá-lo repetidamente. A fraqueza muscular
varia de intensidade ao longo de horas ou dias. A doença
não apresenta uma evolução regular
e as exacerbações são freqüentes.
Nos episódios graves, os indivíduos com miastenia
grave podem tornar-se virtualmente paralisados, mas, mesmo
nessa situação, eles não perdem a sensibilidade.
Aproximadamente 10% dos indivíduos afetados apresentam
um comprometimento dos músculos respiratórios
(condição denominada crise miastênica),
que é potencialmente letal.
Diagnóstico
O médico suspeita da existência
da miastenia grave em qualquer indivíduo que apresenta
uma fraqueza generalizada, sobretudo quando esta inclui
os músculos dos olhos ou da face, aumenta com o uso
dos músculos afetados e o indivíduo recupera-se
com o repouso. Como os receptores da acetilcolina estão
bloqueados, as drogas que aumentam a quantidade de acetilcolina
são benéficas e um teste com um desses medicamentos
pode ajudar na confirmação do diagnóstico.
O edrofônio é a substância mais comumente
utilizada como droga-teste. Quando injetada pela via intravenosa,
essa substância produz uma melhora temporária
da força muscular nos indivíduos com miastenia
grave. Outros exames diagnósticos consistem na mensuração
da função dos nervos e dos músculos
através de uma eletromiografia e a detecção
de anticorpos contra a acetilcolina no sangue. Alguns indivíduos
com miastenia grave apresentam um tumor no timo (timoma),
que pode ser a causa da disfunção do sistema
imune. A tomografia computadorizada (TC) torácica
pode detectar a presença de um timoma.
Tratamento
O tratamento medicamentoso pode ser realizado
com medicamentos orais que aumentam o nível de acetilcolina
(p.ex., piridostigmina ou neostigmina). O médico
pode aumentar a dose durante as crises em que os sintomas
pioram. Existem cápsulas de ação prolongada
que podem ser utilizadas à noite para auxiliar os
indivíduos que despertam pela manhã com fraqueza
intensa ou que apresentam dificuldade de deglutição.
Outros medicamentos podem ser necessários para combater
as cólicas abdominais e a diarréia, freqüentemente
causadas pela piridostigmina e pela neostigmina. Se a dose
de um medicamento provedora de acetilcolina for muito alta,
o próprio medicamento poderá causar uma fraqueza,
tornando difícil para o médico distingui-la
da miastenia. Além disso, esses medicamenos podem
perder seus efeitos com o uso prolongado e, por essa razão,
o médico deve ajustar a dose. A piora da fraqueza
ou a redução da eficácia da droga exige
a avaliação de um médico com experiência
no tratamento da miastenia grave.
Para os indivíduos que não
respondem totalmente à piridostigmina ou à
neostigmina, o médico pode prescrever costicosteróides
(p.ex., prednisona) ou a azatioprina. Os corticosteróides
podem produzir uma melhoria em poucos meses. Os programas
terapêuticos atuais utilizam os corticosteróides
em dias alternados para suprimir a resposta imune. A azatioprina,
uma droga que ajuda a suprimir a produção
de anticorpos, também revelou ser benéfica
em alguns casos. Se não for observada uma melhora
com o tratamento medicamentoso, ou se o indivíduo
apresentar uma crise miastênica, a plasmaférese
pode ser tentada. A plasmaférese é um procedimento
caro através do qual são extraídas
as substâncias tóxicas presentes no sangue
(neste caso, o anticorpo anormal). A remoção
cirúrgica do timo é útil para aproximadamente
80% dos indivíduos com miastenia grave generalizada.
Outros Distúrbios da Junção
Neuromuscular
A síndrome de Eaton-Lambert é
similar à miastenia grave, pois ela também
é uma doença autoimune que produz fraqueza.
Contudo, a síndrome de Eaton-Lambert é causada
pela liberação inadequada de acetilcolina
e não por anticorpos anormais contra os receptores
da acetilcolina. A síndrome de Eaton-Lambert pode
aparecer esporadicamente, mas, geralmente, é um efeito
colateral de alguns tipos de câncer, em especial do
câncer de pulmão. O botulismo é um
distúrbio causado pela ingestão de alimentos
que contêm uma substância tóxica produzida
pela bactéria Clostridium botulinum. A substância
tóxica paralisa os músculos através
da inibição da liberação de
acetilcolina dos nervos. A junção neuromuscular
pode ser afetada por causa de muitos medicamentos, de determinados
inseticidas (organofosforados) e de gases nervosos utilizados
na guerra química. Algumas dessas substâncias
impedem a decomposição natural da acetilcolina
após o impulso nervoso ter sido transmitido ao músculo.
Doses muito elevadas de alguns antibióticos podem
causar fraqueza através de um mecanismo similar.
Distúrbios dos Plexos
Um plexo distribui os nervos de forma semelhante
ao que faz uma caixa de conexões elétricas
que distribui os cabos elétricos a diferentes partes
da casa. As lesões nervosas nos plexos principais,
os quais são como as caixas de conexão do
sistema nervoso, causam problemas nos membros superiores
ou inferiores inervados por esses nervos. Os principais
plexos do corpo são o plexo braquial, localizado
no pescoço e que distribui os nervos para ambos os
membros superiores, e o plexo lombossacro, localizado na
região lombar e que distribui os nervos para a pelve
e para os membros inferiores.
Causas
Freqüentemente, a lesão de um
plexo é devida à produção de
anticorpos pelo organismo, os quais atacam seus próprios
tecidos (reação autoimune). Uma reação
desse tipo pode ser a responsável pela neurite braquial
aguda, uma disfunção repentina do plexo braquial.
Entretanto, um plexo é mais freqüentemente comprometido
por uma lesão física ou por um câncer.
Um acidente com estiramento do membro superior ou com flexão
acentuada do braço ao nível da articulação
do ombro pode lesar o plexo braquial. Similarmente, uma
queda pode lesar o plexo lombossacro. O crescimento de um
câncer na porção superior do pulmão
pode invadir e destruir o plexo braquial e um câncer
de intestino, da bexiga ou da próstata pode invadir
o plexo lombossacro.
Sintomas e Diagnóstico
Uma disfunção do plexo braquial
causa dor e fraqueza do membro superior. A fraqueza pode
afetar apenas uma parte do membro superior, como o antebraço
ou o bíceps braquial, ou o membro inteiro. Quando
a causa é um distúrbio autoimune, o membro
superior perde a força no decorrer de um dia a uma
semana e a recuperação da força ocorre
lentamente, ao longo de alguns meses. A recuperação
de uma lesão também tende a ocorrer lentamente,
ao longo de vários meses, embora algumas lesões
graves possam causar uma fraqueza permanente. A disfunção
do plexo lombossacro causa dor na região lombar e
no membro inferior e produz fraqueza de uma parte do membro
inferior ou de todo o membro. A fraqueza pode ser limitada
aos movimentos do pé ou da panturrilha ou pode chegar
a causar paralisia total do membro inferior. A recuperação
depende da causa. A lesão de um plexo causada por
uma doença auto-imune pode desaparecer lentamente,
ao longo de vários meses. De acordo com a combinação
dos distúrbios motores e sensitivos, o médico
determina o comprometimento de um plexo e, através
de sua localização, qual é o plexo
afetado. A eletromiografia e estudos da condução
nervosa podem ajudar a localizar o problema. A tomografia
computadorizada (TC) ou a ressonância magnética
(RM) pode determinar se o distúrbio do plexo é
devido à presença de um câncer ou de
um outro tumor.
Caixas
da Junção Nervosa: Os Plexos
Muito semelhante a uma caixa de ligação
elétrica de uma casa, um plexo nervoso é uma
rede de nervos entrelaçados. Quatro plexos nervosos
estão localizados no tronco. O plexo cervical fornece
conexões nervosas para a cabeça, o pescoço
e o ombro; o plexo braquial, para o tronco, o ombro, o braço,
o antebraço e a mão; o plexo lombar, para
as costas, o abdômen, a virilha, a coxa, o joelho
e a perna; e o plexo sacro, para a pelve, as nádegas,
a genitália, a coxa, a perna e o pé. Como
os plexos lombar e sacro estão interconectados, eles
são algumas vezes denominados plexo lombossacro.
Os nervos intercostais estão localizados entre as
costelas.
Tratamento
O tratamento depende da causa do distúrbio
do plexo. Um câncer localizado próximo do plexo
pode ser tratado com radioterapia ou quimioterapia. Ocasionalmente,
um tumor ou um hematoma que esteja lesando o plexo deve
ser removido cirurgicamente. Algumas vezes, apesar de sua
eficácia não ter sido demonstrada, o médico
prescreve corticosteróides para a neurite braquial
aguda e para outros distúrbios do plexo de causa
supostamente auto-imune. Quando a causa é uma lesão
física, a conduta é expectante, permitindo
um tempo para que a cura ocorra.
Síndromes da Saída Torácica
As síndromes da saída torácica
são um conjunto de distúrbios mal definidos
que se caracterizam pela dor e sensações incomuns
(parestesias) nas mãos, no pescoço, nos ombros
ou nos membros superiores.
Causas
As síndromes da saída torácica
são mais comuns em mulheres que em homens e afetam
normalmente os indivíduos entre os 35 e os 55 anos
de idade. As várias causas desses distúrbios
são pouco conhecidas, mas podem ter sua origem na
saída torácica, a passagem existente na parte
superior da caixa torácica (base do pescoço),
que permite a passagem do esôfago, dos principais
vasos sangüíneos, da traquéia e de outras
estruturas. Como essa via de passagem encontra- se repleta
de órgãos e estruturas, podem ocorrer problemas
quando os vasos sangüíneos ou os nervos que
se dirigem ao membro superior são comprimidos entre
uma costela e a musculatura suprajacente.
Sintomas e Diagnóstico
As mãos, os membros superiores e os
ombros podem edemaciar ou apresentar uma coloração
azulada devido à falta de oxigenação
(condição denominada cianose). Nenhum exame
pode identificar especificamente a síndrome da saída
torácica. Conseqüentemente, o médico
deve basear- se nas informações obtidas através
da história clínica, do exame físico
e de vários exames. Dois testes podem ser úteis
para o médico determinar se o estreitamento da saída
torácica é o responsável pela interrupção
do fluxo sangüíneo ao membro inferior durante
determinados movimentos. O teste de Adson é realizado
com o objetivo de determinar se o pulso radial diminui ou
desaparece quando o indivíduo inspira profundamente
e mantém a respiração, ao mesmo tempo
que ele realiza uma extensão forçada do pescoço
para trás e roda a cabeça em direção
ao lado não afetado. O teste de Allen, consiste no
desaparecimento do pulso quando da elevação
do membro superior e de sua rotação com a
cabeça voltada para o lado não afetado. Com
o auxílio de um estetoscópio, o médico
pode auscultar sons anormais, os quais indicam um fluxo
sangüíneo anormal na artéria afetada.
A angiografia (radiografias obtidas após a injeção
de um contraste especial na corrente sangüínea)
pode revelar uma anomalia do fluxo sangüíneo
do membro superior. Entretanto, nenhum desses achados é
uma prova irrefutável de que existe uma síndrome
da saída torácica e, por outro lado, a ausência
desses achados também não descarta essa possibilidade.
Tratamento
Quase todos os indivíduos com síndrome
da saída torácica melhoram com a fisioterapia
e exercícios. A cirurgia pode ser necessária
para aqueles poucos indivíduos que apresentam uma
anormalidade evidente, como a presença de uma pequena
costela extra no pescoço (costela cervical) que está
comprimindo uma artéria. No entanto, a maioria dos
médicos tenta evitar a cirurgia por causa da dificuldade
de se estabelecer um diagnóstico definitivo e porque
os sintomas freqüentemente persistem após a
cirurgia.
Quando o Pé
Está Adormecido
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O pé
adormece quando o nervo que o inerva é comprimido.
A compressão interfere na circulação
sangüínea do nervo e este emite sinais anormais
(formigamento), denominados parestesias. O movimento
do pé alivia a compressão e restaura a
circulação sangüínea. Conseqüentemente,
o nervo recupera sua função e as parestesias
desaparecem. |
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Neuropatia Periférica
A neuropatia periférica (lesão
de um nervo periférico) é uma disfunção
dos nervos periféricos. A neuropatia periférica
pode alterar a sensibilidade, a atividade muscular ou a
função dos órgãos internos.
Os sintomas podem ocorrer isoladamente ou em combinação.
Por exemplo, os músculos inervados por um nervo lesado
podem enfraquecer e atrofiar. Pode ocorrer dor, dormência,
formigamento, edema e hiperemia (rubor) em várias
partes do corpo. Os efeitos podem ocorrer após uma
lesão de um único nervo (mononeuropatia),
de dois ou mais nervos (mononeuropatia múltipla)
ou de muitos nervos por todo o corpo simultaneamente (polineuropatia).
Mononeuropatia
Uma mononeuropatia ocorre quando um único
nervo periférico é lesado. O traumatismo é
a causa mais comum de uma mononeuropatia. Freqüentemente,
a lesão é causada pela pressão prolongada
sobre um nervo superficial em locais onde existem proeminências
ósseas como o cotovelo, o ombro, o punho ou o joelho.
A compressão durante o sono profundo pode ser suficientemente
prolongada para lesar um nervo especialmente nos
indivíduos que se encontram anestesiados ou bêbados,
nos indivíduos idosos confinados ao leito e naqueles
que são incapazes de se mover ou de virar devido
à paralisia. Um aparelho gessado mal feito, o uso
inadequado de muletas e períodos prolongados em posições
forçadas (p.ex., durante a prática da jardinagem
ou durante um jogo de cartas em que os cotovelos repousam
sobre a mesa) são causas menos comuns de compressão.
Os nervos também podem ser lesados
durante atividades muito intensas, em um acidente, pela
exposição prolongada ao frio ou ao calor ou
pela radioterapia utilizada no tratamento do câncer.
As infecções podem causar uma mononeuropatia
quando acarretam a destruição de um nervo.
Em alguns países, a hanseníase (lepra) é
às vezes uma causa de neuropatia. Certos nervos periféricos
são lesados mais freqüentemente que outros por
causa de sua localização mais vulnerável.
Isto é verdadeiro para o nervo mediano no punho (cujo
comprometimento resulta na síndrome do túnel
do carpo), para o nervo ulnar no cotovelo, para o nervo
radial no braço e para o nervo fibular na panturrilha.
Síndrome do túnel do carpo:
A síndrome do túnel do carpo é decorrente
da compressão do nervo mediano, que passa pelo punho
e inerva a face palmar da mão. Essa compressão
produz sensações estranhas: dormência,
formigamento e dor nos três primeiros dedos da face
palmar da mão. Ocasionalmente, ela também
causa dor e parestesia (uma sensação de queimação
ou formigamento) no braço e no ombro. A dor pode
ser mais intensa durante o sono por causa do posicionamento
da mão. Ao longo do tempo, os músculos da
face palmar podem enfraquecer e atrofiar. A síndrome
do túnel do carpo é comum especialmente
em mulheres e pode afetar uma ou ambas as mãos.
Os indivíduos cuja atividade exige movimentos vigorosos
e repetidos com o punho estendido (p.ex., uso de uma chave
de fenda) são particularmente suscetíveis.
O uso prolongado de teclados de computador
também tem sido considerado causador da síndrome
do túnel do carpo. As gestantes e os indivíduos
diabéticos ou com hipoatividade da tireóide
apresentam maior risco de apresentar essa síndrome.
O melhor tratamento para essa síndrome é a
interrupção de todas as atividades que exijam
uma hiperextensão do punho ou que exerçam
uma maior pressão sobre o nervo mediano. As talas
imobilizadoras de punho e medidas específicas (p.ex.,
ajuste do ângulo do teclado do computador) podem ser
úteis. Ocasionalmente, as injeções
de corticosteróides no nervo provêem um alívio
temporário. Se a dor for muito intensa ou se ocorrer
fraqueza ou atrofia muscular, a cirurgia será a melhor
maneira para eliminar a pressão sobre o nervo. Esse
procedimento consiste na liberação das faixas
de tecido fibroso que estão comprimindo o nervo mediano.
Antes da cirurgia, o médico pode realizar exames
da velocidade da condução nervosa para confirmar
que se trata realmente da síndrome do túnel
do carpo.
Paralisia do nervo ulnar: O nervo
ulnar passa próximo da superfície cutânea
no cotovelo e é facilmente lesado quando é
adotada uma posição repetida de apoio sobre
os cotovelos ou, algumas vezes, quando ocorre um crescimento
ósseo anormal nessa área. O resultado é
uma paralisia do nervo ulnar, sensações estranhas
e fraqueza da mão. A paralisia crônica e grave
do nervo ulnar pode acarretar atrofia muscular e uma deformidade
da mão (mão em garra). Estudos da condução
nervosa podem ajudar a localizar o nervo lesado. Como a
intervenção cirúrgica freqüentemente
não produz bons resultados, o distúrbio normalmente
é tratado com fisioterapia e evitando-se a pressão
sobre o cotovelo. Paralisia do nervo radial: A compressão
prolongada do nervo radial, localizado ao longo da face
inferior do úmero (osso do braço), pode acarretar
a sua paralisia. Algumas vezes, o distúrbio é
denominado paralisia da noite de sábado,
pois ele é comum em indivíduos que bebem excessivamente
e, em seguida, dormem profundamente com o membro superior
pendente sobre o encosto da cadeira ou sob a cabeça.
A lesão nervosa produz fraqueza do punho e dos dedos
da mão e, por essa razão, o punho pode permanecer
em uma posição pendente e flexionada e com
os dedos também flexionados (punho caído).
Ocasionalmente, o dorso da mão pode perder a sensibilidade.
Normalmente, a paralisia do nervo radial melhora assim que
a pressão é aliviada.
Paralisia do nervo fibular: A compressão
do nervo fibular, o qual apresenta um trajeto próximo
à superfície cutânea das pregas suaves
da porção superior da panturrilha, na face
posterior do joelho, pode acarretar a sua paralisia. Esse
distúrbio produz fraqueza dos músculos que
elevam o pé, causando o defeito conhecido como pé
caído (pé em gota). É mais comum em
indivíduos magros ou que se encontram confinados
ao leito, naqueles que utilizam cadeiras de rodas mal ajustadas
ou naqueles que habitualmente mantêm as pernas cruzadas
durante períodos prolongados.
Polineuropatia
A polineuropatia é a disfunção
simultânea de muitos nervos periféricos em
todo o corpo.
Causas
A polineuropatia possui muitas causas diferentes.
Uma infecção pode causar polineuropatia, algumas
vezes devida a uma toxina produzida por algumas bactérias
(como na difteria) ou a uma reação auto-imune
(como na síndrome de Guillain- Barré). Substâncias
tóxicas podem lesar nervos periféricos e causar
uma polineuropatia ou, mais raramente, uma mononeuropatia.
Um câncer pode causar uma polineuropatia invadindo
ou comprimindo diretamente os nervos ou através da
produção de substâncias tóxicas.
As deficiências nutricionais e os distúrbios
metabólicos podem causar polineuropatia. Por exemplo,
a deficiência de vitamina B afeta os nervos periféricos
de todo o corpo. No entanto, as neuropatias relacionadas
a deficiências nutricionais são incomuns nos
Estados Unidos. Os distúrbios que podem causar uma
polineuropatia crônica incluem o diabetes, a insuficiência
renal e a desnutrição grave. A polineuropatia
crônica tende a evoluir lentamente, freqüentemente
ao longo de meses ou anos, e, normalmente se inicia nos
pés ou, algumas vezes, nas mãos. O mau controle
da glicemia (concentração de açúcar
no sangue) no diabetes produz várias formas de polineuropatia.
A forma mais comum de neuropatia diabética, a polineuropatia
distal, produz uma sensação de formigamento
ou queimação dolorosa nas mãos e nos
pés. O diabetes também pode causar mononeuropatia
ou mononeuropatia múltipla, que acarreta fraqueza,
tipicamente de um olho e dos músculos da coxa.
Sintomas
O formigamento, a dormência, dor tipo
queimação e incapacidade de sentir vibrações
ou a posição dos mebros superiores, dos membros
inferiores e das articulações são sintomas
proeminentes da polineuropatia crônica. Freqüentemente,
a dor piora à noite e pode ser agravada pela palpação
da área sensível ou por alterações
da temperatura. Como eles não conseguem perceber
a temperatura e a dor, os indivíduos com polineuropatia
crônica freqüentemente se queimam e apresentam
feridas abertas (úlceras cutâneas) devido à
pressão prolongada ou a outras lesões. Sem
a dor como sinal de alarme, as articulações
estão sujeitas a lesões lesões (articulações
de Charcot). A incapacidade de perceber a posição
das articulações acarreta uma instabilidade
na marcha ou inclusive na posição em pé.
Finalmente, os músculos podem enfraquecer e atrofiar.
Muitos indivíduos com neuropatia periférica
também apresentam anomalias do sistema nervoso autônomo,
o qual controla funções automáticas
no corpo (p.ex., batimentos cardíacos, função
intestinal, controle da bexiga e da pressão arterial).
Quando a neuropatia periférica afeta os nervos autônomos,
os efeitos típicos são a diarréia ou
a constipação, a incapacidade de controlar
a função intestinal ou vesical (da bexiga),
a impotência sexual e a hipotensão ou a hipertensão
arterial, em particular a hipotensão arterial ao
assumir a posição ortostática (em pé).
A pele pode tornar-se mais pálida e seca e a sudorese
pode ser excessiva.
Substâncias
que Podem Causar Lesão Nervosa
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Medicamentos antiinfecciosos
Emetina
Clorobutanol
Sulfonamidas
Nitrofurantoína
Medicamentos anticâncer
Alcalóides da vinca
Medicamentos anticonvulsivos
Fenitoína
Tóxicos industriais
Metais pesados (como o chumbo ou o mercúrio)
Monóxido de carbono
Triortocresilfosfato
Ortodinitrofenol
Muitos solventes
Sedativos
Hexobarbital
Barbital
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Diagnóstico
O médico reconhece facilmente a polineuropatia
crônica pelos seus sintomas. O exame físico
e exames especiais como a eletromiografia e os exames da
velocidade da condução nervosa podem fornecer
informações adicionais. Entretanto, o diagnóstico
da polineuropaia é somente o início. A seguir,
a sua causa deve ser investigada. Se a causa for um distúrbio
metabólico e não uma lesão física,
os exames de sangue podem revelar o problema subjacente.
Por exemplo, os exames de sangue podem revelar uma anemia
perniciosa (deficiência de vitamina B12) ou uma intoxicação
por chumbo. A hiperglicemia (concentração
elevada de açúcar no sangue) indica um diabetes
mal controlado e o aumento da concentração
de creatinina sugere uma insuficiência renal. Os exames
de urina podem revelar uma intoxicação por
metais pesados ou um mieloma múltiplo. Os exames
da função tireoidiana ou uma dosagem dos níveis
de vitamina B podem ser adequados em alguns indivíduos.
A necessidade de uma biópsia do nervo é infreqüente.
Tratamento e Prognóstico
Tanto o tratamento quanto a evolução
final da polineuropatia crônica dependem de sua causa.
Se a neuropatia for devida ao diabetes, o controle rigoroso
da glicemia pode deter a progressão do processo e
melhorar os sintomas. No entanto, a recuperação
é lenta. O tratamento do mieloma múltiplo
e da insuficiência renal também pode acelerar
a recuperação. Os indivíduos com comprometimento
nervoso devido a uma lesão ou compressão podem
necessitar de um tratamento cirúrgico. Algumas vezes,
a fisioterapia reduz a intensidade da fraqueza ou dos espasmos
musculares.
Síndrome de Guillain-Barré
A síndrome de Guillain-Barré
(polineurite ascendente aguda) é uma forma de polineuropatia
aguda caracterizada pela fraqueza muscular que piora rapidamente
e, algumas vezes, leva à paralisia. A causa provável
dessa síndrome é uma reação
auto-imune o sistema imune do organismo ataca a bainha
de mielina. Em cerca de 80% dos casos, os sintomas começam
cerca de cinco dias a três semanas após uma
infecção leve, uma cirurgia ou uma vacinação.
Sintomas
Normalmente, a síndrome de Guillain-Barré
começa com fraqueza, formigamento e perda da sensibilidade
nos dois membros inferiores e, em seguida, afeta os membros
superiores. A fraqueza é o sintoma principal. Em
90% dos casos, a fraqueza é mais acentuada nas duas
ou três primeiras semanas. Em 5% a 10%, os músculos
respiratórios tornam-se tão fracos que é
necessária a utilização de um respirador
artificial. Aproximadamente 10% dos indivíduos com
a síndrome necessitam ser alimentados pela via intravenosa
ou através de um tubo de gastrostomia, pois os músculos
faciais e da deglutição tornam-se fracos.
Se a doença for muito grave, a pressão arterial
pode oscilar ou o indivíduo pode apresentar uma alteração
do ritmo cardíaco ou outras disfunções
do sistema nervoso autônomo. Uma forma da síndrome
de Guillain-Barré produz um conjunto inusual de sintomas:
paralisia dos movimenos oculares, marcha difícil
e desaparecimento dos reflexos normais. De modo geral, aproximadamente
5% dos indivíduos com síndrome de Guillain-
Barré morrem em conseqüência da doença.
Diagnóstico
Como não existe um exame laboratorial
que diagnostique especificamente a síndrome de Guillain-Barré,
os médicos devem identificar a doença a partir
da sintomatologia. A análise do líquido cefalorraquidiano
coletado através de uma punção lombar,
a eletromiografia, os estudos da condução
nervosa e os exames de sangue são procedimentos realizados
principalmente para se descartar outras causas possíveis
de fraqueza profunda.
Tratamento
A síndrome de Guillain-Barré
é uma doença muito grave que exige hospitalização
imediata já que pode piorar rapidamente. O estabelecimento
do diagnóstico é de suma importância
porque quanto mais precocemente for instituído o
tratamento adequado, maiores serão as chances de
um bom resultado. Os pacientes são rigorosamente
controlados para que, quando necessário, seja instituída
a respiração assistida. Para prevenir as úlceras
de decúbito e as lesões, os enfermeiros devem
instituir medidas de prevenção providenciando
um colchão macio e mudando o paciente de posição
a cada duas horas. A fisioterapia é importante para
evitar a contratura muscular e para preservar a função
articular e muscular. Uma vez estabelecido o diagnóstico,
o tratamento de eleição é a plasmaférese,
na qual as substâncias tóxicas são filtradas
do sangue, ou a infusão de imunoglobulinas. O uso
de corticosteróides não é mais recomendado
porque a sua eficácia não foi comprovada e
porque, na realidade, eles podem agravar a evolução
do quadro. Os indivíduos com a síndrome de
Guillain- Barré podem melhorar espontaneamente, mas
a convalescença sem tratamento pode prolongar- se
muito. Os indivíduos que são tratados precocemente
podem apresentar uma melhora muito rápida (em questão
de dias ou semanas). Caso contrário, a recuperação
pode levar meses, apesar da maioria recuperar-se quase completamente.
Aproximadamente 30% (e uma porcentagem ainda maior de crianças
com a doença) apresentam uma fraqueza residual após
3 anos. Após a melhora inicial, cerca de 10% dos
indivíduos apresentam recidiva do quadro e desenvolvem
a polineuropatia recidivante crônica. As imunoglobulinas
e os corticosteróides podem ser úteis nessa
forma da síndrome de Guillain-Barré. A plasmaférese
e os medicamentos imunossupressores também podem
ser eficazes.
Neuropatias Hereditárias
As neuropatias hereditárias são
distúrbios do sistema nervoso transmitidas geneticamente
dos pais para os filhos. As três categorias principais
desses distúrbios são as neuropatias motoras
hereditárias, que afetam apenas os nervos motores;
as neuropatias sensitivas hereditárias, que afetam
apenas os nervos sensitivos; e as neuropatias sensitivomotoras
hereditárias, que afetam tanto os nervos sensitivos
quanto os motores. Nenhuma dessas neuropatias é comum,
mas as neuropatias sensitivas hereditárias são
particularmente raras. A doença de Charcot-Marie-Tooth
(também chamada atrofia muscular fibular), a neuropatia
hereditária mais comum, afeta o nervo fibular, causando
fraqueza e atrofia dos músculos das pernas. Essa
doença é um traço autossômico
dominante herdado. Os sintomas da doença de Charcot-Marie-Tooth
dependem da forma como a doença foi herdada. As crianças
com a doença do tipo 1 apresentam fraqueza das pernas
durante a metade da infância, a qual acarreta o pé
caído (pé em gota) e a atrofia dos músculos
da panturrilha (deformidade em perna de cegonha).
Posteriormente, os músculos das mãos
começam a atrofiar. As crianças perdem a sensibilidade
à dor, ao calor e ao frio nas mãos e nos pés.
A doença evolui lentamente e não compromete
a expectativa de vida. Os indivíduos com a doença
do tipo 2, a qual evolui ainda mais lentamente, apresentam
sintomas semelhantes em uma fase mais tardia da vida. A
doença de Dejerine-Sottas (também chamada
neuropatia intersticial hipertrófica) é mais
rara que a doença de Charcot-Marie-Tooth, inicia-se
na infância e é caracterizada pela fraqueza
progressiva e pela perda da sensibilidade nas pernas. A
fraqueza muscular progride mais rapidamente que na doença
de Charcot-Marie-Tooth. A distribuição da
fraqueza, a idade de início, a história familiar,
a presença de deformidades nos pés (arcos
acentuados e dedos em martelo) e os resultados dos estudos
da condução nervosa ajudam o médico
a diferenciar a doença de Charcot-Marie-Tooth da
doença de Dejerine- Sottas e de outras causas de
neuropatia. Até o momento, não existe um tratamento
capaz de evitar a progressão dessa doença.
No entanto, o uso de órteses ajuda a corrigir o pé
caído e, às vezes, é necessária
a realização de uma cirurgia ortopédica.
Atrofias Musculares Espinhais
As atrofias musculares espinhais são
doenças hereditárias nas quais as células
nervosas da medula espinhal e do tronco encefálico
degeneram, causando uma fraqueza progressiva e atrofia muscular.
Sintomas
Os sintomas iniciais aparecem na lactância
e na infância. A fraqueza muscular da atrofia muscular
espinhal aguda (doença de Werdnig-Hoffman) manifesta-se
em lactentes com dois a quatro meses de idade. A doença
é é de herança autossômica recessiva,
o que significa que são necessários dois genes
não dominantes, um de cada genitor. As crianças
com atrofia muscular espinhal intermediária permanecem
normais durante um ou dois anos e, a seguir, apresentam
fraqueza, que é pior nos membros inferiores que nos
membros superiores. Normalmente, eles não apresentam
problemas respiratórios, cardíacos ou dos
nervos cranianos. A doença evolui lentamente. A atrofia
muscular espinhal crônica (doença de Wohlfart-Kugelberg-Welander)
se inicia entre os 2 e os 17 anos de idade e apresenta uma
evolução lenta. Por essa razão, os
indivíduos com essa doença apresentam uma
maior esperança de vida do que aqueles com outros
tipos de atrofia muscular espinhal. A fraqueza e a atrofia
muscular começam nos membros inferiores e, posteriormente,
atingem os membros superiores.
Diagnóstico e Tratamento
O médico realiza exames para detectar
essas doenças raras quando a criança apresenta
sintomas inexplicáveis de fraqueza e atrofia muscular.
Como essas doenças são herdadas, a história
familiar pode ajudar no diagnóstico. Em algumas doenças,
foi encontrado o gene anômalo específico. A
eletromiografia auxilia o médico no estabelecimento
do diagnóstico. A amniocentese, um exame que analisa
uma amostra do líquido amniótico da mãe
durante a gestação, não é útil
no diagnóstico dessas doenças. Não
existem tratamentos específicos disponíveis.
A fisioterapia e o uso de órteses e de aparelhos
especiais são medidas que, em alguns casos, podem
ser úteis.
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