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Todo mundo tem medo e ansiedade. O medo é
uma resposta emocional, fisiológica e comportamental
a uma ameaça externa definida (p.ex., um intruso
ou um veículo descontrolado). A ansiedade é
um estado emocional desagradável que possui uma causa
menos clara e, freqüentemente, é acompanhada
por alterações fisiológicas e comportamentais
similares àquelas causadas pelo medo. Devido a essas
semelhanças, as pessoas comumente utilizam os termos
ansiedade e medo de modo indistinto. A ansiedade é
uma resposta ao estresse como, por exemplo, o rompimento
de uma relação importante ou a exposição
a um desastre potencialmente letal. Uma teoria defende que
a ansiedade também pode ser uma reação
a um impulso sexual ou agressivo reprimido, o qual ameaça
suplantar as defesas psicológicas que normalmente
mantêm tais impulsos sob controle. Portanto, a ansiedade
indica a presença de um conflito psicológico.
A ansiedade pode manifestar-se subitamente
(p.ex., no pânico) ou gradualmente, ao longo de minutos,
horas ou dias. A duração da ansiedade pode
ser muito variável, desde alguns segundos até
vários anos. Sua intensidade pode variar desde uma
angústia praticamente imperceptível até
um pânico estabelecido. A ansiedade atua como um elemento
dentro de uma ampla gama de respostas de adaptação
que são essenciais para a sobrevivência em
um mundo perigoso. Um certo grau de ansiedade provê
um componente adequado de precaução em situações
potencialmente perigosas. Na maior parte do tempo, o nível
de ansiedade de um indivíduo apresenta alterações
adequadas e imperceptíveis ao longo de um amplo espectro
de estados de consciência que vai desde o sono ao
estado de vigília, passando pela ansiedade e o medo,
e assim sucessivamente. Entretanto, em alguns casos, o sistema
de resposta à ansiedade funciona incorretamente ou
é superado pelos acontecimentos. Neste caso, pode
ocorrer um distúrbio da ansiedade. Os seres humanos
reagem diferentemente às situações.
Por exemplo, alguns acham que falar diante de uma platéia
é algo estimulante, enquanto outros se apavoram à
simples idéia de fazê-lo.
A capacidade de tolerar a ansiedade varia
muito e, por isso, muitas vezes é difícil
de se determinar o que significa ansiedade anormal.
No entanto, quando ela ocorre em momentos inadequados ou
é tão intensa e duradoura que chega a interferir
nas atividades normais, ela será então adequadamente
considerada como um distúrbio. Os distúrbios
da ansiedade podem ser tão angustiantes e interferir
de tal maneira na vida do indivíduo que podem levá-lo
à depressão. Alguns apresentam distúrbio
da ansiedade e depressão ao mesmo tempo, outros apresentam
inicialmente um quadro depressivo e, em seguida, um quadro
de ansiedade. Os distúrbios da ansiedade são
o tipo mais comum de distúrbio psiquiátrico.
O diagnóstico de um distúrbio
da ansiedade baseia-se fundamentalmente nos seus sintomas.
Contudo, sintomas idênticos aos de um distúrbio
da ansiedade podem ser causados por uma doença (p.ex.,
hiperatividade da tireóide) ou pelo uso de um medicamento
ou de uma droga (p.ex., corticosteróides ou cocaína).
Uma história familiar de distúrbio da ansiedade
pode ajudar o médico a estabelecer o diagnóstico,
uma vez que tanto a predisposição a uma ansiedade
específica quanto a predisposição geral
à ansiedade freqüentemente têm um caráter
hereditário. É importante realizar um diagnóstico
preciso, pois o tratamento varia de um distúrbio
da ansiedade a outro. Dependendo do distúrbio, a
terapia comportamental, o tratamento medicamentoso ou a
psicoterapia, isoladamente ou combinados adequadamente,
podem aliviar significativamente a angústia e a disfunção
da maioria dos pacientes.
Ansiedade Generalizada
A ansiedade generalizada consiste em uma
preocupação e em uma ansiedade excessivas
e quase diárias (com duração superior
ou igual a 6 meses) sobre uma variedade de atividades ou
eventos. A ansiedade e a preocupação decorrentes
do distúrbio da ansiedade generalizada são
tão extremas que se tornam difíceis de serem
controladas. Além disso, o indivíduo apresenta
três ou mais dos seguintes sintomas: agitação,
fadiga fácil, dificuldade de concentração,
irritabilidade, tensão muscular e distúrbio
do sono. As preocupações são de ordem
geral. As preocupações comuns incluem as responsabilidades
do trabalho, finanças, saúde, segurança,
conserto do carro e outras. A gravidade, a freqüência
ou a duração das preocupações
é desproporcionalmente maior do que as exigidas pela
situação. A ansiedade generalizada é
comum. Cerca de 3 a 5% dos adultos apresentam esse problema
em algum momento da vida. As mulheres apresentam o dobro
de probabilidade de apresentá-lo. Esse distúrbio
é freqüente na infância e na adolescência,
mas pode começar em qualquer idade. Para a maioria
das pessoas, o problema é oscilante, piora em determinadas
ocasiões (especialmente durante os momentos de estresse)
e persiste por muitos anos.
Tratamento
Para a ansiedade generalizada, o tratamento
de eleição é o medicamentoso. Geralmente,
são prescritos medicamentos ansiolíticos como,
por exemplo, os benzodiazepínicos. Mas como o uso
prolongado dessas substâncias pode levar à
dependência física, o medicamento deve ser
reduzido gradualmente e não abruptamente no caso
de interrupção de seu uso. O alívio
proporcionado pelos benzodiazepínicos habitualmente
compensam os efeitos colaterais leves que eles podem produzir.
A buspirona é outro medicamento eficaz para muitos
indivíduos que apresentam ansiedade generalizada.
Aparentemente, a sua utilização não
acarreta dependência física, mas a buspirona
leva no mínimo duas semanas para começar a
atuar, em comparação com os benzodiazepínicos
que começam a agir em minutos. Geralmente, a terapia
comportamental não é útil, pois não
existem situações bem definidas que desencadeiam
a ansiedade. As técnicas de relaxamento e de biofeedback
podem ter alguma utilidade. A ansiedade generalizada pode
estar associada a conflitos psicológicos subjacentes
que estão freqüentemente relacionados à
insegurança e a atitudes autocríticas que
são autodestrutivas. Em alguns casos, a psicoterapia
pode ser eficaz para ajudar a compreender e a solucionar
conflitos psicológicos internos.
Ansiedade Induzida por Drogas ou Problemas
Médicos
A ansiedade pode ser decorrente de um distúrbio
médico ou do uso de uma droga. Os exemplos de distúrbios
médicos que causam ansiedade incluem os distúrbios
neurológicos (p.ex., traumatismo crânio encefálico,
uma infecção cerebral ou uma doença
do ouvido interno), distúrbios cardiovasculares (p.ex.,
insuficiência cardíaca e arritmias cardíacas),
distúrbios endócrinos (p.ex., hiperatividade
adrenal ou da tireóide) e distúrbios respiratórios
(p.ex., asma e doença pulmonar obstrutiva crônica).
As drogas que podem induzir à ansiedade incluem o
álcool, estimulantes, cafeína, cocaína
e muitos medicamentos de receita obrigatória. A ansiedade
também pode ser decorrente da suspensão de
um medicamento. Ela pode desaparecer após o tratamento
do problema médico ou da interrupção
do uso de uma droga por tempo suficiente para que os sintomas
da abstinência desapareçam. Qualquer grau de
ansiedade remanescente pode ser tratado com medicamentos
ansiolíticos adequados, terapia comportamental ou
psicoterapia.
Crises de Pânico e Pânico Patológico
O pânico é uma ansiedade aguda
e extrema, que é acompanhada por sintomas fisiológicos.
As crises de pânico podem ocorrer em qualquer distúrbio
da ansiedade, geralmente em resposta a uma situação
específica relacionada às principais características
da ansiedade. Por exemplo, um indivíduo com fobia
a cobras pode entrar em pânico quando depara-se com
uma. No entanto, essas situações de pânico
diferem das crises espontâneas, não provocadas,
e são as que definem o problema de um pânico
patológico. As crises de pânico são
comuns e mais de um terço dos indivíduos as
apresentam cada ano. As mulheres apresentam uma probabilidade
de duas a três vezes maior de apresentar esse tipo
de crise. Os distúrbios do pânico são
incomuns e afetam menos de 1% da população.
Geralmente, o pânico patológico inicia no final
da adolescência e início da vida adulta.

Medicamentos Ansiolíticos:
Alívio para Muitos Sintomas
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Os medicamentos
que combatem a ansiedade, também denominados
ansiolíticos, sedativos e tranqüilizantes,
visam eliminar os sintomas da ansiedade. Muitos deles
produzem relaxamento muscular, reduzem a tensão,
são úteis no caso de insônia e,
conseqüentemente, provêem um alívio
temporário quando a ansiedade limita a capacidade
de enfrentar os desafios do dia-a-dia. Vários
tipos de medicamentos são utilizados para aliviar
a ansiedade; os denominados benzodiazepínicos
são os mais comuns. Eles têm efeitos ansiolíticos
gerais, promovem o relaxamento mental e físico
através da redução da atividade
nervosa cerebral. No entanto, o uso dos benzodiazepínicos
pode acarretar dependência física e, portanto,
eles devem ser utilizados com cuidado por aqueles que
apresentam ou apresentaram problema de dependência
alcóolica. São exemplos de benzodiazepínicos
o alprazolam, o clordiazepóxido, o diazepam,
o flurazepam, o lorazepam, o oxazepam, o temazepam e
o triazolam. Antes da descoberta dos benzodiazepínicos,
os barbitúricos eram os medicamentos de escolha
para o tratamento da ansiedade. Contudo, a possibilidade
de uso abusivo dos barbitúricos é elevada,
os problemas de abstinência são comuns
e no caso de dose excessiva ou ingestão proposital
de uma quantidade excessiva, os barbitúricos,
apresentam maior probabilidade de serem letais que os
benzodiazepínicos. Por essas razões, os
barbitúricos raramente são prescritos
para os distúrbios da ansiedade. Uma droga ansiolítica
denominada buspirona não apresenta afinidade
química ou farmacológica com os benzodiazepínicos
ou outros medicamentos ansiolíticos. Não
se sabe como a buspirona atua, mas ela não causa
sedação e nem interage com o álcool.
Entretanto, como a buspirona pode levar duas semanas
ou mais para produzir os seus efeitos ansiolíticos,
ela somente é útil para os indivíduos
com ansiedade generalizada e não para aqueles
com ansiedade aguda e intermitente. Algumas vezes, os
medicamentos antidepressivos também são
prescritos para os distúrbios da ansiedade. Diferentes
tipos de antidepressivos podem ser usados deste modo,
incluindo os inibidores seletivos da recaptação
da serotonina (p.ex., fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina,
sertralina), os inibidores da monoamino oxidase (p.ex.,
fenelzina, tranilcipromina) e os antidepressivos tricíclicos
(p.ex., amitriptilina, amoxapina, clomipramina, imipramina,
nortriptilina, protriptilina). Os antidepressivos podem
ajudar a diminuir as características primordiais
de alguns distúrbios como, por exemplo, as obsessões
e as compulsões no distúrbio obsessivo-compulsivo
ou o pânico no distúrbio de pânico.
Embora os antidepressivos não causem dependência
física, muitos deles apresentam efeitos adversos
importantes. Os inibidores seletivos da recaptação
da serotonina são particularmente bem tolerados.
Alguns medicamentos ansiolíticos podem ser tomados
uma vez por dia, enquanto outros exigem várias
doses diárias. A maioria dos pacientes tolera
bem os medicamentos ansiolíticos, mas a escolha
do medicamento e seu uso adequado exigem uma discussão
entre o paciente e o médico. |
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Sintomas e Diagnóstico
Os sintomas de uma crise de pânico
(entre outros, falta de ar, tontura, aumento da freqüência
cardíaca, sudorese, sufocação e dor
no peito) atingem o máximo em dez minutos e, em geral,
desaparecem em minutos; por essa razão, não
podem ser observados pelo médico, excetuando-se o
medo que o indivíduo apresenta de uma nova crise.
Como as crises de pânico freqüentemente são
inesperadas ou ocorrem sem razão aparente, os indivíduos
que as apresentam freqüentemente antecipam e preocupam-se
com a possibilidade de uma nova crise condição
denominada ansiedade antecipatória e evitam
os locais onde eles apresentaram uma crise de pânico
anteriormente. Essa atitude de evitar locais é denominada
agorafobia. Se a agorafobia for suficientemente intensa,
o indivíduo poderá acabar confinando-se em
sua casa. Como os sintomas de uma crise de pânico
envolvem muitos órgãos vitais, os indivíduos
freqüentemente preocupam-se com o fato de poderem estar
apresentando um problema médico perigoso envolvendo
o coração, os pulmões ou o cérebro,
e procuram a ajuda de um médico ou do serviço
de emergência de um hospital. Embora as crises de
pânico sejam desconfortáveis (algumas vezes
de modo extremo), elas não são perigosas.
Tratamento
A maioria dos indivíduos recupera-se
das crises de pânico sem tratamento. Poucos desenvolvem
o pânico patológico. A recuperação
sem tratamento é possível, mesmo para aqueles
que apresentam crises de pânico recorrentes ou de
ansiedade antecipatória, sobretudo quando são
repetidamente expostos ao estímulo ou à situação
desencadeante. Aqueles que não se recuperam espontaneamente
ou que não buscam tratamento continuam a apresentar
crises de pânico ocasionais e indefinidamente. Os
indivíduos respondem melhor ao tratamento quando
compreendem que o pânico patológico envolve
processos biológicos e psicológicos. Os medicamentos
e a terapia comportamental geralmente conseguem controlar
os sintomas.
Além disso, a psicoterapia pode ajudar
a solucionar qualquer conflito psicológico que possa
estar subjacente aos sentimentos e comportamentos ansiosos.
Os medicamentos utilizados no tratamento dos distúrbios
do pânico são os antidepressivos e os ansiolíticos
(p.ex., benzodiazepínicos). Todos os tipos de antidepressivos
tricíclicos (p.ex., imipramina), inibidores
da monoamino oxidase (p.ex., fenelzina) e inibidores seletivos
da recaptação da serotonina (p.ex., fluoxetina)
mostraram-se eficazes. Embora vários benzodiazepínicos
tenham se mostrado eficazes em estudos experimentais controlados,
apenas o alprazolam foi especificamente aprovado para o
tratamento dos distúrbios do pânico. Os benzodiazepínicos
atuam mais rapidamente que os antidepressivos, mas podem
causar dependência física e apresentam maior
probabilidade de causar determinados efeitos adversos como,
por exemplo, a sonolência, alterações
da coordenação e redução do
tempo de reação.
Quando um medicamento é eficaz, ele
impede ou reduz muito o número de crises de pânico.
Um medicamento pode ter que ser utilizado durante muito
tempo no caso de as crises de pânico retornarem após
a sua interrupção. Freqüentemente, a
terapia de exposição, um tipo de terapia comportamental
no qual o indivíduo é repetidamente exposto
a algo que desencadeia uma crise de pânico, ajuda
a reduzir o medo. A terapia de exposição é
continuada até o indivíduo desenvolver um
grau elevado de conforto frente à situação
desencadeadora da ansiedade. Além disso, os indivíduos
que temem desmaiar durante uma crise de pânico podem
realizar um exercício no qual eles giram em uma cadeira
ou respiram rapidamente (hiperventilam) até sentirem
que vão desmaiar. Esse exercício demonstra
a esses indivíduos que eles irão desmaiar
durante uma crise de pânico. A prática da respiração
superficial e lenta (controle respiratório) ajuda
muitos indivíduos que apresentam uma tendência
à hiperventilação. A psicoterapia visando
o conhecimento e a maior compreensão dos conflitos
psicológicos subjacentes também pode ser útil.
O psiquiatra avalia o indivíduo para determinar se
esse tipo de tratamento é adequado. Uma psicoterapia
de apoio, menos intensiva, é sempre adequada, pois
o terapeuta pode fornecer informações gerais
sobre o distúrbio, o seu tratamento, a esperança
realista de melhoria e o suporte decorrente de uma relação
de confiança estabelecida com o médico.
Sintomas de uma Crise de Pânico
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Uma crise de pânico implica no súbito surgimento
de no mínimo quatro dos sintomas a seguir.
Falta de ar ou sensação de asfixia
Tontura, instabilidade ou desmaio
Palpitações ou aumento da freqüência
cardíaca
Tremor ou agitação
Sudorese
Sufocação
Náusea, dor de estômago ou diarréia
Sensação de irrealidade, estranheza
ou distanciamento do ambiente
Sensações de dormência ou
formigamento
Rubor ou calafrios
Dor ou desconforto torácico
Medo de morrer
Medo de enlouquecer ou de perder
o controle
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Fobias
As fobias implicam uma ansiedade intensa,
não realista e persistente em resposta a situações
externas específicas como, por exemplo, olhar para
baixo de locais altos ou aproximar-se de um cachorro pequeno.
Os indivíduos que apresentam uma fobia evitam situações
que desencadeiam a sua ansiedade ou as suportam com um grande
sofrimento. No entanto, eles reconhecem que sua ansiedade
é excessiva e, portanto, eles têm consciência
de que apresentam um problema.
AGORAFOBIA
Apesar do termo agorafobia significar literalmente
medo de áreas de comércio ou de espaços
abertos, ele descreve mais especificamente o medo
de ficar preso em um lugar sem uma maneira prática
e fácil de escapar no caso de uma crise de ansiedade.
As situações típicas que são
difíceis para um indivíduo com agorafobia
incluem a espera em uma fila de banco ou de supermercado,
sentar-se no meio de uma longa fileira de assentos em um
teatro ou em uma sala de aula e viajar de ônibus ou
de avião. Alguns indivíduos desenvolvem a
agorafobia após terem apresentado uma crise de pânico
em uma dessas situações. Outros indivíduos
podem simplesmente sentir um desconforto e nunca apresentar,
ou somente tardiamente, crises de pânico. Freqüentemente,
a agorafobia interfere na vida quotidiana, algumas vezes
de maneira tão drástica que faz com que o
indivíduo isole-se em sua casa. A agorafobia é
diagnosticada em 3,8% das mulheres e 1,8% dos homens em
um período de seis meses. Esse distúrbio mais
freqüentemente inicia no início da segunda década
de vida e é raro que ele ocorra após os quarenta
anos de idade.
Tratamento
O melhor tratamento para a agorafobia é
a terapia de exposição, um tipo de terapia
comportamental. Com o auxílio de um terapeuta, o
indivíduo procura, enfrenta e permanece em contato
com aquilo que lhe causa temor até que sua ansiedade
seja lentamente reduzida pela familiaridade com a situação
(um processo chamado habituação). Essa terapia
ajuda mais de 90% dos que a praticam adequadamente. Se a
agorafobia não for tratada, a sua gravidade irá
aumentar ou diminuir, podendo inclusive desaparecer sem
um tratamento formal, possivelmente porque o indivíduo
levou a cabo algum tipo de terapia comportamental. Os indivíduos
com agorafobia que se encontram profundamente deprimidos
podem necessitar de um antidepressivo. As substâncias
que deprimem o sistema nervoso central, como o álcool
ou doses elevadas de medicamentos ansiolíticos, podem
interferir na terapia comportamental e, por essa razão,
devem ser reduzidas gradualmente antes do início
da terapia. Como ocorre no distúrbio do pânico,
em alguns casos de agorafobia a ansiedade pode ter suas
raízes em conflitos psicológicos subjacentes.
Nesses casos, a psicoterapia (na qual o indivíduo
desenvolve um melhor conhecimento dos conflitos subjacentes)
será de grande valia.
FOBIAS ESPECÍFICAS
As fobias específicas são os
distúrbios da ansiedade mais comuns.Aproximadamente
7% das mulheres e 4,3% dos homens apresentam uma fobia específica
em um período de seis meses. Algumas fobias específicas,
como, por exemplo, o medo de animais de grande porte, do
escuro ou de estranhos, começam precocemente. Muitas
fobias desaparecem à medida que o indivíduo
cresce. Outras fobias, como o medo de roedores, insetos,
tempestades, água, alturas, voar ou de locais fechados,
tipicamente ocorrem em indivíduos com mais idade.
Pelo menos 5% dos indivíduos apresentam algum grau
de fobia de sangue, injeções ou ferimentos
e podem chegar a desmaiar, o que não ocorre com outras
fobias e distúrbios da ansiedade. Por outro lado,
muitos indivíduos com distúrbios da ansiedade
hiperventilam, podendo apresentar uma sensação
de desmaio, mas eles quase nunca desmaiam.
Tratamento
Freqüentemente, um indivíduo
consegue conviver com uma fobia evitando o objeto ou a situação
temida. Por exemplo, um habitante da cidade que tem medo
de cobras não terá problemas em evitá-las.
Contudo, um habitante da cidade que tem medo de espaços
pequenos e fechados (p.ex., elevadores) terá problemas
se o seu local de trabalho for em um andar alto de um arranha-céu.
A terapia de exposição, um tipo de terapia
comportamental no qual o indivíduo é exposto
gradualmente ao objeto ou à situação
que lhe causa medo, é o melhor tratamento para uma
fobia específica. O terapeuta pode ajudar na realização
correta da terapia, apesar dela poder ser realizada sem
a orientação do terapeuta.
Até mesmo os indivíduos com
fobia de sangue ou de agulhas respondem bem à terapia
de exposição. Por exemplo, para um indivíduo
que apresenta esse tipo de problema, pode-se aproximar uma
agulha de uma veia e, em seguida, quando a freqüência
cardíaca diminuir, removêla. A repetição
desse processo permite que a freqüência cardíaca
retorne ao normal. Finalmente, poderá ser realizada
a coleta de sangue sem que haja risco de desmaio. Os medicamentos
não são de grande utilidade para as fobias
específicas. Contudo, os benzodiazepínicos
(medicamentos ansiolíticos) podem permitir o controle
de uma fobia durante um período curto (p.ex., medo
de viajar de avião). A psicoterapia, com o objetivo
de conhecimento e compreensão dos conflitos internos,
pode ajudar na identificação e no tratamento
dos conflitos subjacentes a uma fobia específica.
FOBIA SOCIAL
A capacidade de um indivíduo de se
relacionar de modo cordial com outros afeta muitos aspectos
da vida, incluindo as relações familiares
iniciais, a educação, o trabalho, o lazer,
as relações sociais e a vida conjugal. Embora
seja normal alguma ansiedade em situações
sociais, pessoas com fobia social demonstram tamanha ansiedade
que evitam situações sociais ou as suportam
com grande angústia. Uma pesquisa recentemente realizada
comprovou que cerca de 13% das pessoas têm uma fobia
social em algum momento de suas vidas. As situações
que comumente desencadeiam uma situação de
ansiedade entre os indivíduos com fobia social incluem
falar em público; desempenhar uma atividade pública
(p.ex., atuar em uma peça ou tocar um instrumento
musical), comer na frente dos outros, assinar um documento
diante de testemunhas e usar um banheiro público.
Aqueles que sofrem de fobia social preocupam-
se com seu desempenho e sempre acham que suas ações
são inadequadas. Freqüentemente, eles preocupam-se
com a possibilidade de sua ansiedade tornar-se evidente:
eles transpiram, ficam ruborizados, vomitam, tremem ou a
voz torna- se trêmula. Além disso, eles perdem
a linha de pensamento ou são incapazes de achar as
palavras adequadas para se expressar. Um tipo mais geral
de fobia social caracteriza-se pela ansiedade em quase todas
as situações sociais. Os indivíduos
com fobia social generalizada normalmente preocupam-se com
o fato de que se o seu desempenho ficar aquém das
expectativas, eles irão sentir-se humilhados e envergonhados.
Alguns indivíduos são tímidos por natureza
e revelam essa timidez precocemente, a qual, mais tarde,
converter-se-á em uma fobia social. Outros apresentam
ansiedade pela primeira vez em situações sociais
na puberdade. Quando não tratada, a fobia social
freqüentemente persiste, fazendo com que muitos indivíduos
evitem atividades das quais gostariam de participar.
Tratamento
A terapia de exposição, um
tipo de terapia comportamental, funciona bem para a fobia
social, mas pode não ser fácil criar condições
para que a exposição dure o suficiente para
permitir a habituação. Por exemplo, um indivíduo
que tem medo de falar diante de seu chefe pode não
conseguir várias sessões de conversa com o
mesmo. As situações de substituição
podem ajudar, como a filiação à Toastmasters
(uma organização para os indivíduos
que ficam ansiosos ao falar diante de uma audiência)
ou a leitura de um livro para os moradores de um asilo.
As sessões de substituição podem ou
não reduzir a ansiedade durante as conversações
com o chefe. Os antidepressivos (p.ex., sertralina e fenelzina)
e os medicamentos ansiolíticos (p.ex., clonazepam)
freqüentemente auxiliam no tratamento da fobia social.
Existem indivíduos que utilizam bebidas alcóolicas
para facilitar as relações sociais. No entanto,
em alguns casos, isto pode levar ao uso abusivo e à
dependência do álcool. A psicoterapia, que
implica a manutenção de conversações
com o terapeuta visando conhecer melhor os conflitos subjacentes,
pode ser particularmente útil para aqueles que são
capazes de examinar o próprio comportamento e modificar
o modo de pensar a respeito e de reagir às situações.
Distúrbio Obsessivo-Compulsivo
O distúrbio obsessivo-compulsivo caracteriza-se
pela presença de idéias, imagens ou impulsos
recorrentes, indesejados e intrusos que parecem tolos, esquisitos,
indecentes ou horríveis (obsessões) e de uma
urgência ou uma compulsão para fazer algo que
elimine o desconforto causado pela obsessão. Os temas
obsessivos onipresentes são o dano, o risco ou o
perigo. Entre as obsessões comuns estão as
preocupações no que diz respeito à
contaminação, a dúvida, a perda e a
agressividade. Caracteristicamente, os indivíduos
com um distúrbio obsessivo-compulsivo sentem-se compelidos
a realizar rituais (atos intencionais repetidos com um objetivo)
para controlar uma obsessão, como, por exemplo, lavar-se
e limpar-se para ficar livre de contaminação,
verificações repetidas para suprimir as dúvidas,
guardar as coisas para evitar perdas e evitar as pessoas
que podem ser objeto de agressão. A maioria dos rituais,
como o de lavar as mãos excessivamente ou de verificar
várias vezes se uma porta foi trancada, podem ser
observados.
Outros rituais são mentais, como as
contagens repetidas ou as afirmações para
diminuir o perigo. Esse distúrbio é diferente
da personalidade obsessiva-compulsiva. Os indivíduos
podem tornar-se obsessivos em relação a praticamente
qualquer coisa e seus rituais nem sempre estão logicamente
relacionados ao desconforto que eles procuram minimizar.
Por exemplo, um indivíduo preocupado com a contaminação
pode sentir diminuição do desconforto ao colocar
casualmente a mão em um bolso. A partir desse momento,
cada vez que ele sente uma obsessão relacionada à
contaminação, ele irá colocar a mão
repetidamente no bolso. A maioria dos indivíduos
com um distúrbio obsessivo- compulsivo tem consciência
de que suas obsessões não refletem riscos
reais. Eles percebem que o seu comportamento físico
e mental é exagerado a ponto de ser estranho. Por
essa razão, o distúrbio obsessivo-compulsivo
difere dos distúrbios psicóticos, nos quais
os indivíduos perdem o contato com a realidade. O
distúrbio obsessivo-compulsivo afeta cerca de 2,3%
dos adultos e ocorre de forma aproximadamente igual em homens
e mulheres. Como os indivíduos com distúrbio
obsessivo-compulsivo temem passar vergonha ou ser estigmatizados,
eles freqüentemente realizam seus rituais secretamente,
embora estes possam exigir várias horas por dia.
Aproximadamente um terço dos indivíduos com
esse tipo de distúrbio apresenta depressão
no momento que que ele é diagnosticado. Em conjunto,
dois terços tornam-se deprimidos em algum momento.
Tratamento
A terapia de exposição, um
tipo de terapia comportamental, freqüentemente ajuda
os indivíduos com distúrbio obsessivo-compulsivo.
Nesse tipo de terapia, o paciente é exposto a situações
ou a pessoas que desencadeiam obsessões, rituais
ou desconforto. O desconforto ou a ansiedade do paciente
diminuem gradualmente se ele evitar de realizar o ritual
durante exposições repetidas ao estímulo
que o desencadeia. Desse modo, ele aprende que o ritual
não é necessário para diminuir o desconforto.
Em geral, o tratamento dura anos, provavelmente porque aqueles
que conseguem aprender a utilizar esse método de
auto-ajuda continuam a utilizá-lo como um modo de
vida sem muito esforço após o término
do tratamento. Os medicamentos também podem ajudar
muitos indivíduos com distúrbio obsessivo-compulsivo.
Três deles (a clomipramina, a fluoxetina e a fluvoxamina)
foram aprovados especificamente para esse uso e foi demonstrado
que outros dois (a paroxetina e a sertralina) também
são eficazes. Outros medicamentos antidepressivos
também são usados, mas com uma freqüência
muito menor. A psicoterapia, com o objetivo de um maior
conhecimento e compreensão dos conflitos subjacentes,
, não tem se mostrado eficaz para aqueles que sofrem
de um distúrbio obsessivocompulsivo. Comumente, o
melhor tratamento consiste em uma combinação
do tratamento medicamentoso e a terapia comportamental.
Estresse Pós-Traumático
O estresse pós-traumático é
um distúrbio da ansiedade causado pela exposição
a uma situação traumática avassaladora,
no qual o indivíduo, posteriormente, vivencia repetidamente
a situação. As situações que
ameaçam a vida ou que lesam gravemente um indivíduo
podem afetá-lo durante muito tempo após a
sua ocorrência. O medo intenso, o desamparo ou o terror
podem tornarse uma obsessão. A situação
traumática é repetidamente revivida, geralmente
em pesadelos ou em imagens que vêm à memória
(flashbacks). O indivíduo evita constantemente as
coisas que fazem com que ele recorde do traumatismo. Algumas
vezes, os sintomas manifestam-se apenas muitos meses ou
inclusive anos após o evento traumático. O
indivíduo apresenta uma redução de
sua capacidade geral de reação e sintomas
de hiperreatividade (como a dificuldade para conciliar o
sono ou assustar-se com facilidade). Os sintomas de depressão
são comuns. O estresse pós-traumático
afeta pelo menos 1% das pessoas durante a vida. Os indivíduos
de alto risco (p.ex., veteranos de guerra e vítimas
de estupro ou de outros atos violentos) apresentam uma maior
incidência. O estresse pós-traumático
crônico não desaparece, mas, freqüentemente,
torna-se menos intenso com o passar do tempo, mesmo sem
tratamento. No entanto, alguns indivíduos permanecem
indevidamente marcados por esse distúrbio.
Tratamento
O tratamento do estresse pós-traumático
inclui a terapia comportamental, a terapia medicamentosa
e a psicoterapia. Na terapia comportamental, o paciente
é exposto a situações que podem desencadear
recordações da experiência dolorosa.
Após um aumento inicial do mal- estar, a terapia
comportamental geralmente diminui o sofrimento do indivíduo.
A contenção dos rituais, como o lavar-se excessivamente
para sentir-se limpo após haver sofrido uma violência
sexual, também pode ser útil. Os medicamentos
antidepressivos e ansiolíticos parecem ser úteis.
A psicoterapia de apoio tem um papel particularmente importante
porque freqüentemente, o indivíduo apresenta
uma ansiedade intensa em relação à
recordação dos eventos traumáticos.
O terapeuta demonstra uma empatia franca e reconhece de
modo simpático a dor psicológica do indivíduo.
Ele confirma ao indivíduo que a sua reação
é normal, mas o estimula a encarar suas recordações
durante a terapia comportamental dessensibilizante. Também
lhe é ensinado como controlar a ansiedade, o que
o ajuda a modular e integrar as recordações
dolorosas em sua personalidade. Os indivíduos com
estresse pós-traumático freqüentemente
sentem-se culpados. Por exemplo, eles podem crer que se
comportaram de forma inaceitavelmente agressiva e destrutiva
durante o combate ou podem ter vivenciado uma experiência
traumática na qual familiares ou amigos morreram
e sentem culpa por terem sobrevivido. Se este for o caso,
a psicoterapia orientada para a introspecção
pode ajudar os indivíduos a compreender a razão
pela qual eles estão se punindo e pode ajudá-los
a eliminar os sentimentos de culpa. Essa técnica
psicoterapêutica pode ser necessária para auxiliar
o indivíduo a recuperar memórias traumáticas
fundamentais que haviam sido reprimidas, de modo que elas
possam ser trabalhadas de forma construtiva.
Estresse Agudo
O estresse agudo é similar ao estresse
póstraumático, exceto pelo fato de ele iniciar
nas 4 semanas que sucedem o evento traumático e durar
somente 2 a 4 semanas. O indivíduo com um estresse
agudo foi exposto a um acontecimento terrível. Ele
revive mentalmente o evento traumático, evita coisas
que possam lembrá-lo e apresenta um maior nível
de ansiedade. O indivíduo também apresenta
três ou mais dos sintomas a seguir:
Sensação de embotamento, distanciamento
ou ausência de resposta emocional
Percepção reduzida do meio ambiente
(p.ex., atordoamento)
Sensação de que as coisas não
são reais
Sensação de que ele mesmo não
é real
Incapacidade de lembrar-se de uma parte importante
do evento traumático
Tratamento
Muitos indivíduos recuperam-se de
um distúrbio de estresse agudo assim que são
retirados da situação traumática e
lhes é fornecido o apoio adequado sob a forma de
compreensão, empatia com seu sofrimento e uma oportunidade
para descrever o que lhe ocorreu e sua reação
ao evento. Muitos indivíduos beneficiam-se com a
descrição repetida da experiência. Os
comprimidos soníferos podem ser úteis, mas
outros medicamentos podem interferir no processo normal
de cura.
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