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Doze nervos os nervos cranianos
conectam diretamente o cérebro a várias partes
da cabeça. Excetuando-se o nervo craniano VIII, que
processa a audição e ajuda na manutenção
do equilíbrio, os nervos cranianos III a XII controlam
os movimentos dos olhos, da língua, da face e da
garganta. Os nervos cranianos V e IX recebem sensações
da face, da língua e da garganta. O nervo craniano
I é o nervo olfatório ou o nervo do olfato.
O nervo craniano II é o nervo óptico ou o
nervo da visão. Um distúrbio de qualquer um
dos nervos cranianos pode causar uma perda grave de sua
função, mas os três distúrbios
mais freqüentes são a neuralgia do trigêmeo,
a neuralgia do glossofaríngeo e a paralisia de Bell.
Neuralgia do Trigêmeo
Também conhecida como tic douloureux,
a neuralgia do trigêmeo envolve uma disfunção
do nervo trigêmeo (nervo craniano V), o qual transmite
as informações da sensibilidade da face ao
cérebro. A disfunção do nervo trigêmeo
produz episódios de dor intensa e lancinante, os
quais duram de alguns segundos a minutos. Os adultos de
qualquer idade podem ser afetados pela neuralgia do trigêmeo,
mas ela é mais comum em indivíduos idosos.
A sua causa é desconhecida.
Sintomas
A dor pode ocorrer espontaneamente, mas,
geralmente, ela é desencadeada quando um ponto particular
é tocado (ponto-gatilho) ou por uma atividade (p.ex.,
escovar os dentes ou mastigar). Imediatamente, em qualquer
parte da metade inferior da face, podem ser sentidos episódios
repetidos e próximos de dor muito intensa, como se
fossem descargas elétricas. Mais freqüentemente,
a dor é sentida na porção da bochecha
próxima ao nariz ou na área da mandíbula.
Os episódios de dor podem repetir-se até cem
vezes por dia, chegando a produzir uma incapacidade total.
Diagnóstico
Embora não existam exames específicos
para a identificação da neuralgia do trigêmeo,
a sua dor característica torna o seu diagnóstico
fácil. O médico também tenta descartar
as outras causas possíveis de dor facial como, por
exemplo, doenças da mandíbula, dos dentes
ou dos seios da face ou uma compressão do nervo trigêmeo
por um tumor ou um aneurisma.
Tratamento
Como os episódios de dor são
curtos e recorrentes, as medicações analgésicas
típicas não são eficazes, mas outros
medicamentos podem aliviá-los, especialmente certos
remédios anticonvulsivantes (que estabilizam as membranas
dos nervos). Normalmente, a carbamazepina é utilizada
inicialmente, mas a fenitoína pode ser prescrita
no caso da carbamazepina não produzir resultados
ou se ela produzir efeitos colaterais graves. Em alguns
casos, o baclofeno e determinados antidepressivos podem
ser eficazes. As remissões espontâneas são
comuns, mas, freqüentemente, o paciente apresenta recorrência
dos episódios separados por longos intervalos de
tempo assintomáticos. Algumas vezes, a neuralgia
do trigêmeo ocorre quando uma artéria que apresenta
um trajeto anormal comprime o nervo adjacente ao cérebro.
Nesses casos, existe indicação para um tratamento
cirúrgico, que consiste na separação
da artéria do nervo e que produz um alívio
da dor pelo menos durante alguns anos. Quando a dor não
responde ao tratamento medicamentoso ou quando o indivíduo
não pode ser submetido a uma cirurgia por qualquer
motivo, pode-se lançar mão de um teste no
qual é realizada a injeção de álcool
no nervo com o objetivo de bloquear a sua função
temporariamente. Se esse procedimento aliviar a dor, o nervo
poderá ser seccionado ou destruído permanentemente
pela injeção de uma substância adequada.
Esses procedimentos freqüentemente produzem um desconforto
na face e devem ser considerados como último recurso.
Neuralgia do Glossofaríngeo
A neuralgia do glossofaríngeo é
um distúrbio raro no qual um indivíduo apresenta
episódios recorrentes de dor intensa na parte de
trás da garganta, perto das tonsilas, e, algumas
vezes, afeta o ouvido do mesmo lado. A neuralgia do glossofaríngeo
normalmente se inicia após os 40 anos de idade e
ocorre mais freqüentemente em homens que em mulheres.
A sua causa é desconhecida.
Sintomas
Assim como na neuralgia do trigêmeo,
os episódios são breves e intermitentes, mas
eles causam uma dor lancinante que pode ser desencadeada
por determinada ação (p.ex., mastigar, deglutir,
falar ou bocejar). A dor costuma durar de alguns segundos
até alguns minutos e, comumente, afeta apenas um
lado.
Tratamento
Os mesmos medicamentos utilizados no tratamento
da neuralgia do trigêmeo a carbamazepina, a
fenitoína, o baclofeno e os antidepressivos
podem ser eficazes. Quando o tratamento medicamentoso não
for bem sucedido, pode ser necessária a realização
de uma cirurgia para bloquear ou seccionar o nervo glossofaríngeo,
seja ao nível do pescoço ou da base do cérebro.
Paralisia de Bell
A paralisia de Bell é uma anomalia
do nervo facial caracterizada pela fraqueza súbita
ou pela paralisia dos músculos de um lado da face.
O nervo facial é o nervo craniano que estimula os
músculos faciais. Embora a causa da paralisia de
Bell não seja conhecida, ela pode incluir o edema
do nervo facial como reação a uma infecção
viral, a uma compressão ou a uma falta de fluxo sangüíneo.
Sintomas
A paralisia de Bell aparece de forma repentina.
O indivíduo pode apresentar dor atrás da orelha
algumas horas antes de ocorrer a fraqueza muscular. O grau
de fraqueza pode variar de modo imprevisível, de
discreto a grave, mas sempre afeta apenas um lado da face.
O lado paralisado torna- se sem rugas e inexpressivo, mas,
freqüentemente, o indivíduo tem uma sensação
de que sua face está torcida. A maioria dos indivíduos
apresenta dormência ou uma sensação
de peso no rosto, mas a sensibilidade na realidade permanece
normal. Quando a parte afetada é a região
superior da face, o indivíduo pode apresentar dificuldade
para fechar o olho do lado afetado. Raramente, a paralisia
de Bell interfere na produção de saliva, no
paladar ou na produção de lágrimas.

Diagnóstico
A paralisia de Bell sempre afeta apenas um
lado da face. A fraqueza é repentina e pode envolver
tanto a parte superior quanto a parte inferior do lado afetado.
Embora um acidente vascular cerebral também possa
causar uma fraqueza facial súbita, ele afeta somente
a parte inferior do rosto. Além disso, um acidente
vascular cerebral (derrame) acarreta fraqueza do membro
superior e do membro inferior. Outras causas de paralisia
do nervo facial são raras e, normalmente, manifestam-se
lentamente. Elas incluem os tumores cerebrais ou outros
tumores que comprimem o nervo; a destruição
do nervo facial por uma infecção viral como
o herpes (síndrome de Ramsay Hunt); as infecções
do ouvido médio ou dos seios mastóides; a
doença de Lyme; as fraturas da base do crânio;
e diversos outros distúrbios ainda mais raros. Comumente,
o médico descarta esses distúrbios através
da história do paciente e da análise dos resultados
de estudos radiográficos, de uma tomografia computadorizada
(TC) ou de uma ressonância magnética (RM).
Para a doença de Lyme, pode ser necessária
a realização de um exame de sangue. Não
existe um exame ou teste específico para a paralisia
de Bell.
Tratamento
Não existe um tratamento específico
para a paralisia de Bell. Alguns médicos acreditam
que corticosteróides (p.ex., prednisona) devem ser
administrados antes do segundo dia após o surgimento
dos sintomas e a sua administração deve ser
continuada por uma a duas semanas. Não foi demonstrado
que esse tratamento é eficaz no controle da dor ou
que ele melhora as possibilidades de recuperação.
Se a paralisia dos músculos faciais impedir o fechamento
completo do olho, deve-se evitar o seu ressecamento. É
recomendada a utilização de colírios
lubrificantes, utilizados em intervalos de poucas horas
e pode ser necessário o uso de um tampão ocular.
Nos indivíduos com paralisia grave, a massagem dos
músculos enfraquecidos e a estimulação
dos nervos podem ajudar a evitar a contratura dos músculos
faciais. Se a paralisia persistir por seis a doze meses
ou mais, o cirurgião pode tentar o enxerto de um
nervo são (habitualmente retirado da língua)
no músculo facial paralisado.
Prognóstico
No caso de uma paralisia parcial, a recuperação
completa pode ocorrer em um a dois meses. Se a paralisia
for total, o prognóstico é variável,
apesar da maioria dos indivíduos recuperaremse completamente.
Para determinar a probabilidade de recuperação
completa, o médico pode examinar o nervo facial através
da estimulação elétrica. Ocasionalmente,
à medida que o nervo facial se recupera, ele forma
conexões anormais, acarretando o surgimento de movimentos
inesperados de alguns músculos faciais ou o lacrimejamento
espontâneo dos olhos.
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