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A depressão e a mania representam
os dois pólos principais dos distúrbios do
humor. Os distúrbios do humor são doenças
psiquiátricas nas quais os distúrbios emocionais
consistem em períodos prolongados ou excessivos de
depressão ou de euforia. Os distúrbios do
humor também são denominados distúrbios
afetivos. Afeto significa estado emocional expresso através
de expressões faciais e gestos. A tristeza e a alegria
são uma parte das experiências normais da vida
cotidiana e são diferentes da depressão e
da mania graves que caracterizam os distúrbios do
humor. A tristeza é uma resposta natural a uma perda,
uma derrota, um desapontamento, um traumatismo ou uma catástrofe.
Ela pode ser psicologicamente benéfica, pois permite
que o indivíduo afaste-se de situações
ofensivas ou desagradáveis, o que pode ajudá-lo
a se recuperar. O pesar ou a desolação é
a reação normal mais comum frente a uma perda
ou separação, como a morte de um ente querido,
um divórcio ou uma desilusão amorosa.
A desolação e a perda geralmente
não causam uma depressão persistente e incapacitante,
exceto nos indivíduos que apresentam predisposição
aos distúrbios do humor. O êxito e a realização
normalmente produzem sentimentos de exaltação.
No entanto, em determinados casos, a exaltação
pode algumas vezes ser uma defesa contra a depressão
ou uma negação da dor decorrente de uma perda.
Algumas vezes, os indivíduos moribundos apresentam
períodos curtos de exaltação e de atividade
incansável e alguns indivíduos que sofreram
uma perda ou uma privação recente podem ficar
exultantes em vez de desconsoladas, o que seria a reação
normal. Nos indivíduos com predisposição
aos distúrbios do humor, essas reações
podem ser o prelúdio da mania. Ainda que 25 a 30%
dos indivíduos apresentem alguma forma de distúrbio
excessivo do humor durante a vida, apenas cerca de 10% apresentarão
um distúrbio suficientemente grave a ponto de exigir
atenção médica. Desses, um terço
apresenta uma depressão prolongada (crônica)
e a maioria dos restantes apresenta episódios recorrentes
de depressão. As depressões crônicas
e recorrentes são denominadas unipolares. Aproximadamente
2% da população apresentam um distúrbio
denominado doença maníaco-depressiva ou distúrbio
bipolar, na qual os períodos de depressão
alternam-se com períodos de mania (ou com períodos
de mania menos grave denominados hipomania).
Depressão
A depressão é uma sentimento
de tristeza intensa. Ela pode ocorrer após uma perda
recente ou um outro evento triste, mas é desproporcional
em relação à magnitude do evento e
persiste além de um período de tempo justificável.
Depois da ansiedade, a depressão é o distúrbio
psiquiátrico mais comum. Estima-se que 10% dos indivíduos
que consultam um médico acreditando apresentar um
problema físico, na realidade, apresentam depressão.
A depressão geralmente começa entre os 20
e os 50 anos de idade. Os nascidos nas últimas décadas
do século XX parecem apresentar uma maior incidência
de depressão que as gerações anteriores,
em parte por causa das maiores taxas de uso abusivo de drogas.
Um episódio de depressão normalmente dura
de seis a nove meses, mas, em 15 a 20% dos casos, ele dura
dois anos ou mais. Em geral, os episódios tendem
a recorrer várias vezes ao longo da vida.
Causas
As causas da depressão não
são totalmente conhecidas. Diversos fatores podem
justificar a propensão a esse distúrbio como,
por exemplo, a tendência familiar (hereditariedade),
os efeitos colaterais de certos medicamentos, a personalidade
introvertida e eventos emocionalmente desagradáveis,
em especial aqueles que envolvem uma perda. A depressão
também pode surgir ou piorar sem qualquer estresse
existencial evidente ou significativo. As mulheres apresentam
uma probabilidade duas vezes superior a dos homens de apresentar
depressão, embora as razões para isso não
estejam totalmente esclarecidas. Estudos psicológicos
revelaram que as mulheres tendem a responder às adversidades
fechando-se em si mesmas e autoculpando-se. Os homens, ao
contrário, tendem a negar as adversidades e a mergulhar
em suas atividades. Dos fatores biológicos, os hormônios
são os mais implicados. As alterações
dos níveis hormonais, as quais podem produzir alterações
do humor logo antes da menstruação (tensão
pré-menstrual) e após o parto (depressão
do pós-parto), desempenham um papel importante no
humor das mulheres. Podem ocorrer alterações
hormonais similares em decorrência do uso de contraceptivos
orais por mulheres com depressão.
A alteração da função
tireoidiana, bastante comum em mulheres, também pode
representar um outro fator contribuinte. A depressão
que ocorre após um evento traumático (p.ex.,
morte de um ente querido) é denominada depressão
reativa. Existem indivíduos que apresentam depressão
temporária como uma reação a determinados
feriados (feriados tristes) ou datas significativas (p.ex.,
aniversário de morte de um ente querido). A depressão
se causa aparente é denominada depressão endógena.
No entanto, essas distinções não são
muito importantes, uma vez que os efeitos e o tratamento
das depressões são similares. A depressão
também pode ocorrer com ou ser causada por diversas
doenças ou distúrbios. Os distúrbios
físicos podem causar uma depressão diretamente
(como aquela que ocorre quando uma disfunção
da tireóide afeta os níveis hormonais e pode
levar à depressão) ou indiretamente (como
quando a artrite reumatóide causa dor e incapacitação,
as quais podem levar à depressão).
Freqüentemente, a depressão resultante
de um distúrbio físico apresenta tanto causas
diretas quanto indiretas. Por exemplo, a AIDS pode causar
depressão diretamente quando o vírus da imunodeficiência
humana (HIV), o qual causa a AIDS, lesa o cérebro.
A AIDS pode causar depressão indiretamente quando
ela tem um impacto global negativo sobre a vida do indivíduo.
Vários medicamentos de receita obrigatória,
sobretudo os utilizados no tratamento da hipertensão
arterial, podem causar depressão. Por razões
desconhecidas, os corticosteróides freqüentemente
causam depressão quando produzidos em grandes quantidades
na evolução de uma doença (p.ex., síndrome
de Cushing). No entanto, quando utilizados como medicação,
os corticosteróides tendem a causar euforia. Vários
distúrbios psiquiátricos podem predispor um
indivíduo à depressão, incluindo determinados
distúrbios da ansiedade, o alcoolismo e outras dependências
de drogas, a esquizofrenia e a fase inicial da demência.
Sintomas
Geralmente, os sintomas desenvolvem-se de
forma gradual ao longo de dias ou semanas. Um indivíduo
que está entrando em depressão pode parecer
lento e triste ou irritadiço e ansioso. Um indivíduo
que tende a se isolar, que fala pouco, para de se alimentar
e dorme pouco está apresentando um quadro denominado
depressão vegetativa. Um indivíduo que, além
disso, é muito agitado (torce as mãos e fala
continuamente), apresenta um quadro denominado depressão
agitada. Muitos indivíduos com depressão não
conseguem sentir emoções (p.ex., pesar, alegria
e prazer) normalmente. Nos casos extremos, o mundo parece
para os indivíduos sem graça, sem vida e morto.
O raciocínio, a fala e a atividade geral podem tornar-se
mais lentos até todas as atividades voluntárias
cessarem. Os indivíduos deprimidos podem apresentar
preocupação com sentimentos profundos de culpa
e com idéias de autodifamação e podem
apresentar incapacidade de se concentrar satisfatoriamente.
Freqüentemente, eles são indecisos e retraídos,
têm um sentimento progressivo de desesperança
e de desamparo e pensam na morte e no suicídio.
Distúrbios Físicos que
Podem Causar Depressão
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Efeitos colaterais das drogas
Anfetaminas (abstinência)
Drogas antipsicóticas
Beta-bloqueadores
Cimetidina
Contraceptivos (orais)
Cicloserina
Indometacina
Mercúrio
Metildopa
Reserpina
Tálio
Vinblastina
Vincristina
Infecções
AIDS
Gripe
Mononucleose
Sífilis (estágio avançado)
Tuberculose
Hepatite viral
Pneumonia viral
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Distúrbios hormonais
Doença de Addison
Doença de Cushing
Níveis elevados do hormônio da paratireóide
Níveis baixos e altos de hormônios da tireóide
Níveis baixos de hormônios da hipófise
(hipopituitarismo)
Doenças do tecido conjuntivo
Artrite reumatóide
Lúpus eritematoso sistêmico
Distúrbios neurológicos
Tumores cerebrais
Lesão craniana
Esclerose múltipla
Doença de Parkinson
Apnéia do sono
Acidente vascular cerebral (derrame)
Epilepsia do lobo temporal
Distúrbios nutricionais
Pelagra (deficiência de vitamina B6)
Anemia perniciosa (deficiência de vitamina B12)
Cânceres
Cânceres abdominais (ovário, cólon)
Cânceres disseminados por todo o organismo |
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A maioria dos indivíduos depressivos
apresentam dificuldade para conciliar o sono e despertam
repetidas vezes, particularmente no início da manhã.
É comum uma perda do prazer ou do desejo sexual.
A perda de apetite e a perda de peso algumas vezes levam
à emaciação e, nas mulheres, pode ocorrer
interrupção dos períodos menstruais.
Por outro lado, nas depressões mais leves, a ingestão
excessiva de alimentos e o ganho de peso também são
comuns. Em cerca de 20% dos indivíduos deprimidos,
os sintomas são mais leves, mas a doença dura
anos ou, muitas vezes, décadas. Essa variante distímica
da depressão freqüentemente começa precocemente
e é associada a alterações características
da personalidade. Aqueles que sofrem desse distúrbio
são indivíduos melancólicos, pessimistas,
não possuem senso de humor ou são incapazes
de se alegrar; são passivos e letárgicos,
introvertidos, céticos, hipercríticos ou queixamse
constantemente; e autocríticos e plenos de auto-reprovação.
Eles demonstram preocupação em relação
à inadequação, ao fracasso e a eventos
negativos, algumas vezes a ponto de terem um prazer mórbido
de seus próprios fracassos.
Alguns indivíduos deprimidos queixam-se
de uma doença física, com dores em várias
regiões, ou referem temor em relação
a uma calamidade ou de enlouquecer. Outros acreditam apresentar
uma doença incurável ou vergonhosa (p.ex.,
câncer ou doenças sexualmente transmissíveis
ou a AIDS) e que estão infectando outras pessoas.
Cerca de 15% dos indivíduos deprimidos, em especial
os casos graves, apresentam delírios (falsas crenças)
ou alucinações, vendo ou ouvindo coisas que
não existem. Eles podem crer que cometeram pecados
ou crimes imperdoáveis ou ouvem vozes que os acusam
de diversos delitos ou que os condenam à morte. Em
casos raros, eles podem imaginar que vêem ataúdes
ou parentes mortos. Os sentimentos de insegurança
e inutilidade podem levar os indivíduos gravemente
deprimidos a acreditar que estão sendo vigiados e
perseguidos. Essas depressões acompanhadas de delírios
são denominadas depressões psicóticas.
Os pensamentos de morte estão entre os sintomas mais
graves da depressão. Muitos indivíduos deprimidos
desejam morrer ou acreditam que são tão inúteis
que merecem morrer. Até 15% dos casos de depressão
grave estão associados a um comportamento suicida.
Uma idéia de suicídio representa uma situação
de emergência e o indivíduo que a apresenta
deve ser hospitalizado e mantido sob supervisão até
que o tratamento reduza o risco.
Diagnóstico
Geralmente, o médico é capaz
de diagnosticar a depressão a partir dos sinais e
sintomas. Uma história prévia de depressão
ou uma história familiar de depressão ajuda
a confirmar o diagnóstico. Às vezes, são
utilizados questionários padrões para ajudar
a mensurar o grau de depressão. Dois desses questionários
são a Escala de Classificação da Depressão
de Hamilton, o qual é realizado verbalmente por um
entrevistador, e o Inventário de Depressão
de Beck, o qual o paciente deve responder. Os exames laboratoriais,
geralmente exames de sangue, ajudam o médico a determinar
a causa de algumas depressões. Eles são particularmente
úteis para as mulheres, nas quais os fatores hormonais
podem contribuir para a depressão. Em casos difíceis
de serem diagnosticados, o médico pode realizar outros
exames para confirmar o diagnóstico de depressão.
Por exemplo, como os problemas de sono representam um importantíssimo
sinal de depressão, o médico especializado
no diagnóstico e no tratamento dos distúrbios
do humor pode utilizar um eletroencefalograma realizado
durante o sono para mensurar o tempo que o indivíduo
leva para atingir o sono com movimento rápido dos
olhos (REM ou o período durante o qual ocorrem os
sonhos) após adormecer. Normalmente, esse período
é de 90 minutos. Em um indivíduo deprimido,
essa fase do sono pode ser atingida em menos de 70 minutos.
Prognóstico e Tratamento
Uma depressão não tratada pode
durar seis meses ou mais. Embora os sintomas leves persistam
em muitos indivíduos, as funções tendem
a retornar ao normal. Apesar disso, a maioria dos indivíduos
com depressão apresenta episódios repetidos
de depressão, em uma média de quatro a cinco
vezes durante a vida. Atualmente, a depressão é
geralmente tratada sem hospitalização. Entretanto,
algumas vezes o indivíduo necessita de internação,
especialmente se ele demonstra um alto risco de suicídio
ou se ele encontra-se muito debilitado devido à perda
de peso ou apresenta risco de problemas cardíacos
devido à agitação intensa. No momento,
os medicamentos são a base do tratamento da depressão.
Outros tratamentos incluem a psicoterapia e a terapia eletroconvulsivante.
Algumas vezes, uma combinação dessas duas
terapias é utilizada.
Tratamento Medicamentoso
Existem disponíveis vários
tipos de medicamentos antidepressivos tricíclicos,
inibidores seletivos da recaptação da serotonina,
inibidores da monoamino oxidase e psicoestimulantes, mas
eles devem ser tomados de modo regular durante pelo menos
algumas semanas antes de começarem a atuar. As possibilidades
de um antidepressivo específico ser eficaz no tratamento
de um indivíduo são de 65%. Os efeitos adversos
variam de acordo com o tipo de medicamento. Os antidepressivos
tricíclicos freqüentemente causam sedação
e acarretam aumento de peso. Esses medicamentos também
podem produzir aumento da freqüência cardíaca,
queda da pressão arterial quando o indivíduo
coloca-se em pé, visão borrada, boca seca,
confusão mental, constipação, dificuldade
para iniciar a micção e orgasmo retardado.
Esses efeitos são denominados efeitos anticolinérgicos
e, freqüentemente, são mais pronunciados nos
idosos.
Os antidepressivos que são similares
aos antidepressivos tricíclicos produzem outros efeitos
adversos. A venlafaxina pode elevar ligeiramente a pressão
arterial. A trazodona foi associada à ereção
dolorosa (priapismo). A maprotilina e a bupropiona tomadas
em doses rapidamente aumentadas podem provocar convulsões.
Contudo, a bupropiona não causa sedação,
não afeta a função sexual e, freqüentemente,
ela é útil para os indivíduos com depressão
e raciocínio lento. Os inibidores seletivos da recaptação
da serotonina (ISRSs) representam um importante avanço
no tratamento da depressão, pois eles tendem a causar
menos efeitos adversos que os antidepressivos tricíclicos.
Além disso, eles geralmente são muito seguros
para os indivíduos com depressão e um distúrbio
físico concomitante. Embora eles possam causar náusea,
diarréia e dor de cabeça, esses efeitos adversos
são leves ou desaparecem com a continuação
do uso.
Por essas razões, os médicos
freqüentemente escolhem os ISRSs para tratar a depressão.
Esses medicamentos são particularmente úteis
no tratamento da distimia, a qual depende de uma terapia
medicamentosa prolongada. Além do mais, os ISRSs
são muito eficazes nos casos de distúrbio
obsessivo-compulsivo, de sídrome do pânico,
de fobia social e de bulimia (um distúrbio alimentar),
os quais freqüentemente coexistem com a depressão.
A principal desvantagem dos ISRSs é que eles comumente
causam disfunção sexual. Os inibidores da
monoamino oxidase (IMAOs) representam outra classe de medicamentos
antidepressivos. Contudo, aqueles que utilizam IMAOs devem
seguir uma série de restrições dietéticas
e também devem tomar cuidados especiais. Por exemplo,
eles não devem consumir alimentos e bebidas contendo
tiramina, como o chope, os vinhos tintos (inclusive xerez),
os licores, os alimentos demasiadamente maduros, o salame,
os queijos curados, as vagens, os extratos de levedura e
o molho de soja.
Eles devem evitar drogas, como a fenilpropanolamina
e o dextrometorfano, encontradas em muitos remédios
contra a tosse e o resfriado que são vendidos sem
prescrição médica e que provocam a
liberação de adrenalina e podem causar uma
elevação súbita e acentuada da pressão
arterial. Os indivíduos que utilizam IMAOs também
devem evitar outros medicamentos, como os antidepressivos
tricíclicos, os inibidores seletivos da recaptação
da serotonina e a meperidina (um analgésico). Os
indivíduos que utilizam IMAOs geralmente são
orientados a carregar constantemente um antídoto
(p.ex., clorpromazina ou nifedipina). Se ocorrer uma cefaléia
latejante e intensa, eles devem tomar imediatamente o antídoto
e dirigir- se ao serviço de emergência mais
próximo. Devido às restrições
dietéticas difíceis e às precauções
necessárias, os IMAOs raramente são prescritos,
exceto para os indivíduos deprimidos que não
apresentam melhora com o uso de outros antidepressivos.
Os psicoestimulantes (p.ex., metilfenidato)
são geralmente reservados aos indivíduos deprimidos
que se encontram ensimesmados, lentos e cansados ou que
não apresentaram melhoria do quadro com as demais
classes de antidepressivos. A possibilidade de uso abusivo
desse tipo de droga é alta. Como os psicoestimulantes
tendem a agir rapidamente (em 24 horas) e facilitam a deambulação,
eles algumas vezes são prescritos para os indivíduos
idosos com depressão que estão convalescendo
de uma cirurgia ou de uma doença prolongada. Psicoterapia
A psicoterapia utilizada juntamente com os antidepressivos
pode melhorar muito os resultados da medicação.
A psicoterapia individual ou em grupo pode auxiliar o indivíduo
a reassumir gradualmente as antigas responsabilidades e
a adaptar-se às pressões normais da vida,
melhorando os resultados obtidos pelo tratamento medicamentoso.
No caso da psicoterapia interpessoal, o indivíduo
recebe uma orientação de apoio para ajustar-se
às aos diferentes papéis da vida.
A terapia cognitiva pode ajudar a mudar a
desesperança e os pensamentos negativos do indivíduo.
Nos casos de depressão leve, a psicoterapia isoladamente
pode ser tão eficaz quanto a terapia medicamentosa.
Terapia Eletroconvulsivante A terapia eletroconvulsivante
(TEC) é utilizada no tratamento da depressão
grave, particularmente quando o indivíduo apresenta
uma psicose, ameaça suicidar-se ou recusa a alimentação.
Esse tipo de terapia costuma ser muito eficaz e é
capaz de aliviar rapidamente a depressão, ao contrário
da maioria dos antidepressivos, os quais podem levar semanas
para começarem a atuar. A rapidez da ação
da terapia eletroconvulsivante pode salvar vidas. Na terapia
eletroconvulsivante, eletrodos são fixados na cabeça
do paciente e é aplicada uma corrente elétrica
para induzir uma convulsão no cérebro. Por
razões desconhecidas, a convulsão alivia a
depressão. Habitualmente, são realizadas cinco
a sete sessões em dias alternados. Como a corrente
elétrica pode causar contrações musculares
e dor, o indivíduo é submetido a uma anestesia
geral durante a sessão. A terapia eletroconvulsivante
pode causar uma perda de memória temporária
(raramente permanente).
Mania
A mania é caracterizada por uma atividade
física excessiva e sentimentos de euforia extremos
que são muito desproporcionais em relação
a qualquer evento positivo. A hipomania é uma forma
mais leve de mania. Embora um indivíduo possa apresentar
depressão sem episódios de mania (distúrbio
unipolar), a mania mais comumente ocorre como parte de uma
doença maníaco-depressiva (distúrbio
bipolar). Os poucos indivíduos que parecem apresentar
apenas mania podem, na realidade, apresentar episódios
depressivos leves ou de curta duração. A mania
e a hipomania são menos comuns que a depressão
e também são menos facilmente reconhecidas,
pois enquanto a tristeza intensa e prolongada pode levar
o indivíduo a consultar um médico, a euforia
o faz com uma freqüência muito menor (pois os
indivíduos com mania não têm consciência
de que algo está errado em relação
ao seu estado mental ou ao seu comportamento). O médico
deve descartar a possibilidade de uma doença física
subjacente em um indivíduo que apresenta mania pela
primeira vez e que não tem uma história de
um episódio depressivo prévio.
Sintomas e Diagnóstico
Os sintomas típicos de mania surgem
rapidamente, em poucos dias. Nos primeiros estágios
(mais leves) da mania, o indivíduo sente-se melhor
que o habitual e, freqüentemente, parece mais alegre,
rejuvenescido e com mais energia. O indivíduo maníaco
geralmente é eufórico, mas também pode
ser irritadiço, desagradável ou francamente
hostil. Normalmente, ele acredita que está muito
bem. A não percepção de sua condição,
juntamente com a enorme capacidade para as atividades, pode
fazer com que ele se torne impaciente, inadequado, intrometido
e irritável, com tendência à agressão,
quando alguém se aproxima dele. A atividade mental
acelera (uma condição chamada fuga de idéias).
Ele distrai-se facilmente e muda constantemente de um tema
ou objetivo para outro.
O indivíduo pode apresentar falsas
convicções de riqueza pessoal, poder, inventividade
e genialidade e pode assumir temporariamente uma identidade
grandiosa, algumas vezes acreditando ser Deus. O indivíduo
pode acreditar que está sendo ajudado ou perseguido
por outras pessoas ou pode ter alucinações,
ouvindo e vendo coisas que não existem. A sua necessidade
de sono diminui. O indivíduo maníaco envolve-se
em várias atividades de modo infatigável,
excessivo e impulsivo (p.ex., empreendimentos comerciais
arriscados, jogo ou comportamento sexual perigoso), sem
reconhecer os perigos sociais inerentes a tais atividades.
Tipos de Antidepressivos
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Antidepressivos tricíclicos
e similares
Amitriptilina
Amoxapina
Bupropiona
Clomipramina
Desipramina
Doxepina
Imipramina
Maprotilina
Nefazodona
Nortriptilina
Protriptilina
Trazodona
Trimipramina
Venlafaxina
Inibidores seletivos da recaptação
da serotonina
Fluoxetina
Fluvoxamina
Paroxetina
Sertralina
Inibidores da monoamina oxidase Isocarboxazida
Pargilina
Fenelzina
Tranilcipromina
Psicoestimulantes
Dextroanfetamina
Metilfenidato
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Em casos extremos, a atividade mental e física
torna-se tão frenética que qualquer relação
clara entre o humor e o comportamento perde-se em um tipo
de agitação sem sentido (mania delirante).
Nesses casos, é necessária a instituição
imediata de um tratamento, pois o indivíduo pode
morrer de exaustão física. Em casos de mania
menos hiperativa, a hospitalização pode ser
necessária para proteger o doente e sua família
de um comportamento financeiro ou sexual destrutivo. A mania
é diagnosticada através de seus sintomas,
os quais normalmente são evidentes para o observador.
No entanto, como os indivíduos maníacos caracterizam-se
pela negação de todo problema existente, os
médicos geralmente têm que obter informações
junto aos membros da família. Os questionários
não são tão utilizados como nos casos
de depressão.
Distúrbios Físicos que
Podem Causar Mania
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Efeitos colaterais das drogas
Anfetaminas
Antidepressivos (a maioria)
Bromocriptina
Cocaína
Corticosteróides
Levodopa
Metilfenidato
Infecções
AIDS
Encefalite
Gripe
Sífilis (estágio avançado)
Distúrbios hormonais
Níveis elevados de hormônio tireoidiano
Doença do tecido conjuntivo
Lúpus eritematoso sistêmico
Distúrbios neurológicos
Tumores cerebrais
Traumatismo crânio-encefálico
Coréia de Huntington
Esclerose múltipla
Derrame
Coréia de Sydenham
Epilepsia do lobo temporal
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Tratamento
Os episódios de mania não tratados
terminam de forma mais abrupta que os de depressão
e, tipicamente, são mais curtos, durando de algumas
semanas a vários meses. Como a mania é uma
emergência médica e social, o médico
deve lançar mão de todos os meios para tratar
o paciente em um hospital. Uma droga denominada lítio
pode reduzir os sintomas de mania. Como o lítio leva
de quatro a dez dias para agir, é mais comum a administração
de uma droga cuja ação é mais rápida
(p.ex., aloperidol), ao mesmo tempo que o lítio para
controlar a excitação do pensamento e da atividade.
Entretanto, o aloperidol pode causar rigidez muscular e
movimentos anormais e, por essa razão, ele deve ser
administrado em pequenas doses, combinado com um benzodiazepínico
(p.ex., lorazepam ou clonazepam), o qual aumenta os efeitos
antimaníacos do aloperidol e também reduz
os seus efeitos colaterais desagradáveis.
Doença Maníaco-Depressiva
A doença maníaco-depressiva,
também chamada distúrbio bipolar, é
um distúrbio no qual ocorre uma alternância
de períodos de depressão com períodos
de mania ou com graus menores de excitação.
A doença maníaco-depressiva afeta em um certo
grau pouco menos que 2% da população. Acredita-
se que ela seja hereditária, embora o defeito genético
exato ainda seja desconhecido. A doença maníaco-depressiva
afeta igualmente os homens e as mulheres e costuma iniciar
na adolescência ou na segunda ou terceira década
de vida.
Sintomas e Diagnóstico
Geralmente, a doença maníaco-depressiva
começa com depressão e inclui pelo menos um
período de mania em algum momento durante a doença.
Os episódios de depressão geralmente duram
três a seis meses. Na forma mais grave da doença,
denominada distúrbio bipolar I, a depressão
alterna com a mania intensa. Na forma menos grave, denominada
distúrbio bipolar II, episódios curtos de
depressão alternam com a hipomania. Os sintomas do
distúrbio bipolar II freqüentemente reaparecem
em determinadas estações. Por exemplo, a depressão
ocorre no outono e no inverno e a euforia leve ocorre na
primavera ou no verão.
Em uma forma ainda mais leve, denominada
distúrbio ciclotímico, os períodos
de euforia e de depressão são menos graves,
costumam durar apenas alguns dias e retornam com razoável
freqüência em intervalos irregulares. Embora
o distúrbio ciclotímico possa acabar evoluindo
para a doença maníaco-depressiva, em muitos
indivíduos ele nunca leva a uma depressão
ou uma mania grave. Um distúrbio ciclotímico
pode contribuir para o êxito de um indivíduos
nos negócios, na liderança, no alcance de
objetivos e na criatividade artística. Entretanto,
ele também pode acarretar resultados irregulares
no trabalho e na escola, mudanças freqüentes
de residência, repetidos desenganos amorosos e separações
matrimoniais e uso abusivo de bebidas alcóolicas
e drogas.
Sintomas de Mania
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Humor
Elação, irritabilidade ou hostilidade
Choro momentâneo
Outros sintomas psicológicos
Auto-estima excessiva; a pessoa vangloriase;
comportamento grandioso
Pensamentos muito rápidos, novos
pensamentos disparados pelos sons das
palavras, não pelo seu significado, tendência
a
distrair-se com facilidade
Interesse aumentado em novas atividades,
maior envolvimento com pessoas (que
freqüentemente são alienadas, em virtude
do
comportamento intruso e intrometido da
pessoa), compras compulsivas, imprudências
sexuais, investimentos irrefletidos nos negócios
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Sintomas psicóticos
Ilusões de talento excepcional
Ilusões de preparo físico excepcional
Ilusões de riqueza, ascendência
aristocrática,
ou outra identidade grandiosa
Tem visões ou ouve vozes (alucinações)
Paranóia
Sintomas físicos
Aumento do nível de atividade
Possível perda de peso pelo aumento da
atividade e falta de cuidado com a dieta
Diminui a necessidade de sono
Aumento do desejo sexual
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Em aproximadamente um terço dos indivíduos
com doença maníaco- depressiva, esses sintomas
podem levar a um distúrbio do humor que exige tratamento.
O diagnóstico da doença maníaco-depressiva
é baseado na sintomatologia característica.
O médico determina se o paciente está apresentando
um episódio maníaco ou depressivo com o objetivo
de instituir o tratamento correto. Aproximadamente um em
cada três indivíduos com distúrbio bipolar
apresenta simultaneamente sintomas de mania (ou de hipomania)
e de depressão. Essa condição é
conhecida como estado bipolar misto.
Prognóstico e Tratamento
A doença maníaco-depressiva
recorre em praticamente todos os casos. Algumas vezes, os
episódios podem passar da depressão para a
mania ou vice-versa, sem qualquer período de humor
normal entre as mudanças. Alguns indivíduos
mudam mais rapidamente que outros entre episódios
de depressão e de mania. Até 15% dos indivíduos
maníaco-depressivos, sobretudo as mulheres, apresentam
quatro ou mais episódios por ano. Os que apresentam
ciclos mais rápidos são mais difíceis
de tratar. Os episódios de mania ou de hipomania
da doença maníaco-depressiva podem ser tratados
como a mania aguda. Os episódios de depressão
são tratados da mesma forma que a depressão.
No entanto, a maioria dos antidepressivos pode causar mudanças
da depressão para a hipomania ou para a mania e,
em alguns casos, provocam mudanças rápidas
de ciclo entre as duas situações.
Portanto, esses medicamentos são utilizados
apenas durante períodos curtos e o seu efeito sobre
o humor deve ser cuidadosamente monitorizado. Ao primeiro
sinal de mudança para a hipomania ou mania, o antidepressivo
é interrompido. Os antidepressivos com menor probabilidade
de causar alteração do humor são a
bupropiona e os inibidores da monoamino oxidase. O ideal
é tratar a maioria dos casos com medicamentos estabilizadores
do humor, como o lítio ou um medicamento anticonvulsivante.
O lítio não tem efeito sobre o humor normal,
mas ele reduz a tendência para alterações
do humor em cerca de 70% dos casos da doença maníaco-
depressiva. O médico controla o nível de lítio
no sangue através de exames laboratoriais adequados.
Os efeitos adversos possíveis do
lítio incluem o tremor, os espasmos musculares, a
náusea, o vômito, a diarréia, a sede,
a micção excessiva e o ganho de peso. O lítio
pode piorar a acne ou a psoríase, pode causar uma
queda nos níveis sangüíneos do hormônio
tireoidiano e, raramente, pode causar micção
excessiva. Um nível muito elevado de lítio
no sangue pode produzir cefaléia persistente, confusão
mental, sonolência, convulsões e arritmias
cardíacas. A ocorrência desses efeitos colaterais
é mais provável nos indivíduos idosos.
As mulheres que estão tentando engravidar devem interromper
o uso do lítio, pois ele pode (raramente) causar
defeitos cardíacos no feto em desenvolvimento. Nos
últimos anos, foram desenvolvidos novos tratamentos
medicamentosos. Eles incluem a utilização
dos anticonvulsivantes carbamazepina e divalproex.
Entretanto, a carbamazepina tende a reduzir
seriamente o número de eritrócitos (glóbulos
vermelhos) e de leucócitos (glóbulos brancos)
e o divalproex pode causar lesão hepática
(principalmente em crianças). Com um controle médico
rigoroso, esses problemas são raros e a carbamazepina
e divalproex são alternativas úteis para o
lítio, sobretudo para os pacientes que apresentam
formas mistas ou com ciclos rápidos que não
responderam a outros tratamentos. A psicoterapia é
freqüentemente recomendada para aqueles que tomam medicamentos
estabilizadores do humor, principalmente para ajudálos
a continuar com o tratamento.
Alguns indivíduos que utilizam o lítio
sentem-se menos alertas, menos criativos e com menor controle
sobre as coisas que nas condições habituais.
Entretanto, a diminuição real da criatividade
é pouco freqüente, principalmente porque o lítio
permite que os indivíduos com doença maníaco-
depressiva levem uma vida mais regular, me- lhorando seu
desempenho global no trabalho. A terapia em grupo freqüentemente
é útil para ajudar os doentes e seus cônjuges
ou familiares a compreender a doença e enfrentá-la
de modo mais adequado.
Algumas vezes, a fototerapia é utilizada
no tratamento da doença maníaco-depressiva,
especialmente aqueles que apresentam uma depressão
mais leve e sazonal: depressão do outono e do inverno
e a hipomania da primavera e do verão. Para a fototerapia,
o indivíduo é colocado em um quarto fechado
iluminado por luz artificial. A luz é controlada
para simular a estação do ano que o terapeuta
está tentando criar: dias mais longos para o verão
e dias mais curtos para o inverno. Se a dose de luz for
excessiva, o indivíduo pode sofrer uma mudança
para a hipomania ou, em alguns casos, ele pode sofrer uma
lesão oftálmica. Portanto, a fototerapia deve
ser supervisionada por um médico especializado no
tratamento dos distúrbios do humor.
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