Guia MSD de Asma
Evidência científica
Asma em crianças
Estima-se que, no mundo, aproximadamente 30 por cento de todos os asmáticos sejam menores de 15 anos; e nos Estados Unidos, por exemplo, esta doença crônica ocupa o primeiro lugar entre as causas de hospitalizações de crianças nesta faixa etária. Ao se comparar os adultos com as crianças maiores, as crianças em idade pré-escolar mostram um maior aumento da incidência de asma, maior presença de chiados, maior freqüência de consultas e hospitalizações. Quando um dos pais, ou ambos, têm asma, existe uma maior possibilidade de que seu filho sofra da doença. A asma pode se manifestar em qualquer idade, todavia mais que 80 por cento das crianças asmáticas apresentam os primeiros sintomas antes dos 5 anos.
A administração de medicamentos a qualquer criança pode ser uma tarefa difícil, portanto, devem-se considerar dois aspectos fundamentais:
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Que os medicamentos utilizados tenham sido aprovados para crianças. Quando tratamos de asma infantil, a alternativa terapêutica deve contar com o melhor perfil de segurança e tolerância possível para minimizar efeitos colaterais.
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Que a forma de administração utilizada e a formulação facilitem a adesão ao tratamento
Ainda que a grande incidência da asma se apresente na infância, os tratamentos para essa população são muitas vezes limitados pela dificuldade na administração do fármaco e a tolerância a longo prazo. Os corticosteróides inalados geralmente são os medicamentos mais receitados para crianças com asma persistente, mas para pacientes muito pequenos pode ser difícil a administração por inalação, e a liberação da dose pode variar.
Estudo com montelukast em crianças entre dois e cinco anos com asma persistente:
A segurança e a facilidade de administração do montelukast foram avaliadas em um estudo clínico que incluiu crianças entre dois e cinco anos de idade, com asma persistente. O referido estudo, liderado pela doutora Barbara Knorr, representa um dos poucos estudos clínicos sobre asma com resultados validados para crianças em idade pré-escolar. O estudo incluiu 689 pacientes de 93 centros do mundo (56 nos Estados Unidos, e 21 espalhados pela África, Austrália, Europa, América do Norte e do Sul), e comparou, durante 12 semanas, a eficácia do montelukast contra placebo. Os resultados obtidos mostraram que a administração de montelukast produziu benefícios significativos em comparação com o placebo em diversos parâmetros de controle da asma: sintomas diurnos (tosse, chiados, dificuldade para respirar e limitação das atividades), sintomas durante a noite (tosse) necessidade de agonistas ß2 ou corticosteróides orais, avaliação global do pediatra, porcentagem de dias sem asma, entre outros. Os pesquisadores concluíram que uma pastilha de montelukast constitui um tratamento efetivo para a asma em crianças de 2 a 5 anos, que além disso é bem tolerado e não apresenta efeitos clínicos adversos clínicos significativos.
Asma e o resfriado comum
O resfriado comum e as infecções respiratórias são os desencadeantes mais freqüentes de episódios asmáticos na infância, responsáveis por até 85 por cento das crises de asma pediátrica. O resfriado comum e as infecções respiratórias são os desencadeantes mais freqüentes de episódios asmáticos da infância, responsáveis por até 85 por cento das crises de asma pediátrica. Mas, até o momento nenhum dos medicamentos que agem sobre a inflamação bronquial havia demonstrado sua eficácia para tratar episódios asmáticos relacionados ao resfriado comum em um estudo de grande escala.
Um estudo com montelukast revelou que o medicamento foi eficaz na redução dos ataques de asma desencadeados pelo resfriado comum em crianças menores que 5 anos.
Quando ocorre uma crise de asma, que chamamos de “exacerbação”, em geral ocorrem dois fatores no paciente asmático: a inflamação das vias aéreas, geralmente de origem alérgica à qual é preciso somar um episódio de infecção viral que desencadeie a crise ou uma super-exposição ao um agente alérgico, ou outros motivos. Estima-se que durante infância entre 80 e 90 por cento de crianças que estejam razoavelmente estáveis com sua asma e que se desestabilizem rapidamente passem por isso em conseqüência de um resfriado comum. Portanto, na medida em que se evite ou que se inibam as infecções virais, o número de crises pode diminuir perceptivelmente. O estudo denominado PREVIA (de suas iniciais em inglês - Prevention of Virally Induced Asthma) publicado no American Journal of Respiratory Critical Care Medicine em 2005, incluiu mais de 500 crianças entre 2 e 5 anos com antecedentes de sintomas episódicos de asma leve e resfriado. Ele foi realizado durante 1 ano em 68 centros de 23 países. Os resultados do estudo revelaram que o montelukast conseguiu reduzir em 32 por cento os ataques de asma desencadeados pelo resfriado comum nesta população de crianças.
O estudo PREVIA demonstrou ainda diminuir os ataques de asma e os dias sem a enfermidade de forma significativa, em comparação com o grupo que recebeu placebo. Durante o estudo, calculou-se também a quantidade de dias desde que a criança começava o tratamento até que apresentasse uma exacerbação, e as crianças que receberam o montelukast demoraram em média muitos mais dias para apresentar o primeiro episódio de exacerbação asmática.
A importância do estudo PREVIA está em que, pela primeira vez, foi possível observar que uma intervenção farmacológica diminui o número de episódios de asma desencadeados por resfriado comum na infância.
As reações alérgicas e a maioria das infecções causadas por vírus produzem um aumento da produção dos chamados leucotrienos; e como o montelukast é um antagonista da ação dessas moléculas, o medicamento tem um papel fundamental na redução dos episódios de forma eficaz. Todavia, não se deve considerar o montelukast como um antiviral, já que não evita a possível infecção e sim bloqueia o mecanismo pelo qual a infecção viral conduz ao bronco-espasmo.
Os resultados mostraram ainda que o montelukast reduziu a taxa global do uso de corticosteróides (orais ou inalados) em 32 por cento. O medicamento foi muito bem tolerado, em geral os eventos adversos observados durante todo o estudo foram semelhantes tanto no grupo de crianças que recebeu o montelukast como no de placebo; o que confirma seu excelente perfil de tolerância.
Os dados do estudo PREVIA são mais que satisfatórios, já que os corticosteróides não demonstraram, de forma consistente, até o momento, seu efeito sobre os episódios de asma relacionados ao resfriado comum.
O Montelukast é, portanto, o primeiro medicamento que demonstrou ser eficaz na diminuição de ataques asmáticos em crianças com diagnóstico de asma leve e resfriado comum.
ESTUDO PREVIA
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O estudo PREVIA (Prevention of Virally Induced Asthma) incluiu mais de 500 crianças de 2 a 5 anos de idade com antecedentes de asma por infecções virais.
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Foi realizado durante 1 ano em 68 centros, de 23 países.
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Os resultados do estudo revelaram que o montelukast conseguiu reduzir em 32 por cento os ataques de asma desencadeados pelo resfriado comum na população de crianças estudada.
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O Montelukast demonstrou diminuir os ataques de asma e os dias sem asma de forma significativa em comparação com o grupo que recebeu placebo.
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O Montelukast é o primeiro fármaco que demonstrou ser eficaz na diminuição de ataques asmáticos em crianças com diagnóstico de resfriado e outras infecções virais comuns na infância.
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O Montelukast reduziu a taxa global do uso de corticosteróides (orais e inalados) em 32 por cento.
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O medicamento foi muito bem tolerado, os eventos adversos observados durante todo o estudo foram semelhantes aos observados no grupo de placebo
Asma em adultos
A eficácia do montelukast foi avaliada em adultos em estudos clínicos nos quais se observou a eficácia do medicamento sozinho ou combinado com outros.
Estudo IMPACT
(Iniciais em inglês para “Investigação de Montelukast como Agente Associado para Tratamento Complementar”)
Durante 48 semanas avaliou-se em 1.490 pacientes entre 15 e 65 anos, com antecedentes de mais de um ano de sintomas intermitentes ou persistentes como dispnéia, chiados, sensação de opressão torácica, tosse ou expectoração; a eficácia de montelukast em combinação com fluticasona inalada comparada com a combinação de fluticasona com salmeterol inalados. Foi determinado o perfil de tolerância dos tratamentos.
Os principais resultados obtidos mostraram que o tratamento combinado com montelukast e fluticasona inalada foi tão eficaz quanto o tratamento combinado com salmeterol. Ambos os tratamentos foram bem tolerados em geral, com menos efeitos adversos relacionados ao medicamento e eventos adversos sérios no grupo que recebeu montelukast mais fluticasona, em comparação com os que receberam salmeterol mais fluticasona.
Estudo COMPACT
(Iniciais em inglês para “Resultados Clínicos com Montelukast como Agente Associado a Terapias com Corticosteróides”)
Os corticosteróides inalados agem sobre muitos dos mediadores inflamatórios da asma, mas não têm impacto sobre os cisteinil leucotrienos nas vias aéreas dos pacientes com asma. Isto poderia explicar porque muitos pacientes tratados de forma crônica com corticosteróides, não conseguem um controle adequado da asma. O estudo COMPACT de 16 semanas, comparou os benefícios clínicos de se agregar montelukast a budesonida (corticosteróide inalado) contra doses dupla de budesonida em adultos com asma.
Ambos os grupos mostraram melhoras semelhantes em relação à necessidade de medicamentos de resgate, e os sintomas diurnos e noturnos. Vendo os resultados obtidos durante os dias 1 a 3 após o início do tratamento, as mudanças no fluxo expiratório foram significativamente melhores no grupo que recebeu montelukast mais budesonida, em comparação com os que receberam uma dose dupla de budesonida.
Ambos os grupos mostraram melhoras semelhantes em relação à necessidade de medicamentos de resgate, e os sintomas diurnos e noturnos.
Asma e rinite alérgica
![]() Estima-se que 80 por cento dos asmáticos tenham também rinite alérgica associada |
Tanto a rinite alérgica (também conhecida como “febre do feno”) como a asma podem ser desencadeadas por vários entre os mesmos alergênicos (pólen das árvores, gramíneas). E em ambas situações, o aumento da produção de leucotrienos exerce um papel importante no surgimento dos sintomas: no caso da rinite alérgica os sintomas se manifestam no nariz, e na asma, nos brônquios e pulmões. Muitas pessoas asmáticas têm também rinite alérgica sazonal.
Entretanto, o fato de uma pessoa apresentar rinite sazonal não significa que tenha ou que virá a ter asma. O montelukast atua inibindo especificamente o receptor Cys Lt1 dos cisteinil leucotrienos.
A eficácia do montelukast para aliviar os sintomas da rinite alérgica foi avaliada em um estudo clínico que incluiu 1.302 pacientes entre 15 a 81 anos de idade com antecedentes de rinite alérgica sazonal. Durante duas semanas os pacientes foram distribuídos aleatoriamente para receber placebo ou uma dose diária de montelukast ao se deitar. Os dados clínicos obtidos mostraram que os pacientes tratados com montelukast apresentaram menos sintomas durante o dia (menor congestão nasal, menor secreção nasal, menos espirros, menos prurido nasal e menos sintomas oculares); e durante a noite (menos dificuldade para conciliar o sono, menos despertar noturno, menos congestão ao levantar-se).
Pesquisa "uma via aérea"
Analisar o impacto da rinite alérgica na vida dos pacientes, aumentar o conhecimento entre médicos e pacientes da associação entre a asma e a rinite alérgica, e difundir a rinite alérgica como sendo um fator de risco para se desenvolver a asma, estes foram os objetivos de uma pesquisa intitulada “Uma via aérea” (“One Airway Survey”). A pesquisa foi desenvolvida pela Federação Européia de Alergia e a Associação de Pacientes com Enfermidades nas Vias Aéreas (EFA, em suas iniciais em inglês), e patrocinada pela Merck Sharp and Dohme.
Para a pesquisa, foi entrevistado um total de 1.619 pacientes e pais de crianças tanto com asma quanto com rinite alérgica, dos seguintes países: França, Alemanha, Itália, Reino Unido, China, Singapura, Coréia do Sul e Taiwan. As entrevistas foram feitas por telefone, e pessoalmente em clínicas, hospitais e farmácias. Os sintomas de rinite alérgica considerados na pesquisa foram definidos como: congestão, espirros, prurido no nariz e lacrimejação, prurido e coloração avermelhada nos olhos.
Na pesquisa, 79 por cento dos entrevistados revelou que quando a reação alérgica se desencadeava, os sintomas de sua asma pioravam; e 56 por cento manifestou também que durante a estação alérgica evitavam o ar livre porque ficar no espaço aberto piorava os sintomas asmáticos. Por outro lado, na pesquisa, 73 por cento dos participantes revelaram que haviam apresentado sintomas de rinite alérgica antes de obter o diagnóstico de asma; e quase metade dos participantes com rinite alérgica não sabiam que corriam o risco de desenvolver asma. Muitos dos entrevistados não sabiam que os sintomas de rinite alérgica são um fator de risco para desenvolver a asma.
Quando se avaliou o impacto da rinite alérgica sobre a qualidade de vida, os dados mostraram que: 79 por cento tinham dificuldade para dormir bem durante a noite; 75 por cento indicaram problemas para praticar esportes; 71 por cento informaram ter problemas de concentração no trabalho ou na escola; e 54 por cento manifestaram que a rinite afetava sua capacidade de desfrutar atividades sociais.
Finalmente, os dados que trataram das necessidades dos pacientes com relação a seu tratamento revelaram que: 84 por cento dos entrevistados estavam preocupados com os possíveis efeitos adversos da utilização de esteróides; 72 por cento estavam preocupados por utilizar muitos medicamentos para tratar as duas condições (rinite alérgica e asma); e 60 por cento revelou ter dificuldade para tratar de maneira efetiva ambas as condições ao mesmo tempo; 81 por cento preferia tomar uma pastilha diária para tratar tanto a alergia como a asma. Entre as razões mais mencionadas para preferir esse tipo de tratamento mencionaram: facilidade de uso, administração de menos medicamentos e a possibilidade de menos efeitos adversos.





