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O pâncreas é uma glândula
em forma de folha, com aproximadamente 12,5 centímetros
de comprimento. Ele é circundado pela borda inferior
do estômago e pela parede do duodeno (a primeira porção
do intestino delgado que se conecta ao estômago).
O pâncreas possui duas funções principais:
a secreção de um líquido que contém
enzimas digestivas para o interior do duodeno e a secreção
dos hormônios insulina e glucagon, os quais são
necessários para metabolizar o açúcar,
para a corrente sangüínea.
Esse órgão também secreta grandes quantidades
de bicarbonato de sódio para o duodeno, o qual neutraliza
o ácido proveniente do estômago. Essa secreção
de bicarbonato de sódio flui através de um
ducto coletor que avança ao longo do centro do pâncreas
(ducto pancreático). Em seguida, esse ducto unese
ao ducto biliar comum (proveniente da vesícula biliar
e do fígado) para formar a ampola de Vater, a qual
desemboca no duodeno ao nível do esfíncter
de Oddi.
Pancreatite Aguda
A pancreatite aguda é uma inflamação
aguda do pâncreas que pode ser leve ou letal.
Normalmente, o pâncreas secreta suco pancreático
através do ducto pancreático ao duodeno. Esse
suco contém enzimas digestivas em uma forma inativa
e um inibidor que inativa qualquer enzima que é ativada
no seu percurso até o duodeno. A obstrução
do ducto pancreático (p.ex., por um cálculo
biliar alojado no esfíncter de Oddi) interrompe o
fluxo do suco pancreático. Geralmente, a obstrução
é temporária e causa um dano limitado, o qual
é logo reparado. Entretanto, quando a obstrução
persiste, ocorre um acúmulo de enzimas ativadas no
pâncreas, as quais suplantam a capacidade do inibidor
e começam a digerir as células do pâncreas,
causando uma grave inflamação.
A lesão pancreática pode permitir que as enzimas
extravasem e penetrem na corrente sangüínea
ou na cavidade abdominal, onde elas causam irritação
e inflamação do revestimento da cavidade abdominal
(peritonite) ou de outros órgãos. A parte
do pâncreas que produz hormônios, especialmente
a insulina, tende a não ser lesada ou afetada.
Os cálculos biliares e o alcoolismo são responsáveis
por aproximadamente 80% das internações hospitalares
devido à pancreatite aguda. As mulheres apresentam
pancreatite aguda causada por cálculos biliares cerca
de 1,5 vezes mais freqüentemente que os homens, enquanto
que os homens apresentam pancreatite alcoólica seis
vezes mais que as mulheres.
Os cálculos biliares que causam a
pancreatite aguda podem ficar retidos no esfíncter
de Oddi durante algum tempo, bloqueando a abertura do ducto
pancreático, mas a maioria dos cálculos biliares
passa para o trato intestinal. O consumo diário de
mais de 120 ml de álcool durante vários anos
pode provocar a obstrução dos pequenos dúctulos
pancreáticos que drenam para o ducto pancreático,
desencadeando finalmente a pancreatite aguda. Uma crise
de pancreatite pode ser desencadeada por um consumo excessivo
de álcool ou por uma refeição copiosa.
Existem muitos outros distúrbios que podem causar
uma pancreatite aguda.
Sintomas
Quase todos os indivíduos com pancreatite aguda apresentam
uma dor abdominal intensa, na zona superior do abdômen
médio, abaixo do esterno. Freqüentemente, a
dor irradia para as costas. Raramente, a dor é sentida
primeiramente na região abdominal inferior. Normalmente,
a dor tem um início súbito e atinge a intensidade
máxima em minutos, é constante e intensa,
é do tipo penetrante e dura vários dias. Comumente,
mesmo doses elevadas de um narcótico injetável
não provêem alívio completo.
A tosse, os movimentos vigorosos e a respiração
profunda pioram a dor. A posição sentada ereta
e a inclinação para frente podem prover algum
alívio. A maioria dos indivíduos sente náusea
e tem que vomitar, algumas vezes chegando a a presentar
vômito seco, isto é, vômito sem eliminação
de qualquer conteúdo.
Alguns indivíduos, sobretudo aqueles que apresentam
pancreatite alcoólica aguda, podem jamais apresentar
qualquer sintoma além de uma dor moderada. Outros
sentemse muito mal. Eles apresentam um aspecto enfermo,
apresentam uma sudorese excessiva, um aumento da freqüência
de pulso (100 a 140 batimentos por minuto) e uma respiração
superficial e rápida. A inflamação
dos pulmões pode contribuir para a respiração
rápida.
Inicialmente, a temperatura corpórea pode ser normal,
mas ela aumenta em algumas horas para 37,7° a 38,3°C.
A pressão arterial pode estar elevada ou baixa, mas
ela tende a cair quando o indivíduo fica em pé,
provocando desmaio. À medida que a doença
evolui, os indivíduos tendem a perder contato com
o meio ambiente. Alguns tornamse quase inconscientes. Ocasionalmente,
a esclera (o branco dos olhos) adquire uma coloração
amarelada.
Um em cada cinco indivíduos com pancreatite aguda
apresenta aumento de volume na região abdominal superior.
Esse aumento de volume pode ocorrer devido à interrupção
do movimento do conteúdo gástrico e intestinal
(uma condição denominada íleo paralítico)
ou porque o pâncreas inflamado aumenta de volume e
empurra o estômago para frente. Além disso,
pode ocorrer acúmulo de líquido no interior
da cavidade abdominal (uma condição denominada
ascite).
Na pancreatite aguda grave (pancreatite necrotisante), a
pressão arterial pode cair e pode levar ao choque.
A pancreatite aguda grave é potencialmente letal.
Diagnóstico
A dor abdominal característica faz com que o médico
suspeite de pancreatite aguda, principalmente em um indivíduo
com uma colecistopatia (doença da vesícula
biliar) ou que é alcoolista. Ao exame, o médico
freqüentemente observa rigidez da musculatura abdominal.
Durante a ausculta abdominal, realizada com o auxílio
de um estetoscópio, ele pode observar uma redução
dos ruídos intestinais.
Nenhum exame de sangue isoladamente estabelece o diagnóstico
de pancreatite aguda, mas alguns exames o confirmam. Normalmente,
os níveis séricos de duas enzimas produzidas
pelo pâncreas (a amilase e a lipase) aumentam no primeiro
dia da doença. No entanto, elas retornam ao normal
após três a sete dias. Contudo, algumas vezes,
os níveis dessas enzimas não aumentam em decorrência
de uma destruição extensa do pâncreas
ocorrida em episódios anteriores de pancreatite,
restando poucas células para a liberação
das enzimas. Os indivíduos com pancreatite aguda
grave freqüentemente possuem menos eritrócitos
(glóbulos vermelhos) do que o normal por causa de
hemorrágias pancreáticas ou abdominais.
As radiografias abdominais padrões podem revelar
uma dilatação de alças intestinais
ou, raramente, um ou mais cálculos biliares. A ultrasonografia
pode mostrar a presença de cálculos biliares
na vesícula biliar e, às vezes, no ducto biliar
comum. Além disso, ela pode detectar o aumento de
volume do pâncreas.
A tomografia computadorizada (TC) é particularmente
útil na detecção de alterações
do tamanho do pâncreas e é utilizada em casos
graves ou naqueles que apresentam complicações,
como, por exemplo, uma pressão arterial extremamente
baixa. Como as imagens são muito nítidas,
a tomografia computadorizada ajuda o médico a estabelecer
um diagnóstico preciso.
Na pancreatite aguda grave, a tomografia computadorizada
ajuda a determinar o prognóstico. Quando a TC indica
que o pâncreas está apenas discretamente aumentado
de volume, o prognóstico é excelente. Por
outro lado, se ela revelar grandes áreas de destruição
no pâncreas, o prognóstico não é
tão bom.
A colangiopancreatografia retrógrada endoscópica
(uma técnica radiográfica que revela a estrutura
do ducto biliar comum e do ducto pancreático) normalmente
é realizada somente quando a causa suspeita da pancreatite
é um cálculo biliar alojado no ducto biliar
comum. O médico passa um endoscópio através
da boca do paciente até o intestino delgado, onde
está localizado o esfíncter de Oddi. A seguir,
ele injeta um contraste radiopaco (visível nas radiografias)
nos ductos. Se as radiografias revelarem a persença
de um cálculo biliar, o médico pode utilizar
o endoscópio para removêlo.

Tratamento
A maioria dos indivíduos com pancreatite é
hospitalizada. Um indivíduo com uma pancreatite aguda
leve deve evitar a ingestão de alimentos e de água,
pois isto estimula o pâncreas a produzir mais enzimas.
Os líquidos e os nutrientes são administrados
através da via intravenosa. Uma sonda é passada
através do nariz até o estômago para
remover o líquido e o ar, sobretudo quando a náusea
e o vômito persistem.
Geralmente, o indivíduo com pancreatite aguda grave
é internado em uma unidade de terapia intensiva,
onde seus sinais vitais (pulso, pressão arterial
e freqüência respiratória) são
controlados. O débito urinário é mensurado
freqüentemente. Além disso, são coletadas
amostras de sangue para a mensuração de seus
vários componentes (p.ex., hematócrito, glicemia,
eletrólitos, contagem leucocitária e enzimas).
A alimentação do indivíduo é
realizada através da via intravenosa e ele não
recebe nada pela boca por pelo menos duas semanas, esta
medida podendo ser prolongada por até seis semanas.
Uma sonda é passada através da narina até
o estômago com o objetivo de manter o estômago
vazio e, freqüentemente, para administrar antiácidos,
visando à prevenção da ocorrência
de úlceras.
O volume sangüíneo é cuidadosamente mantido
através da administração de líquidos
intravenosos e a função cardíaca é
rigorosamente controlada. O oxigênio é administrado
através de uma máscara facial ou de cateteres
nasais para aumentar a sua concentração na
corrente sangüínea. Caso a oxigenioterapia for
inadequada, o indivíduo pode necessitar de ventilação
assistida com o auxílio de um respirador mecânico.
A dor intensa normalmente é tratada com a meperidina.
Ocasionalmente, é necessária a realização
de uma cirurgia nos primeiros dias de uma pancreatite aguda
grave. Por exemplo, a cirurgia pode ser utilizada para aliviar
a pancreatite decorrente de uma lesão ou para o esclarecimento
de um um diagnóstico incerto. Algumas vezes, quando
a condição do indivíduo deteriora após
a primeira semana da doença, uma cirurgia é
realizada para remover o tecido pancreático infectado
e não funcionante.
A infecção de um pâncreas inflamado
é um risco, sobretudo após a primeira semana
da doença. Algumas vezes, o médico suspeita
de uma infecção porque a condição
do paciente piora e ele apresenta febre e um aumento da
contagem leucocitária após os outros sintomas
terem começado a desaparecer. O diagnóstico
é confirmado através de hemoculturas e da
realização de uma tomografia computadorizada
(TC). O médico pode coletar uma amostra de material
infectado do pâncreas inserindo uma agulha através
da pele até o pâncreas. As infecções
são tratadas com antibióticos e cirurgia.
Algumas vezes, ocorre a formação de um pseudocisto
no pâncreas, cheio de enzimas pancreáticas,
líquido e resíduos tissulares, o qual expande
como um balão. Quando um pseudocisto aumenta de volume
e causa dor ou outros sintomas, o médico deve realizar
sua descompressão. A descompressão é
particularmente urgente quando o pseudocisto aumenta de
volume rapidamente, tornase infectado, sangra ou parece
que está a ponto de romper. Dependendo de sua localização,
a descompressão pode ser obtida através da
passagem de um cateter através da pele e permitindo
que o pseudocisto drene por várias semanas ou através
da realização de um procedimento cirúrgico.
Quando a pancreatite aguda é devida a cálculos
biliares, o tratamento depende de sua gravidade. Se a pancreatite
for leve, a remoção da vesícula biliar
normalmente pode ser postergada até o desaparecimento
dos sintomas. A pancreatite grave devida a cálculos
biliares é tratada endoscopicamente ou cirurgicamente.
O procedimento cirúrgico consiste na remoção
da vesícula biliar e na desobstrução
dos ductos. Nos indivíduos idosos que apresentam
outras doenças (p.ex., uma cardiopatia), o médico
freqüentemente utiliza primeiramente a endos copia,
mas, quando esse tratamento fracassa, a cirurgia deve ser
realizada.
Causas de Pancreatite Aguda
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Cálculos biliares
Alcoolismo
Drogas como a furosemida e a azatioprina
Parotidite (caxumba)
Níveis sangüíneos elevados
de lipídeos, especialmente de triglicerídeos
Lesão pancreática causada por
uma cirurgia ou uma endoscopia
Lesão pancreática causada por
contusões ou feridas penetrantes
Câncer do pâncreas
Redução da irrigação
sangüínea pancreática (p.ex., devido
a uma pressão arterial extremamente baixa)
Pancreatite hereditária
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Pancreatite Crônica
A pancreatite crônica é uma
inflamação do pâncreas de longa duração.
Nos Estados Unidos e no Brasil, a causa mais comum da pancreatite
crônica é o alcoolismo. Outras causas incluem
uma predisposição hereditária e a obstrução
do ducto pancreático resultante da estenose do ducto
ou de um câncer pancreático. Raramente, um
episódio de pancreatite aguda grave provoca uma estenose
do ducto pancreático tão acentuada que acarreta
a pancreatite crônica.
Em muitos casos, a causa da pancreatite é
desconhecida.
Nos países tropicais (p.ex., Índia, Indonésia
e Nigéria), a pancreatite crônica de causa
desconhecida em crianças e adultos jovens pode dar
origem ao diabetes e a depósitos de cálcio
no pâncreas. Os sintomas iniciais comumente são
decorrentes do diabetes.
Sintomas
Os sintomas da pancreatite crônica geralmente enquadramse
em dois padrões. Em um deles, o indivíduo
apresenta uma dor na região média do abdômen
de intensidade variável. No outro, o indivíduo
apresenta episódios intermitentes de pancreatite
com sintomas semelhantes aos de uma pancreatite aguda leve
a moderada. Algumas vezes, a dor é intensa e dura
de muitas horas a vários dias. Em ambos os padrões,
à medida que a pancreatite crônica evolui,
as células que secretam enzimas digestivas são
lentamente destruídas e, finalmente, a dor desaparece.
Como a quantidade de enzimas digestivas diminui, o alimento
é absorvido inadequadamente e o indivíduo
pode evacuar fezes volumosas e fétidas. As fezes
apresentam uma coloração clara e um aspecto
gorduroso, podendo inclusive conter gotículas de
gordura. A má absorção também
leva à perda de peso. Finalmente, as células
secretoras de insulina do pâncreas podem ser destruídas,
levando gradualmente ao diabetes.
Diagnóstico
O médico suspeita de pancreatite crônica baseandose
nos sintomas do paciente ou nos antecedentes de episódios
de pancreatite aguda. Os exames de sangue são menos
úteis no diagnóstico da pancreatite crônica
que no da pancreatite aguda, mas eles podem revelar níveis
elevados de amilase e de lipase. Além
disso, os exames de sangue podem ser utilizados para se
verificar a concentração de glicose (um tipo
de açúcar) no sangue, a qual pode estar elevada.
As radiografias abdominais e a ultrasonografia podem revelar
a presença de cálculos no pâncreas.
A pancreatografia retrógrada endoscópica (uma
técnica radiográfica que mostra a estrutura
do ducto pancreático) pode mostrar um ducto dilatado,
uma estenose do ducto ou a presença de cálculos
no mesmo. A tomografia computadorizada (TC) mostra essas
anormalidades, assim como o tamanho, a forma e a textura
do pâncreas. Ao contrário da pancreatografia
retrógrada endoscópica, a tomografia computadorizada
não exige o uso de um endoscópio.
Tratamento
Durante uma crise, a abstinência de álcool
é essencial. O jejum alimentar e a administração
de líquidos apenas pela via intravenosa podem prover
um repouso ao pâncreas e ao intestino e pode aliviar
a crise dolorosa. Freqüentemente, no entanto, é
necessária a administração de analgésicos
narcóticos para aliviar a dor.
Posteriormente, a ingestão de quatro ou cinco refeições
por dia compostas por alimentos hipogordurosos e hipoprotéicos
e ricos em carboidratos ajudará a reduzir a freqüência
e a intensidade das recidivas. O paciente também
deve continuar a abstinência alcoólica. Quando
a dor persiste, o médico investiga a possibilidade
de complicações (p.ex., uma massa inflamatória
na cabeça do pâncreas ou um pseudocisto). Uma
massa inflamatória pode exigir uma intervenção
cirúrgica e um pseudocisto que produz dor à
medida que cresce pode exigir uma descompressão.
Se o indivíduo apresentar uma dor contínua
e não apresentar complicações, o médico
normalmente realiza o bloqueio dos nervos que inervam o
pâncreas para impedir que os estímulos dolorosos
cheguem ao cérebro. Se esse procedimento não
apresentar um bom resultado, a cirurgia é realizada.
Por exemplo, quando o ducto pancreático encontrase
dilatado, a criação de uma derivação
(bypass) do pâncreas para o intestino delgado alivia
a dor em cerca de 70% a 80% dos pacientes.
Quando o ducto não apresenta dilatação,
pode ser necessária a remoção de uma
porção do pâncreas. Se a doença
afetar sobretudo a cauda do pâncreas (a parte mais
distante do duodeno), esta será removida. Se a porção
afetada for a cabeça do pâncreas, esta será
removida juntamente com o duodeno. Essas
cirurgias aliviam a dor em 60 a 80% dos casos. Entre os
alcoolistas em recuperação, a remoção
parcial do pâncreas somente é realizada naqueles
que conseguem controlar o diabetes que ocorrerá em
conseqüência da cirurgia.
O uso de comprimidos ou cápsulas de extratos de enzimas
pancreáticas junto com as refeições
pode tornar as fezes menos gordurosas e pode melhorar a
absorção dos alimentos, mas esses problemas
raramente são eliminados. Quando necessário,
um antiácido líquido ou um pode ser utilizado
juntamente bloqueador H2 com as enzimas pancreáticas.
Com esse tratamento, o indivíduo normalmente ganha
peso, apresenta um menor número de evacuações
diárias, não apresenta mais gotículas
de gordura nas fezes e geralmente sentese melhor. Se essas
medidas forem ineficazes, o indivíduo pode tentar
reduzir a ingestão de gordura. Além disso,
a suplementação de vitaminas lipossolúveis
(A, D e K) pode ser necessária.
Adenocarcinoma do Pâncreas
O adenocarcinoma do pâncreas é
um tumor canceroso que se origina nas células que
revestem o ducto pancreático. Aproximadamente 95%
dos tumores cancerosos do pâncreas são adenocarcinomas.
Esses tumores afetam os homens quase duas vezes mais do
que as mulheres e são discretamente mais comuns entre
os indivíduos da raça negra que entre os da
raça branca. O adenocarcinoma do pâncreas é
duas a três vezes mais comum em tabagistas inveterados.
Os indivíduos com pancreatite crônica apresentam
um maior risco de apresentálo.
Existe uma variabilidade mundial de incidência de
câncer de pâncreas. Os dados indicam 9 em cada
100.000 indivíduos nos Estados Unidos, enquanto que,
no Brasil, os dados publicados pelo Ministério da
Saúde, em 1991, registraram índices de 7.3
homens e de 4.6 mulheres em 100.000 indivíduos, no
estado de São Paulo. A doença vem se tornando
mais comum nos Estados Unidos com o aumento da expectativa
de vida. Raramente, o adenocarcinoma do pâncreas ocorre
antes dos cinqüenta anos de idade. A média de
idade no momento do diagnóstico é de 55 anos.
Pouco se sabe sobre a sua causa.
Sintomas
O adenocarcinoma do pâncreas comumente é assintomático
até o tumor tornarse volumoso. Por
essa razão, no momento do diagnóstico e em
80% dos casos, o tumor já produziu metástases
extrapancreáticas, afetando linfonodos próximos,
o fígado ou os pulmões.
Os sintomas iniciais característicos são a
dor e a perda de peso. No momento do diagnóstico,
90% dos pacientes apresentam dor abdominal, a qual é
geralmente de média intensidade e localizada na região
abdominal superior com irradiação para as
costas, e uma perda de peso de pelo menos 10% de seu peso
ideal.
Cerca de 80% desses cânceres ocorrem na cabeça
do pâncreas (a parte mais próxima do duodeno
e de ducto biliar comum). Conseqüentemente, a icterícia
causada pela obstrução do ducto biliar comum
é um sintoma inicial característico. Nos indivíduos
com icterícia, a cor amarelo afeta não somente
a pele, mas também a esclera dos olhos e outros tecidos.
A icterícia é acompanhada por prurido generalizado.
Os tumores do corpo e da cauda do pâncreas (a parte
média e a mais distante do duodeno) podem obstruir
a veia que drena o baço, resultando em um aumento
de volume deste órgão e varizes (veias varicosas
dilatadas, tortuosas e edemaciadas) em torno do estômago
e do esôfago. No caso de ruptura de veias varicosas,
pode ocorrer um sangramento grave, sobretudo quando elas
forem esofágicas.
Diagnóstico
O diagnóstico precoce é difícil. Na
suspeita de adenocarcinoma do pâncreas, os procedimentos
diagnósticos mais comumente utilizados são
a tomografia computadorizada (TC) e pancreatografia retrógrada
endoscópica (técnica radiográfica que
revela a estrutura do ducto pancreático). Para confirmação
do diagnóstico, o médico realiza uma biópsia
do pâncreas, coletando uma amostra que é submetida
ao exame microscópico.
A amostra de tecido é obtida com
a inserção de uma agulha através da
pele, a qual é guiada pela tomografia computadorizada
ou pela ultrasonografia. Também deve ser realizada
uma biópsia do fígado, para verificar se ocorreu
disseminação do câncer. Quando o médico
tem uma forte suspeita da existência do adenocarcinoma
do pâncreas e os resultados dos exames são
normais, ele deve realizar a exploração cirúrgica
desse órgão.
Prognóstico
e Tratamento
O prognóstico é muito ruim. Menos de 2% dos
indivíduos com adenocarcinoma sobrevivem
até cinco anos após o diagnóstico.
A única esperança de cura é a cirurgia,
a qual é realizada quando não existem metástases
do câncer. O cirurgião pode realizar a remoção
apenas do pâncreas ou deste órgão e
do duodeno. Mesmo com a cirurgia, somente 10% dos indivíduos
sobrevivem mais de cinco anos, independentemente do tratamento
subseqüente.
A dor leve pode ser aliviada pela aspirina ou pelo acetaminofeno.
A dor intensa na região abdominal superior pode ser
aliviada com a flexão do tronco para frente, com
abaixamento da cabeça e elevação dos
joelhos ou através da administração
de codeína oral ou de morfina. Para 70% a 80% dos
pacientes com dor intensa, o bloqueio de nervos para eliminar
a sensação da dor pode prover alívio.
A falta de enzimas digestivas pancreáticas pode ser
tratada com a administação de preparações
orais de enzimas. Se o indivíduo apresentar diabetes,
ele pode necessitar de tratamento com insulina.
Cistadenocarcinoma
Um tipo raro de câncer pancreático,
o cistadenocarcinoma apresenta um prognóstico muito
melhor que o adenocarcinoma. Apenas 20% desses cânceres
apresentam metástases no momento da cirurgia. Se
o câncer não tiver disseminado e for realizada
a ressecção total do pâncreas, o indivíduo
apresenta uma chance de 65% de sobreviver por pelo menos
cinco anos.
Insulinoma
O insulinoma é um tipo raro de tumor
pancreático que secreta insulina, um hormônio
que reduz o nível de glicose no sangue.
Apenas 10% dos insulinomas são cancerosos.
Sintomas
Os sintomas de um insulinoma são decorrentes dos
baixos níveis de glicose. Eles ocorrem quando o indivíduo
não permanece muitas horas sem alimentarse, mais
freqüentemente pela manhã, após um período
de jejum noturno. Os sintomas, os quais podem simular vários
distúrbios psiquiátricos e neurológicos,
incluem a cefaléia, a confusão mental, alterações
da visão, fraqueza muscular, instabilidade e alterações
significativas de personalidade. A baixa concentração
sérica de glicose pode inclusive
acarretar perda da consciência, convulsões
e coma. Sintomas que são semelhantes aos da ansiedade
ou do pânico incluem o desmaio, a fraqueza, os tremores,
a percepção dos batimentos cardíacos
(palpitações), a sudorese, a fome e o nervosismo.
Diagnóstico
e Tratamento
O diagnóstico do insulinoma pode ser difícil.
O indivíduo permanece em jejum por no mínimo
24 horas (algumas vezes até 72 horas) e é
rigorosamente monitorizado, freqüentemente em ambiente
hospitalar. Após esse período, ele normalmente
começa a apresentar sintomas e são realizados
exames de sangue para mensurar a concentração
de glicose e de insulina. As concentrações
muito baixas de glicose e elevadas de insulina indicam a
presença de um insulinoma. A seguir, o médico
deve definir a localização do tumor com precisão.
Exames de diagnóstico por imagem (p.ex., TC e ultrasonografia)
podem ser utilizados para localizar o tumor. No entanto,
em alguns casos, é necessária a realização
de uma cirurgia exploradora.
O tratamento para o insulinoma é a remoção
cirúrgica.
Gastrinoma
O gastrinoma é um tumor pancreático
que produz níveis excessivos de gastrina, um hormônio
que estimula o estômago a secretar ácido e
enzimas, acarretando úlceras pépticas.
A maioria dos indivíduos com essa doença apresenta
vários tumores agrupados no pâncreas ou próximos
a ele. Aproximadamente 50% desses tumores são cancerosos.
Algumas vezes, o gastrinoma faz parte de um distúrbio
hereditário, a neoplasia endócrina múltipla
, na qual tumores originamse de células de várias
glândulas endócrinas (p.ex., células
pancreáticas produtoras de insulina).
Sintomas e Diagnóstico
A quantidade excessiva de gastrina secretada pelo gastrinoma
produz um conjunto de sintomas denominado síndrome
de ZollingerEllison. Esta síndrome inclui a dor abdominal
leve a intensa causada pelas úlceras pépticas
gástricas, duodenais e localizadas em outras regiões
do intestino. A perfuração, o sangramento
e a obstrução intestinal podem ocorrer e são
potencialmente letais. Entretanto, para mais de 5% dos indivíduos
com um gastrinoma, os sintomas não são piores
do que aqueles apresentados por indivíduos com úlceras
pépticas de origem diferente. Em 35 a 40% dos pacientes,
a diarréia é o primeiro sintoma.
O médico suspeita de um gastrinoma quando o paciente
apresenta úlceras pépticas freqüentes
ou numerosas que não respondem aos tratamentos antiulcerosos
habituais. Os exames de sangue são utilizados para
se detectar uma concentração de gastrina anormalmente
elevada. Além disso, as amostras de suco gástrico
(coletadas através de uma sonda nasogástrica)
revelam uma acidez muito elevada. A localização
dos tumores pode ser difícil porque quase sempre
eles são pequenos e numerosos. Os médicos
utilizam diversos exames diagnósticos por imagem
como, por exemplo, a tomografia computadorizada (TC), a
ultrasonografia e a arteriografia.
Tratamento
Aproximadamente 20% dos indivíduos com gastrinoma
e que não apresentam neoplasia endócrina múltipla
podem ser curados através da cirurgia. Para esses
pacientes (no préoperatório) e para os demais
pacientes, os medicamentos antiulcerosos usuais (p.ex.,
cimetidina, ranitidina e famotidina) aliviam os sintomas.
No caso deles serem ineficazes, o omeprazol (que reduz a
secreção ácida através de um
outro mecanismo de ação) pode ser eficaz.
Quando esses tratamentos não forem
bem sucedidos, pode ser necessária a realização
de uma cirurgia de remoção do estômago
(gastrectomia total). Essa cirurgia não remove o
tumor, mas a gastrina não consegue mais afetar o
estômago e, conseqüentemente, os sintomas desaparecem.
Quando o estômago é removido, é necessária
a realização de suplementação
diá ria de vitamina B12 e de cálcio.
Quando os tumores malignos produzem metástases para
outras regiões do corpo, as drogas antineoplásicas
(quimioterapia) podem auxiliar na redução
do número de células tumorais e da concentração
sangüínea de gastrina. Contudo, a quimioterapia
não cura o câncer, o qual, em última
instância, é fatal.
Glucagonoma
O glucagonoma é um tumor que produz
o hormônio glucagon, o qual eleva o nível de
glicose no sangue e produz uma erupção cutânea
característica.
Cerca de 80% desses tumores são cancerosos. Contudo,
os tumores crescem lentamente e muitos indivíduos
sobrevivem quinze anos ou mais após o diagnóstico.
A média de idade de início os sintomas é
de cinqüenta anos. Aproximadamente 80% das pessoas
com glucagonoma são do sexo feminino.
Sintomas e Diagnóstico
A concentrão elevada de glucagon produz sintomas
do diabetes melitus. Freqüentemente, o indivíduo
apresenta perda de peso. Os exames de sangue podem revelar
anemia e níveis baixos dos lipídeos no sangue.
No entanto, em 90% dos indivíduos, os aspectos mais
característicos são uma erupção
cutânea descamativa, de cor castanho-avermelhado (eritema
necrolítico migratório) que inicia na região
inguinal (virilha) e dissemina para as nádegas, antebraços
e pernas e a língua lisa, brilhante
e de cor vermelho-alaranjado. Também podem ocorrer
fissuras nos cantos da boca. O diagnóstico é
estabelecido através da identificação
da concentração elevada de glucagon no sangue
e, em seguida, através da localização
do tumor com o auxílio da angiografia ou de uma cirurgia
abdominal exploradora.
Tratamento
No melhor dos casos, o tumor é removido cirurgicamente
e todos os sintomas desaparecem. Entretanto, quando isto
não é possível ou quando o tumor já
produziu metástases, a administração
de drogas antineoplásicas podem reduzir a concentração
de glucagon e os sintomas. A octreotida também reduz
a concentração de glucagon, pode eliminar
a erupção cutânea e restaurar o apetite,
facilitando o ganho de peso. Entretanto, a octreotida tende
a elevar ainda a glicemia. Uma pomada de zinco pode ser
utilizada para tratar a erupção cutânea.
Algumas vezes, esta é tratada com a administração
intravenosa de aminoácidos ou de ácidos graxos.
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