Câncer do Colo do Útero
Entrevista
Entrevista - Dra. Luisa Lina Villa
Diretora do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, a Dra. Luisa Lina Villa é uma das maiores especialistas sobre o assunto no país, há 22 anos envolvida em pesquisas sobre as patologias associadas ao HPV.
Como se desenvolve o câncer do colo do útero?
Os primeiros estágios detectados pelo exame papanicolau são alterações nas células do epitélio (o tecido epitelial recobre todas as superfícies internas e externas do corpo e é um dos quatro tipos de tecidos básicos no nosso organismo, juntamente com os tecidos conjuntivo, muscular e nervoso). É o que chamamos de uma lesão precursora de baixo grau, facilmente tratável, e com grande possibilidade de regredir. Mas uma parte menor delas, talvez 30% a 40%, evolui. Se a camada do epitélio for preenchida por células alteradas, teremos uma lesão de alto grau, um estágio precursor do câncer, com poucas chances de regressão.
A incidência do câncer do colo do útero no Brasil é semelhante à de outros países?
No Brasil, são de 20 a 30 casos por 100 mil mulheres ao ano. Os Estados Unidos registram em média 10 casos de câncer por 100 mil mulheres ao ano. Na Espanha, são registrados apenas dois, nos países nórdicos, oito, na China, 40, na África, 50. Então o Brasil está numa posição intermediária. Mas mesmo em países desenvolvidos como os Estados Unidos existem ‘bolsões’ com índices muito parecidos aos do Brasil, como a comunidade hispânica.
Quais as formas de detecção desse câncer?
Repetidos exames de papanicolau. A recomendação da Organização mundial da saúdeé que mulheres com dois exames negativos repitam o examea cada três anos. É um prazo viável em termos de saúde pública porque se, em três anos, surgir um problema, será em estágio inicial. A estimativa oficial, no entanto, é de que não mais que 15% das brasileiras fazem o exame regularmente. O exameé muito simples e está disponível em praticamente qualquer posto de saúde, mas infelizmente não está incorporado à nossa cultura. O papanicolau é desconhecido pela maioria das mulheres e também pode ser motivo de vergonha, por estar associado a doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, demora de um a dois meses para o resultado de exame realizado em centros de saúde voltar, já que o Ministério da Saúde manda esses examespara um local centralizado. É um serviço muito bom, mas a mulher que já não está acostumada a fazer o exame regularmente deixa de voltar, e não existe forma de você retornar o resultado para ela.
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