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Quando saudável, o revestimento da
boca (mucosa oral) possui uma coloração rósea
avermelhada e as gengivas, que ajustam-se firmemente aos
dentes, possuem uma coloração rósea
mais pálida. O teto da boca (palato) é dividido
em duas partes: a parte anterior possui cristas e é
dura (palato duro) e a posterior é relativamente
lisa e macia (palato mole). Um bordo úmido-seco (bordo
vermilhão) delimita claramente a superfície
interna e externa dos lábios. A superfície
externa é semelhante à pele e a interna é
a mucosa úmida. Normalmente, a língua não
é lisa, ela é recoberta por pequenas proeminências
(papilas), as quais contêm os botões gustativos.
A boca pode ser afetada por condições locais
(condições que afetam apenas uma área
específica do corpo) como, por exemplo, algumas infecções
e lesões. Além disso, doenças sistêmicas
(doenças que afetam o organismo em geral) como, por
exemplo, o diabetes, a AIDS e a leucemia, podem causar alterações
na boca. Algumas vezes, os primeiros sinais dessas doenças
manifestamse na boca e são identificados por um dentista.
Distúrbios da Boca
Os problemas que podem manifestar-se na boca
incluem feridas e tumores variados como, por exemplo, as
aftas e os tumores cancerosos. Além disso, o revestimento
da boca ou do palato pode sofrer certas alterações
de cor. Outros problemas incluem a halitose (mau hálito)
e os distúrbios das glândulas salivares.
Aftas
As aftas são pequenas ulcerações
dolorosas que aparecem na mucosa bucal. A sua causa é
desconhecida, mas parece que o estresse tem um papel importante.
Por exemplo, um estudante universitário pode apresentar
aftas durante a semana de exames finais. Uma afta é
uma mancha esbranquiçada, redonda e com uma borda
avermelhada. A lesão quase sempre forma-se sobre
um tecido mole e frouxo, sobretudo no interior do lábio
ou na bochecha, sobre a língua ou no palato mole
e, algumas vezes, na garganta. As aftas pequenas (com menos
de 1 centímetro de diâmetro) freqüentemente
ocorrem em grupos de duas ou três. Geralmente, elas
desaparecem espontaneamente em dez dias, não deixando
cicatrizes. As aftas grandes são menos comuns. Elas
podem apresentar uma forma irregular, podem levar várias
semanas para cicatrizar e, freqüentemente, deixam cicatrizes.
Sintomas
O principal sintoma de uma afta é
a dor, que é geralmente muito mais intensa do que
seria de se esperar de algo tão pequeno. A dor dura
de quatro a dez dias, piora quando a língua roça
a lesão ou quando o indivíduo ingere alimentos
quentes ou condimentados. As aftas graves podem causar febre,
aumento das glândulas do pescoço e uma sensação
de mal-estar generalizado. Muitas pessoas apresentam aftas
repetidamente (uma ou mais vezes por ano).
Diagnóstico e Tratamento
O médico ou o dentista identifica
a afta pelo seu aspecto e pela dor que ela produz. No entanto,
as lesões causadas pelo vírus do herpes simples
podem ser semelhantes às aftas. O tratamento consiste
no alívio da dor até que as lesões
curem espontaneamente. Um anestésico (p.ex., lidocaína
viscosa) pode ser aplicado sobre as aftas ou pode ser utilizado
como colutório (para enxágüe bucal).
Esse anestésico alivia a dor durante vários
minutos e pode tornar a alimentação menos
dolorosa, apesar dele também poder comprometer o
paladar. A carboximetilcelulose, um revestimento protetor,
também pode ser aplicada para aliviar a dor. Se o
indivíduo apresentar muitas aftas, o médico
ou dentista pode receitar um colutório contendo tetraciclina.
Aqueles com recidivas de aftas graves podem utilizar esse
colutório assim que surgir uma nova afta. Uma outra
opção terapêutica é a cauterização
com nitrato de prata, o qual destrói os nervos localizados
a afta. Ocasionalmente, o médico ou dentista prescreve
uma pomada de corticosteróide, que é aplicada
diretamente sobre as aftas mais graves. Nos casos graves,
o enxágüe bucal com dexametasona ou comprimidos
de prednisona podem ser prescritos.
Infecção Oral por Herpes
A infecção oral primária
por herpes (gengivoestomatite herpética primária)
é uma infecção primária causada
pelo vírus do herpes simples . Ela pode causar lesões
dolorosas de desenvolvimento rápido nas gengivas
e em outras partes da boca. O herpes secundário (herpes
labial recidivante) é uma reativação
local do vírus que produz uma úlcera nos lábios.
Causa e Sintomas
É comum um lactente contrair o vírus
do herpes simples de um adulto com herpes labial. A infecção
primária do lactente (herpes primário) causa
inflamação generalizada das gengivas e uma
dor generalizada na boca. Ele pode apresentar febre, aumento
dos linfonodos do pescoço e mal-estar generalizado.
Além disso, a criança pode ficar irritadiça.
A maioria dos casos é leve e passa desapercebida.
Os pais freqüentemente confundem o problema com a eclosão
de dentes ou com uma outra doença. Em dois a três
dias, ocorre a formação de bolhas muito pequenas
(vesículas) na boca da criança. Essas vesículas
podem passar desapercebidas porque elas rompem rapidamente
e deixam a boca em carne viva e dolorida. A dor pode ser
sentida em qualquer parte da boca, mas sempre inclui as
gengivas. Apesar da criança melhorar em aproximadamente
uma semana, o vírus do herpes simples nunca mais
deixará o seu corpo e a infecção apresenta
novos episódios em um outro momento da vida (herpes
secundário).
Os indivíduos que não apresentam
herpes oral na infância mas contraem a infecção
na vida adulta geralmente apresentam sintomas mais graves.
Ao contrário da infecção original,
que causa lesões disseminadas na boca, os episódios
subseqüentes comumente causam o herpes labial (bolhas
febris) e, em geral, são desencadeados por queimaduras
solares nos lábios, pelo resfriado, pela febre, por
alergias alimentares, por lesões bucais, por um tratamento
odontológico ou pela ansiedade. Um ou dois dias antes
do surgimento de uma vesícula, o indivíduo
pode sentir um formigamento ou um incômodo (pródromo)
no local onde irá ocorrer a erupção.
Essa sensação é difícil
de ser descrita, mas ela é facilmente identificada
por aqueles que já apresentaram herpes anteriormente.
Uma ferida aberta e em carne viva surge sobre a superfície
externa do lábio e, em seguida, ocorre a formação
de crosta. No interior da boca, a ferida é mais comum
no palato. As feridas da boca começam como pequenas
vesículas que rapidamente coalescem e formam uma
úlcera vermelha e dolorosa. Apesar de ser meramente
um incômodo doloroso para a maioria das pessoas, os
episódios de herpes simples podem colocar em risco
a vida de indivíduos que apresentam um sistema imune
comprometido por doenças (p.ex., AIDS) ou pela quimioterapia,
pela radioterapia ou por um transplante de medula óssea.
Nesses casos, as ulcerações grandes e persistentes
na boca podem interferir na alimentação e
a disseminação do vírus ao cérebro
pode ser fatal.
Tratamento
O objetivo do tratamento do herpes primário
é o alívio da dor, de modo que o indivíduo
possa dormir, alimentar-se e beber normalmente. A dor pode
impedir que a criança coma e beba e isto, combinado
com a febre, pode levar rapidamente à desidratação.
Portanto, a criança deve ingerir o máximo
possível de líquidos. Os adultos ou as crianças
maiores devem fazer bochechos com um anestésico (p.ex.,
lidocaína) prescrito pelo médico para aliviar
a dor. O bochecho com bicarbonato de sódio também
pode ser útil. O tratamento do herpes secundário
é mais eficaz quando iniciado antes do surgimento
das lesões, isto é, assim que o indivíduo
apresenta o pródromo do episódio. O uso de
vitamina C durante o pródromo pode acelerar o desaparecimento
das ulcerações.
A proteção dos lábios
contra a luz solar direta, usando um chapéu com aba
ou um bálsamo labial contendo filtro solar, poderá
diminuir as incidência dos episódios de herpes
simples. Além disso, o indivíduo deve evitar
atividades e alimentos que sabidamente desencadeiam os episódios.
Qualquer pessoa que apresenta episódios graves e
freqüentes pode beneficiar-se com o uso prolongado
de lisina (disponível em lojas de alimentos naturais).
Uma pomada contendo aciclovir reduz a gravidade de um episódio
e acelera o desaparecimento das lesões. Bálsamos
labiais (p.ex., de vaselina) impedem que os lábios
rachem, reduzindo o risco de disseminação
do vírus às áreas vizinhas. Os adultos
com lesões graves devem ser tratados com antibióticos
para prevenir as infecções bacterianas. No
entanto, esses medicamentos não afetam o vírus.
Para os casos graves e para aqueles que apresentam deficiências
do sistema imune, podem ser prescritas cápsulas de
aciclovir. Os corticosteróides não são
utilizados contra o herpes simples, pois esses medicamentos
podem permitir a disseminação da infecção.
Outras Lesões e Tumores Bucais
Qualquer lesão que dure duas ou mais
semanas deve ser examinada por um dentista ou médico,
especialmente quando ela não for dolorosa. As lesões
dolorosas na parte interna do lábio ou da bochecha
geralmente possuem causas menos sérias. Elas pode
ser aftas ou podem ser resultantes de mordidas acidentais
do lábio ou da bochecha. Freqüentemente, as
lesões no interior da boca são brancas e,
algumas vezes, com bordas vermelhas. Pode ocorrer uma lesão
quando o indivíduo mantém um comprimido de
aspirina entre a bochecha e a gengiva, em um esforço
inadequado para aliviar uma dor de dente. As úlceras
bucais podem ser um sinal da síndrome de Behçet,
que também pode causar ulcerações oftálmicas
e genitais.
No primeiro estágio da sífilis,
o indivíduo pode apresentar uma lesão branca
e indolor (cancro) na boca ou nos lábios, entre a
1a e a 13a semana após a prática de sexo oral.
Geralmente, a lesão desaparece após algumas
semanas. Após 1 a 4 meses, o indivíduo pode
apresentar um sinal tardio da sífilis não
tratada, uma lesão branca (placa mucosa), no lábio
ou, mais freqüentemente, no interior da boca. Nesses
estágios, tanto o cancro quanto a placa mucosa são
tão contagiosos que mesmo um beijo pode disseminar
a doença. O assoalho da boca é uma área
comum de localização do câncer, particularmente
em indivíduos de meia-idade, idosos alcoolistas ou
tabagistas. Além disso, vários tipos de cistos
também podem desenvolver-se no assoalho da boca.
Freqüentemente, esses cistos são
removidos cirurgicamente por serem incômodos. Grandes
vesículas cheias de líquido podem formar-
se em qualquer local da boca. Comumente, elas são
decorrentes de alguma lesão, mas podem estar relacionadas
a doenças como, por exemplo, o pênfigo. Algumas
doenças virais (p.ex., sarampo) também podem
causar anomalias temporárias no interior das bochechas,
especialmente em crianças. As infecções
que se disseminam a partir de dentes cariados da arcada
inferior podem ser graves. Uma infecção muito
grave, denominada angina de Ludwig, causa edema intenso
do assoalho da boca, chegando mesmo a forçar a língua
para cima, bloqueando as vias aéreas.
Quando isto ocorre, são necessárias
medidas emergenciais para manter o indivíduo respirando.
Quando um indivíduo morde o lado interno da bochecha
com freqüência ou lesa o interior da boca repetidamente
de alguma outra maneira, pode ocorrer a formação
de um fibroma por irritação. Essa pequena
tumefação indolor e firme pode ser removida
cirurgicamente. Verrugas podem infectar a boca se o indivíduo
chupar uma verruga que cresce em um dedo. Um tipo diferente
de verruga (condiloma acuminado) também pode ser
transmitido através do sexo oral. O médico
utiliza vários métodos para tratar verrugas.
Palato
A sialometaplasia necrosante é uma
ruptura súbita da superfície do palato, criando
uma lesão aberta ao cabo de um ou dois dias. A sialometaplasia
necrosante é indolor, apesar da lesão geralmente
ser extensa e poder ser alarmante. Freqüentemente,
esse distúrbio ocorre após uma lesão
da área (p.ex., um procedimento odontológico)
e desaparece em dois meses. No meio do palato, pode ocorrer
a formação de uma proeminência óssea
de crescimento lento (toro). Trata-se de uma tumoração
dura comum e inofensiva. Ela aparece durante a puberdade
e persiste por toda a vida.
Mesmo uma tumoração grande
não deve ser tratada, exceto quando a mucosa que
reveste o toro é lesada durante a ingestão
de alimentos ou se uma prótese dentária cobrir
a região. Os tumores do palato, tanto os cancerosos
quanto os não cancerosos, ocorrem com maior freqüência
em indivíduos com idade entre quarenta e sessenta
anos. Nos estágios iniciais, os sintomas são
poucos, embora, às vezes, seja observado um edema
do palato ou um desajuste da prótese dentária
superior. A dor ocorre muito mais tarde. Nos estágios
mais avançados da sífilis, é comum
ocorrer a formação de um tumor no palato (goma).
Alterações da Cor
Se um indivíduo apresenta anemia,
o revestimento bucal torna-se pálido, deixando de
apresentar a sua coloração róseo-avermelhada
saudável e normal. Se a anemia for tratada, a cor
normal retornará. O médico ou o dentista deve
examinar as áreas da boca que apresentam uma alteração
recente da coloração, pois elas podem indicar
uma doença das adrenais ou um câncer (melanoma).
Um indivíduo pode apresentar áreas brancas
que aparecem em qualquer local da boca que são simplesmente
resíduos alimentares que podem ser fácilmente
removidos. No entanto, se a área estiver em carne
viva, for dolorosa e sangrar após a limpeza, o problema
poderá ser uma infecção fúngica
(monilíase, candidíase ou sapinho).
Além disso, as áreas brancas
na boca também podem ser causadas pelo espessamento
da camada de queratina. Essas áreas são denominadas
leucoplasia. A queratina é uma proteína resistente
que normalmente protege a camada mais externa da pele. No
entanto, ela também é encontrada em pequenas
quantidades no revestimento bucal. Algumas vezes, a queratina
pode acumular-se na boca, particularmente em indivíduos
tabagistas ou naqueles que têm o hábito de
cheirar rapé ou de mascar fumo. Podem ocorrer áreas
avermelhadas na boca (eritroplasia) quando o revestimento
bucal torna- se mais fino e os vasos sangüíneos
tornam-se mais evidentes que o habitual.
As áreas brancas ou vermelhas podem
ser não cancerosas (benignas), pré-cancerosas
ou cancerosas (malignas). Essas áreas devem ser examinadas
sem demora por um dentista ou um médico. Quando um
indivíduo apresenta uma malha delicada de linhas
brancas (líquen plano) no interior das bochechas
ou no lado da língua, ele também pode apresentar
uma erupção cutânea pruriginosa. O líquen
plano causa lesões dolorosas, mas, na maioria das
vezes, ele não causa desconforto. O primeiro sinal
do sarampo podem ser manchas semelhantes a pequenos grãos
de areia branca circundados por um anel vermelho (manchas
de Koplik), localizadas na parte interna das bochechas e
opostas aos dentes posteriores.
Palato
As alterações da cor do palato
podem ser decorrentes de irritação ou de infecção.
O palato de um indivíduo que fuma cachimbo há
muito tempo apresenta um aspecto branco, granuloso, duro
e com muitas manchas vermelhas (palato do fumante). Caso
determinadas lesões persistirem por um período
superior a duas semanas, um médico ou um dentista
deve ser consultado. Após a prática de sexo
oral intenso com uma pessoa do sexo masculino, podem surgir
no palato pequenas manchas vermelhas, como cabeças
de alfinetes, decorrentes da ruptura de vasos sangüíneos
(petéquias).
Essas manchas desaparecem em poucos dias,
mas também podem ser sinal de uma alteração
sangüínea ou da mononucleose infecciosa. As
áreas avermelhadas e aumentadas de volume sobre o
palato são mais freqüentemente resultantes de
próteses dentárias mal ajustadas ou que são
mantidas na boca durante muito tempo. Geralmente, todas
as próteses dentárias removíveis, excetuando-se
os aparelhos ortodônticos, devem ser retiradas na
hora de dormir, devem ser limpas e colocadas em um copo
com água. Um indivíduo com AIDS pode apresentar
manchas arroxeadas no palato causadas pelo sarcoma de Kaposi.
Para aliviar o desconforto e melhorar o aspecto do palato,
o médico pode tratar essas manchas.
Halitose
A halitose (mau hálito) pode ser real
ou imaginária. A causa real mais comum é a
combinação de resíduos alimentares
alojados entre os dentes e a má higiene bucal que
acarreta doenças e infecções gengivais.
A escovação e o uso de fio dental adequados
podem eliminar o problema. Os odores provenientes de alimentos
que contêm óleos voláteis (p.ex., cebola
e alho) passam da circulação sangüínea
aos pulmões e são eliminados na expiração.
Esses odores não podem ser eliminados pela higiene
bucal. Certas doenças também causam halitose.
A insuficiência hepática confere à respiração
um odor muito desagradável; a insuficiência
renal faz com que o hálito tenha um odor de urina;
e o diabetes grave e descontrolado confere ao hálito
um odor de acetona. Um abcesso pulmonar causa uma halitose
muito intensa.
Distúrbios das Glândulas Salivares
As duas maiores glândulas salivares
estão localizadas logo atrás do ângulo
da mandíbula, em frente às orelhas. Dois pares
menores situam-se na parte mais profunda do assoalho da
boca. Outras glândulas salivares minúsculas
estão distribuídas por toda a boca. Quando
o fluxo de saliva é insuficiente, a boca resseca.
Como a saliva oferece uma certa proteção natural
contra as cáries dentárias, uma menor quantidade
de saliva pode acarretar um maior número de cáries.
A boca seca pode ser decorrente da ingestão de uma
quantidade muito pequena de líquido, da respiração
pela boca ou de certos medicamentos ou doenças que
afetam as glândulas salivares (p.ex., síndrome
de Sjögren). A boca também resseca à
medida que o indivíduo envelhece.
O acúmulo de cálcio, formando
um cálculo, pode bloquear o ducto de drenagem de
uma glândula salivar. Esse bloqueio causa um refluxo
de saliva e provoca aumento de volume da glândula.
Infecções bacterianas também podem
ocorrer. Se o aumento de volume piorar imediatamente antes
das refeições ou sobretudo quando o indivíduo
come um picles, ele é seguramente decorrente do bloqueio
do ducto. A razão é que a antecipação
do sabor ácido do picles estimula o fluxo da saliva,
mas, se o ducto estiver bloqueado, a saliva não tem
como drenar. Algumas vezes, um dentista pode extrair o cálculo
pressionando o ducto bilateralmente. Se essa manobra não
for bem sucedida, é utilizado um instrumento de arame
fino para extrair o cáculo.
Como último recurso, será realizada
a remoção cirúrgica do mesmo. Uma lesão
no lábio inferior por exemplo, em decorrência
de uma mordida pode lesionar uma diminuta glândula
salivar, bloqueando o fluxo de saliva. Em decorrência,
a glândula pode aumentar de volume e formar um pequeno
tumor tenro (mucocele) com um aspecto azulado. No decorrer
de algumas semanas, o tumor geralmente desaparece por si,
mas ele pode ser facilmente removido através de uma
cirurgia dentária se ele tornar-se incômodo
ou apresentar recorrência freqüente.

A parotidite, determinadas infecções
bacterianas e outras patologias podem provocar aumento de
volume das principais glândulas salivares. O aumento
de volume também pode ser resultante de tumores neoplásicos
ou não neoplásicos das glândulas salivares;
habitualmente essa tumefação é mais
firme que a causada por uma infecção. Se o
tumor é canceroso, a glândula poderá
estar com uma dureza de pedra. Inflamação
e infecção das glândulas salivares,
freqüentemente causadas por um cálculo (pedra)
que está bloqueando o ducto salivar, ocorrem mais
amiúde que os tumores. Apesar disso, qualquer inchaço
de glândula salivar justifica atenção
médica. Para determinar a causa do inchaço,
o dentista ou médico retira uma amostra (biópsia)
de tecido de glândula salivar.
Alterações dos Lábios
Os lábios podem sofrer alterações
de tamanho, de cor e de superfície. Algumas dessas
alterações são inofensivas. Por exemplo,
quando um indivíduo envelhece, os seus lábios
podem tornar-se mais finos. Outras alterações
podem indicar problemas de saúde.
Tamanho dos Lábios
Uma reação alérgica
pode fazer com que os lábios aumentem de volume.
A reação pode ser causada pela sensibilidade
a determinados alimentos, medicações, cosméticos
ou irritantes existentes no ar. No entanto, em pelo menos
cinqüenta por cento das vezes, a causa permanece sendo
um mistério. Várias outras condições
podem fazer com que os lábios aumentem de volume.
Uma doença hereditária, o angioedema, causa
episódios recorrentes de inchaço. Doenças
não hereditárias (p.ex., eritema multiforme,
queimadura solar ou traumatismos) também causam inchaço
labial. Certos tipos de aumento intenso do volume dos lábios
podem ser reduzidos com injeções de esteróides.
Para outros tipos, para melhorar o aspecto, o tecido labial
excessivo pode ser removido cirurgicamente. Com a idade,
os lábios podem tornar-se mais finos. Por razões
estéticas, eles podem ser aumentados com injeções
de colágeno ou de gordura retirada de outra parte
do corpo. Contudo, a cirurgia dos lábios apresenta
algum risco de distorcer as bordas externas lisas dos lábios.
Cor e Superfície dos Lábios
A descamação labial pode ser
acarretada pelos raios solares ou pelo tempo frio e seco,
assim como por uma reação alérgica
a batons, cremes dentais, alimentos ou bebidas. Após
a eliminação da causa, os lábios geralmente
retornam ao normal. Algumas vezes, o médico pode
prescrever uma pomada de corticosteróide para interromper
a descamação. A lesão solar em particular
pode tornar os lábios duros e secos, especialmente
o lábio inferior. Pontos vermelhos ou uma película
esbranquiçada indicam uma lesão que aumenta
a chance de um câncer subseqüente. Esse tipo
de lesão solar grave pode ser reduzido pela proteção
dos lábios com um bálsamo labial que contenha
filtro solar ou pela proteção do rosto contra
os raios solares perigosos com um chapéu com aba.
As sardas e as áreas acastanhadas
de formas irregulares (máculas melanóticas)
são comuns em torno dos lábios e podem durar
vários anos, mas não são preocupantes.
No entanto, as manchas de cor castanho escuro, pequenas
e espalhadas podem ser um sinal de uma doença intestinal
hereditária, na qual ocorre a formação
de pólipos no estômago e nos intestinos (síndrome
de Peutz-Jeghers). A síndrome de Kawasaki pode causar
ressecamento e rachaduras nos lábios e hiperemia
(inflamação) do revestimento da boca. Na inflamação
dos lábios (queilite), os cantos da boca tornam-se
dolorosos, irritados, vermelhos, rachados e descamativos.
Pode ocorrer o desenvolvimento de uma monilíase (sapinho)
nos cantos da boca, acarretando a persistência das
lesões.
A queilite pode ser decorrente de deficiência
de riboflavina (uma vitamina do complexo B) na dieta. No
Brasil, a deficiência de riboflavina está associada
à desnutrição, principalmente em crianças
de condição socio-econômica menos favorecida.
Se próteses dentárias totais não afastam
os maxilares adequadamentes, pode ocorrer a formação
de pregas cutâneas verticais e a irritação
da pele dos cantos da boca. O tratamento consiste no ajuste
ou na substituição das próteses dentárias.
Uma área elevada ou uma lesão com bordas duras
sobre o lábio pode ser uma forma de câncer
labial.
Alterações da Língua
O traumatismo é a causa mais comum
de afecções da língua, que possui muitas
terminações nervosas para a dor e o tato e,
por essa razão, é muito mais sensível
à dor que a maioria das outras partes do corpo. Freqüentemente,
a língua é mordida acidentalmente, mas ela
cicatriza rapidamente. Um dente ou uma restauração
pontiaguda ou quebrada pode lesar consideravelmente esse
tecido delicado. Um aumento excessivo das proeminências
normais da língua pode lhe conferir um aspecto piloso.
Esses pêlos podem mudar de cor quando
o indivíduo fuma ou masca fumo, consome determinados
alimentos ou quando ocorre proliferação de
determinadas bactérias sobre a língua. A língua
também pode apresentar um aspecto peludo após
uma febre ou uma antibioticoterapia ou quando o indivíduo
realiza enxágües muito freqüentes com peróxido.
A parte superior da língua pode tornar-se
preta quando o indivíduo toma medicações
contendo bismuto para um distúrbio gástrico.
A escovação da língua com uma escova
de dentes pode eliminar essa coloração. O
desenvolvimento de uma malha de linhas brancas ou de um
material semelhante ao coalho sobre os lados da língua,
que ao serem eliminados deixam uma superfície sangrante,
pode ser um indício de monilíase (sapinho).
A hiperemia (cor avermelhada) da língua pode ser
um sinal da anemia perniciosa ou de uma deficiência
vitamínica. A anemia ferropriva (por deficiência
de ferro) confere à língua um aspecto pálido
e liso (devido a perda de suas proeminências normais).
O primeiro sinal de escarlatina pode ser uma alteração
da cor normal da língua para uma cor de morango e,
em seguida, para a cor de amora.
Manchas esbranquiçadas, similares
àquelas que são algumas vezes observadas no
interior das bochechas, podem acompanhar a febre, a desidratação,
o segundo estágio da sífilis, a monilíase,
o líquen plano, a leucoplasia ou a respiração
pela boca. A língua vermelha e lisa e a dor na boca
podem indicar a pelagra, um tipo de desnutrição
causada por uma deficiência de niacina na dieta. Na
língua geográfica, algumas áreas são
brancas, enquanto outras são vermelhas e lisas. As
áreas com a coloração alterada mudam
de local ao cabo de alguns anos ou ao longo da vida. Geralmente,
a afecção é indolor e não requer
qualquer tratamento. Apesar da presença de pequenas
protuberâncias em ambos os lados da língua
geralmente ser inofensiva, a presença de uma protuberância
em apenas um dos lados pode indicar um câncer.
Áreas vermelhas ou brancas, lesões
ou proeminências sobre a língua sem explicação
plausível (particularmente quando for indolor) podem
ser sinais de câncer e devem ser examinadas por um
médico. A maioria dos cânceres bucais localizam-se
nos lados da língua ou no assoalho da boca. O câncer
quase nunca localiza-se na parte superior da língua.
O vírus do herpes simples, a tuberculose, infecções
bacterianas ou a sífilis (estágio inicial)
podem causar lesões na língua. Elas também
podem ser causadas por alergias ou doenças do sistema
imune. A glossite é a inflamação (rubor,
dor, edema) da língua. A glossodinia é uma
sensação de queimação ou de
dor na língua. Geralmente, ela não tem um
aspecto característico ou uma causa evidente. No
entanto, a pressão exercida pela língua sobre
os dentes, uma reação alérgica ou substâncias
irritantes (p.ex., álcool, temperos ou tabaco) podem
causar essa sensação. A mudança da
marca do dentifrício, do líquido para higiene
bucal ou da goma de mascar pode prover algum alívio.
Algumas vezes, a glossodinia é um sinal de distúrbio
emocional ou de doença mental. Medicamentos ansiolíticos
em doses baixas podem ser úteis. Independentemente
da causa, esse problema freqüentemente desaparece com
o tempo.
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