MSD
Pacientes

Medicina Esportiva

O que deve ser feito

Algumas lesões esportivas devem ser imediatamente analisadas por um médico. Por outro lado, outras podem ser tratadas em casa.

É preciso consultar um médico quando:

  • A lesão causa dor intensa, inchaço; perda parcial ou total de sensibilidade
  • A área afetada não consegue suportar qualquer peso sobre ela
  • Uma lesão antiga continua a doer ou está inchada
  • Há desconforto ou perda de estabilidade em uma junta

Caso não haja nenhum desses sinais, a lesão poderá ser tratada em casa. Todavia, se a dor ou outros sintomas piorarem, um médico deverá ser consultado.

Para aliviar a dor, reduzir o inchaço e acelerar a cura, é aconselhável utilizar o método RICE (iniciais em inglês para Descanso, Gelo, Compressão e Elevação). Esses quatro passos devem ser utilizados após a lesão, por pelo menos 48 horas.

  • R - Descanso.  Reduzir as atividades diárias. Caso a lesão seja em um pé, calcanhar ou joelho, é necessário que se evite colocar peso sobre a área. Por exemplo, se o pé direito ou tornozelo estiver lesionado, deve-se utilizar uma muleta no lado esquerdo e se o tornozelo ou pé esquerdo estiver lesionado, a muleta deverá ser utilizada do lado direito.
  • I - Gelo. Colocar uma bolsa de gelo na região lesionada, entre quatro a oito vezes por dia. Uma barra de gelo pode ser utilizada ou um saco plástico com cubos de gelo, envolvido em uma toalha. Deve-se executar essas ações com cuidado; o gelo deverá ser removido se a pele ficar vermelha, quente, coçar ou doer. A aplicação de gelo por um período prolongado pode lesionar o tecido. O efeito aparece, em geral, entre 9 a 16 minutos após o gelo ser aplicado.
  • Compressão. A pressão (compressão) na área lesionada ajuda a reduzir o inchaço. Pode ser utilizada uma proteção elástica, bota especial, gesso ou placas. O médico saberá qual a melhor opção para cada lesão.
  • Elevação. Para ajudar a reduzir o inchaço, colocar a área lesionada sobre uma almofada, elevada acima do coração.

O que NÃO deve ser feito

Nunca continuar o exercício, quando houver dor. Continuar a atividade esportiva irá somente causar mais dano à lesão. A atividade ou esporte que causou a lesão deverá ser evitada até que esta esteja totalmente curada.

É aconselhável substituir o esporte por atividades que não forcem a zona afetada antes de eliminar todas as atividades físicas. A total falta de atividades causa a perda de tônus muscular, força e resistência. Uma semana de inatividade, por exemplo, requer pelo menos 2 semanas de atividade para voltar à forma física de antes da lesão.

Injeções de corticosteróides na junta lesionada ou no tecido ao redor reduzem a dor e o inchaço e podem ajudar a conseguir algum descanso. Mas deve-se ter cuidado, pois elas podem retardar o processo de cura, aumentando o risco de danificar o tendão ou cartilagem. Se a pessoa utilizar a junta antes de ela ser curada, a lesão pode piorar.

Deve-se também ser cuidadoso ao fazer uso do gelo. A aplicação de gelo por períodos prolongados pode lesionar o tecido. A pele reage como um reflexo quando atinge uma baixa temperatura (cerca de 27 °C), dilatando as veias sanguíneas da região. O efeito (vermelhidão, febre, coceira ou dor) surge em geral de 9 a 16 minutos depois da aplicação e diminui em 4 a 8 minutos após o gelo ser removido. O gelo deverá ser removido no momento em que os sinais surgirem, ou após 10 minutos. Pode-se repetir a aplicação após passarem-se 10 minutos.

Primeiros socorros

Embora as emergências médicas em campo não ocorram todos os dias, é bom estar preparado para o caso de virem a acontecer. As recomendações sobre como tratar das lesões esportivas comuns, não substituem de forma alguma a avaliação, diagnóstico e tratamento médico por um profissional.

  • Abrasões e lacerações. As lesões de pele estão entre as lesões atléticas mais comuns. Sejam elas leves ou graves, o importante é tratá-las de imediato. A abrasão ocorre quando a superfície da pele está arranhada e os vasos capilares estão expostos. As lacerações são em geral mais profundas e mais graves, e as mais severas são as da boca ou do couro cabeludo. Primeiro, limpar a lesão cuidadosamente, iniciando da parte central para as extremidades. Recomenda-se utilizar gaze médica estéril sem adesivo, para proteger a ferida e trocá-la diariamente para manter limpa. Não utilizar peróxido (pode retardar a cura).
  • Tontura. Embora não sejam lesões, podem ser sintomas de outro problema. A tontura, seja ela leve ou severa, deverá ser tratada de imediato. Ela pode ser resultado de fome, desidratação, insônia, infecção, hiperventilação, calor ou de uma doença. O essencial para o tratamento é identificar o problema, questionando o atleta.
  • Hemorragia Nasal. Em geral, ela é resultante de um golpe forte no nariz e/ou face. Ela é facilmente tratada, na maioria dos casos. Deve-se colocar a pessoa na posição vertical e pedir que se incline para frente, para evitar que o sangue desça pela garganta.  Aplique gelo e pressione sobre o nariz durante cinco minutos. Aplique então uma gaze médica ou um tampão. Não assoar o nariz durante duas horas ou mais para evitar sangrar mais.
  • Hematomas. Golpes repentinos e fortes na pele podem causar contusões. A pele não se rompe, mas o tecido de baixo (músculo, sangue, vasos) fica danificado. Uma contusão menor pode causar a ruptura dos vasos sanguíneos e descoloração da pele.  Um golpe mais forte pode causar danos maiores. Os sintomas incluem vermelhidão, dor ou desconforto, inchaço, sensibilidade e descoloração. Para tratar o machucado, coloque uma bolsa de gelo sobre a área. Inicialmente, evite calor e eleve a área para cima do nível do coração. Comprima com uma bandagem elástica e deixe a área afetada em repouso.

Um kit básico de primeiros socorros deve incluir:

  • Fita adesiva
  • Gaze médicas
  • Bandagens adesivas
  • Compressas de gaze
  • Pomada antibiótica
  • Luvas (não de látex)

Anti-inflamatórios

Quando ocorre uma lesão, determinadas substâncias químicas são liberadas das células do tecido danificado. Isto dá início ao primeiro estágio da cura: o inchaço. Os tecidos incham, se tornam sensíveis e doem. Embora o inchaço seja necessário, pode diminuir o processo de cura.

 

As drogas anti-inflamatórias não esteróides (NSAIDs) estão entre os medicamentos mais comumente utilizados para tratar de lesões comuns de tecidos, tais como laceração, contusões musculares e rompimento de ligamento.

 

A ação dos NSAIDs é dupla: por um lado, eles interferem no sistema das prostaglandinas (um grupo de substâncias inter-atuantes que são parcialmente responsáveis pela sensação de dor) e, por outro lado, reduzem o inchaço e a irritação que geralmente envolvem uma ferida e aumentam a dor.

 

No caso de uma lesão esportiva, o médico pode sugerir o uso dos NSAIDs tais como aspirina, ibuprofeno, cetoprofeno ou naproxeno de sódio. Essas drogas reduzem o inchaço e a dor.

Existem diversos NSAIDs disponíveis, que se diferenciam pelo alívio rápido e prolongado da dor. Embora os resultados sejam semelhantes com relação à eficácia, as pessoas respondem de formas semelhante. Portanto, uma pessoa pode achar que um medicamento é mais eficaz ou que produz menos efeitos colaterais que outro.

Alguns dos efeitos colaterais dos NSAIDs tradicionais são:

  • Pressão alta
  • Alteração da função renal
  • Problemas gastrointestinais.

Outra droga comumente utilizada para tratar as lesões é o acetaminofeno ou paracetamol, que pode aliviar a dor, mas que não reduz o inchaço.

Se a dor e o inchaço forem severos, o médico poderá prescrever uma droga mais forte.

Existem também os chamados “antiinflamatórios de última geração” que são uma nova classe de drogas menos agressivas para o sistema gastrointestinal do que os tradicionais. Eles inibem seletivamente a enzima COX-2 (ciclooxigenase-2) responsável pela dor e inflamação; e se diferem dos antigos NSAIDs tradicionais pois podem agir sem um efeito clinicamente relevante sobre a outra enzima, COX-1 (ciclooxigenase-1), que protege o revestimento estomacal.

Os riscos da auto-medicação

Medicamentos de balcão, ou OTCs são drogas que são acessíveis sem prescrição médica. Elas ajudam a aliviar diversos sintomas de desconforto e curam algumas doenças de forma simples. Mas a revolução da auto-medicação nos últimos vinte anos, encorajada pela disponibilidade de drogas seguras e eficientes que são vendidas no balcão, exige bom senso e responsabilidade.

Todas as medicações podem causar efeitos adversos graves. A segurança de uma droga OTC depende do uso adequado do consumidor, então sempre existe margem para erro. A maioria das dores de cabeça, por exemplo, não são perigosas. Mas em alguns casos excepcionais, uma dor de cabeça pode ser um alarme que indica a presença de um tumor ou de uma hemorragia cerebral. O bom senso deve ser utilizado para determinar se um sintoma ou doença é leve ou se requer atenção médica.

Ao comprar medicamentos de balcão, deve-se ler atentamente as instruções e seguí-las conforme indicado. Uma vez que o mesmo nome comercial pode ser utilizado em uma fórmula para a liberação imediata ou uma fórmula para liberação controlada, o paciente deverá ler cuidadosamente a bula a cada vez que comprar um produto. É perigoso assumir que a dosagem será sempre a mesma.

É importante controlar os componentes e não apenas confiar nos nomes comerciais conhecidos dos medicamentos. Algumas pessoas podem também sentir os efeitos adversos causados pelos medicamentos de balcão mesmo se os utilizarem forma correta. Por exemplo, a anafilaxia, uma reação alérgica séria e rara causada por analgésicos tais como a aspirina, cetoprofeno, naproxeno ou ibuprofeno pode causar alergia, coceira, problemas respiratórios e colapso cardiovascular. Essas drogas podem também irritar o sistema digestivo e causar úlceras.

Os analgésicos que são vendidos na prateleira e contêm, entre outros ingredientes ativos, o ácido acetilsalicílico, ibuprofeno, cetoprofeno, naproxeno e paracetamol (acetaminofeno) são seguros, desde que sejam utilizados por curtos períodos. Exceto o paracetamol, todos os demais reduzem inflamações e são catalogados como drogas antiinflamatórias não-esteróides (NSAIDs). Seu uso por mais de 7-10 dias deverá ser evitado e deverá ser consultado um médico se os sintomas piorarem ou não desaparecerem.

É importante consultar o médico ou terapeuta para obter um diagnóstico correto e tratamento e reabilitação adequada. Seguir sua orientação é a melhor forma de evitar danos piores.

Quando a cirurgia é necessária

A maioria das lesões esportivas não requer cirurgia. Mas, em alguns pacientes, este é o único tratamento eficaz. A cirurgia é necessária no caso de:

  • Rompimento severo dos ligamentos
  • Lesão do tendão ou da cartilagem
  • Fraturas complexas

Caso seja indicada a cirurgia, o paciente será encaminhado para um cirurgião ortopédico que irá explicar o procedimento cirúrgico, o período de recuperação e os resultados potenciais da operação.

Caso o osso na tíbia se romper, poderá ser indicada cirurgia para a cura. Após a cirurgia, o paciente não será capaz de correr por um longo período. No caso de tendinite (um rompimento e inchaço da junta húmero-escapular, ou dos músculos e tendões que sustentam a parte superior do braço, próximo à articulação do ombro), a cirurgia é, por vezes, necessária, quando a lesão é especialmente séria, se o tendão for totalmente rompido ou se a lesão não se curar dentro de um ano.

As lesões do tecido rígido geralmente requerem cirurgia e/ou um período de imobilização (com um gesso ou molde ortopédico). Após a cirurgia, o especialista irá programar um ou mais check-ups para monitorar a recuperação da lesão. O cirurgião recomendará outros tratamentos necessários (tais como medicação ou exercício) e quando se deve dar início à reabilitação do tecido lesionado.

Este site é para residentes no Brasil


  Por favor, leia nossa Política de Privacidade e fique sabendo como a Merck Sharp & Dohme protege suas informações pessoais de identificação.