Sua Saúde
Dor
Como se manifesta a Dor Dentária Aguda?
Mesmo quando realizados com grande habilidade e cautela, a maioria dos procedimentos odontológicos produz trauma tecidual que resulta na liberação de mediadores inflamatórios e dor. Embora essa dor fosse anteriormente considerada inevitável e inofensiva, sabemos hoje que a dor não aliviada após cirurgia ou trauma possui conseqüências físicas e psicológicas negativas. Os pacientes que evitam comer ou beber após um procedimento odontológico podem ficar desidratados ou desnutridos e a respiração superficial, bem como a supressão da tosse, para tentar aliviar a dor podem levar à pneumonia.
Além disso, muitas pessoas podem deixar de procurar os dentistas para
cuidados odontológicos por medo da dor que poderão sentir.
Os dentes são ricamente inervados com fibras nervosas A-delta mielinadas e não mielinadas e esses nervos podem ser ativados por estímulos térmicos, osmóticos, elétricos e químicos. Muitos procedimentos odontológicos são invasivos, o que leva ao desenvolvimento de dor após o paciente deixar o consultório do dentista.
A dor dentária aguda pode ser classificada como leve, moderada ou grave. Para avaliar o grau de dor que pode ser apresentado após um procedimento, os dentistas contam com o seu conhecimento sobre o procedimento a ser realizado, bem como com o relato de dor e desconforto do próprio paciente (a auto-avaliação da dor pelo paciente é considerada o indicador mais preciso e confiável da existência e intensidade da dor e do sofrimento).
Os pacientes que apresentam dor dentária podem manifestar sinais de dor, tais como ansiedade, angústia, diminuição da capacidade funcional, mas muitos não os manifestam. Além disso, os pacientes algumas vezes apresentam dor significativa na ausência de qualquer patologia observável, tal como vermelhidão ou edema. O nível de dor apresentado após procedimentos específicos pode variar consideravelmente de um paciente para outro, o que complica a seleção do tratamento analgésico.
Como pode ser o tratamento da Dor Dentária Aguda?
As medicações mais utilizadas para o tratamento da dor dentária aguda são os anestésicos locais, os AINEs convencionais, os coxibs e os opióides. Os anestésicos locais são comumente utilizados para propiciar controle da dor durante procedimentos odontológicos. Os anestésicos locais de longa duração de ação, tais como a etidocaína e a bupivacaína, podem também ser utilizados para retardar o início da dor após cirurgia.
Os analgésicos opióides diferem dos analgésicos não opióides, tais como a aspirina, os AINEs convencionais e os coxibs, em muitos aspectos. Os analgésicos opióides, em alguns casos, propiciam um grau mais alto de alívio da dor quando ela é mais intensa; os opióides, entretanto, ao contrário dos AINEs convencionais e dos coxibs, não possuem propriedades redutoras da febre (antipiréticas). Os opióides podem também produzir tolerância e/ou dependência física e também não possuem propriedades antiinflamatórias, em adição às suas propriedades analgésicas, o que é uma vantagem dos AINEs convencionais e dos coxibs.
Os AINEs são mais eficazes no tratamento da dor após procedimento quando administrados imediatamente antes ou imediatamente após a realização deste procedimento; isso previne a síntese de prostaglandinas associada a trauma tecidual. O uso tardio de AINEs propicia analgesia e inibe a subseqüente formação de prostaglandinas, mas não influencia os efeitos das prostaglandinas que já se formaram. Além disso, uma vez que os AINEs convencionais inibem as plaquetas por meio da inibição da COX-1 (a única forma de COX contida nas plaquetas), há muito tempo existem preocupações sobre o seu potencial de causar sangramento excessivo durante a cirurgia. Os coxibs não afetam a função plaquetária e, portanto, constituem uma opção razoável para a analgesia perioperatória.
É importante observar que as respostas dos pacientes aos AINEs específicos variam. A ausência de resposta a um determinado AINE não impede o uso bem-sucedido de outro.
A dor dentária leve a moderada pode ser tratada com os AINEs convencionais (incluindo a aspirina), os coxibs ou o acetaminofeno (paracetamol). Os AINEs convencionais administrados isoladamente podem proporcionar alívio adequado da dor cuja intensidade seja leve a moderada, como aquela associada aos procedimentos odontológicos. A dor que não responde aos AINEs convencionais ou aos coxibs isoladamente deve ser tratada com uma combinação de um AINE convencional, coxib ou acetaminofeno (paracetamol) com um analgésico opióide, tal como a codeína. Mesmo quando são insuficientes isoladamente para controlar a dor, os AINEs convencionais e os coxibs podem reduzir a dose de opióide necessária para alcançar alívio. A dor intensa ou persistente pode ser tratada com uma combinação de um AINE convencional ou um coxib e um opióide mais potente, tal como a morfina.
Ao selecionar um esquema analgésico, os dentistas estimam o grau de dor esperado após um procedimento específico e consideram suas experiências clínicas anteriores; entretanto, é importante avaliar a eficácia do esquema prescrito, uma vez que as respostas dos pacientes variam. As experiências e as respostas prévias do paciente ao tratamento analgésico podem também constituir uma grande ajuda para a seleção de medicações específicas.
Em geral, a administração de analgésicos antes da cirurgia odontológica deve ser feita em esquema regular, pelo menos inicialmente, pois assim podem ser alcançadas concentrações plasmáticas mais estáveis do agente, com menos exacerbação da dor. Uma vez estabelecida a dor, os receptores e as vias de dor podem ficar sensibilizados e a dor pode evoluir. A prevenção da dor pode ser alcançada freqüentemente com doses mais baixas da medicação do que as requeridas para o alívio da dor. Posteriormente, no transcorrer do tratamento, à medida que a necessidade de analgesia declina, as medicações podem ser administradas de acordo com a necessidade.




