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A colite associada ao
uso de antibióticos é a inflamação
do intestino grosso decorrente do uso de antibióticos.
Muitos antibióticos alteram o equilíbrio entre
os tipos e as quantidades de bactérias presentes
no intestino, permitindo dessa maneira a proliferação
de determinadas bactérias patogênicas (que
causam doenças). A bactéria que mais comumente
causa problemas é o Clostridium difficile, que é
responsável pela produção de duas toxinas
que podem lesar o revestimento protetor do intestino grosso.
Os antibióticos
que mais freqüentemente causam esse distúrbio
são a clindamicina, a ampicilina e as cefalosporinas
(p.ex., cefalotina). Outros antibióticos que podem
causar o distúrbio incluem as penicilinas, a eritromicina,
o sulfametoxazol-trimetoprim, o cloranfenicol e as tetraciclinas.
O crescimento excessivo de Clostridium difficile pode ocorrer
independentemente do antibiótico ser administrado
pela via oral ou parenteral. O risco aumenta com a idade,
mas os adultos jovens e as crianças também
podem ser afetados. Nos casos
leves, o revestimento do intestino pode tornarse discretamente
inflamado. Na colite grave, a inflamação é
extensa e o revestimento apresenta ulcerações.
Sintomas
Normalmente, os sintomas iniciam enquanto
o indivíduo está utilizando antibióticos.
No entanto, em um terço dos pacientes, os sintomas
ocorrem 1 a 10 dias após a interrupção
do medicamento, e, em alguns indivíduos, eles manifestamse
somente após seis semanas. Tipicamente, os sintomas
variam de uma diarréia leve a uma diarréia
sanguinolenta, dor abdominal e febre. Os casos mais graves
podem provocar uma desidratação potencialmente
letal, hipotensão arterial, megacólon tóxico
e perfuração do intestino delgado.
Diagnóstico
O médico diagnostica
a colite por meio da inspeção do intestino
grosso inflamado, normalmente através de um sigmoidoscópio
(um tubo de visualização rígido ou
flexível utilizado para examinar o cólon sigmóide).
Quando a área afetada encontra-se localizada em um
ponto além do alcance do sigmoidoscópio, pode
ser necessária a utilização de um colonoscópio
(um tubo de visualização flexível mais
longo que permite o exame de todo o intestino grosso).
O diagnóstico
da colite associada ao uso de antibióticos é
confirmado quando o Clostridium difficil e é identificado
em uma coprocultura (cultura de fezes) ou quando sua toxina
é detectada nas fezes. A toxina pode ser detectada
em 20% dos casos de colite leve associada ao uso antibióticos
e em mais de 90% dos casos de colite grave associada ao
uso de antibióticos. Os exames laboratoriais revelam
uma contagem leucocitária anormalmente elevada durante
os episódios graves.
Tratamento
Quando o indivíduo com colite associada
ao uso de antibióticos apresenta uma diarréia
intensa enquanto estiver utilizando o medicamento, este
é imediatamente suspenso, exceto quando ele for imprescindível.
De modo geral, devem ser evitados os medicamentos que retardam
o movimento intestinal (p.ex., difenoxilato), pois eles
podem prolongar a doença ao manterem a toxina responsável
em contato com o intestino grosso.
A diarréia induzida
por antibiótico não complicada geralmente
cessa espontaneamente em 10 a 12 dias após a interrupção
do uso. Quando isto ocorre, nenhum outro tipo de tratamento
é necessário. Entretanto, se ocorrer a persistência
de sintomas leves, a colestiramina pode ser eficaz, provavelmente
pelo fato dela ligarse à toxina. Para a maioria dos
casos de colite grave associada ao uso de antibióticos,
o metronidazol (um antibiótico) é eficaz no
tratamento contra o Clostridium difficile.
A vancomicina (um outro
antibiótico) é reservada aos casos mais graves
ou resistentes. Os sintomas retornam em até 20% dos
pacientes e eles devem ser tratados novamente. Quando a
diarréia retorna repetidamente, pode ser necessária
a instituição de uma antibioticoterapia prolongada.
Alguns pacientes são tratados com preparações
de lactobacilos administradas pela via oral ou de bacteróides
administrados pela via retal, com o objetivo de restabelecer
a flora bacteriana normal do intestino.
No entanto, esses tratamentos
não são realizados de forma rotineira. Raramente,
a colite associada ao uso de antibióticos é
aguda e fulminante e o indivíduo deve ser hospitalizado
para a administração intravenosa de líquidos
e eletrólitos e de transfusões de sangue.
Ocasionalmente, como medida de salvamento, pode ser realizada
uma ileostomia temporária (conexão criada
cirurgicamente entre o intestino delgado e uma abertura
na parede abdominal, desviando as fezes do intestino grosso
e do reto) ou a remoção cirúrgica do
intestino grosso.
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