MSD
Pacientes

Diabetes

Panorama do diabetes mellitus tipo 2

Critérios para o diagnóstico do diabetes mellitus

O diabetes mellitus faz parte de um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por hiperglicemia resultante de distúrbios na secreção e/ou na ação da insulina.

O diagnóstico do diabetes mellitus em adultos baseia-se em um dos seguintes critérios, que devem ser confirmados pela repetição do teste em um dia diferente caso a hiperglicemia observada inicialmente deixe margens para dúvidas.1, 2

Sintomas do diabetes (sede excessiva, vontade de urinar diversas vezes e perda de peso inexplicada) + glicemia aleatória (resultado obtido a qualquer hora do dia) igual ou maior que 200 mg/dl.

OU

Glicemia de jejum (sem ingestão  calórica por, pelo menos, oito horas) igual ou maior que 126 mg/dl.

OU

Glicemia igual ou maior que 200 mg/dl na segunda hora após a sobrecarga de glicose do teste oral de tolerância à glicose (TOTG, também conhecido como curva glicêmica).

Indivíduos cujos níveis de glicose são mais altos que os normais, mas que não atendem aos critérios para diabetes, podem ser considerados pré-diabéticos, uma categoria intermediária. O diagnóstico de pré-diabetes pode ser realizado nas seguintes bases:

Tolerância à glicose alterada= GJ 100-125 mg/dl.

OU

TOTG alterado = glicemia entre 140 e 199 mg/dl na segunda hora após a sobrecarga de glicose.

 

Diferenças entre o diabetes Tipo 1 e o Tipo 2

A maioria dos casos de diabetes mellitus pode ser classificada como diabetes tipo 1 ou tipo 2. O diabetes tipo 1, anteriormente conhecido como diabetes juvenil ou diabetes insulino-dependente, caracteriza-se por uma deficiência total de insulina: o pâncreas não produz ou produz uma quantidade muito pequena de insulina. Em aproximadamente 80% dos pacientes com diabetes mellitus tipo 1, essa deficiência resulta da destruição, pelo próprio organismo, das células beta das ilhotas de Langerhans do pâncreas, que são responsáveis pela produção de insulina. O diabetes tipo 1 é uma doença autoimune: o organismo identifica erroneamente as células beta como corpos estranhos e, por isso, as ataca. Somente 5% a 10% dos pacientes com diabetes possuem a doença do tipo 1, que se desenvolve mais comumente na infância ou na adolescência e não está associada à obesidade.

Já o diabetes tipo 2 não é uma doença autoimune. Ele ocorre quando há uma combinação de deficiência (secreção inadequada de insulina em relação aos níveis de glicose do sangue) e de resistência à insulina (redução da capacidade da insulina de estimular a captação de glicose). Embora a resistência à insulina pareça ser hereditária, a obesidade frequentemente contribui para seu desenvolvimento.Aproximadamente 90% a 95% dos pacientes com diabetes têm diabetes tipo 2, que é mais comumente diagnosticado após os 30 anos de idade, mas também é cada vez mais observado em crianças e adolescentes.

Tipo 1 Tipo2
Outros nomes DMID - diabetes melittus insulino-dependente ou diabetes juvenil

DMNID - diabetes mellitus não insulino-dependente

Deficiência de insulina Total (nenhuma secreção / secreção extremamente baixa) Relativa (baixa em relação ao nível de glicose)
Início Geralmente antes dos 30 anos de idade Geralmente depois dos 30 anos de idades
Associado à obesidade? Não Sim
Percentual do total de pessoas com diabetes 5% a 10% 90% a 95%
Adaptado da Associação Americana de Diabetes3 e do Manual Merck4.

Uma Doença Complexa e Progressiva

A disfunção das células beta e a resistência à insulina são as primeiras características de intolerância à glicose econstituem a base para o desenvolvimento do diabetes tipo 2. Embora a contribuição relativa dessas anormalidades para a evolução do diabetes varie entre os pacientes e, com o decorrer do tempo, de maneira diferente para cada paciente, a disfunção das células beta e a resistência à insulinaagem em conjunto para causar a hiperglicemia, que caracteriza a doença.

Em indivíduos sem diabetes, as concentrações de glicose no sangue são mantidas nos limites normais pelo equilíbrio entre as concentrações de glicose circulante (originada da produção hepática e da absorção intestinal) e a glicose captada pelos tecidos periféricos. A insulina é secretada em níveis baixos entre as refeições e apresenta picos nos horários de refeição. Em contrapartida, em pacientes com diabetes tipo 2, a secreção de insulina é diminuída em consequência da disfunção das células beta. Esse distúrbio é agravado pela resistência à insulina: a gordura armazenada nas vísceras* libera grandes quantidades de um tipo de ácido graxo, o que aumenta a produção hepática de glicose e diminui a captação e a utilização de glicose no músculo.

* Aproximadamente 80% das pessoas com diabetes mellitus tipo 2 são obesas, isto é, possuem índice de massa corporal (IMC) maior que 30 kg/m2. Entretanto, o IMC não reflete de maneira precisa a distribuição de gordura; o maior risco do diabetes tipo 2 está associado à obesidade visceral, na qual a gordura está depositada no tecido subcutâneo em regiões intra-abdominais (vísceras).

A Dificuldade para obtenção do controle glicêmico

O processo de disfunção das células beta começa antes do aparecimento da redução da tolerância à glicose. Por isso, quando o diabetes tipo 2 é diagnosticado, a atividade das células beta função dessas células já está substancialmente reduzida (cerca de 50%).Além disso, a disfunção das células beta continua a progredir à medida que a hiperglicemia se desenvolve, independentemente do tratamento adotado. Isso dificulta o estabelecimento de um controle glicêmico duradouro.

O controle glicêmico inadequado pode causar complicações graves em vários sistemas do organismoe afetar o coração, os rins e os olhos, por exemplo.

Os efeitos do diabetes não controlado são particularmente danosos para os tecidos que dependem de insulina, como as hemácias, o cristalino e os nervos. O aumento de glicose nesses tecidos podem provocar aterosclerose, nefropatia, retinopatia e neuropatia, entre outras complicações.

O diabetes é considerado atualmente um importante fator de risco para doença cardiovascular. Cerca de 65% das pessoas com diabetes morrem em decorrência de doenças cardíacas e acidentes vasculares cerebrais (AVCs)5.

O diabetes é a causa isolada mais comum de insuficiência renal terminal (IRT) e nos Estados Unidos. Em 2005, 44% dos novos casos de falência renal nos Estados Unidos estavam associados ao diabetes5.

O diabetes figura como a principal causa de novos casos de cegueira em adultos com 20 a 74 anos de idade. Nessa faixa etária, a retinopatia diabética causa de 12 mil a 24 mil novos casos de cegueira a cada ano nos Estados Unidos5.

O diabetes é a principal causa de amputação não traumática. Nos Estados Unidos, mais de 60% das amputações de membros inferiores são realizadas em pessoas com diabetes5.

Perfil do paciente

Fatores de Risco

As pesquisas indicam que existem vários fatores que aumentam o risco de uma pessoa desenvolver diabetes. Segundo a Associação Americana de Diabetes, os principais fatores de risco são6:

  • Idade 45 anos ou mais
  • Obesidade (índice de massa corporal igual ou superior a 30 kg/m2)
  • Histórico familiar de diabetes (parentes de primeiro grau)
  • Sedentarismo
  • Histórico de alterações no teste de glicemia de jejum e/ou no TOTG (teste oral de tolerância à glicose)
  • Histórico de diabetes gestacional ou recém-nascido com peso superior a 4 kg
  • Hipertensão (em adultos, pressão arterial igual ou superior a 140/90 mmHg7)
  • Colesterol HDL igual ou inferior a 35 mg/dL e/ou triglicérides igual ou superior a 250 mg/dL
  • Síndrome do ovário policístico
  • Histórico de doença vascular

A síndrome metabólica

Também conhecida como síndrome X e síndrome de resistência à insulina, a síndrome metabólica ocorre quando o diabetes mellitus tipo 2 está associado a pelo menos dois outros fatores de risco cardiovascular. Esses fatores incluem hipertensão, obesidade, hipertrigliceridemia, níveis baixos de colesterol HDL e microalbuminúria.

Pacientes com síndrome metabólica podem ser candidatos a tratamento particularmente agressivo da hiperglicemia e dos outros fatores de risco cardiovascular porque o risco de morbidade e mortalidade cardiovasculares é bastante aumentado.


Referências bibliográficas:

1 Associação Americana de Diabetes. Standards of medical care in diabetes. Diabetes Care. 2006; 29:s4-s42.

2 Sociedade Brasileira de Diabetes. Tudo sobre diabetes. www.diabetes.org.br/diabetes/prediab.php. Acessado em 2 de setembro de 2009.

3 Associação Americana de Diabetes. Position Statements - Diagnosis and classification of diabetes mellitus. Diabetes Care. 2004;27:s5-s10.

4 Beers MH, Porter RS et al. Manual Merck  - Décima Oitava Edição. São Paulo: Roca, 2008.

5 Associação Americana de Diabetes. Complications of diabetes in the United States.  www.diabetes.org/diabetes-statistics/complications.jsp. Acessado em 3 de setembro de 2009.

6 Associação Americana de Diabetes. Screening for type 2 diabetes. Diabetes Care. 2004;27:s11-s14.

7 Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Hipertensão e Sociedade Brasileira de Nefrologia. V Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial. publicacoes.cardiol.br/consenso/2006/VDiretriz-HA.pdf. Acessado em 3 de setembro de 2009.

8 William G e Pickup J. Handbook of Diabetes - Third Edition. Oxford: Willey-Blackwell, 2004.

Este site é para residentes no Brasil


  Por favor, leia nossa Política de Privacidade e fique sabendo como a Merck Sharp & Dohme protege suas informações pessoais de identificação.