Informação
Ciclo de Vida do HIV
Acontecimentos Importantes na Terapia Anti-Retroviral
Um resumo histórico do desenvolvimento das terapias
anti-retrovirais eficazes para o tratamento do HIV e da AIDS.
1981: Médicos em San Francisco, Califórnia, EUA observam que homens homossexuais anteriormente sadios estavam desenvolvendo doenças raras tais como sarcoma de Kaposi, um câncer de pele, e pneumonia por Pneumocystis carinii. Essas doenças eram normalmente observadas apenas em indivíduos severamente imunocomprometidos.
Apesar de receberem tratamento clínico especializado, os pacientes morreram. Os médicos concluíram que a relação comum estava no fato do sistema imunológico dos pacientes ter entrado em falência e, portanto, denominaram a afecção "Síndrome da Imunodeficiência Adquirida", ou AIDS.
1984: Após enorme esforço científico, a AIDS é identificada como sendo causada por um retrovírus humano, o vírus da imunodeficiência humana (HIV).
1985: Surgem os primeiros kits de teste para detecção de anticorpos ao HIV.
1987: O análogo nucleosídeo zidovudina (AZT) recebe aprovação para o tratamento do HIV - o início da terapia anti-retroviral (TAR).
1988: O Food and Drug Administration (FDA) dos EUA implementa novas normas para agilizar a disponibilidade de terapias promissoras para pacientes com doenças potencialmente fatais.
1991: Dideoxiinosina (ddl), outro análogo nucleosídeo, é aprovado para o tratamento de pacientes que apresentam intolerância à zidovudina.
1992: Zalcitabina (ddC) torna-se o terceiro análogo nucleosídeo disponível para o tratamento de doença relacionada ao HIV. Nesta fase, os médicos começam a tomar consciência de que a monoterapia provavelmente não é a solução para o tratamento da AIDS e começam a investigar associações de análogos nucleosídeos.
1992: Em junho, o FDA aprova zalcitabina (ddC) em associação com zidovudina para o tratamento de infecção avançada por HIV em pacientes que mostram sinais de deterioração clínica e imunológica. Este é o início da terapia de associação para o HIV.
Estavudina (d4T) torna-se o quarto análogo nucleosídeo disponível para o tratamento do HIV.
Entretanto, durante os dois anos seguintes, torna-se evidente que a monoterapia com um análogo nucleosídeo leva ao desenvolvimento de resistência do HIV ao tratamento. Mesmo associações de dois análogos nucleosídeos não são suficientes para prevenir o surgimento de resistência.
Os pesquisadores se interessam por tratamentos que poderiam bloquear a ação da protease de HIV, dessa forma, tornando as enzimas incapazes de processar as poliproteínas requeridas para a produção de HIV maduro.
1995: Em junho, saquinavir passou a ser o primeiro inibidor da protease a tornar-se disponível nos EUA, para ser utilizado fora de um estudo clínico. Em novembro, este fato é acompanhado pela aprovação de lamivudina (3TC) e zidovudina (AZT) em associação. Quase no final do ano, saquinavir recebe aprovação para uso em associação com análogos nucleosídeos.
O aperfeiçoamento do conhecimento sobre a atuação do HIV no organismo faz com que os médicos cada vez mais introduzam o tratamento do HIV o mais precocemente possível após a infecção, ao invés de aguardar até que as contagens de CD4 declinem. O tratamento precoce ajudaria a impedir que o vírus esgotasse o sistema imunológico do organismo, o qual, como os cientistas mostraram, iria lutar durante anos, se não décadas, antes de sucumbir ao ataque do HIV.
1996: Março é um mês agitado para as autoridades de saúde nos EUA. Indinavir é aprovado para uso em pacientes portadores do HIV ou AIDS, seja isoladamente ou em associação com análogos nucleosídeos, no tempo recorde de 42 dias desde a submissão dos dados até a aprovação final pelo FDA.
No mesmo mês, ritonavir recebe aprovação para uso isolado ou em associação com análogos nucleosídeos.
Os testes de carga viral, que analisam a "carga" ou a quantidade de RNA de HIV-1 no plasma, tornam-se o método principal para avaliar o sucesso ou a falha do tratamento, substituindo de forma significativa os aumentos nas contagens de células CD4. O índice de referência para sucesso passa a ser a redução da carga viral para níveis abaixo dos limites de detecção (abaixo de 500 ou 400 cópias de RNA/ml, dependendo do teste utilizado). Testes mais recentes são muito mais sensíveis, detectando concentrações tão baixas quanto 50 cópias/ml.
No final de junho, nevirapina - o primeiro de uma nova classe de medicamentos anti-retrovirais denominados inibidores da transcriptase reversa não-nucleosídeos (ITRNNS) - é licenciado para ser utilizado em associação com os análogos nucleosídeos em pacientes com HIV que mostram sinais de deterioração clínica ou imunológica.
1997: É aprovado o ITRNN delavirdina para ser utilizado em associação com outros anti-retrovirais para o tratamento do HIV. Neste mesmo ano é também aprovado nelfinavir, outro inibidor da protease com esquema posológico de três tomadas ao dia em associação. No final deste ano é aprovado uma nova formulação com maior absorção do inibidor de protease saquinavir.
1998: Em fevereiro, os resultados de um estudo com um novo medicamento anti-HIV, um ITRNN conhecido como efavirenz, são apresentados na 5a Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas, Chicago, IL, EUA sendo o mesmo aprovado em setembro.
Em dezembro é aprovado um novo nucleosídeo que pode ser combinado como terceira droga a outros nucleosídeos (abacavir).
1999: Torna-se disponível novo inibidor de protease com perfil de resistência um pouco diferente dos outros inibidores: o amprenavir
2000: O nucleosídeo DDI é reformulado e apresentado em uma única cápsula passível de ser usada 1 vez ao dia.
Em setembro é aprovado a primeira combinação de inibidores de protease: lopinavir/ritonavir.
No final do ano é lançada a primeira combinação de 3 análogos em um mesmo comprimido (abacavir/lamivudina/zidovudina).




